O socorro do BNDES; Ata do Copom; Homenagem a Senna em Interlagos

O mercado brasileiro estará atento hoje à divulgação da ata do Copom, que explicará mais detalhes da política monetária prevista. A Desperta destaca ainda o socorro do BNDES às aéreas e ao setor elétrico e o medo de uma segunda onda do coronavírus nos mercados globais. Boa leitura.
Escolas reabrem na França: mundo teme uma segunda onda do coronavírus | REUTERS/Stephane Mahe
1 - MEDO DA SEGUNDA ONDA
A terça-feira, 12, começou com uma combinação ruim para os investidores — medo de uma segunda onda de contágio do coronavírus e novas ameaças à recuperação da economia. A China anunciou hoje uma nova lista de 79 produtos dos EUA que não serão mais alvo de tarifas impostas no auge da guerra comercial. As regras começam em 19 de maio. Na semana passada, negociadores de Pequim e Washington discutiram a implementação da fase 1 de um acordo entre os países. O anúncio não foi suficiente para grandes altas nas bolsas da Ásia, que fecharam em baixa. Numa notícia que mostra o quanto a pandemia tem comprometido a economia, a petroleira saudita Saudi Aramco anunciou uma queda de 25% nos resultados do primeiro trimestre. Enquanto isso, segue o temor nos mercados de uma segunda onda do coronavírus à medida em que os países começam a reabrir. Um caso emblemático é a Rússia, que anunciou ontem um início de reabertura mesmo com recorde de casos — o país é o segundo com mais contaminados, 232 mil. No Brasil, o receio de que uma adoção mais massiva de lockdowns possa afetar ainda mais a economia ajudou a jogar a bolsa para baixo ontem. As previsões de encolhimento do PIB em 2020 variam entre -4% e -5,5% (e seguem piorando).
2 - O QUANTO OS JUROS PODEM CAIR?
A terça-feira, 12, começa com expectativa no mercado com a divulgação da ata do Copom, que vai trazer mais pistas sobre a trajetória dos juros e da política monetária do Brasil. Na semana passada, o Banco Central fez um corte de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, que foi de 3,75% para 3%. O mercado trabalhava com um cenário de meio ponto. O comunicado destacou que pode haver um novo corte da mesma magnitude na próxima reunião, em 16 e 17 de junho. Os números do IPCA de abril, divulgados dois dias após a reunião do Copom, também mostram um movimento deflacionário: a taxa de -0,31% foi a menor dos últimos 22 anos. O Goldman Sachs destaca que a ata de hoje pode explicar melhor o que o Copom quis dizer com a necessidade de “estímulo monetário extraordinariamente elevado”, termo usado no comunicado publicado pelo BC. Também é esperado que a ata explique o que poderia acontecer até junho para que o Copom altere sua posição. 
3 - O SOCORRO DO BNDES
A negociação de grandes empresas dos setores aéreo e de energia elétrica com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por programas especiais de financiamento para aplacar os efeitos da crise do novo coronavírus nas operações está perto de ser concluída. O pacote de socorro deve ser anunciado ainda nesta semana, de acordo com a expectativa de executivos das companhias envolvidas ouvidos pela EXAME. Para as aéreas, a ajuda deve ficar entre 5 e 7 bilhões de reais. A ideia é que as companhias contempladas vendam debêntures e bônus conversíveis em ações no mercado financeiro, com o BNDES e os bancos privados que estão assessorando as empresas ficando com cerca de 70% e outros investidores com o restante. No caso do setor elétrico, o novo crédito é direcionado às distribuidoras, que estão com dificuldades de pagar as geradoras devido à redução da atividade econômica, que derrubou o consumo de energia e à inadimplência. O empréstimo para as distribuidoras, liderado pelo BNDES e reforçado por bancos privados, deve ser pago pelos consumidores por meio de uma taxa embutida na conta, com um ou dois anos de carência.
4 - VOLTA ÀS AULAS NA FRANÇA
Depois de oito semanas em quarentena, a França tenta aos poucos voltar à rotina. Após reabrir parte do comércio na segunda-feira, 11, hoje foi a volta de creches e escolas para alunos de até 11 anos. A volta às aulas é uma das medidas previstas no plano de reabertura gradual apresentado pelo governo francês. A ideia é que estudantes retornem em etapas. Já os alunos mais velhos, acima de 15 anos, ficam sem aulas até junho. Esta semana, a França também passou a permitir atividades ao ar livre, e shopping centers e lojas puderam reabrir. Mas parte do país, incluindo a capital Paris, seguem com algumas restrições mais duras. O ministro Edouard Philippe disse que o país está "dividido em dois". A França é o sexto país com mais casos de coronavírus, mais de 177.500, e o quinto país com mais vítimas, mais de 26.500. O mundo se aproxima de 4,2 milhões de casos e 287.000 mortes. 
5 - ANIVERSÁRIO DE INTERLAGOS
O Autódromo de Interlagos completa 80 anos nesta terça-feira, 12. Em comemoração, será lançado um novo mural desenhado pelo artista Eduardo Kobra em homenagem a Ayrton Senna (veja a imagem aqui, antecipada pela EXAME). O painel será apresentado às 17 horas, por meio de uma live nas páginas oficiais de Senna no Facebook e no Instagram. Senna fez história no Autódromo de Interlagos com duas notáveis conquistas na F-1, em 1991 e 1993. Mas muito antes, de 1940 a 1990, foi neste seletivo traçado de quase 8 km (reduzido a 4,3 km após reforma em 1990) onde a história do automobilismo brasileiro começou a decolar rumo ao sucesso nas pistas do planeta. O Brasil não tem novos pilotos no grid da Fórmula 1 neste início dos anos 2020, mas Interlagos cumpre o papel de manter o país no mapa da modalidade — literalmente. A pista paulistana movimenta mais de 361 milhões de reais na economia, segundo a SPTuris. Neste ano, a F1 no Brasil enfrenta ainda outro desafio para além das pistas: o contrato com Interlagos termina no fim de 2020. Há discussões também sobre levar a corrida para o Rio.
A Polícia Federal vai exibir às 8 horas, a um grupo restrito de procuradores e autoridades, a gravação da reunião ministerial de abril na qual o presidente Jair Bolsonaro teria cobrado o ex-ministro Sergio Moro para substituir o diretor da PF no Rio. A exibição foi autoridada pelo STF.

A taxa de juros para pessoa física ficou em abril no menor valor desde 2014, a 5,73% ao mês (95,15% ao ano). Mas, apesar da Selic em 3%, deve voltar a subir com expectativa de alta na inadimplência e risco de crédito.

As dicas do estrategista que ganhou 22% com carteira de ações no mês. 


O novo rodízio em São Paulo para aumentar o isolamento pode ter efeito contrário, questionam especialistas. Só 50% da frota pode circular por dia. Na segunda-feira, 11, houve aglomerações em estações de metrô
 

exame.talks
Às 12h - Piero Minardi, presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), e Anderson Thees, sócio da Redpoint eVentures Brazil
No horário acima, assista no site ou no YouTube

Agenda
Resultados, antes da abertura do mercado: Banrisul, BTG Pactual
Depois do fechamento: Trisul
Bolsa
Na segunda-feira, 11
Ibovespa / -1,49%
S&P 500 / +0,02%
Dólar / 5,822 reais (+1,46%)

Na terça-feira, 12 (encerrado)
Xangai (China) / -0,11%
Hong Kong / +1,45%
Nikkei (Japão) / -0,12%

Abertas (às 7 horas)
FTSE 100 (Reino Unido) / +0,84%
DAX (Alemanha) / -0,01%

Petróleo (às 7 horas)
WTI / 25,07 dólares (+3,85%)
Brent / 30,12 dólares (+1,65%)
Em tempos de quarentena global, a plataforma de streaming Spotify lançou uma ferramenta para "unir" seus mais de 280 milhões de usuários ao redor do mundo. No site spotify.com/together, usuários podem ver quem está ouvindo a mesma música ao mesmo tempo, e onde as pessoas estão. 
Spotify: ferramenta para mostrar que usuários a quilômetros de distância estão ouvindo a mesma música | Spotify/Reprodução

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