A proibição de voos do Brasil para os EUA instituída ontem pelos estadunidenses deve ser um dos temas do dia nos mercados, assim como a avaliação dos resultados do megaferiado em São Paulo, que acaba hoje. A Desperta destaca ainda os resultados do Magazine Luiza, projetos de crédito para PMEs e uma liquidação de cosméticos capaz de unir as mais ferrenhas concorrentes. Boa leitura.
Aeroporto JK, em Brasília, neste fim de semana: proibição de voos entre Brasil e EUA | REUTERS/Adriano Machado
1 - O MEGAFERIADO FUNCIONOU?
Um dia depois de os Estados Unidos anunciarem a proibição de voos vindos do Brasil, o megaferiado em São Paulo tem hoje seu último dia, com a antecipação do feriado estadual de 9 julho. Ao todo, foram seis dias de parada com o objetivo de reduzir a circulação da população. A expectativa era de que o índice de isolamento social chegasse a 55% na capital. No sábado, 23, no entanto, a taxa na capital havia atingido 53%, um ponto percentual acima ao sábado anterior, mas chegou a ser de 50% ou menos em alguns dias do feriado e em dias de semana comuns. O prefeito Bruno Covas (PSDB) disse que, na quarta-feira, 27, a prefeitura deve anunciar se irá impor um bloqueio total na cidade. São 45.527 infectados e 3.534 mortos na capital - mais da metade dos 82.161 casos e 6.163 óbitos no estado de São Paulo. Outros estados têm adotado estratégias semelhantes e têm feriados ao longo desta semana, como Sergipe, Bahia e Ceará. O Brasil tem até agora 363.211 casos e 22.666 óbitos por coronavírus, com 653 novas mortes registradas ontem.
2 - CRÉDITO PARA OS PEQUENOS
A equipe econômica deve concluir esta segunda-feira, 25, a regulamentação do aporte de 15,9 bilhões de reais ao Fundo de Garantia de Operações (FGO). Os recursos provenientes do Tesouro serão destinados a prover garantias para crédito bancário tomado por micro e pequenas empresas. O dinheiro é fundamental para que saia do papel o Pronampe, programa emergencial de estímulo ao crédito para PMEs. Por meio dele, negócios com faturamento de até 4,8 milhões de reais ao ano poderão contratar empréstimos de até 30% da receita bruta registrada em 2019. Sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada, a lei do Pronampe saiu quase um mês depois de ter sido aprovada pelo Congresso. Reportagem da EXAME mostra que um quarto das 4 milhões de micro, pequenas e médias empresas brasileiras acredita que fechará as portas em meio à pandemia. Acessar crédito tem sido um desafio: pesquisa do Sebrae com a FGV mostra que só 14% das PMEs que buscaram crédito em abril tiveram sua solicitação aprovada.
3 - MEMORIAL DAY
Os americanos celebram nesta segunda-feira um dos feriados mais importantes do calendário dos Estados Unidos. Conhecido como “Memorial Day”, o feriado homenageia os homens e mulheres das Forças Armadas mortos em combate. A celebração também marca o início da temporada do verão e, portanto, levava muitos americanos ao litoral, o que se tornou preocupação para as autoridades em meio ao coronavírus. Nos estados mais ao sul do país, o fim de semana foi marcado por praias lotadas e muitas pessoas em locais turísticos. A tendência é que o movimento continue alto nesta segunda-feira. Na quinta-feira, 21, o presidente Donald Trump avisou que não irá fechar o país novamente, se uma segunda onda da epidemia ganhar força. “Vamos apagar os incêndios, se é uma brasa ou uma chama, vamos apagar. Mas não vamos fechar o país novamente”, disse Trump. Os EUA se aproximam nesta semana de 100.000 mortes por covid-19. São quase 98.000 óbitos até agora e 1,6 milhão de casos.
4 - O CORONAVÍRUS NO MAGALU
A pandemia do novo coronavírus impõe desafios e otimismo em medida parecida para a varejista Magazine Luiza. Uma das estrelas do varejo nacional (e da bolsa) nos últimos anos, o Magalu anuncia os primeiros resultados em meio à crise global após o fechamento do mercado nesta segunda-feira. No momento, algumas lojas da empresa começam a ser reabertas em alguns estados, mas são ainda uma minoria e com circulação reduzida. A esperança de receita ficou para o online, que representou 48% do faturamento no quarto trimestre do ano passado. Em meio à pandemia, o Magalu refez planos para o ano e aumentou sua participação em itens essenciais, como bens de consumo, além de intensificar a atração de pequenos lojistas para seu marketplace. O consenso de analistas ouvidos no começo da temporada de balanços do primeiro trimestre era de alta no faturamento, mas queda no lucro em meio aos investimentos e as lojas fechadas. Investidores seguem otimistas, e o papel da empresa acumula alta de 21% em 2020.
5 - CONCORRENTES UNIDAS
O setor de produtos de beleza já vinha sofrendo retração antes mesmo na quarentena decretada pela pandemia do coronavírus. O aumento das vendas online, no entanto, tem compensado em parte o prejuízo desse segmento. Para aproveitar essa demanda, a campanha Liquida Beauty oferecerá, de hoje até o dia 31 de maio, descontos e promoções especiais de cosméticos e dermocosméticos para o público feminino. O evento já está sendo chamado pelos organizadores de “a maior liquidação de cosméticos da internet”. Em um site único estarão à venda produtos de marcas como Sephora, O Boticário, SkinCeuticals, Granado, Avon, Eudora, Neutrogena e Quem disse Berenice, e também de revendedores como drogarias e a C&A. Um relatório da Euromonitor espera queda na vendad e produtos associados à vida social, como, fragrâncias, maquiagem e esmaltes. A aposta é no crescimento de produtos para pele, cabelos e olhos.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, apresentou sinais suspeitos da covid-19 e ficará em monitoramento. Veja os políticos e autoridades que já foram infectados com o coronavírus até agora.
O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, disse à Globonews sobre a covid-19 que o Brasil navega "em situação de absoluta incapacidade de enxergar o que vai acontecer pela frente".
O premiê britânico Boris Johnson quase despediu o conselheiro Dominic Cummings, que viajou 400 km com a esposa em março. Johnson, no fim, decidiu neste fim de semana por mantê-lo, apesar de pressão da oposição.
A gestora carioca Dynamo, que captou 1 bilhão de reais no auge do estresse dos mercados, elegeu as companhias que considera "imunes" para o curto prazo. (Assine gratuitamente a newsletter do EXAME IN e receba primeiro notícias exclusivas)
Um adolescente estadunidense de 17 anos criou um monitor da covid-19 com milhões de visualizações — e recusou oferta de 44 milhões de reais por ele.
B2W, Saint-Gobain, Raízen e mais 31 empresas têm vagas abertas de estágio e trainee. Veja aqui as vagas e salários.
Agenda
- Banco Central: Boletim Focus (8h25)
- Ministério da Economia: Índice de evolução de emprego - Caged (15h)
Balanços, após o fechamento dos mercados: Magazine Luiza
Bolsa
Na sexta-feira, 22
Ibovespa / -1,03%
S&P 500 (fechado hoje) / +0,24%
Dólar / 5,57 reais (-0,15%)
Na segunda-feira, 25 (encerrado)
Xangai (China) / +0,15%
Hong Kong / +0,01%
Nikkei (Japão) / +1,73%
Abertas (às 7 horas)
FTSE 100 (Reino Unido) / -0,37%
DAX (Alemanha) / +1,64%
Petróleo (às 7 horas)
WTI / 33,52 dólares (+0,81%)
Brent / 35,16 dólares (+0,09%)
O coronavírus fez abraços e apertos de mão virarem coisa do passado por ora. No começo do ano, os países já vinham adotando uma adaptação em seus cumprimentos, o toque de cotovelos tendo se tornado o mais conhecido (e virado até logo do Mercado Livre). Mas, país a país, uma série de outras "alternativas" foi encontrada: de toque de pé a mão no peito. O pós-pandemia deve manter algumas delas enquanto o mundo se recupera. Veja aqui os cumprimentos sem toque ao redor do mundo (em inglês).
Presidente Recep Erdogan, na Turquia: o cumprimento eyvalla, com a mão sob o peito, foi revivido | Anadolu Agency/Getty Images
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