Guerra Peninsular: a sangrenta campanha que enfraqueceu Napoleão e mudou o destino da Europa



Guerra Peninsular (1807–1814)A Guerra Peninsular foi um dos conflitos mais longos e sangrentos das Guerras Napoleónicas. Travada entre 1807 e 1814 na Península Ibérica, opôs o Primeiro Império Francês à aliança formada pelo Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, pelo Império Espanhol e pelo Reino de Portugal e Algarves.O conflito começou com a invasão francesa de Portugal em 1807 e transformou-se numa guerra de desgaste após a França virar-se contra a sua antiga aliada Espanha em 1808. Considerada uma das primeiras guerras de libertação nacional da era contemporânea, a Guerra Peninsular destacou-se pela emergência da guerrilha em larga escala, que causou enormes dificuldades ao exército napoleónico.Para os espanhóis, o período é conhecido como Guerra de Independência Espanhola, iniciado com o Levantamento de 2 de Maio de 1808 em Madrid e encerrado em 17 de abril de 1814.Contexto e Início do ConflitoEm 1807, Napoleão Bonaparte impôs o Bloqueio Continental contra a Grã-Bretanha, proibindo o comércio britânico na Europa. Portugal, tradicional aliado dos ingleses desde o Tratado de Windsor (1373), recusou-se a aderir plenamente ao bloqueio.Napoleão decidiu então invadir a Península Ibérica. Em outubro de 1807, assinou com a Espanha o Tratado secreto de Fontainebleau, que previa a divisão de Portugal em três partes. Em novembro, as tropas francesas e espanholas invadiram Portugal, forçando a família real portuguesa a fugir para o Brasil.Inicialmente aliada da França, a Espanha viveu uma grave crise política. Em março de 1808, motins em Aranjuez levaram à abdicação de Carlos IV em favor do seu filho Fernando VII. Napoleão aproveitou o caos e convocou a família real espanhola para Baiona, na França, onde forçou a abdicação de Fernando VII e proclamou o seu irmão José Bonaparte como rei de Espanha.As Insurreições IbéricasA ocupação francesa provocou forte resistência popular. Em 2 de maio de 1808, o povo de Madrid revoltou-se contra as tropas napoleónicas (o famoso “Dos de Mayo”). No dia seguinte, os franceses responderam com violentas represálias (o “Três de Mayo”, imortalizado por Goya).A revolta espalhou-se rapidamente por toda a Espanha. Juntas provinciais foram formadas em várias regiões, declarando guerra a Napoleão e organizando exércitos populares. Na Galiza, por exemplo, a Junta Suprema organizou forças que ajudaram a libertar o Porto, em Portugal.As guerrilhas (partisans) tornaram-se uma marca registrada da guerra: pequenos grupos atacavam linhas de abastecimento, emboscavam tropas isoladas e impediam o controle efetivo do território pelos franceses.Principais Fases da GuerraPrimeira fase (1808)
Os franceses sofreram uma humilhante derrota na Batalha de Bailén (julho de 1808), onde um exército espanhol comandado por Castaños forçou a rendição de 24 mil soldados franceses — a primeira grande derrota de Napoleão em terra firme. José Bonaparte abandonou Madrid e o exército francês recuou para o norte do rio Ebro.
Segunda invasão francesa (final de 1808)
Napoleão decidiu intervir pessoalmente. Com mais de 200 mil veteranos da Grande Armée, conquistou Madrid em dezembro de 1808. No entanto, a resistência espanhola continuou intensa, especialmente nos cercos de Saragoça (que resistiu heroicamente por meses) e Gerona.
Intervenção britânica
O Reino Unido enviou um exército para a Península, inicialmente comandado por Sir John Moore. Após uma audaciosa ofensiva e posterior retirada heroica (Batalha da Corunha, onde Moore morreu), o comando passou para Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington).
Em Portugal, o exército português foi reorganizado e modernizado pelo marechal britânico William Carr Beresford, tornando-se uma força eficaz ao lado dos britânicos.Fase final (1812–1814)
Em 1812, com Napoleão enfraquecido pela desastrosa campanha na Rússia, Wellington lançou uma grande ofensiva. As forças aliadas (britânicas, portuguesas e espanholas) libertaram Madrid e, em 1813, expulsaram definitivamente os franceses da Península após a Batalha de Vitória. Em 1814, as tropas aliadas cruzaram os Pirenéus e entraram em território francês.
ConsequênciasA Guerra Peninsular teve enormes custos:
  • Para a França: Representou um dreno constante de tropas e recursos. A guerrilha espanhola imobilizou dezenas de milhares de soldados que poderiam ter sido usados noutras frentes.
  • Para Espanha e Portugal: A guerra destruiu a economia, provocou fome, doenças e enormes perdas humanas. Na Espanha, o conflito levou à promulgação da Constituição Liberal de Cádis (1812), um marco do liberalismo europeu.
  • Para o mundo colonial: A fragilidade das metrópoles acelerou o processo de independência das colônias espanholas na América e culminou na Independência do Brasil em 1822.
O longo conflito também gerou instabilidade política que se prolongou por décadas, com sucessivas guerras civis entre liberais e absolutistas tanto em Espanha como em Portugal.A Guerra Peninsular demonstrou o poder da resistência popular e da guerrilha contra um exército convencional superior, tornando-se um exemplo clássico de guerra assimétrica e de luta pela soberania nacional.

Itália é eliminada pela Bósnia e fica fora da terceira Copa do Mundo consecutiva

 


31/03/2026 | 18:44
Mariana Marsiaj
O pesadelo da Itália na busca por uma vaga na Copa do Mundo continua. Nesta terça-feira (31), a Azzurra foi eliminada na final da Repescagem Europeia pela Bósnia-Herzegovina e está fora do Mundial pela terceira edição consecutiva.Após empatar em 1 a 1 no tempo regulamentar, a Itália perdeu nos pênaltis por 4 a 1. Os italianos Moise Kean abriu o placar aos 14 minutos do primeiro tempo, mas a equipe sofreu um revés grave ainda na primeira etapa, quando o zagueiro Alessandro Bastoni foi expulso por impedir uma chance clara de gol de Amar Memić. A Itália resistiu até os 33 minutos do segundo tempo, quando Haris Tabaković empatou para a Bósnia. Nas cobranças de pênalti, Esposito e Cristante desperdiçaram suas chances.Com a vitória, a Bósnia-Herzegovina garantiu vaga no Grupo B da Copa do Mundo, ao lado do anfitrião Canadá, Catar e Suíça.Outras classificadas da Repescagem EuropeiaAlém da Bósnia, mais três seleções garantiram vaga na Copa do Mundo 2026 nesta terça-feira:
  • República Tcheca: Venceu a Dinamarca nos pênaltis por 3 a 1, após empate emocionante no tempo normal e na prorrogação (2 a 2). Os tchecos abriram o placar aos três minutos com Pavel Šulc, sofreram o empate e viram Ladislav Krejčí recolocar a equipe na frente no tempo extra, antes do novo empate dinamarquês. A República Tcheca vai disputar o Grupo A, contra México, África do Sul e Coreia do Sul.
  • Turquia: Retornou à Copa do Mundo após 24 anos com uma vitória por 1 a 0 sobre o Kosovo, fora de casa. O gol foi marcado por Kerem Aktürkoğlu. A Turquia integra o Grupo D, ao lado de Estados Unidos, Paraguai e Austrália. Em 2002, os turcos terminaram a competição na terceira colocação.
  • Suécia: Sofreu, mas confirmou a classificação com vitória por 3 a 2 sobre a Polônia. Os suecos saíram na frente, cederam o empate duas vezes e garantiram a vaga com um gol decisivo de Viktor Gyökeres. A Suécia disputará o Grupo F, com Holanda, Japão e Tunísia.
Com essas quatro classificações, a Repescagem Europeia está definida e a lista de seleções garantidas na Copa do Mundo de 2026 segue avançando.

Juiz federal ordena paralisação das obras do salão de baile de Trump na Casa Branca

 


31/03/2026 | 17:13
AFP
Um juiz federal determinou nesta terça-feira (31) a paralisação imediata das obras para a construção de um grande salão de baile na ala leste da Casa Branca, projeto pessoal do presidente Donald Trump.Na decisão, o juiz Richard Leon afirmou que Trump atua como “administrador” da Casa Branca, mas “não é o proprietário” do imóvel. Segundo o magistrado, a reforma exige aprovação do Congresso, e nenhum estatuto concede ao presidente a autoridade que ele alega ter para realizar a obra por conta própria.“No estatuto não há, nem de longe, a autoridade que o presidente afirma possuir”, escreveu o juiz na sentença.Trump anunciou no domingo o projeto ambicioso, que inclui a construção de um grande salão de festas e, abaixo dele, um complexo militar subterrâneo. Parte da ala leste da residência oficial já havia sido demolida para dar início às obras. O orçamento da reforma, financiado por doações privadas, saltou de US$ 200 milhões para US$ 400 milhões.O projeto é considerado um dos mais ousados na história da Casa Branca em mais de um século.

Estudo aponta que inflação de alimentos no Brasil é fenômeno estrutural e superou em 62% a inflação geral em 20 anos

 


31/03/2026 | 18:12
Agência Brasil
Um estudo divulgado nesta terça-feira (31) pela ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, conclui que a inflação dos alimentos no Brasil tem caráter estrutural, ou seja, resulta de problemas permanentes do modelo econômico e não apenas de fatores temporários ou sazonais.Elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor em desenvolvimento econômico pela Unicamp, o levantamento mostra que, entre junho de 2006 e dezembro de 2025, o custo da alimentação subiu 302,6%, enquanto a inflação oficial (IPCA) acumulada foi de 186,6%. Isso significa que a alta dos alimentos superou em 62% a inflação geral no período.Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde os preços dos alimentos subiram apenas 1,5% acima da inflação geral no mesmo intervalo, no Brasil o encarecimento é persistente e difícil de reverter mesmo após crises.Alimentos saudáveis x ultraprocessadosA pesquisa revela que a inflação atinge com muito mais força os alimentos in natura e minimamente processados. Os grupos que mais encareceram foram:
  • Frutas: 516,2%
  • Carnes: 483,5%
  • Tubérculos, raízes e legumes: 359,5%
Como consequência, o poder de compra do brasileiro para frutas caiu cerca de 31% e para hortaliças e verduras, 26,6%, quando comparado ao salário mínimo. No mesmo período, o poder de compra aumentou para produtos ultraprocessados, como refrigerantes (+23,6%), presunto (+69%) e mortadela (+87,2%).Segundo o economista, os ultraprocessados ficam mais baratos porque dependem de poucos ingredientes básicos (trigo, milho, açúcar e óleo vegetal) e aditivos industriais, que têm menor oscilação de preço e são produzidos em larga escala em monoculturas.Principais causas apontadas pelo estudoO relatório identifica vários fatores estruturais para a inflação persistente da comida:
  1. Modelo agroexportador: O Brasil se tornou um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. As exportações saltaram de 24,2 milhões para 209,4 milhões de toneladas entre 2000 e 2025, enquanto a produção destinada ao mercado interno perdeu espaço. Isso faz com que os preços internos sejam fortemente influenciados pelo dólar e pela demanda externa.
  2. Concentração de terra: A área plantada com soja, milho e cana-de-açúcar quase dobrou (de 41,93 para 79,30 milhões de hectares), enquanto a destinada a arroz, feijão, batata, trigo, mandioca, tomate e banana encolheu significativamente.
  3. Alta no custo de insumos: Fertilizantes, herbicidas, inseticidas e máquinas agrícolas tiveram aumentos exorbitantes (fertilizantes subiram 2.423% em reais, por exemplo), encarecendo a produção mesmo para pequenos agricultores que não exportam.
  4. Concentração da cadeia produtiva: Poucas empresas estrangeiras dominam os mercados de sementes, pesticidas e máquinas agrícolas, além de grande parte da indústria alimentícia.
  5. Inflação invisível: Redução da qualidade dos produtos (menos leite no sorvete, menos cacau no chocolate) sem alteração no preço final, o que não é captado pelos índices oficiais.
Soluções propostasO estudo defende que o preço da comida não é apenas uma questão econômica, mas uma escolha política e civilizatória. Entre as recomendações estão:
  • Desconcentração produtiva e fortalecimento das economias locais
  • Reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno
  • Fortalecimento da Conab e das Ceasas
  • Maior acesso à terra por meio de reforma agrária
  • Crédito rural condicionado à produção para o mercado interno
Palmieri Junior argumenta que países desenvolvidos realizaram reformas agrárias no passado e que tornar a terra mais acessível contribui para a soberania alimentar e, indiretamente, beneficia outros setores da economia, pois deixa mais renda disponível para o consumo de bens e serviços.