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Nova orientação fez BM rever decisão de utilizar Batalhão de Choque em Porto Alegre
Apesar da instrução de saída das vias do Centro, manifestantes seguem acampados na avenida Padré Tomé
Mesmo com a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para a prefeitura de Porto Alegre efetuar o desbloqueio das vias públicas nas proximidades do Comando Militar do Sul (CMS), muitos manifestantes seguem acampados na avenida Padré Tomé, entre as ruas Sete de Setembro e Siqueira Campos. Na noite de sexta-feira, a Brigada Militar deu prazo até a meia-noite para a retirada das barracas e o desbloqueio da via, mas a decisão foi revista pela corporação, que pretendia utilizar o Batalhão de Choque para dispersar o grupo.
Os manifestantes pedem intervenção das Forças Armadas e alegam suposta fraude no processo eleitoral. De acordo com o comandante 9º BPM, tenente-coronel Fábio Schmitt, a ideia de usar os policiais do Batalhão de Choque foi descartada “por conta de uma nova orientação”. “Inicialmente demos um prazo, mas depois retiramos”, reconhece. Ele reforça que a orientação é para que os manifestantes retirem os carros e comecem desobstruir a via para garantir o direito de ir e vir das pessoas. “Também orientamos que retirem as barracas pelo mesmo motivo”, completa.
Apesar da recomendação da BM, muitas barracas seguem instaladas no meio da avenida. Schmitt garante que agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) vão reforçar a fiscalização no local para evitar que veículos bloqueiem a pista. “A EPTC vai agir com multa e se necessário vai realizar a remoção dos carros”, afirma. Mesmo com a proximidade do feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro, Schmitt afirma que não deve haver operação especial no entorno do CMS. Não existe operação específica para os próximos dias. Vamos continuar garantindo a segurança de todos”, destaca.
Enrolada em uma bandeira do Brasil, a terapeuta holística Tainá de Azevedo Vaz, 27, integrava o grupo de manifestantes que ocupava a via. “Estou na rua porque não reconheço o resultado dessas eleições”, afirma. Desde o fim das eleições, ela começou a participar dos atos em Porto Alegre. “Queremos uma resposta do TSE. Queremos que entreguem o código fonte para que seja feita uma auditoria 100% completa pelas Forças Armadas”, justifica. “Faz dois dias que eu não durmo, a gente está cansado, mas não vai desistir”, ressalta. O eletricista Marco Aurélio Selayaran, 62, se uniu ao grupo desde a tarde de sexta-feira.
Ele passou toda madrugada junto com os manifestantes. Pela manhã, varria a sujeira deixada na via em frente ao Museu do CMS. Selayaran critica o resultado das eleições. “Já fui a Brasília acompanhar os atos de 7 de Setembro”, afirma. A prefeitura informa que recebeu o ofício na tarde de sexta-feira e analisa a recomendação expedida. Além disso, ressalta que “irá prestar as informações pertinentes aos órgãos dentro do prazo estabelecido”. O prazo para responder ao MPF é de 24h, a partir do recebimento da recomendação.
Correio do Povo
MPF pede investigação sobre "apagão" nos computadores da Presidência
Órgão pediu que a Secretaria-Geral da Presidência explique de quem partiu a ordem de formatação dos HDs
O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) pediu nesta sexta-feira, 11, a abertura de uma investigação sobre o "apagão" de documentos nos computadores do Palácio do Planalto depois da eleição.
O órgão pediu que a Secretaria-Geral da Presidência explique de quem partiu a ordem de formatação dos HDs e se algum procedimento administrativo foi aberto para investigar as causas e os responsáveis.
O MPF disse que os "fatos são graves e suficientes para instaurar uma investigação". Também afirmou que a Presidência da República não esclareceu se computadores foram formatados, se arquivos foram danificados ou apagados, se dados sensíveis foram vazados, se dados públicos foram perdidos ou se houve alguma apuração interna sobre a origem do ataque.
"Faz-se necessário, assim, para a adequada proteção do patrimônio público e para a segurança da informação constante de bancos de dados da maior relevância para o Estado brasileiro, que todas as circunstâncias do suposto ataque e da suposta formatação sejam apuradas, bem assim que os agentes públicos envolvidos na ocorrência sejam ouvidos, para melhor esclarecer os fatos, seus desdobramentos e consequências", diz um trecho do documento que pede abertura da investigação.
O procedimento foi aberto depois que o portal Metrópoles revelou que HDs de equipamentos da Presidência da República estariam sendo formatados em razão de uma suposta ameaça aos sistemas e aos bancos de dados.
A Secretaria-Geral da Presidência disse que um "malware" foi detectado em algumas estações de trabalho. A infecção, segundo a nota divulgada, ocorreu por meio de "phishing" - técnica usada na internet para o roubo de dados confidenciais. A pasta garantiu que não houve vazamento de dados, nem comprometimento de sistemas hospedados na rede da presidência.
Agência Estado e Correio do Povo
6G pode ser última geração de internet móvel e permitirá comunicação holográfica
Expectativa é que tecnologia esteja disponível oficialmente em 2030
O 5G chegou ao Brasil este ano e está presente nas 27 capitais do país. Até 2029, ele deve ser implantado em todos os municípios brasileiros com população igual ou superior a 30 mil habitantes. Como a inovação nunca para, as discussões sobre a próxima geração, o 6G, já existem. De acordo com o pesquisador Paulo Sergio Rufino, que participou este ano do Futurecom, em São Paulo, a expectativa é de o sinal começar a funcionar no mundo em 2030, trazendo diversos avanços, permitindo a comunicação holográfica e uma maior participação humana no processo de conexão.
Conforme Rufino, há estudos indicando que o 6G poderá ser a última geração de internet móvel, não sendo necessária a existência do 7G, por exemplo. "A partir dessa geração, as coisas vão ficar mais a um nível de computação e menos de desenvolvimento físico, pois o 6G está indo para um novo espectro de rádio, perto de um espectro de luz, o terahertz. Essa comuniação tem um alcance curto, mas uma banda muito larga", aponta.
O 6G trará transformações na sociedade. Uma delas é em relação aos empregos. No 5G já é possível observar o cenário de uso cada vez mais frequente de adventos tecnológicos objetivando facilitar o trabalho, como robôs de gerenciamente de estoque ou para linhas de produção em fábricas. Com a automação de muitos processos, a próxima geração da internet acarrecatará, portanto, em uma necessidade maior de especialização dos profissionais.
Os estudos sobre o 6G indicam, conforme o pesquisador brasileiro, que a tecnologia deve estar atenta com questões sociais e ambientais. "Essa geração de internet deve ser mais humanizada, pois há a preocupação da tecnologia estar alinhada com as diretrizes da ONU (Organização das Nações Unidas), que tem grandes promessas para 2030 em relação ao desenvolvimento sustentável, levando em consideração as mudanças climáticas e a pandemia de Covid-19", diz.
O problema relacionado ao abismo digital (quando as pessoas não acessam a internet ou têm uma conexão de má qualidade) chama a atenção nos estudos sobre o 6G. A intenção é que o sinal passe a alcançar um maior número de pessoas, inclusive, com o objetivo de diminuir a pobreza. "A cada 1% de novas pessoas com acesso à internet móvel, o PIB nessa região geográfica cresce 0,15%", destaca.
6G exigirá menos estrutura física para funcionamento | Foto: Alina Souza
Holografia tem expectativa de se tornar uma realidade
A forma de se comunicar foi mudando bastante ao longo dos anos. Antes, era possível falar com uma outra pessoa à distância somente por intermédio de cartas. Já há um tempo, dá para fazer uma videochamada com alguém do trabalho ou da família independentemente da localização, desde que os aparelhos e a conexão sejam adequados. No 6G, a comunicação deve ir em direção a um outro patamar com a holografia.
Segundo Rufino, a holografia permitirá as pessoas conversarem umas com as outras na forma como visto nos filmes de ficção científica. "Estão sendo feitos testes na Universidade de Arhus, na Dinamarca. Funciona assim: tem um clube, uma sala que você entra e toda a sua imagem é decriptada. Em seguida, ela é transportada para um outro lugar", explica. "Um dos grandes desafios desse tecnologia se tornar uma realidade hoje é que ela precisa de muita banda, e o tempo para se digitalizar uma pessoa, fazendo o avatar e transportando ele para um outro espaço consome muita computação", acrescenta.
Velocidade do 6G e tempo e quando a tecnologia deve chegar
O 6G, de acordo com o especialista, deve ser 100 vezes mais rápido que o 5G. A China já manifestou o interesse em fazer o sinal funcionar em 2030. Para Ruffino, antes deste ano, já podem ser vistas versões de teste da tecnologia. A Coreia do Sul, por exemplo, começou a implementação de um piloto da quinta geração de internet móvel em 2018.
No Brasil, conforme Ruffino, o tempo em que o 6G deverá chegar dependerá de questões governamentais e regulatórias. No 5G foi realizado um leilão em novembro do ano passado, onde foram concedidas diferentes lotes com velocidades e localizações distintas para estabelecimento da tecnologia.
Correio do Povo
Biden reage
Nos EUA, o contestado Biden conseguiu resistir
Jurandir Soares
Diferentemente do Brasil, as eleições nos Estados Unidos não têm urna eletrônica. O voto é impresso e se pode votar até pelo Correio, daí o fato de até hoje ainda não se ter um resultado final do pleito desta terça-feira, quando foram renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, um terço ou 35 cadeiras do Senado e mais 35 cargos de governador. É possível que para o Senado a definição só ocorra após 6 de dezembro, quando acontece o segundo turno na Georgia, entre o democrata Raphael Warnock, que obteve 49,4% dos votos na terça-feira e o republicano Herschel Walker, que ficou com 48,5%. Para o Senado, uma das eleições mais disputadas foi a da Pensilvânia, que, pela sua importância esteve a visitá-la nos dias finais de campanha o presidente Joe Biden e os ex-presidentes Barack Obama e Donald Trump. Resultou vencedor o democrata John Fetterman.
Se no Senado o quadro não é de mudança significativa, para a Câmara de Representantes, seguindo a tradição, a maioria possivelmente será recuperada pelos Republicanos. Porém, não aconteceu a chamada “onda vermelha” que era esperada pelos Republicanos. Afinal, desde 1860, somente em três ocasiões o partido no governo conseguiu manter a maioria. Em alguns casos recentes houve mudança brusca. Em 2010, nas primeiras midterms de Barack Obama, os republicanos viraram 63 cadeiras para o partido. No começo do governo Bill Clinton, em 1994, os republicanos conquistaram 54 assentos. A composição hoje é de 220 democratas e 212 republicanos. Três cadeiras estão vagas por morte ou renúncia.
No que toca a governos estaduais, algumas conquistas marcantes. Três mulheres foram eleitas. No Arkansas, Sarah Sanders, ex-porta-voz de Trump. Em Massachusetts, a democrata Maura Healey e no Oregon Tina Kotek. As duas últimas declaradamente lésbicas. Já Maryland elegeu o democrata Wes Moore, o primeiro negro a governar o estado. Na Flórida, o governador republicano Ron de Santis foi reeleito com larga margem de vantagem, se habilitando a ser um forte candidato do partido à eleição presidencial de 2024. Ou seja, se Donald Trump esperava uma vitória retumbante dos republicanos, com um consequente revés para Joe Biden, alicerçando seu retorno à Casa Branca, agora surgiu um forte rival para ele dentro do próprio partido. Cabe salientar a convicção que existe nos EUA de que um governo dividido é bom para os negócios, porque a ausência de controle total impede qualquer um dos partidos de fazer algo extremo demais.
Enfim, o quadro que fora pintado antes do pleito era de uma derrota significativa de Joe Biden, em função de dois motivos: a inflação girando em torno e 9%, com a consequente perda de poder aquisitivo da população, e o prestígio em baixa do presidente, pois 54% dos norte-americanos desaprovam seu governo. No entanto, o contestado Biden resistiu. E nesta sexta-feira ele somou pontos junto à COP 27, a cúpula do clima que se realiza no Egito, ao dizer que “a crise climática é sobre segurança humana, segurança econômica, segurança ambiental, segurança nacional e a própria vida do planeta”. Um discurso para encantar os ambientalistas, embalado pelo anúncio de uma verba de 150 milhões de dólares, em novo apoio para acelerar os esforços do seu Plano de Emergência para Adaptação e Resiliência, destinado para a África. E para completar, dentro do mesmo contexto, nesta segunda-feira, 14, Biden se reúne com o líder chinês Xi Jinping para tratar das relações entre as duas potências. Deve seguir com um discurso firme, cobrando do chinês ações para que a China deixe de ser um dos maiores poluidores do planeta.
Correio do Povo