segunda-feira, 18 de maio de 2020

Otimismo nos mercados internacionais; o veredicto de Celso de Mello; BMW vende carros pelo Instagram

O otimismo no exterior com desaceleração no número de casos do coronavírus fez as bolsas asiáticas e europeias operarem em alta nesta manhã. No Brasil, temas políticos podem interferir nos mercados. A Desperta destaca ainda o maior prejuízo da história no Softbank e a venda de carros de luxo no Instagram pela BMW. Boa leitura.

Restaurante reabrindo na Itália: reabertura mais ampla do comércio começou nesta segunda-feira | REUTERS/Manuel Silvestri

1 - OTIMISMO EXTERNO VS. INCERTEZA INTERNA

A semana começa com uma já tradicional divisão nas atenções de investidores e analistas — as negociações na bolsa serão puxadas pelos dados de relacionados à pandemia do coronavírus, ou pela crise política em Brasília? A possível interferência na Polícia Federal para proteger a família do presidente Jair Bolsonaro deve continuar sendo assunto nos mercados nacionais. A tensão política ajudou o Ibovespa a fechar em queda de 1,84% na sexta-feira, incluindo a vacância no Ministério da Saúde após a saída de Nelson Teich. No exterior, Jerome Powell, presidente do Fed, o banco central dos EUA, disse que o país poderia encolher até 30% no segundo trimestre, mas que a recuperação será rápida. Semana passada foi a pior para os principais índices americanos desde março — Dow encolheu 2,6% e o S&P 500, 2,2%. De lá para cá, o congresso americano aprovou novo pacote de 3 trilhões de dólares para impulsionar a economia. Apesar de o coronavírus seguir avançando nos EUA, e de notícias de uma segunda onda em países da Europa e da Ásia, é a retomada que dá o tom no início desta segunda-feira. Bolsas asiáticas fecharam em alta e índices europeus abriram subindo mais de 2%.

2 - NOVELA BOLSONARO/PF

A semana deve começar na política nacional com os desdobramentos do vídeo de uma reunião ministerial que disparou uma briga de narrativas. É mais uma peça num quebra cabeças que ficou mais complexo no fim de semana. O empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que o senador soube com antecedência de operação da PF que tinha o ex-assessor Fabrício Queiroz como alvo. A Polícia Federal abriu uma investigação interna sobre o caso. Flávio Bolsonaro nega. Paulo Marinho pediu proteção policial. O caso se soma a um inquérito sobre possível interferência na PF foi aberto no Supremo Tribunal Federal depois de acusações do ex-ministro Sergio Moro. Essa intenção de interferir na PF estaria, segundo Moro, provada por frases ditas pelo presidente em reunião ministerial no dia 22 de abril e cujo vídeo foi exibido a um círculo restrito na semana passada. Na sexta-feira, 15, o STF informou que o decano Celso de Mello, sorteado relator da ação, assistiria ao vídeo na íntegra nesta segunda-feira, 18, para então decidir sobre sua divulgação. Ela pode ser integral, como quer Moro, ou parcial, como querem a PGR e a AGU.

3 - A VOLTA À ROTINA NA EUROPA

Pouco a pouco, mais países europeus estão saindo das rigorosas quarentenas adotadas nos últimos meses para conter a propagação do novo coronavírus. Nesta segunda-feira, 18, é a vez de a Irlanda e também de a Itália retomarem algumas das atividades que estavam paralisadas. A Itália, epicentro da pandemia na Europa, permitiu a reabertura de lojas, restaurantes, bares, cabeleireiros, salões de beleza, spas e museus já a partir de hoje. A Itália tem mais de 225.000 casos e quase 32.000 mortes por covid-19. O número diário de mortes foi o menor no balanço de hoje na Espanha e na Itália em dois meses, de 145 e 87, respectivamente. Na Irlanda, que tem 24.100 casos e 1.550 vítimas, a retomada das atividades será feita em cinco fases até agosto. Hoje, o governo liberou algumas atividades de comércio e serviços, como lojas de material de construção. Pessoas podem se exercitar em ambiente aberto. O trabalho remoto segue sendo recomendado.

4 - O INFERNO ASTRAL DO SOFTBANK

O que já estava ruim por dentro pode piorar com elementos externos. É o que mostrou o balanço anual do conglomerado japonês Softbank, divulgado na madrugada desta segunda-feira. O grupo comandado pelo investidor Masayoshi Son reportou prejuízo operacional anual de 1,36 trilhão de ienes (13 bilhões de dólares), o maior de sua história. Pela primeira vez desde 1994, o Softbank também não pagará dividendos. Do prejuízo, 18 bilhões de dólares vieram só do fundo de investimento Vision Fund. Criado em 2017, o fundo de 100 bilhões de dólares já investiu em 88 startups. Seu já controverso portfólio, que inclui empresas que ainda não deram lucro, como Uber e WeWork, ficou ainda mais contestado em meio à pandemia, com medidas de isolamento social afetando em cheio o negócio das empresas investidas. Após mais de 290 bilhões de dólares em aportes de capital de risco no ano passado, o coronavírus e a crise prévia no maior fundo de investimento do mundo devem significar um ponto de virada no ecossistema de investimentos e empreendedorismo, com busca por negócios mais sustentáveis.

5 - CARRO DE LUXO NO INSTAGRAM?

Contas de Instagram já vinham sendo usadas como canal de vendas por alguns segmentos. Mas, até então, não com produtos que custam seis dígitos. Na quarentena pela pandemia do coronavírus, com as concessionárias fechadas, a marca alemã BMW começa hoje a vender pelo Instagram. Quem entrar na conta @bmwdobrasil encontrará lá uma foto com o anúncio de venda do novo 330e M Sport. O interessado deve então fazer o cadastro no post do Instagram mesmo, e as informações serão encaminhadas para a rede BMW concluir as negociações. O preço: 297.950 reais. A BMW já havia testado outra novidade em meio à pandemia, abrindo uma loja oficial de semi-novos e usados no Mercado Livre. As marcas premium parecem estar sofrendo menos dos efeitos da crise até agora: a Porsche no Brasil teve alta de 113% no primeiro trimestre, a McLaren bateu a meta de comercialização no Brasil e, globalmente, a Ferrari superou General Motors e Ford em valor de mercado após um bom primeiro trimestre.

O PIB do Japão encolheu 3,4% no primeiro trimestre. Como o país já vinha de queda de 7,3% no quarto trimestre de 2019, o resultado configura recessão.
O Brasil chegou no fim de semana a 241.080 casos de covid-19 e 16.118 vítimas. É o sexto país com mais vítimas e o quarto com mais casos, atrás de EUA, Rússia e Reino Unido, e ultrapassando Itália e Espanha.
O governador de São Paulo, João Doria, disse em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que, se houver necessidade, aplicará lockdown no estado, mas que o protocolo "ainda não está colocado para aplicação". "Se houver essa necessidade, e se ela for determinada por um crescimento rápido e inesperado do coronavírus, nós colocaremos em ação", disse. O estado tem 62.345 casos e 4.782 mortes.
Ainda em São Paulo, a Prefeitura da capital voltou atrás no rodízio ampliado e o modelo normal volta nesta segunda-feira. A cidade chegou a 2.813 mortes, mais do que a Rússia. A ocupação de leitos de UTI é de 90% e o secretário de Saúde disse no domingo, 17, que o sistema será "profundamente comprometido" em 15 dias caso o isolamento, hoje abaixo de 50%, não aumente.
Jacinda Arden se tornou a primeira-ministra mais popular da Nova Zelândia em um século, mostra pesquisa nesta segunda-feira. Veja como o país conseguiu controlar a pandemia do novo coronavírus.
Junior Durski, presidente da rede de restaurantes Madero, disse à EXAME que “nunca desmereci o valor de uma vida”, sobre a polêmica em que se envolveu quando afirmou em vídeo que “não podemos parar por conta de 5 ou 7 mil que vão morrer”.
No trabalho remoto, interações cara a cara com colegas foram substituídas por meios eletrônicos, o que aumenta o tempo de exposição a telas. Dá para fugir delas? Veja cinco dicas para reduzir o tempo de tela durante o home office.

Bolsa

Na sexta-feira, 15
Ibovespa / -1,84%
S&P 500 / +0,39%
Dólar / 5,837 reais (+0,33%)
Na segunda-feira, 18 (encerrado)
Xangai (China) / +0,24%
Hong Kong / +0,58%
Nikkei (Japão) / +0,48%
Abertas (às 7 horas)
FTSE 100 (Reino Unido) / +2,08%
DAX (Alemanha) / +2,78%
Petróleo (às 7 horas)
WTI / 31,40 dólares (+6,69%)
Brent / 34,18 dólares (+5,17%)

O professor Bradley Garrett, da Universidade de Dublin, vinha estudando há alguns anos milionários pelo mundo que construíam bunkers esperando por alguma grande crise apocalíptica. No coronavírus, os espaços ganharam sua grande chance de ser usados. Alguns têm espaço para 75 pessoas viverem por cinco anos. Veja aqui o artigo do professor Garrett e imagens de alguns empreendimentos (em inglês). 

Bunker visitado por Garrett: empreedimentos milionários escondidos | Reprodução

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