Alvorada (RS) é a sexta cidade mais violenta do Brasil, afirma Atlas da Violência 2019

Dado é do Atlas da Violência 2019, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. (Foto: Reprodução)

6 de agosto de 2019 Capa – Caderno 1, Geral, Notícias, Polícia, RS

O município de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi considerado como o sexto mais violento do Brasil no ano de 2017, com taxa de 112,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. O dado é do Atlas da Violência 2019, divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o levantamento, a taxa de homicídios no Brasil aumentou 4,2% de 2016 para 2017, chegando ao recorde de 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes. Em números absolutos, o país teve 65.602 assassinatos em 2017, 4,9% a mais do que no ano anterior.

Confira outros dados do Atlas

A população jovem, de 15 a 29 anos, foi a principal vítima de homicídios no Brasil, com 35.783 mortos em 2017, sendo 94,4% do sexo masculino. Assassinatos foram a causa de 51,8% das mortes dessa faixa etária. Entre 20 e 24 anos, o percentual chega a 49,4%, e, entre 25 e 29 anos, a 38,6%.

O Atlas da Violência mostra que em 2017 a taxa de homicídio de mulheres cresceu acima da média nacional. Em 28,5% dos homicídios de mulheres, as mortes aconteceram dentro de casa, o que o Ipea considerou como feminicídios e violências domésticas.

Conforme dados do Ipea, a cada quatro pessoas assassinadas no Brasil em 2017, três eram negras. O Instituto aponta que houve um aumento na desigualdade racial nesse aspecto entre 2007 e 2017, já que a taxa cresceu 33,1% para os negros e 3,3% para os não negros. Somente entre os anos de 2016 e 2017, a taxa de homicídios de negros no Brasil cresceu 7,2%. Em números absolutos, o país registrou 49.524 assassinatos de negros em 2017.


O Sul

A lógica do destempero

Não há incontinência verbal, mas a lógica de um projeto de poder, muito bem pensada

DENIS LERRER ROSENFIELD*, O Estado de S.Paulo

As manifestações intempestivas do presidente da República, suscitando confrontos permanentes, aparecem como formas de descontrole, quando são, na verdade, lógicas segundo sua arte de governar. São coerentes não apenas com o seu estilo pessoal, mas também, e sobretudo, com sua forma de fazer política.

Somente agora completa o novo governo sete meses, porém tem-se a impressão de que alguns anos já transcorreram. Discute-se a sucessão presidencial como se as eleições já estivessem ali adiante, expondo um quadro de envelhecimento precoce do governo. Nestes poucos meses ele ainda não disse ao que veio, mas novas eleições já entraram em pauta.

A duras penas completou o novo governo a aprovação da primeira rodada de votações da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. O processo, provavelmente, não se concluirá no Senado antes de outubro, no que se configura o início de um duro processo de retomada do crescimento. No entanto, o debate público é regido por questões manifestamente menores, como liberação de cadeirinhas para crianças nos automóveis, porte de fuzis, nomeação de um filho para embaixador, acusações de que o pai do presidente da OAB teria sido “justiçado” por seus “companheiros” durante o regime militar, e assim por diante. Há uma evidente confusão entre o principal e o acessório. A comunicação social do presidente é manifestamente falha. Só agrada aos fiéis e aos já convertidos.

Note-se que o governo, em vez de se beneficiar dos seus feitos – como o começo da aprovação da reforma da Previdência, a lei sobre o direito à legítima defesa (depurada de seus excessos), a concessão de aeroportos, o debate sobre a necessidade das privatizações, o início de desburocratização administrativa via eliminação de decretos, portarias e conselhos –, se perde em pautas claramente secundárias, ofuscando o que faz pelo País. Há uma inversão: o principal sai de foco e entra em seu lugar o subsidiário.

Qual é a lógica? Certamente não é a arte de governar, pois esta exigiria uma atenção às políticas públicas voltadas para tirar o País do marasmo de uma economia que patina e de um desemprego que aterroriza milhões de brasileiros. A insegurança pessoal ronda boa parte da população. Em seu lugar entra um conjunto de questões menores que diz respeito à concepção política dos bolsonaristas, voltada para o embate permanente, sempre à caça do inimigo real ou imaginário, não importa. O que conta é a “existência” do inimigo, real ou não.

Quando o presidente confronta opositores, logo tomados como inimigos, logo o faz sob a forma do embate, como se ele próprio estivesse em questão, como se estivesse sendo atacado. Qualquer ocasião é aproveitada segundo sua intuição dos dividendos que poderá extrair do confronto. Precisa do embate para fortalecer a própria posição, sentindo-se ameaçado. Tal processo funcionou muito bem durante a campanha eleitoral, particularmente propícia para a “destruição do inimigo”, no caso, o PT. Deixa, porém, de funcionar quando se aplica à arte democrática de governar, baseada na negociação e na composição com os adversários.

Tomemos o caso do confronto com o presidente da OAB. Em aparente descontrole, o presidente fez acusações, sem nenhuma prova, ao pai do dr. Felipe Santa Cruz, procurando criar uma instabilidade no interlocutor. Tratou-se de um ato gratuito, fora de contexto, sem nenhuma compaixão. A moral foi para o espaço. A liturgia do cargo foi abandonada. Suscitou um problema que não deveria sequer ter sido levantado. Por que o fez?

Procurou trazer para o debate político a questão do “justiçamento” dos que participaram da luta armada para a instauração do socialismo/comunismo no Brasil. Ressalte-se: não lutaram pela democracia. Eram “companheiros” que não mais concordavam com o uso da violência, que discordavam ou, simplesmente, pretendiam voltar a uma vida normal. Eram tidos por “suspeitos” ou ”traidores”. Foram “julgados” por “tribunais populares” e sumariamente assassinados. Tais casos, porém, não foram investigados pela Comissão da “Verdade”, por contrariarem a narrativa de que a “esquerda” seria “vítima” e lutava pela “democracia”. Acontece que o caso específico do pai do presidente da OAB não se enquadra nesse tipo de fato, tendo sido atestada sua morte, seu “desaparecimento”, nas mãos de órgãos do Estado.

Ora, o presidente, ao suscitar um problema histórico e mal aplicá-lo ao caso em questão, trouxe a entidade dos advogados para o embate político, realçando seu perfil de esquerda e colocando-a como “inimiga”, na esteira de outros ataques ao PT. Ou seja, o presidente precisa do PT e da esquerda em geral para se justificar, para manter em movimento o seu embate político, pois é essa narrativa que o seu grupo pensa ser a sua forma de sustentação. Se 2022 é o horizonte, é necessário que sua narrativa seja preparada desde já. O “inimigo” deve estar agora presente. Se o PT não existisse, seria necessário criá-lo.

Na verdade, o inimigo real dos bolsonaristas não é o PT, mas o centro do espectro partidário, que se pode apresentar nas próximas eleições em figuras como o governador João Doria ou o apresentador Luciano Huck. Eles são os alvos ocultos. Pense-se, por hipótese, que os bolsonaristas representam em torno de 30% dos eleitores e o PT e a esquerda, outros 30%. O embate entre os dois grupos favorece ambos, excluindo terceiros. O presidente Bolsonaro está voltado para o fortalecimento de seu eleitorado, de seus fiéis, apostando que o adversário num eventual segundo turno seria o PT. Suas chances eleitorais seriam grandes. Se, contudo, o PT não tiver condições de chegar ao segundo turno, entrando em seu lugar Doria ou Huck, o presidente estaria seriamente ameaçado.

Não há incontinência verbal, mas a lógica de um projeto de poder, muito bem pensada.

* DENIS LERRER ROSENFIELD É PROFESSOR DE FILOSOFIA NA UFGRS. E-MAIL: DENISROSENFIELD@TERRA.COM.BR


Estadão

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Astrônomos brasileiros estão mapeando metade do céu no Hemisfério Sul


Projeto S-PLUS, que está em operação no Chile, é o maior levantamento do céu já realizado pela comunidade astronômica brasileira.

Por A. J. Oliveira

(S-PLUS/Divulgação)

Como a Terra é um globo, as estrelas, galáxias e todos os demais objetos celestes visíveis ao sul do Equador não são os mesmos vistos ao norte.

E, por séculos, foram os países do Hemisfério Norte que concentraram a pesquisa astronômica e as iniciativas para mapear o céu. Agora, pesquisadores brasileiros querem amenizar a lacuna de dados sobre o céu do hemisfério Sul e reduzir esse desequilíbrio.

Para fazer um levantamento de quase metade do céu no Hemisfério Sul, quatro instituições de pesquisa nacionais se uniram e criaram o S-PLUS (Southern Photometric Local Universe Survey), projeto brasileiro sem precedentes que acaba de publicar seu primeiro artigo.

As observações são feitas pelo T80-Sul, um telescópio robótico com abertura de 80 centímetros instalado em Cerro Tololo, no Chile, um dos melhores lugares do mundo para a astronomia.

O objetivo é mapear em cinco anos 9,3 mil graus quadrados de céu – são cerca de 20 mil em cada hemisfério. Desde o final de 2017, quando os dados começaram a ser coletados, os cientistas já observaram uma fração de 25% do total planejado, mas boa parte dessas informações ainda estão sendo processadas. No artigo submetido ao periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society está descrita 4% da área de céu prevista.

Mas esse foi só um gostinho do que o S-PLUS promete entregar. Neste começo, o intuito era também calibrar o equipamento. Para isso, os astrônomos miraram em uma faixa de céu chamada de Stripe-82, famosa por ter sido documentada em vários outros projetos desse tipo. Assim, dá para comparar os resultados e ter certeza de que está tudo em ordem com os métodos antes de partir para territórios celestes pouco ou nada explorados.

Além de amplo, o novo levantamento é versátil. Em suas observações, o T80-Sul usa 12 filtros diferentes para extrair o máximo de ciência possível dos objetos astronômicos que registra. É um mapeamento multicor. Cada filtro bloqueia todas as faixas do espectro eletromagnético da luz (luz visível, ultravioleta, infravermelho, etc.) que não sejam aquela de interesse do pesquisador. Dessa forma, as informações coletadas ganham precisão e detalhes — depois é só “juntar” cada pedaço para conhecer os diferentes aspectos do objeto.

Os dados do S-PLUS podem ajudar pesquisadores de diversos campos de atuação no futuro – seja para trabalhar no reconhecimento de asteroides do Sistema Solar, ou para estudar em detalhes a estrutura da Via Láctea e de outras galáxias.

A pesquisa ainda vai ajudar a identificar quasares, aglomerados de galáxias e até contribuir com estudos de ondas gravitacionais, fotografando a luz de certos eventos. O telescópio também vai observar as Nuvens de Magalhães, pequenas galáxias satélites da Via Láctea.

Com investimentos de mais de US$ 2 milhões de agências de fomento à pesquisa brasileiras (80% da verba veio da FAPESP), o projeto é uma parceria entre o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG), o Observatório Nacional (ON), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS), além da Universidad de La Serena, do Chile. A colaboração reúne mais de 100 cientistas de mais de 50 instituições, nacionais e internacionais.

Roderik Overzier, astrofísico do ON e um dos coordenadores do S-PLUS, explicou à SUPER que o levantamento reproduz o conceito de uma iniciativa já concluída no Hemisfério Norte. “Alguns anos atrás, a professora Cláudia Mendes de Oliveira, da USP, solicitou recursos para replicar o J-PLUS no Hemisfério Sul”, disse o pesquisador holandês, que mora há seis anos no Brasil. “Assim, os dados dos dois projetos podem ser combinados no futuro.”

Oliveira diz que um instrumento como o T80-Sul, dedicado a mapeamento, é um sistema inovador para os brasileiros. “Até então, os astrônomos observacionais de nossa comunidade, em sua maioria, se dedicavam a usar telescópios clássicos, onde cada astrônomo ganhava uma parte do tempo para usar da forma que lhe aprouvesse”, explica a pesquisadora do IAG, que também coordena o projeto.

“A diferença é que este é dedicado a fazer observações homogêneas de uma grande área do céu, e o que é dividido entre os astrônomos não é o tempo de observação em si, mas os dados gerados”, afirma.

Depois de processadas, as informações são disponibilizadas a toda a comunidade, não só aos membros do S-PLUS. É uma grande contribuição brasileira para que os céus do sul do planeta deixem de ser território inexplorado — e entrem de vez no mapa da astronomia mundial.


Superinteressante

Astrônomos detectam nascimento de exolua pela primeira vez


Pesquisa inédita identificou o disco de poeira que circunda exoplanetas em formação e dá origem a seus satélites naturais.

Por A. J. Oliveira

(A. Isella, ALMA-ESO/NAOJ/NRAO/NASA)

Uma equipe internacional de pesquisadores deu um passo importante na busca por satélites naturais em outras estrelas – as chamadas exoluas. Eles detectaram, pela primeira vez, um disco circumplanetário, anel de poeira e gás que fornece o material para a formação de gigantes gasosos e suas luas. É algo bem parecido com o sistema que formou Júpiter, nosso vizinho de sistema solar.

O tal disco fica a 370 anos-luz de distância da Terra, onde dois planetas descobertos há pouco tempo orbitam uma estrela jovem. Esses exoplanetas apareceram a partir de observações do VLT, telescópio de grande porte do ESO, o Observatório Europeu do Sul, localizado no deserto do Atacama.

Agora, os astrônomos reuniram um novo conjunto de observações feitas pelo poderoso radiotelescópio ALMA, formado por 66 antenas. O ALMA está localizado no elevado e seco planalto de Chajnantor, no desértico norte chileno, local que reúne as condições são perfeitas para o estudo do Universo. O radiotelescópio é excelente para a detectar minúsculas partículas de poeira, com um décimo de um milímetro, ao redor de estrelas distantes.

Juntando estes dados aos encontrados previamente pelo VLT, os pesquisadores conseguiram uma evidência sólida da existência de um disco de poeira formador de luas em volta  do PDS 70 c, o mais afastado dos dois exoplanetas observados. Sua órbita fica a 5,3 bilhões de quilômetros da estrela PDS 70 – mais ou menos a distância entre Netuno e o Sol. Os cientistas estimaram que o gigante gasoso tenha algo em torno de uma até dez vezes a massa de Júpiter.

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“É bem possível que existam luas do tamanho de planetas em formação ao redor dele”, disse em comunicado o astrônomo Andrea Isella, da Universidade Rice, que liderou o estudo, publicado na revista científica Astrophysical Journal Letters. Ganímede, lua de Júpiter e maior satélite natural do Sistema Solar, é 8% maior que Mercúrio e tem dois terços o tamanho de Marte.

O planeta mais interno, PDS 70 b, tem órbita semelhante a de Urano e também apresenta um traço peculiar: a mesma pesquisa detectou uma nuvem massiva de poeira na cola dele. Ainda não se sabe o que pode ser essa estrutura nem o que ela representa para o sistema planetário.

Ao contrário dos anéis de Saturno, formados bem mais recentemente da colisão de cometas e asteroides, o disco circumplanetário do PDS 70 c é mais primordial. Ele congrega o mesmo material que formou os planetas. Além de ter sido a primeira vez que essa estrutura foi detectada, é também a primeira evidência direta e confiável de que luas existem em outros sistemas solares.


Superinteressante

Governo anuncia que quitará a folha de junho dos servidores nesta quinta-feira

(Foto: Alex Rocha/Palácio Piratini)

6 de agosto de 2019 CAD1, Capa – Caderno 1, Geral, Notícias, Política, RS

A Secretaria da Fazenda anunciou, nesta terça-feira (6), que pagará os valores ainda em aberto da folha de junho dos servidores do Executivo na quinta (8). A quitação total estava prevista para a próxima segunda (12).

O último depósito realizado pelo Tesouro do Estado, no dia 31 de julho, quitou a folha de quem recebe até R$ 6.800. Os funcionários com salário acima desse valor também tiveram esse montante depositado em suas contas no último dia do mês passado.

Como já anunciado, a folha de julho permanece com o primeiro pagamento para terça da semana que vem (13), quando a Secretaria da Fazenda pagará os servidores que recebem líquido até R$2.500.


O Sul

Astronautas testarão primeiros experimentos de mineração espacial

Mini-reatores recém-chegados à ISS vão avaliar como micróbios mineradores se comportam em órbita — e como podem facilitar a extração de minerais no espaço.

Por A. J. Oliveira

(Rosa Santomartino/University of Edinburgh/Divulgação)

Se a humanidade um dia quiser criar raízes fora da Terra, terá que aprender a extrair minérios de outros corpos celestes. A boa notícia é que recursos do tipo existem aos montes também em outros cantos da galáxia. Já sabemos que asteroides – e mesmo a Lua – são ricos em metais e minerais importantes para nossa civilização. Se dominamos a tecnologia necessária para explorá-los em quantidade suficiente, aí já é outra história.

Com o intuito de desenvolver novas técnicas e obter insights que podem ser decisivos para a abertura dessa nova fronteira, pesquisadores criaram experimentos de mineração espacial que acabam de chegar à ISS (Estação Espacial Internacional).

Eles partiram a bordo de um Falcon 9, nave da SpaceX, na última quinta (25) e foram desenvolvidos ao longo dos últimos 10 anos por cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia. O objetivo dos protótipos é testar como certos tipos de micróbios podem ser utilizados para ajudar a extrair minérios das rochas espaciais. É isso mesmo que você leu, micróbios.

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A chamada “biomineração” é uma alternativa comum aqui na Terra: micróbios diversos são aproveitados pela indústria pois facilitam a obtenção de substâncias valiosas. Minérios como ferro, cálcio e magnésio são retirados das rochas pelo simples funcionamento natural do metabolismo desses microrganismos. Os experimentos pioneiros pretendem investigar como a ausência de gravidade do espaço afeta os superpoderes mineradores dos bichinhos.

Astrobiólogos britânicos desenvolveram reatores de biomineração que têm o tamanho de caixas de fósforo. Dezoito deles foram lançados para a estação espacial. Astronautas irão adicionar pedacinhos de basalto, tipo de rocha bastante comum na Lua e em Marte, em cada um dos dispositivos, onde vão se misturar a uma solução rica em bactérias. As condições ali dentro pretendem simular como se os micróbios estivessem minerando no planeta vermelho ou em um asteroide. Conforme eles prosperam e formam colônias, criam camadas nas superfícies que são chamadas de biofilmes – o que pode oferecer informações sobre como se reproduzem no espaço.

Após três semanas operando em órbita, os experimentos serão mandados de volta à Terra para que a equipe escocesa analise os resultados em um laboratório da Universidade Stanford, nos EUA. Espera-se que o estudo também forneça informações relevantes sobre o crescimento dos biofilmes e a biomineração aqui na Terra. Quem diria que os micróbios não poderiam ser grandes aliados para nos ajudar na conquista do espaço?


Superinteressante

Mapa 3D mais detalhado da Via Láctea confirma que nossa galáxia é deformada


As bordas da Via Láctea são um pouco tortas. Só que agora podemos ver a deformação em três dimensões.

Por A. J. Oliveira

(Jan Skowron/OGLE/Astronomical Observatory, Univ. Warsaw/Divulgação)

Em fevereiro, a SUPER divulgou um estudo pioneiro que havia descoberto algo que, até então, ninguém imaginava: a Via Láctea, nossa querida galáxia, não é o disco plano e achatado que sempre nos mostraram. Ela é um pouquinho distorcida nas beiradas, mais parecida com a letra S que com a I. Agora, uma segunda pesquisa independente da outra chegou à mesma conclusão — só que entregou junto um belo de um brinde.

Nada mais, nada menos que o mapa tridimensional mais detalhado da Via Láctea. Diferente do que já tinha sido feito antes, desta vez os cientistas não usaram medidas indiretas como a observação de gás ou de objetos em outras galáxias para mapear a nossa. A técnica, mais precisa, envolveu dados que consideram somente a distância de estrelas individuais. Sabe aquela brincadeira de ligar os pontos? É quase isso, só que em proporções cósmicas.

(Jan Skowron/OGLE/Astronomical Observatory, Univ. Warsaw/Divulgação)

Os pesquisadores da Universidade de Varsóvia, na Polônia, usaram como base uma classe de estrelas chamadas de cefeidas, bem maiores e mais massivas que o Sol. São especiais para os astrônomos pois servem como uma fita métrica para medir distâncias no Universo. Elas pulsam com periodicidade regular, e essa variação de luminosidade bem definidas permite calcular com precisão quão longe esses astros estão da Terra.

Tamanha riqueza de detalhes do novo mapeamento só foi possível por que a equipe usou um número grande de Cefeidas no estudo: mais de 2,4 mil. Quando mais pontos para ligar, maior é a “resolução” do mapa 3D. Os poloneses usaram dados do Experimento Ótico de Lentes Gravitacionais, um telescópio do Observatório Las Campanas, no Chile. Sozinho, ele dobrou a quantidade de Cefeidas conhecidas pelos astrônomos.

Também passaram muito tempo monitorando o mesmo conjunto de estrelas — seis anos. Comparadas com o Sol, podem ser até 100 mil vezes mais brilhantes. Os astrofísicos mediram quanto tempo levava o pulso delas. Um pulso mais lento indica que a estrela é mais brilhante, e com essa informação é possível descobrir seu brilho real. Depois, basta comparar com o brilho aparente (conforme observado da Terra) para chegar à distância.

O mapa em três dimensões revelou claramente o formato de S, com as extremidades do disco da Via Láctea distorcidas. Além de questões referentes à forma, o levantamento também vai permitir aos astrônomos conduzir estudos para entender melhor a evolução da galáxia e obter insights sobre grupos específicos de estrelas. Mais uma vez, o cosmos nos mostra que há beleza e naturalidade nas coisas tortas.


Superinteressante

Frase da semana

“Um expert é quem cometeu todos os erros que era possível cometer em uma área do conhecimento bem delimitada.”

– Niels Bohr, físico.

Toffoli e Greenwald são amigos de bar

Há algo suspeito nesse encontro