Conferência de Paris marca posição internacional sobre Oriente Médio

Da Rádio França Internacional

François Hollande (Agência Lusa/Divulgação)

O presidente francês François Hollande declarou que a solução de dois Estados "é ainda e sempre o objetivo da comunidade internacional"  Agência Lusa/EPA/Stephane de Sakutin/Direitos Reservados

A Conferência pela Paz no Oriente Médio realizada neste domingo (15), em Paris, para discutir a questão entre Israel e a Palestina, terminou com um claro posicionamento de parte da comunidade internacional a favor da criação de dois Estados, como a única saída para o conflito histórico na região.  Israel não participou da conferência, que foi considerada "uma farsa" pelo premiê Benjamin Netanyahu.

Sem ambição de uma proposta final, o evento foi encerrado com uma mensagem de 70 países e ONGs internacionais ao presidente americano eleito Donald Trump: a criação de dois Estados pode solucionar a crise histórica e reabrir o diálogo interrompido entre as partes.

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No encerramento da conferência, o presidente francês François Hollande declarou que "a solução de dois Estados não é o sonho de um sistema que ficou para trás. É ainda e sempre o objetivo da comunidade internacional". Hollande esclareceu que não existe a intenção de ditar regras aos dois lados. "Somente as negociações diretas entre israelenses e palestinos podem conduzir à paz, ninguém poderá fazer isso no seu lugar", afirmou.

Jerusalém, o pomo da discórdia

Durante a sua campanha eleitoral, Trump anunciou a intenção de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada dos EUA para lá, o que contraria todo o esforço histórico americano e internacional para a resolução da crise, já que o estatuto de Jerusalém é o centro da discórdia entre as duas partes, pois os palestinos também querem que a cidade seja a capital do seu futuro Estado.

Na abertura do evento, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Marc Ayrault, lembrou que a transferência da embaixada americana para Jerusalém pode ter graves consequências em uma relação de desconfiança que é particularmente perigosa. "Ninguém está livre de uma nova explosão de violência", alertou.

O atual secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que vem se dedicando nos últimos meses à retomada do diálogo entre as partes, fez questão de vir a Paris para marcar o posicionamento do governo Obama, totalmente contrário ao do próximo presidente. Recentemente, Kerry denunciou novamente a colonização israelense nos territórios ocupados.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por sua vez, considerou a conferência "uma impostura" e uma ingerência na política de Israel. Cerca de mil pessoas protestaram contra o evento em Paris atendendo a um chamado do conselho representativo das instituições judaicas da França. Elas reclamaram contra a realização do encontro sem a presença das partes envolvidas.

 

 

Agência Brasil

 

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