por Júlia Moura

Roubos de celulares passam a ser avisados entre instituições via blockchain
O sistema financeiro nacional ganhou uma rede de compartilhamento de dados para combater fraudes. A Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional foi lançada nesta quarta-feira (12) e já conta com nove bancos.
Em um primeiro momento, apenas a identificação de dispositivos móveis roubados será compartilhada. O instrumento, contudo, é o primeiro passo para o desenvolvimento de pagamentos instantâneos e do open banking entre instituições.
Desenvolvida pela CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), associação civil que integra o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), e pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a rede já está em operação. Fazem parte Bradesco, Banrisul, Banco do Brasil, Caixa, Banco Original, Itaú, JP Morgan, Santander e Sicoob.
Caso o usuário tenha o seu celular roubado, ao informar um banco, os demais serão automaticamente avisados. Do mesmo modo, caso recuperado, o sistema bancário é informado em conjunto.
As informações podem ser inseridas na rede por meio do nó de blockchain do banco ou por API (Interface de Programação de Aplicativos, em inglês), caso a instituição não tenha a tecnologia blockchain.
O processo é semelhante ao projeto Celular Legal da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que funciona com a colaboração de usuários, fabricantes e operadoras para evitar o uso de dispositivos furtados, roubados ou extraviados.
Segundo Joaquim Kavakama, superintendente-geral da CIP, a entidade já está em contato com operadoras para incluí-las na rede blockchain.
A tecnologia blockchain, que dá mais segurança e rapidez a transações em uma plataforma criptografada e descentralizada, segundo os desenvolvedores, foi fundamental para colocar o projeto em prática, pois tem um menor custo de implementação. Nela, as instituições utilizam os sistemas que já possuem.
No primeiro ano de funcionamento, a rede terá custo zero para os bancos, sendo bancada pela CIP. Com novas funcionalidades, o serviço deve passar a ser pago.
Qualquer instituição financeira pode aderir ao sistema, incluindo fintechs. No futuro, o plano é expandi-la para meios de pagamento.
“Essa é mais uma ferramenta para os algoritmos de segurança dos bancos. Com ela, o volume de fraudes via celular vai cair drasticamente”, afirma Leandro Vilain, da Febraban.
Segundo Vilain, a tecnologia pode ser utilizada, ainda, para desenvolver uma identidade digital verificável.
De acordo com a entidade, 31,3 bilhões de pagamentos e transferências foram feitos pelo celular em 2018, superando o internet banking. O valor corresponde a 40% do total de transações bancárias no período, que chega a cerca de 80 bilhões.
Para utilizar a rede de compartilhamento em transações bancárias, o processo é mais longo. No momento, a tecnologia blockchain não suporta a quantidade de transações por minuto nos horários de pico no Brasil.
“Temos uma fintech que conseguiu realizar mil transações por segundo com blockchain, mas isso é muito pouco. De modo a viabilizar o pagamento instantâneo, é necessário o processamento de, no mínimo, 20 mil transações por segundo”, afirma Kavakama.
Fonte: Folha Online - 12/06/2019 e SOS Consumidor
REFORMA DA PREVIDÊNCIA AMEAÇADA POR -MELHORIAS-
XVIII- 167/18 - 12.06.2019
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FORUM DE GOVERNADORES
Ontem, depois de se reunir com os governadores que foram a Brasília para convencer os deputados de suas bancadas estaduais da necessidade de colocar Estados e Municípios na REFORMA DA PREVIDÊNCIA, o relator da Comissão Especial, Samuel Moreira, disse que vai entregar um parecer -MELHOR- do que consta na PEC produzida, e defendida, pela equipe econômica liderada pelo ministro Paulo Guedes.
MELHOR???
Antes de tudo é bom que fique bem claro que aquilo que o relator classifica como -MELHOR- não passa de uma DESFIGURAÇÃO BRUTAL da PEC DA NOVA PREVIDÊNCIA. Diz ele que -com relação às mulheres, nós teremos uma PEC melhor, com os professores também, com o BPC e o rural, idem.
ROMBOS FISCAIS ASSEGURADOS
Como já escrevi mais de 150 editoriais defendendo a necessidade de uma BOA REFORMA DA PREVIDÊNCIA, confesso que fiquei frustrado e preocupado com as -MELHORIAS- apresentadas pelo relator, que na verdade servem para ASSEGURAR a continuidade dos terríveis ROMBOS FISCAIS.
IDADE MÍNIMA
Vejam que um dos maiores problemas da PREVIDÊNCIA está na IDADE MÍNIMA, que a PEC propõe alteração para 65 anos para homens e 62 para mulheres (o correto seria 67 anos, tanto para homens quanto para mulheres).
PRIVILÉGIOS
No caso dos professores, como bem lembra o pensador Mateus Bandeira, o relator faz concessões para incluir os Estados e Municípios conferido a PRIVILÉGIO -idade de aposentadoria- para uma das categorias que mais pesa no desequilíbrio previdenciário. Para quem não se ligou, os professores/as e os militares representam os dois maiores contingentes de servidores ativos e inativos dos Estados. Qual a lógica?
PARTO DE UM RATO
Ora, se esta é a tal de REFORMA DA PREVIDÊNCIA que pode vir a ser aprovada, só me resta dizer que tudo não passa de um REMENDO PREVIDENCIÁRIO com graves consequências para a economia. Se esta é a vontade os governadores, o melhor é deixar que cada Estado e cada Município cuide da sua previdência. Do jeito que relator se posicionou, a REFORMA DA PREVIDÊNCIA equivale ao parto de um rato.
MARKET PLACE
VENDAS DO COMÉRCIO - Enquanto a REFORMA DA PREVIDÊNCIA vai sendo mutilada, as vendas do comércio varejista restrito, que excluem veículos e material de construção, seguem em queda: em abril caíram 0,6% em relação a março, após ficar estável em março (+0,1%) e em fevereiro (-0,1%), segundo dados divulgados pelo IBGE.
NÃO NOTÍCIA - Eis o texto do editor do site Olhar Crítico, Rafael Rosset sobre a -NÃO NOTÍCIA- do Intercept de Glenn Greenwald:
Há um mês o NYT liberou 10 anos de informações de Imposto de Renda de Donald Trump, relativas aos anos 80 e 90. Uma vez que essas informações são sigilosas, não restam dúvidas de que foram obtidas por meios ilegais. As declarações mostravam que em boa parte do período nenhuma outra pessoa física nos EUA havia perdido mais dinheiro que Donald Trump. Don Lemon, âncora da CNN, chamou Trump de "fraude" e de "charlatão" e teve um acesso histérico de riso ao vivo, ao supostamente "desmascarar" alguém que se apresentava como brilhante homem de negócios, mas que na realidade seria um perdedor.
Passado o choque, alguém lembrou que Trump não só jamais havia escondido seus prejuízos bilionários, como inclusive havia escrito um livro inteiro sobre as lições que havia aprendido com eles, publicado em 1988. Além disso, em dezenas de entrevistas, inclusive durante a campanha, Trump havia declarado de maneira aberta que tinha ido à falência não uma, mas quatro vezes ao longo da vida.
Toda a matéria do NYT não passava de uma "não notícia". Os grandes segredos revelados pelo jornalão eram, na verdade, mais públicos que a vida íntima das irmãs Kardashian.
Passados 30 dias do "escândalo", e finalmente substituído o Rivotril vencido do Don Lemon, ninguém mais dá a mínima para o vazamento, e a única explicação que falta é como o NYT quebrou o sigilo fiscal de um cidadão de maneira impune.
Corta para o Brasil em junho de 2019. O Intercept de Glenn Greenwald publica mensagens trocadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, obtidas de maneira confessadamente ilegal através de violação criminosa de sigilo de correspondência. Uma das mensagens mostraria Moro falando sobre um convite recebido para assumir o Ministério da Justiça, depois do primeiro turno mas antes do segundo turno. "Temos conversas que ainda não reportamos sobre Moro estar pensando [antes da eleição] na possibilidade de aceitar uma oferta do Bolsonaro, caso ele ganhasse. Isso foi antes da eleição, acho que depois do primeiro turno", afirmou Greenwald.
Uma pesquisa no Google mostra que, em 23 de outubro (antes do segundo turno portanto), o próprio Sérgio Moro afirmou publicamente que havia sido sondado por Paulo Guedes para o Ministério da Justiça. Em 21 de outubro Gustavo Bebianno dizia que Moro seria convidado para o Ministério da Justiça em eventual governo Bolsonaro. Nunca houve mistério nenhum sobre isso.
"Não notícia."
Mas continua. Dizem Gabriel Saboia e Igor Melo, no UOL, que "em 1º de outubro, a seis dias do primeiro turno, Moro tornou público um anexo da delação premiada de Antonio Palocci, homem forte dos governos de Lula e de Dilma Rousseff, com denúncias contra os governos petistas." "Todo mundo sabe que [Moro] fez isso para impedir o adversário principal do presidente de concorrer, e isso o ajudou a ganhar a eleição", completou Greenwald.
Ora, o "adversário principal" do presidente era Lula. A sentença que condenou Lula, da lavra de Moro, é de 12 de julho de 2017, 15 meses antes da eleição, quando nem mesmo Bolsonaro tinha certeza de que seria candidato. Em 5 de abril de 2018 o TRF da 4ª Região mandou que a 6ª Vara Federal de Curitiba expedisse mandado de prisão contra Lula. Lula foi preso em 7 de abril de 2018, muito antes de poder registrar sua candidatura, por ordem de um tribunal de apelação, não de Sérgio Moro. Não houve golpe nem atentado contra a democracia. Só um corrupto condenado normalmente recolhido ao xilindró pra cumprir sua pena.
Mais uma vez, "não notícia".
Fiquem tranquilos. Quando vazar alguma mensagem do Moro mandando o Dallagnol enfiar processo em algum lugar, negociando silêncio de delator ou dando foro privilegiado pra assessor pra que não seja preso, aí a gente pode começar a se preocupar.
FRASE DO DIA
Quem não sabe o que procura, não percebe quando encontra.
D. Domingues
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