No Mundo da Bola, 05/02/2023

 #Aovivo O No Mundo da Bola destaca o Mundial de Clubes da Fifa, que acontece no Marrocos. O Flamengo, representante do Brasil na competição, estreia na próxima terça-feira, dia 7, um dia antes do favorito ao título, o Real Madrid, da Espanha. A expectativa é se haverá uma final entre eles, e esse é um dos assuntos a serem debatidos. Os campeonatos estaduais também estão na pauta do programa.

Sergio du Bocage recebe os jornalistas Paulo Garritano e Vanessa Riche e o técnico de futebol Márcio Máximo. Você pode participar pelo whatsapp (21) 97148.9270.




Fonte: https://www.facebook.com/tvbrasil/videos/529706799012594/

Abertas inscrições para Prêmio Francisco Mário de Guitarra Popular

 Podem participar violonistas de todas as Américas


Estão abertas até o dia 16 deste mês, as inscrições para o 1º Prêmio Francisco Mário de Guitarra Popular, que pode ser disputado por musicistas de todas as Américas, inclusive do Brasil. O concurso vai distribuir U$ 9 mil em dinheiro para os dez melhores músicos e troféus confeccionados pelo artista Mauricio Manzo. A premiação teve uma primeira edição nacional em 2018, celebrando os 70 anos que o compositor mineiro teria completado no dia 22 de agosto daquele ano. Agora, o prêmio ganha dimensão internacional.

O prêmio é realizado pelo Instituto Cultural Chico Mário (ICCM), em parceria com o Instituto Guimarães Rosa (IGR), do Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, Argentina. A iniciativa tem apoio do Espacio Tucumán, local que sediará a cerimônia de premiação, na capital argentina. A iniciativa é do pianista Marcos Souza, filho do compositor mineiro e um dos responsáveis pelo Instituto Cultural Chico Mário (ICCM).

As inscrições estão disponíveis em português, espanhol e inglês e podem ser feitas por violonistas de qualquer nacionalidade, desde que residentes em países das Américas, pelo site do instituto.

O concurso objetiva valorizar os talentos do violão popular e promover a obra e memória do compositor mineiro Francisco Mário, um dos pioneiros da música independente no Brasil. Irmão mais novo do sociólogo Betinho e do cartunista Henfil, Chico Mário, como é conhecido, viveu apenas 39 anos, vítima de HIV contraída em uma transfusão de sangue contaminado. Apesar disso, deixou obra composta por oito discos que estão disponíveis nas plataformas de streaming, além de três livros.

Expansão

À Agência Brasil, o filho do compositor revelou que a edição nacional de 2018 teve retorno acima do esperado, recebendo mais de 100 inscrições. “Todos os violonistas falaram que a obra do papai é maravilhosa para se tocar de violão e devia ser divulgada”. Com esse feedback positivo da música do Chico Mário e o fato de não ter mais prêmios de violão popular com valores altos levaram Marcos Souza a reconhecer que a premiação estava ocupando um espaço importante no campo do violão popular brasileiro. Em conversa com o Instituto Guimarães Rosa, ficou definido que a obra de Chico Mário seria levada para fora do Brasil, “para que violonistas toquem a música dele”.

Para concorrer, cada instrumentista deverá gravar um vídeo interpretando ao violão uma das obras de Chico Mário. “É um esforço para internacionalizar cada vez mais a obra do Francisco Mário e manter sua música sendo tocada, como ele desejou”, disse Marcos Souza. O vídeo deverá ser enviado ao YouTube, em modo público, com o link inscrito no formulário do prêmio. Serão selecionados dez finalistas que disputarão as melhores colocações no Espacio Tucumán, em Buenos Aires.

O primeiro colocado receberá US$ 7 mil, o segundo, US$ 800, e, do terceiro ao décimo classificado, será distribuído o valor de US$ 200 para cada um, como ajuda de custo para a viagem de retorno ao país onde o músico reside. Os valores serão pagos até 30 dias após a premiação, prevista para 14 de março, data em que se relembram os 35 anos da morte do compositor mineiro. Marcos informou que como os violonistas brasileiros poderão participar da premiação nas Américas, não será mais realizado o prêmio nacional.

Na Europa

Ainda neste ano, deverá ser realizado o 1º Prêmio Francisco Mário de Guitarra Popular versão europeia, em Amsterdã, Holanda, com final e júri ao vivo, no Teatro Munganga, no dia 22 de agosto, quando o compositor completaria 75 anos de idade. Essa versão se destina a violonistas da Europa que terão também que abordar a obra de Chico Mário. “Todo violonista tem que escolher uma das 89 músicas que ele deixou”. Chico Mário foi o precursor do disco independente, na década de 1970. “Era um visionário que gravou seus próprios discos, deixou uma obra vasta”.

Agência Brasil

Reforma tributária é a aposta do Executivo e do Legislativo em 2023

 


Negociação está sob comando do ministro da Fazenda

A reforma tributária é a grande prioridade do governo no Congresso este ano. Para o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), é possível aprovar um texto de reforma até o final deste ano. A negociação está sob comando do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os vice-líderes que dominam a área vão ajudar. “Vamos começar a dialogar a partir de segunda-feira [6] sobre o conteúdo dela e o que podemos fazer antecipadamente para termos uma reforma tributária robusta que dê conta dos problemas”, disse.

Haddad - que já declarou que o governo pretende votar a reforma tributária sobre o consumo no primeiro semestre deste ano e a reforma sobre a renda no segundo semestre - também deve participar de reuniões sobre o assunto na semana que vem. “Já vamos ter as primeiras conversas no início da semana com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a gente buscar a curto prazo, no máximo até abril, como o ministro quer, nós apresentarmos, o governo apresentar uma boa e consistente proposta de reforma tributária a partir das duas PECs que estão tramitando”, disse Guimarães .

Em mais um esforço no sentido de consolidar a base de apoio no parlamento, na quarta-feira (8) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá lideranças e presidentes de partidos que apoiam o governo, desta vez, para um café da manhã. Para dar mais agilidade à discussão, de acordo com Guimarães, a ideia é que a sugestão a ser apresentada pelo governo tome como base as duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema que já tramitam no Congresso.

Congresso

A importância da aprovação de uma reforma tributária e de um novo paradigma fiscal também foi destacada pelo presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). “Não tenho dúvidas de que a simplificação do nosso sistema tributário terá efeitos positivos na arrecadação e na justiça social. O Brasil há muito clama por uma solução definitiva para esse desafio”, destacou.  Além da reforma tributária, o presidente do Congresso e do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), acrescentou que a saúde pública, o crescimento econômico e o desenvolvimento social deverão ser prioridade do Parlamento em 2023.

Outro ponto destacado por Pacheco foi a necessidade de pacificação da sociedade a partir da atuação harmônica das instituições. Ele lembrou os ataques golpistas de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes e afirmou que as autoridades devem dirigir a sociedade para o caminho do respeito às divergências. “Neste momento, assumo meu comprometimento com o pacto democrático com as instituições, com o diálogo, com a cooperação. O Senado Federal e a Câmara dos Deputados não se omitirão em nenhum momento perante as ameaças ao processo democrático, às eleições livres e diretas e à integridade e à confiabilidade das urnas eletrônicas”, disse.

O presidente do Senado falou ainda da necessidade de investimentos em educação como arma contra a polarização política. “A educação é fator essencial para a propagação do respeito e da tolerância, para o desenvolvimento do espírito de cidadania, solidariedade e união”, defendeu. Na avaliação de Rodrigo Pacheco um “país dividido não cresce”. Nesse sentido ele defendeu o aprimoramento de ferramentas de transparência e combate às notícias falsas. “A tranquilidade política, a segurança jurídica e a estabilidade institucional são elementos indispensáveis à confiança externa no país e ao desenvolvimento nacional”, ressaltou.

Agência Brasil

Um terremoto de magnitude 7,8 na escala aberta de Richter atingiu o sudeste da Turquia e o noroeste da Síria

 

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Carnaval paulista: Elis Trindade, rainha do maracatu

 


Elis faz as coreografias do grupo de afoxé N'Goma Ti Kambimda

No mês em que a alegria toma conta das ruas por causa do carnaval, a Agência Brasil publica uma série de entrevistas com personalidades que expressam a história, a cultura e o espírito da festa que mobiliza comunidades de norte a sul do país. 

Elis Sibere dos Santos Monte Trindade de Souza tem nome de rainha e é. Nascida em 4 de setembro de 1981, em Ipojuca, Pernambuco, ela faz as coreografias do grupo de afoxé N'Goma Ti Kambimda. Ela é a rainha da Nação Cambinda, de maracatu, um dos ritmos populares do Nordeste. A nação sai às ruas com um grupo de 35 a 40 pessoas, sendo que há dois porta-estandartes, rei e rainha; o pálio, que protege ambos, mas principalmente a rainha; as damas da coroa; a dama do paço; princesas africanas; as princesas europeias; um feiticeiro, que é quem protege a nação, com ervas; as baianas e o grupo do ritmo, que tem dois regentes que se revezam. O grupo tem instrumentos tradicionais do maracatu, como o mineiro, a caixa, o agbê.

Elis é casada com Vitor da Trindade e sente a responsabilidade que é dar, com ele, continuidade às diversas atividades do Teatro Popular Solano Trindade, sendo a nação apenas uma delas. O espaço fica em Embu das Artes, em São Paulo, fundado pela artista plástica, escritora e coreógrafa Raquel Trindade, companheira de Solano Trindade, poeta, pintor, ator, dramaturgo, cineasta e militante do movimento negro e do Partido Comunista.

Durante a reta final da licenciatura em dança, concluída em 2015, pela Faculdade Paulista de Artes, Elis recuperou a história de Maria Margarida da Trindade, mulher negra que levou o conhecimento das danças brasileiras às terapias propostas por Nise da Silveira. Aluna de Carl Jung, criador da psicologia analítica, Nise foi uma psiquiatra que ganhou reconhecimento mundial por revolucionar o tratamento mental no Brasil.

A dançarina Elis Trindade é rainha do Maracatu Ouro do Congo, da família de Solano Trindade, em Embu das Artes.
A dançarina Elis Trindade é rainha do Maracatu Ouro do Congo, da família de Solano Trindade, em Embu das Artes. - Rovena Rosa/Agência Brasil

Agência Brasil: Como começou sua história com a cultura popular e o carnaval? É desde pequena?

Elis Trindade: É bem engraçado que, quando você fez essa pergunta, me vieram coisas da memória de infância que eu não associava diretamente à cultura popular. Vou me apresentar: sou Elis Trindade, uma pessoa negra, de família negra. A maior parte da minha família tem contato com a música, com a arte, mas a gente não entendia isso como profissão, do jeito que eu faço hoje, do jeito que meu irmão, Gustavo, faz hoje. Ele está em Pernambuco, é cantor. Eu só vim a me entender como artista quando cheguei em São Paulo. Mas fazer essas vivências de cultura popular, eu já fazia há muito tempo, e por incentivo da família, porque a gente vai para a igreja e dança pastoril, e porque a maioria das pessoas da minha família é católica. E os maracatus saíam na época de Natal. A gente participava de quadrilhas juninas desde a escola. 

Minha família tem até um bloco de carnaval. É o bloco da família Tomé. Todo ano sai na praia de Porto de Galinhas, em Pernambuco. Neste ano, conseguimos juntar mais pessoas da família, porque teve o primeiro encontro em um lugar que é muito significativo para nós, que é um quilombo, onde meu primo mora, de Massangana, Três Marias. É aí que eu começo a entender que minha família já fazia isso e eu saía muito pequena nos bloquinhos de carnaval do bairro. Isso é maravilhoso.

E também tem outra relação, de quando eu vou crescendo, de quando ia para o Galo da Madrugada. O Galo da Madrugada é um evento. A gente chega, de verdade, de manhã, toma um café com mungunzá, frutas da época, azeitonas. É muito ligado à fartura. Esse carnaval começou assim, pra mim, lá na cidade de Ipojuca, onde a gente ia a esse bairro,onde eu morava, que se chama Rurópolis. A gente fazia os bloquinhos e eu sempre saía de máscara.

A dançarina Elis Trindade é rainha do Maracatu Ouro do Congo, da família de Solano Trindade, em Embu das Artes.
Patrimônios do Carnaval - Rovena Rosa/Agência Brasil

O "sair de máscara" é também um outro evento do carnaval. Máscara ou la ursa, como a gente chama lá. Este evento era a oportunidade de a gente se transformar debaixo de uma máscara, para ninguém da comunidade te reconhecer. Então, você vai com um grupo de pessoas sem uma bateria, mas vai tocando em balde, bacia, qualquer instrumento que faça  barulho, na quenga [casca] do coco ou na palma, ou só cantando, e ia à porta de cada pessoa.

Cada pessoa tentava adivinhar quem era a pessoa debaixo da máscara. E a gente, que estava debaixo da máscara, tinha a obrigação de mudar o jeito de andar, não podia falar, para vizinho não reconhecer. Ele tinha que dar dinheiro ou alguma fruta. E a gente tinha uma música muito forte, um refrão, que era A la ursa quer dinheiro. Quem não dá é pirangueiro. Depois, sentava debaixo de uma árvore, comia todas as frutas, pegava o dinheiro, comprava refrigerante, suco, qualquer coisa, e era nossa diversão. O maioral era aquele que ninguém descobria quem era. A gente sentava na praça, tirava a máscara, não tinha como registrar, porque não tinha celular, mas era um grande evento.

Meu avô é Antônio. Seu Antônio é o evento do bairro. Todo mundo que passa vai pedir a bênção na porta da casa dele. A minha família é muito importante em relação a tudo isso. E não tem muito como separar e dizer que agora vai ser essa festa ou vai ser essa outra. Porque pode acontecer, em algum momento, que a gente comemore alguma festa que não é exatamente daquela data, porque a gente gosta de festa. Então, a gente comemora tudo e a qualquer momento.

As quadrilhas e as fanfarras, acho que são duas coisas que fazem o carnaval de Pernambuco durar o ano inteiro. Tem gente que fala ou a mídia inteira fala assim: o carnaval de Pernambuco é o ano inteiro. Mas é que 7 de Setembro é outro grande evento. Temos várias fanfarras e eu já saí nelas por dois, três anos, depois que passei a morar em Embu das Artes. Eu tirava férias do meu trabalho no período do 7 de Setembro só para desfilar na minha escola. Porque eu era rainha de bateria, ou alguma passista, ou algum destaque na escola. Minha última escola foi a Domingos de Albuquerque. Ainda sou apaixonada por ela. Tem professores muito potentes, que não deixam a peteca cair. Eu fazia esporte lá, meu professor trabalhava em outra escola, particular, e as bolas de lá, ele trazia para minha escola. E os instrumentos da outra escola que não serviam, ele trazia, e a gente aprendia a fazer a manutenção dos instrumentos, porque só tínhamos os instrumentos que eram restos da escola particular.

Eu toquei pouco nas fanfarras de lá e, quando toquei, toquei surdo. Segurei bem o surdo, mas a parte que eu gostava mesmo era de dançar. Fui incentivada também a fazer aula de música, porque tem uma escola municipal de música que faz todos os eventos, tanto da prefeitura quanto da igreja, tudo que é inauguração, que é a banda municipal. O meu avô de consideração, que mora na mesma rua do meu avô, tocava nessa banda e me incentivava a ir. Então, fiz um tempo de clarinete. Achava bonito mesmo era o saxofone, mas desisti, porque não era muito perto da minha casa, era duas vezes na semana.

Em Pernambuco, a gente caminha por muitos lugares. Ia dançar quadrilha em lugares que eram muito bizarros, porque, para passar, às vezes o ônibus ficava atolado. E a gente toda montada de quadrilha, descia e ia empurrar o ônibus. Chegávamos no lugar cheios de lama. Limpávamos os pés e iamos lá dançar. E a gente não recebia nada, nenhum real. Vai fazer figurino? Faz a rifa, alguém ajuda a comprar.

Agência Brasil: Pode falar sobre a feitura das roupas, a indumentária? A gente sabe que, em maracatu rural, as golas são uma trabalheira.

A dançarina Elis Trindade é rainha do Maracatu Ouro do Congo, da família de Solano Trindade, em Embu das Artes.
Elis Trindade considera importante costurar a própria vestimenta. - Rovena Rosa/Agência Brasil

Elis Trindade: Se você ir em uma loja comprar uma coisa que já está pronta, você vai dançar com a energia do outro. Porque você não vai saber se a energia, naquele momento, é de "estou tendo prazer de fazer esse figurino" ou se a pessoa está confeccionando não gosta do carnaval, porque odeia o barulho, a bagunça e tudo do carnaval. Então, você vai vestir a roupa que foi feita por uma pessoa não gostaria que você fosse ao carnaval. Existem as pessoas que disponibilizam dias e horas de sua vida para confeccionar sua roupa e, aí, é o lado oposto, que você nunca vai saber, porque energia é algo que você pega, você sente. Você nunca vai saber quem fez sua roupa. Então, vá fazer sua própria roupa. Tem várias mães que sentam na porta de casa à tarde e ajudam a bordar sua roupa, pregar ou remendar, ajustar, fazer seu acessório de cabeça.

Tinha uma costureira, no meu bairro, a Nalva, que era maravilhosa. Fazia tudo de todo mundo. Eu nunca a vi sair com a roupa que fez, ela sempre saía simples, com shorts e camisetinha, um brilhinho no rosto, mas gostava de ver todo mundo pronto.

Até hoje, em Nazaré da Mata (PE), todo mundo continua fazendo a confecção de seu acessório. Tem gente que não está mais saindo no carnaval, mas já saiu muitos anos. Principalmente os costeiros dos caboclos de lança, que dão muito trabalho. É fio a fio, agulha a agulha. Então, enquanto você tá vendo aquele desenho se transformar, é muito diferente de você chegar à loja e comprar. Tem uma energia diferente. Você vai ter orgulho de vestir e dizer assim: fui eu que fiz.

Acho que a gente, de alguma forma, tem que tocar neste figurino ou fazer o processo de criação. Eu sou uma pessoa que não sabe usar máquina de costura, mas adoro entregar tecido e olhar o tecido ser transformado. Penso no processo de criação da roupa. Ela precisa girar? Como vai ficar no meu corpo?

Agência Brasil: O que você acha que puxou da família Trindade, que é tão forte aqui também? O que acha que absorveu, em termos de cultura brasileira que é colada nas práticas deles?Elis Trindade: Atravessar a ponte, atravessar o mar foi uma coisa muito incrível. Eu conheci minha sogra, Raquel, em Pernambuco. Ela estava em um hotel, tinha ido plantar um baobá. Era a Bienal do Livro Afrobrasileiro, os 100 anos de Solano Trindade. Eu trabalhava no hotel, recebia as pessoas da área super luxo. Neste período, eu fui proibida de folgar e fiquei com muita raiva no começo. Falei que era a minha folga, mas eles falaram que chegariam umas pessoas que eu precisava receber. Eram da área super luxo, da qual eu era supervisora. Recebi e os conheci lá, conheci a história de Solano Trindade a partir dela [Raquel], que já morava aqui em São Paulo e foi pra lá também, recontar a história. Se você anda pelas ruas de Recife, a estátua de Solano Trindade está lá, mas a maioria das pessoas não sabe quem é ele.

Conversei com minha sogra sobre várias coisas da cultura e ela foi me dando vários toques sobre o que era isso. No momento, não imaginei que viesse para São Paulo, pois era o último lugar que eu queria vir na vida. Aí, o Vitor me pediu em casamento, no primeiro dia em que me viu, e eu aceitei e vim para cá. Antes eu era uma pessoa avessa ao casamento. 

Minha ligação com a família Trindade é a de aproveitar mais sobre a cultura brasileira, mas não só como diversão. O Vitor disse que minha voz é o que a cultura popular pede. Então, comecei fazendo vocal na banda dele e depois fiquei ajudando mais na produção. Ele me convidou para dançar. Eu ficava com medo de dançar sozinha, porque sempre dancei no coletivo. Dançava no maracatu e na família, é tudo coletivo. Eu sou um bambuzal, e um bambuzal não fica sozinho. Eu me entendo como um bambu, que também não é uma fortaleza. A dança vem me fortalecendo. Vim para São Paulo no final de 2008 pra 2009, quando aceitei casar com o Vitor.

Agência Brasil: Você pode falar sobre o bloco daqui, que tem similaridades com o maracatu de Nazaré da Mata?

Elis Trindade: Durante o período em que eu estava em Pernambuco, tinha Maria Carolina, que é minha prima, filha da minha tia Ângela. Carol tem uma família de maracatus. Nunca me importei muito, mas sempre vi que era uma coisa maravilhosa, de brilhos, porque gosto de brilho. Eu disse que era neste grupo que queria dançar. Só que minha cidade ficava muito distante. E Ipojuca não tem tradição de maracatu. 

Quando vi a família Trindade, aqui em São Paulo, fui e voltei para Nazaré da Mata, onde conheço algumas famílias de maracatu. A gente foi lá pra conversar, porque, na verdade, quando a gente pensa na frase de Solano Trindade, tem que pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte. A gente precisava ter contato com essas pessoas de lá, que foram seus antepassados e tiveram contato com Solano.

Encontramos esse grupo, que já estava fazendo mais de cem anos. Na época, só dançavam os homens. Algumas relações do maracatu tinham conexão com a calunga. E eu disse: Gente, mas eu adoro boneca. Então, maracatu é o meu lugar. Fui fazendo esse quebra-cabeça. Por que uma mulher formada, grande, ficava brincando com as bonecas escondida? Quando eu brincava com as bonecas na rua, as pessoas falavam que eu já era grande para brincar de boneca. Então, eu brincava no meu quarto com as bonecas. Quando encontrei o maracatu com as calungas, fiquei maravilhada. E disse: quero dançar aí para segurar a boneca. Mas não vim a São Paulo para ser dama do paço, vim e fui rainha. Primeiro, fui rainha do Bloco da Cambinda, que é o bloco de carnaval de rua da minha sogra aqui em Embu das Artes, e antes eu dançava no maracatu..

Nunca quis ficar à frente do maracatu, sempre quis ficar lá atrás. Porque rainha é uma só. Eu tinha impressão de que, ao ficar como rainha, eu ia ficar só lá na frente, em uma responsabilidade de mostrar que sou o poder para as pessoas que estão atrás de mim. E só depois fui entender essa relação. No maracatu de Nazaré da Mata, entendi que começava com todos os homens dançando. A estrutura é muito parecida com a gente, porque tem rei, rainha, princesas europeias. E, aí, Mateus e Catirina, que eu não entendia como do maracatu. O moço que atendeu a gente era Catirina, e ela também tinha a função de se montar, e também parecia uma calunga, porque estava com o rosto todo pintado. A função era alimentar o grupo, andar na frente, limpar o lugar. E era uma boneca também.

Foi muito bom passar por essa experiência, que deixou claro o ensinamento que minha sogra já preparava. Dancei coco lá poucas vezes. Aqui dancei o coco, o jongo, que era mais uma pesquisa dos interiores, dos quilombos, o samba-lenço rural, que eu não conhecia, que foi também uma pesquisa da Margarida da Trindade, que era a mãe da minha sogra e que levou pro Rio de Janeiro, quando trabalhava no hospital psiquiátrico. E a família toda faz algo em relação à dança, mas o nosso carro-chefe é esse: o maracatu.

Fui entendendo a força da rainha, lá na frente. Ela não está dançando sozinha, mesmo que pareça. Tem muita gente ao lado dela, muita força, tanto espiritual quanto carnal. É muita força que a gente precisa ter. A gente é que nem palhaço: não pode perder o brilho, o sorriso, porque tem uma comunidade inteira esperando que a gente tenha essa força.

No maracatu, uma coisa que considero muito importante falar é que temos um movimento hoje, de falar da importância das mulheres no toque do maracatu. Às vezes, tem menina que quer muito estar no maracatu, e eu sei que a maioria dos maracatus de São Paulo tem uma cultura do toque que ainda não tem uma corte. Às vezes, por opção, ou porque ainda não chegou no lugar do grupo de dança. Se está na sua comunidade e tem um maracatu, vá para essa família, mesmo se você achar que tem duas mãos esquerdas, como muitas vezes eu pensei. Às vezes, o maracatu não está na força com que você vai tocar o tambor, está na força com que vai tocar o gonguê, o agogô, a caixa, o surdo, o atabaque, está na força do seu querer.

Eu não tocava maracatu, minha sogra não tocava, mas o nosso sotaque dentro da Nação Cambinda foi ela que trouxe de Pernambuco para cá. E ela traz na oralidade. Ela ouviu a mãe dela falar, ela ouviu os maracatus passarem na porta da casa dela, ela ouviu o boi, o pastoril, e ela sabia do som. Colocando o maracatu como o centro do umbigo da mulher, do ventre, dessa primeira boca, que é a mulher nesse lugar do poder do maracatu. A nossa casa foi segurada a partir disso, do entendimento do que é importante você é ouvir.

Se você sabe falar, você vai cantar. Uma hora, você vai encontrar o seu ritmo e, às vezes, o seu ritmo não é o ritmo que está naquele sotaque e naquele outro. Às vezes, você sair do seu bairro e andar léguas, que nem eu, que saí de Pernambuco para vir pra São Paulo, entender a potência do maracatu e voltar pra Pernambuco, ter um outro olhar em relação a isso. Às vezes, a gente não precisa tocar, a gente precisa ouvir e falar menos. Quando a gente fala menos, a gente aprende muito mais. Tem muito mestre querendo falar. E, às vezes, a gente coloca o mestre no lugar do "só é o mais velho". Às vezes, o mestre que está chegando é uma criança e você não entende o que o universo mandou para você.

Agência Brasil

Brasil bate recorde em geração de energia renovável

 


Foram quase 62 mil megawatts médios por mês em 2022

A geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis no ano passado alcançou a marca de 92%. O resultado, divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), na última quarta-feira (1°), mostra que a participação das usinas hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa no total de energia gerado pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) foi a maior dos últimos 10 anos. No total, em 2022, foram gerados quase 62 mil megawatts médios por mês de energia.

Segundo a CCEE, o resultado se deu, entre outros fatores, a um cenário hídrico climático mais favorável, que contribuiu para a recuperação dos reservatórios de água e da expansão das usinas movidas pelo vento e pelo sol.

No ano passado, as usinas hidrelétricas responderam por 73,6% do total gerado (45.613 MW médio). As eólicas por 14,6% (9.066 MW médio). Já as demais fontes, como biomassa, pequenas centrais elétricas (PCH), solar e as centrais geradoras hidrelétricas (CGH) foram responsáveis por 11,8% (7.291 MW médio).

Com relação à geração hidráulica, as chuvas de 2022 contribuíram para um aumento de 17,1% na produção das hidrelétricas, para 48 mil MW médios.

Os estados que apresentaram o maior crescimento na produção de energia hidráulica em 2022 foram: Mato Grosso com aumento de 44 MW médio, São Paulo (219 MW médio), Tocantins (51 MW médio), Pará (599 MW médio), Goiás (194 MW médio ), Sergipe (176 MW médio), Rio Grande do Sul (366 MW médio), Paraná (1.728 MW médio), Minas Gerais (1.178 MW médio), Santa Catarina (545 MW médio) e Alagoas (484 MW médio).

“A reversão do cenário crítico de 2021 deixa o país em uma situação muito mais confortável para 2023. Hoje a capacidade instalada desta fonte é de 116.332 MW”, informou a CCEE

Já a geração solar centralizada foi o maior destaque. Este tipo de fonte teve o maior aumento de geração em 2022, de 64,3% na comparação com o ano anterior. Ao todo foram produzidos mais de 1,4 mil MW médios.

Fazendas solares

De acordo com a CCEE, a chegada de 88 novas fazendas solares ao SIN fez com que o segmento alcançasse 4% de representatividade na matriz nacional.

Os estados do Rio Grande do Norte (178 MW médio), da Bahia (666 MW médio) e do Piauí (340 MW médio) forma os que apresentaram aumento na geração por fonte eólica.

A geração eólica cresceu 12,6% no comparativo anual, fornecendo à rede elétrica mais de 9 mil megawatts médios. Atualmente, o país conta com 891 parques eólicos, que juntos somam mais de 25 mil megawatts de capacidade instalada.

A produção de energia a partir da biomassa, que tem como principal matéria-prima o bagaço da cana-de-açúcar, registrou um leve aumento de 0,3%. Com isso, este tipo de fonte entregou ao sistema quase 3 mil MW médios em 2022. Atualmente existem 321 usinas deste tipo, com capacidade instalada total de 14.927 MW.

Fontes não renováveis

Em relação à geração por fontes não renováveis foi de 5.373 MW médio, a maior participação foi por fonte térmica a gás, com 45,0% (2.419 MW médio), seguidp de fonte nuclear com 28,3% (1.522 MW médio), carvão mineral com 12,8% (690 MW médio) e as demais fontes (térmica, GNL, óleo, gás/óleo, importação e reação exotérmica) com 13,8% (743 MW médio).

Agência Brasil

Anvisa fará webinar sobre novas regras de reprodução humana assistida

 


Encontro virtual será nesta segunda-feira 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fará um webinar nesta segunda-feira (6), a partir das 15, para tratar da nova norma sobre reprodução humana assistida. Durante o seminário, o regulamento será apresentada por Renata Parca, que há 17 anos integra a área responsável pelo tema. A moderação será feita pelo gerente da área de Sangue, Tecido, Células, Órgãos e Produtos de Terapias Avançadas, João Batista da Silva Júnior.

Segundo a Anvisa, as novas regras têm como objetivo dar mais segurança sanitária, acessibilidade e dinamismo ao processo de reprodução humana assistida, em vista da sua demanda crescente pela população. A legislação também foi atualizada contemplando as mudanças no setor, que está sempre se modernizando quanto a novas técnicas, terapias e tecnologias.

Entre os temas que serão discutidos no seminário está o  novo modelo de importação de gametas e embriões, as atualizações com relação aos testes laboratoriais de pacientes e doadores de gametas, e a necessidade de um profissional responsável pela garantia da qualidade nos estabelecimentos. No Brasil, há 183 Centros de Reprodução Humana Assistida (CRHAs) em funcionamento, conforme dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) da Anvisa. 

A participação do webinar pode ser feita por este link   no dia e horário do evento.

Agência Brasil