Atividades culturais e homenagens marcam cinco anos do massacre de Realengo
Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil
Familiares e amigos das vítimas da tragédia de Realengo prestam homenagem aos jovens que morreram no massacre, há cinco anos, na Escola Tasso da Silveira Tânia Rêgo/Agência Brasil
Uma vigília na noite dessa quarta-feira (6) deu início às homenagens às 12 crianças mortas há cinco anos dentro da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Amigos e parentes acenderam velas e rezaram na porta da escola, em um momento de reflexão que durou cerca de uma hora.
No dia 7 de abril de 2011, às 8h15, o ex-aluno Wellington Menezes entrou no colégio e fez pelo menos 60 disparos com dois revólveres em direção aos alunos de duas salas de aula, matando dez meninas, dois meninos e deixando 12 adolescentes feridos. Após ser baleado na perna pelo policial militar Márcio Alves, Wellington suicidou-se.
Cinco anos depois, a escola retomou sua rotina. Os estudantes da época já saíram de lá e a direção também mudou. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, os responsáveis pelo colégio preferem não se pronunciar sobre a data.
Já os parentes das vítimas decidiram lutar por mais segurança nas escolas. “Relembrar é reagir, esquecer é permitir”, afirma a presidenta da Associação Anjos de Realengo, Adriana da Silveira Machado, mãe da estudante Luísa Paula da Silva, uma das 12 vítimas. Ela diz que hoje a Tasso da Silveira é uma escola-modelo, com toda a estrutura necessária e guarda municipal para fazer a segurança. Para quem a dor da tragédia permanece, a mudança tem que ocorrer em todas as escolas.
Presidente da associação Anjos de Realengo, Adriana Silveira MachadoTania Rego
“Eu lembro que logo que aconteceu foram contratados 3 mil porteiros. Três anos depois, foram mandados todos embora. Hoje, quem abre o portão para a entrada e saída das crianças são os próprios funcionários, ou o professor, o diretor. Hoje, luto em nome da minha filha, em nome dos 12 alunos que perderam a vida e das outras crianças para que se beneficiem do que eles não tiveram. Para não ver outra mãe, outra família chorar e passar pelo que passamos”.
Segundo a Secretaria de Educação, apenas o fato de ter porteiro não garante segurança, já que no dia da tragédia havia uma pessoa responsável pela entrada no colégio, mas o assassino não foi barrado. A secretaria admite que não existe mais a função de porteiro nos quadros das escolas, mas que sempre há alguém responsável pela entrada e saída dos estudantes, além da Guarda Municipal que faz a ronda.
Homenagens
Para marcar os cinco anos da tragédia, às 8h de hoje os alunos da Tasso da Silveira estarão no pátio para o hasteamento da Bandeira do Brasil. Em seguida, serão soltos balões. Às 8h15, horário em que Wellington começou a atirar, tem início o ato ecumênico na praça em frente ao colégio, onde estão as estátuas em homenagem às crianças. No início da noite, às 18h30, a Associação Anjos de Realengo será homenageada em sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
De acordo com Adriana, no domingo (9) haverá atividades culturais na região da escola, como grafitagem de muros, e a partir de segunda-feira a associação promoverá palestras, dentro da Semana da Cultura da Paz. O tema principal a ser tratado é o bullying - violência física ou psicológica praticada reiteradamente por um indivíduo ou grupo que causa dor e angústia na vítima. Uma das hipóteses sobre o crime é que o atirador, com 23 anos na época, sofreubullying na escola.
“A gente tem uma luta intensa com relação ao bullying também, que é uma violência terrível e tem levado à morte muitas crianças e adolescentes. Saiu uma lei para que tenha hoje um trabalho sobre o bullying, mas essa lei tem que funcionar, tem que ser feita uma ação intensiva nas escolas sobre a violência, sobre o bullying, o mal que causa, a que leva, para isso ficar bem claro na memória dos adolescentes, das nossas crianças”, acrescenta a presidenta da associação.
Ela diz também que é preciso ter mais atenção dentro da escola com crianças que possam apresentar problemas psicológicos. “Eu tenho uma bandeira aqui, para que o psicólogo também esteja dentro da escola. O psicólogo e o assistente social, porque quando o aluno entrar no colégio - muitos já vêm com problemas de dentro casa - seja identificado logo, encaminhada para um tratamento, e, se preciso, a família também. Para que não ocorra nunca mais o que aconteceu”.
Apoio
Além de acompanhamento psicológico que os sobreviventes e familiares ainda recebem, três adolescentes feridos ficaram com sequelas mais graves: Thayanne, que ficou paraplégica e usa cadeira de rodas; Luan Vitor, que perdeu a visão do olho direito e ainda passa por cirurgias; e Alan, que ainda sente dores fortes no braço em que foi baleado.
Adriana relata que as famílias das vítimas formaram uma rede de apoio para seguir em frente e cada um buscou um caminho para superar a dor. “Depois do que aconteceu, eu me entreguei a essa causa, até mesmo para que a morte das crianças não seja em vão. Logo depois, comecei a fazer um trabalho com famílias que perderam seus filhos, temos encontros sempre. E tenho dado palestras nas escolas. Antes, eu era autônoma e nunca mais voltei a trabalhar, virei ativista”.
Maria José Martins, mãe de Larissa, outra vítima, conta que as famílias se uniram e se ajudam para não entrar em depressão. “Quando uma das mães está afastada, a gente pega o telefone para saber se está precisando de ajuda, uma palavra de amor. A gente diz: amiga, venha conversar, distrair um pouco'. Não é só falar em dor, porque as crianças não vão gostar que estejamos tristes. Se a gente ficar triste assim, elas estarão também lá em cima”,
Adriana pede a união de toda a sociedade para melhorar a educação no país e evitar que tragédias como a de Realengo se repitam. “Hoje, lutamos para que toda a sociedade se una a nós, não para relembrar a dor e o sofrimento, mas para lutar por mudanças, pelo direito de toda criança e de todo adolescente a ter um ensino de qualidade, uma escola segura, o direito de ir e de vir com vida. Que não aconteça com criança nenhuma o que ocorreu com os nossos filhos. Ninguém merece passar pelo que a gente passou”.
Em setembro do ano passado, um monumento foi inaugurado ao lado da escola em homenagem às vítimas, com esculturas de bronze de 11 crianças e adolescentes, com 1,5 metro de altura e uma borboleta representando a 12ª vítima, já que a família pediu que o rosto da criança não fosse reproduzido no memorial.
Em maio de 2014, os corpos foram reunidos em um memorial no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Em 2011, os nomes das vítimas batizaram 12 novos Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI) da prefeitura, que funcionam como creche e pré-escola.
Cardozo: governo pode ir à Justiça contra relatório e procedimentos da comissão
Paulo Victor Chagas - Repórter da Agência Brasil
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, considerou nulo e improcedente o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que apresentou parecer favorável ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o afastamento dela do cargo. Demonstrando preferência para que os “vícios” e “nulidades” apontadas pela defesa sejam corrigidos pelo próprio Congresso Nacional, Cardozo, porém, não descartou judicializar o processo, com recursos jurídicos contra o relatório apresentado por Jovair Arantes.
“Eu confio que esse relatório não seja aceito pela comissão especial. As nulidades são flagrantes, as evidências são óbvias e o melhor seria que se corrigisse. Porque arrastar uma decisão como essa não faria bem para ninguém. Agora, se por ventura os direitos do estado democrático de direito forem violentados do ponto de vista do mandato presidencial, seguramente iremos à Justiça”, declarou Cardozo, sem revelar o momento em que esse recurso se daria.
Responsável pela defesa da presidenta no processo de impeachment, Cardozo disse que vai continuar insistindo na tese de que o processo de impeachment é nulo. Segundo ele, o relatório não responde questões apontadas pelo documento encaminhado pela defesa, e aborda questões que “ultrapassam os limites da denúncia”.
“A impressão que nos dá, com a devida vênia, é que ele [Jovair Arantes] tinha conclusão já afirmada e saiu correndo atrás das premissas. Ou seja, ele queria o impeachment e aí ficou a justificá-los. Porque todas as questões que foram levantadas pela defesa eu não pude ver a resposta”, afirmou, referindo-se ao mérito das questões levantadas.
Após a leitura do relatório, Cardozo convocou uma entrevista coletiva para questionar pontos da sessão de hoje e do relatório que, segundo ele, devem ser anulados por, principalmente, cercearem o direito de defesa de Dilma.
Advogados da presidenta
De acordo com o ministro, os advogados da presidenta não foram intimados a participar das etapas do processo. Mesmo assim, informou, eles compareceram à sessão desta quarta-feira (6) na tentativa de apresentarem questões de ordem durante a leitura do relatório, mas não puderam se manifestar. “Ao não ter sido dada a palavra ao advogado, infringiu-se a lei, a prerrogativa do advogado e feriu-se de morte mais uma vez o exercício do direito de defesa da presidenta”, disse.
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Cardozo acusou o relatório também de não responder sobre questionamentos feitos pela defesa acerca de elementos que não constam na denúncia apresentada pelos advogados Miguel Reale Júnior, Janina Paschoal e Hélio Bicudo. Ele também criticou a presença dos autores do pedido de impeachment em sessão na comissão, quando, segundo ele, “a denúncia deve ser explicada por si própria”.
Vingança de Cunha
Segundo o ministro, Jovair Arantes não respondeu à argumentação preliminar da defesa de que o pedido de impeachment foi aceito por “vingança” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o que caracterizaria um vício processual. “Essa questão deveria ter sido respondida pelo relator. Por que não houve desvio de poder? Não houve vingança? O senhor relator não disse em nenhum momento que não foi uma vingança, apenas se limitou a dizer que o Judiciário tinha apreciado, quando não apreciou. O relatório ignorou completamente uma acusação frontal de ilicitude desse processo, não cuidou de explicar porque não seria desvio de poder aquilo que ocorreu no desencadear do processo”, disse.
Para Cardozo, a comissão deveria ter tirado dos autos fatos “estranhos” à denúncia, como a delação do senador Delcídio do Amaral e indícios de crime de responsabilidade cometidos antes de 2015, quando começou o segundo mandato de Dilma. A interpretação dele é de que a partir daí deveria ter sido reaberto prazo para a defesa e os deputados membros da comissão deveriam ter sido advertidos sobre a “nulidade” desses fatos estranhos.
“O relator lamentavelmente passou batido pela questão, grave violação do princípio do devido processo legal. Na parte das preliminares, não só o relator não tratou das questões, não enfrentou, não respondeu, como ainda as agravou, porque cerceou o direito da defesa e distorceu o objetivo do processo”, disse.
Meta fiscal
Cardozo repetiu parte da defesa apresentada por ele na comissão do impeachment, de que as alterações orçamentárias feitas pela presidenta não interferem na meta fiscal, que não houve ato que impute a Dilma crime de responsabilidade e que não há ilegalidade nos decretos assinados por ela. “Como se continua a insistir num erro primário como este [confusão entre meta fiscal com decretos orçamentários]? Eu só tenho uma justificativa: quer-se a conclusão a despeito dos conceitos. Quer se construir um crime a qualquer preço, quando ele não ocorreu”.
Assim como na apresentação feita nessa segunda-feira (4), o advogado-geral da União disse que ainda que houvesse problema com as alterações orçamentárias, não haveria dolo da presidenta porque ela se baseou em pareceres de órgãos técnicos, atendeu a solicitações de outros poderes e cumpriu recomendações de tribunais de Contas.
“De que crime nós estamos falando? De que atentado à Constituição nós estamos falando? O senhor relator não consegue demonstrar isso. Faz uma análise de muitas palavras, mas de pouco conteúdo. Há erros crassos, com a devida vênia e respeito que tenho pelo senhor relator, do ponto de vista do direito financeiro”, disse.
Projeto monitora onça em gestação em reserva florestal no Amazonas
Bianca Paiva - Correspondente da Agência Brasil
Onça é monitorada em reserva do AmazonasAmanda Lelis/Instituto Mamirauá
Duas onças da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, receberam colares de GPS que vão indicar a movimentação delas pela floresta. Os animais foram incluídos no Projeto Iauaretê, do Instituto Mamirauá, que faz o monitoramento da espécie.
As onças foram encontradas durante trabalho de campo em janeiro e março e estavam em condições satisfatórias de saúde. Uma é preta e ganhou o nome de Django. A outra é pintada e está prenhe de dois filhotes. A gestação de Fofa, como o animal foi chamado, mostra que a região é favorável para a reprodução da espécie, considerada vulnerável no Brasil.
A descoberta vai permitir observar pela primeira vez na Amazônia o desenvolvimento dos filhotes e a movimentação da mãe nos períodos de pré e pós-parto.
Segundo a bióloga do grupo de conservação de felinos do Instituto Mamirauá, Wezddy Del Toro, o projeto começou em 2008 e desde então capturou 18 onças. Cinco delas receberam o colar com GPS.
“Uma vez que o animal é capturado, a gente faz um exame clínico, vê se tem alguma doença e pega algumas amostras para futuras análises. Durante a captura é colocado um colar com GPS que fica mandando as coordenadas de onde o bicho está se movimentando. A gente recebe essa informação via satélite por e-mail e, com isso, consegue observar a movimentação dos animais e as áreas de vida que eles estão utilizando”, disse a bióloga.
O trabalho de observação das onças já identificou um comportamento inusitado da espécie na região. Durante o período de cheia do Rio Solimões, toda a reserva fica alagada, mas os animais permanecem na área de várzea abrigados nas copas das árvores.
“Eles ficam na várzea, que são as florestas inundáveis, durante todo o tempo da inundação. Isso quer dizer que ficam morando nas copas das árvores entre três e cinco meses por ano, nadando de uma árvore para outra, procurando alimentos e abrigo. É um comportamento inusitado para felinos e é a primeira vez que isso é registrado”, contou Wezddy.
O Projeto Iauaretê também desenvolve uma atividade de turismo de observação de onça-pintada, com o envolvimento de comunidades ribeirinhas. Além de ajudar na geração de renda dos moradores, eles aprendem a importância de preservar a espécie.
“Aqui, antes, as pessoas viam a onça como inimigo. Agora, aprenderam a lidar com ela e a dar mais importância, principalmente preservando. É um bicho que está praticamente atrás das nossas casas, no nosso quintal. Antes, acontecia de matar alguma onça, mas agora ninguém fala mais nisso. Hoje, eles simplesmente observam quando encontram ela no mato. Sabem que a onça só está ali porque é o ambiente em que ela vive”, afirmou Ivanilson Cavalcanti, que tem 22 anos e participa da iniciativa na comunidade Boca do Mamirauá.
A reserva, de acordo com pesquisa do Instituto Mamirauá, tem cerca de dez onças a cada 100 quilômetros quadrados, umas das densidades mais altas do mundo, devido principalmente à abundância de alimentos na região. Elas se alimentam basicamente de bichos-preguiça, jacarés e macacos guariba.
Presidente da Câmara seguiu a determinação do ministro do STF Marco Aurélio Mello: glo.bo/22e7tc0
Eduardo Cunha pede nomes para a comissão que deve analisar pedido de impeachment de Michel Temer
G1.GLOBO.COM
Militares treinam incursões de emergência para a Rio 2016
Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
Militares do 1º e do 2º Batalhões de Aviação do Exército e do 1º Batalhão de Forças Especiais fizeram hoje (6) uma demonstração do treinamento que é feito há duas semanas na zona oeste do Rio de Janeiro. Nos treinos foram praticados desembarques de emergência para atuação das forças especiais nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
Chamada de Operação Pão de Açúcar, a iniciativa busca reconhecer pontos estratégicos da cidade, ambientar os militares de outros estados e simular abordagens que poderiam ser adotadas, caso haja ameaças na cidade.
O comandante do 1º Batalhão de Aviação do Exército, tenente-coronel José Antônio Sadzjian Júnior, explicou que os exercícios são feitos anualmente, mas foram transferidos para o Rio de Janeiro por causa dos jogos.
"Realizamos exercícios que anualmente fazemos de capacitação da tripulação, no ambiente operacional em que vão acontecer os Jogos Olímpicos. Com vistas a uma familiarização de todos os tripulantes", afirmou.
O exercício contou com 14 helicópteros da Aviação do Exército e 160 militares lotados na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, que sedia os batalhões. Participaram também da operação militares do 1º Batalhão de Forças Especiais, de Goiânia, do 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista e da Companhia de Precursores Paraquedistas, que praticaram ações incursão e retirada das tropas.
As abordagens praticadas poderiam ser feitas inclusive em locais de competição dos jogos, como o Parque Olímpico da Barra ou o Estádio do Maracanã, caso fossem detectadas ameaças à segurança das pessoas.
"É justamente essa a finalidade. Estamos treinando a infiltração de tropa em locais não preparados [para pousos e decolagens]. Poderia ser qualquer uma das estruturas estratégicas que comentamos, pontos chaves do Rio de Janeiro, e qualquer local de competição em uma eventual ocorrência que exigisse uma pronta resposta e a colocação de uma tropa em tempo rápido", explicou.
A descida do helicóptero é um dos fundamentos da incursão em ações de segurançaTânia Rêgo/Agência Brasil
Entre as táticas de infiltração treinadas estão a descida rápida, o rapel, o pouso de assalto e o tiro embarcado. Durante os jogos, 47 helicópteros do Exército estarão no Rio de Janeiro para dar suporte às forças de segurança.
Em questão de poucos minutos, os 12 soldados de cada grupo que demonstrou o treinamento desembarcavam de rapel ou no chão, e se posicionavam ao redor do helicóptero, acompanhados de um cão treinado da raça Belga Mallinois.
Comandante da 1ª Companhia de Forças Especiais, o capitão Guilherme Colombo destacou que a experiência acumulada desde os Jogos Pan-Americanos gerou “uma expertise consagrada”. Ele explicou que há uma comunicação constante com órgãos de outros países na avaliação de possíveis ameaças. “Nosso principal objetivo é a prevenção a atentados, mas, caso seja necessário, o gerenciamento da crise”.
Cães treinados
Os cães são usados para farejar explosivos ou atacar o inimigoTânia Rêgo/Agência Brasil
Os cães usados pelas equipes das forças especiais são treinados desde o nascimento e chegam a ter uma carga horária diária de duas a três horas. De uma linhagem pertencente às Forças Armadas, os animais passam por um processo de seleção que identifica “seu temperamento”, como a aptidão para farejar. A aposentadoria costuma ocorrer aos 8 anos de idade e, em geral, os cães passam a viver com seu último adestrador.
"Ele agrega à equipe duas habilidades. A capacidade de faro ao explosivo, que possibilita a localização de um eventual artefato que esteja na cena. E também a capacidade de ataque. Ele é utilizado para neutralizar uma eventual ameaça que se encontre lá", conta o capitão Colombo.
Veterinário do Batalhão de Forças Especiais, o tenente Fábio Toledo Ribas disse que os cães passam por inspeções diárias, e têm quantidades e horários de alimentação bem controlados. Na infiltração de rapel, o cão desce amarrado ao militar que o acompanha e é desamarrado no chão, sem desobedecer ao adestrador: "Para ele isso é uma diversão. Não é nem o trabalho. É gratificante pra ele".
Cunha recorre ao STF para evitar depoimentos de investigados da Lava Jato
André Richter - Repórter da Agência Brasil
A defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entrou hoje (6) no Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança para impedir que investigados na Operação Lava Jato prestem depoimento como testemunhas de acusação no processo disciplinar que tramita no Conselho de Ética da Casa. O pedido foi encaminhado à ministra Cármen Lúcia.
A petição chegou ao Supremo horas depois de integrantes do Conselho de Ética pedirem ao ministro Teori Zavascki autorização para que oito delatores da Lava Jato prestem depoimento ao colegiado.
Saiba Mais
- Cunha quer impugnação de testemunhas indicadas por relator no Conselho de Ética
- Conselho de Ética vai ouvir investigados da Lava Jato em caso de Cunha
De acordo com os advogados de Cunha, o objeto de investigação no conselho trata de suposta declaração falsa de Cunha à Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras (CPI) sobre a titularidade de contas não declaradas na Suíça. Dessa forma, segundo a defesa, os delatores são "suspeitos e impedidos" para atuar na representação porque pretendem se beneficiar criminalmente e não têm relação com o processo disciplinar.
O Conselho de Ética pretende ouvir os lobistas Fernando Baiano, Júlio Camargo e Leonardo Meireilles. Este último tem depoimento marcado para amanhã (7). Meirelles é proprietário do Laboratório Labogen, e durante investigação da Operação Lava Jato, afirmou à Justiça do Paraná ter como comprovar transferências para contas de Cunha.
Impugnação
O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, pediu, na noite de ontem (5), ao Conselho de Ética aimpugnação de todas as testemunhas indicadas pelo relator do caso no conselho, deputado Marcos Rogério (DEM-RO). Nobre também pediu a anulação do depoimento de Leonardo Meirelles.
O juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação da Lava Jato, autorizou o conselho a ouvir seis investigados na operação como testemunhas no caso de Cunha. O relator quer ouvir os investigados que, nos depoimentos da Lava Jato, fizeram acusações contra Cunha.
Relator do processo de cassação de Cunha quer compartilhar documentos do STF
Michèlle Canes – repórter da Agência Brasil
O deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo de cassação do mandato do presidente da Câmara , Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética, e o presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), pediram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki o compartilhamento de documentos que estão no Supremo. De acordo com os deputados, foi pedida também autorização para que alguns envolvidos na Operação Lava Jato possam ser ouvidos pelo conselho.
“Pedimos a ele o compartilhamento de documentos que estão no STF e dizem respeito às contas eventualmente não declaradas pelo presidente Eduardo Cunha, e autorização para ouvir réus da Operação Lava Jato, especialmente aqueles que estão sob a jurisdição do STF”, disse o relator. Segundo Marcos Rogério, o ministro “se mostrou favorável” a atender os pedidos.
“Com relação ao depoimento dos colaboradores, ele [Teori] disse que não vê nenhuma dificuldade e que, chegando o pedido, vai deferir. E com relação ao compartilhamento de de provas que estão em poder do STF, disse que aquelas que não estiverem protegidas por sigilo ele também vai fazer o deferimento e encaminhar para o conselho”, informou o deputado.
O relator diz que pretende ouvir Fernando Baiano, Júlio Camargo e Leonardo Meireilles. Este último tem depoimento marcado para amanhã (7). Meirelles é proprietário do Laboratório Labogen, e durante investigação da Operação Lava Jato, afirmou à Justiça do Paraná ter como comprovar transferências para contas de Cunha.
O presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo, foi questionado pelos jornalistas sobre se o presidente da Câmara estaria tentando dificultar a tomada dos depoimentos. “Há um propósito claro de dificuldades impostas pelo presidente. Tem oito dias que eu pedi a passagem para a testemunha que vem amanhã e até hoje não respondeu nem que sim, nem que não. Há um silêncio. E o silêncio, para mim, funciona como negativa”, disse o deputado.
“Ele está recorrendo de tudo o que pode para impedir que o processo ande. Se fizermos um paralelo entre o impeachment e o processo dele no Conselho de Ética, vê-se a velocidade de um e a velocidade de outro”, disse o presidente do Conselho, com relação à possibilidade de Cunha recorrer ao STF para tentar impedir os depoimentos.
Na noite de ontem (5) o advogado de defesa de Cunha, Marcelo Nobre, pediu ao conselho a impugnação de todas as testemunhas indicadas pelo relator Marcos Rogério. O advogado também pediu a anulação do depoimento de Leonardo Meirelles.
A defesa do presidente da Câmara alega suspeição de todos os citados, por quererem sustentar teses já relatadas nas delações premiadas. Acrescenta que as testemunhas não têm relação direta com o objeto de investigação do conselho, que é a existência das contas secretas no exterior, e afirma que os depoimentos não podem ir além do que está sendo analisado para admitir ou não o processo contra o parlamentar peemedebista.
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