Hospital de Clínicas pode utilizar plasma de paciente recuperado da Covid-19 em tratamento

Pesquisa está em fase de ajustes finais

Trabalhos devem iniciar nas próximas semanas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Trabalhos devem iniciar nas próximas semanas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre | Foto: Mauro Schaefer

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Um novo tratamento está sendo desenvolvido e pode começar a ser utilizado em breve por pacientes com a Covid-19 em Porto Alegre. Trata-se do uso de plasma do sangue de pacientes recuperados da doença.

De acordo com o chefe do serviço de Hemoterapia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenador da pesquisa Plasma Convalescente no tratamento de pacientes com Covid-19, Leo Sekine, a pesquisa foi aprovada na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e está em fase de ajustes finais. Os trabalhos devem iniciar nas próximas semanas.

Conforme Sekine, uma vez que o paciente tem a recuperação dos sintomas e seja considerado curado, ele desenvolve anticorpos que estão presentes no sangue, mais especificamente no plasma, e esse plasma então seria coletado e, a partir desse doador, seria infundido nos pacientes que tivessem manifestações graves do novo coronavírus.

“Assim, a presença desses anticorpos poderia inibir a magnitude da infecção e o paciente poderia, eventualmente, ter uma manifestação clínica menos grave e até mesmo redução de outras morbidades mais graves como morte ou tempo de ventilação mecânica”, explicou.

O objetivo do projeto, segundo Sekine, é essencialmente esse. “É uma pesquisa, vamos estar experimentando para ver qual o efeito, se é benéfico ou mesmo se é prejudicial, realmente não sabemos qual será o resultado. É um trabalho en que se tem a intenção de ter um grupo controlado: vai haver um grupo que vai receber o plasma paralelamente a um grupo de pacientes que vai receber um tratamento convencional, para que efetivamente se consiga fazer essa comparação entre os resultados de um grupo e outro para entender o benefício dessa terapia”, destacou.

Experiências animadoras

Sekine ainda lembrou que existem experiências anteriores animadoras com uso de plasma convalescente no tratamento de outras doenças virais, como foi o caso das epidemias de SARS e Ebola. “Também se utilizou esse tipo de terapia, pelo menos a experiência foi positiva com outros tipos de infecções virais para as quais existia uma escassez de tratamentos possíveis, é o que está nos levando a tentar isso para a Covid-19 também, é uma via de contribuição no arsenal terapêutico”, destacou.

Após a aprovação da pesquisa na Conep, o grupo ainda precisa resolver questões de financiamento e realizar ajustes internos para efetivamente começar a recrutar pessoas, coletar plasma e, na sequência, começar a selecionar pacientes para receber o tratamento.

A coleta do plasma, segundo Sekine, é simples e leva em torno de 1h. É uma forma específica de coleta, através da doação por aférese, pela qual é possível retirar apenas um dos componentes do sangue total com o auxílio de um equipamento que faz essa separação dos diferentes componentes.

“É realizada uma punção no braço como a doação convencional, demora um pouco mais, o equipamento faz a separação de uma parte específica do sangue e os demais componentes voltam para o doador. É um procedimento bem simples e o plasma fica congelado aguardando um paciente para ser arrolado para o estudo”, enfatizou, lembrando que também será preciso analisar a compatibilidade entre doador e paciente selecionado para receber o tratamento. O ideal é que ambos tenham o mesmo grupo sanguíneo.


Correio do Povo

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