DICK MORRIS: "RECOMENDEI A ESPERT UMA ARMA SECRETA PARA A MUDANÇA: OS JOVENS"!

(Brenda Struminger - La Nacion, 25/07) O assessor político norte americano Dick Morris, que se juntou à campanha presidencial de José Luis Espert nos últimos dias, está trabalhando em uma estratégia para "penetrar na polarização". Ele acredita que o economista liberal, que nunca ocupou um cargo ou foi candidato, pode entrar na política de maneira surpreendente. Ele diz que na Argentina, como no Reino Unido e nos Estados Unidos, há também um "voto oculto".
Ex-assessor de Bill Clinton e do líder pró-Brexit Nigel Farage, ele trabalhou com Fernando de la Rúa em 1999, com Aníbal Ibarra em 2000 - ambos venceram - e com Mauricio Macri em 2003, quando foi derrotado. Hoje, Morris descreve o sistema político argentino como uma "anomalia", porque "a maioria vota em um candidato que não gosta". "Eu nunca vi uma coisa dessas", diz ele.
- Você chegou na campanha de Espert na semana passada. Qual foi o seu conselho?
Na Argentina, 70% vota em Kirchner ou Macri. Mas 65% das pessoas não gostam de Macri. E 70% não gostam de Kirchner. Em outras palavras, a maioria dos argentinos não gosta das pessoas em que votam. É a primeira vez que vejo algo assim. É uma anomalia. Para penetrar nesse sistema, recomendei a Espert uma arma secreta, que traz uma mudança incrível: os jovens.
- Você acha que os jovens apoiariam Espert?
Vá para um campus universitário ou passe algum tempo na rua com jovens e fale com eles sobre isso. Eles dirão que todos os políticos são cheios de merda, exceto Espert. Porque, na verdade, ele é o cara que te conta como é a coisa. Trump tinha um voto que ninguém prestou atenção, ninguém sabia que eles estavam vivos. E então eles saíram e votaram. O mesmo aconteceu com Jair Bolsonaro.
-Qual o índice de jovens que os apoiam, de acordo com suas medições?
Os jovens até 25 anos são um terço do número total de eleitores e Espert tem 15% do voto jovem. Kirchner está apenas um ou dois pontos acima. Macri está abaixo e Lavagna também. Espert vai ter uma maioria de pessoas muito jovens, o que lhe dará a capacidade de obter apoio fora do sistema, para entrar no sistema, que é artificialmente polarizado.
-Qual a sua projeção para superar essa polarização?
Nas primárias, Espert não precisa conseguir mais votos do que Kirchner ou Macri. Ele só tem que conseguir mais votos do que Lavagna. E Macri tem que terminar em segundo por 7 pontos. Assim, todos dirão: "Uau, olhe para Espert, se fortalecendo, de onde vieram os seus eleitores?"
-Todas as pesquisas apontam para um segundo turno entre Macri e Fernández.
Nosso voto jovem vai ser uma revolução, como Bolsonaro no Brasil, Trump nos Estados Unidos ou o Brexit na Grã-Bretanha. As pessoas vão dizer: "Macri não pode derrotar Kirchner. Se mantivermos Macri, vamos conseguir Kirchner. Temos que nos livrar de Macri e colocar o candidato que pode vencer". E aí surge Espert.
-Espert tem 8 pontos de intenção de voto, Macri tem cerca de 30.
Macri tem 65% de desaprovação. As pessoas não vão votar nele. E a chave é que temos essa nova lei na Argentina, as PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias), que é uma pesquisa com uma amostra 100% obrigatória, à qual todos prestam atenção. Ninguém pode ignorá-las. E são elas que nos permitirão vencer. Todos votam pelo que querem e depois há outra escolha.
-Como conseguirão o apoio dos jovens para ganhar as PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias)?
Nós temos uma maneira secreta de fazer isso: as redes sociais. Os partidos políticos prepararam um acordo para controlar a eleição, eles garantiram que ninguém tem dinheiro para pagar o tempo na televisão, exceto as duas grandes forças, porque esse tempo é alcançado de acordo com o desempenho da última eleição. O caminho para escapar dessa lógica são as redes sociais.
- Em que outros aspectos você compara Espert com Trump e Bolsonaro?
Apenas na questão do voto oculto. Quanto ao resto dos tópicos, eles são muito diferentes, não há comparação. Espert acredita em democracia e ordem em uma eleição, Trump considera que não é importante. Eu trabalhei muito duro na campanha do Brexit com meu cliente Nigel Ferage. Todo o estabelecimento da Grã-Bretanha disse: "Oh, o Brexit é terrível, miserável". Mas pessoas que não eram ricas e não tinham poder, inclusive os liberais e trabalhadores, de repente saíram e nos fizeram ganhar. Todos ficaram surpresos. Eles se perguntaram: "Como isso pôde acontecer aqui?"
- É possível em três semanas superar Lavagna e ficar em terceiro lugar nas PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias)?
Lavagna tem cerca de 12%. Subir quatro pontos em três semanas é possível.
- Você assessorava Macri nas eleições de 2003, em que ele foi derrotado. Ficou surpreso quando ele chegou à Presidência?
Não, acho que ele é bem-sucedido porque sempre há um Kirchner em algum lugar. Se não, ninguém apoiaria. É incompetente, não pode dirigir um submarino, não pode administrar o comércio, não pode tornar o sistema previdenciário solvente ou controlar a inflação, nem promover a reforma tributária que a maioria dos países fez. Ele é um garoto rico que nunca faz sua lição de casa e nunca presta atenção aos seus estudos. Ele nunca teve que sujar as mãos e trabalhar duro. Ele tem hábitos terríveis de estudo, de trabalho. Sempre triunfou por conta de seu pai, por dinheiro ou pela reputação dos Kirchners.
-Por que você acha que Macri tem o apoio de Trump?
Trump está ansioso para vencer Kirchner por causa de seu papel contra os Estados Unidos. Ela é antiamericana, ele apoiaria qualquer um que pudesse derrota-la.
-Você acredita que Espert poderia conseguir seu apoio depois do PASO?
Sim, ele apoiaria qualquer um que vencesse Kirchner.


Ex-Blog do Cesar Maia



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