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As medalhas das Olimpíadas de 2020 serão feitas de material reciclável - SUPERNOVAS

Publicado em 2 de ago de 2019

Mas calma: elas ainda serão de bronze, prata e ouro — tudo coletado de aparelhos eletrônicos usados.
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A morte pede carona

Conheça a intrincada logística do transporte aéreo de cadáveres. E veja o que acontece se alguém morrer num cruzeiro.


Texto: Guilherme Eler | Ilustração: Denis Freitas | Design: Yasmin Ayumi | Edição: Ana Carolina Leonardi


Violoncelo importado. Cachorrinho de raça. Fígado para doação. Caixão funerário com um corpo embalsamado dentro. O porão de uma aeronave está acostumado a receber cargas bem mais inusitadas do que as suas malas cheias de compras de férias.

Segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), 470 mil toneladas de cargas cruzaram o Brasil a bordo de aviões comuns só em 2018. Parte desse total era de cargas vivas – a Latam, principal empresa nacional do setor, diz transportar 1.720 animais em rotas domésticas e internacionais todo mês. Outra parte, menor, era de cargas mortas. Literalmente.
Se você viaja de avião com frequência, há chances de que já tenha dividido o veículo com um cadáver (ou partes dele) até seu destino final. Voos domésticos, afinal, são uma maneira comum de fazer o translado de corpos, cinzas, urnas funerárias e ossadas por longas distâncias.

A Latam, que é responsável por 27% do setor de cargas no Brasil, transportou, em média, 104 esquifes – nome técnico de cargas funerárias como caixões ou ossadas – por mês em 2018. Isso quer dizer que há pelo menos três aviões partindo de aeroportos brasileiros com restos mortais na bagagem diariamente – sem contar os voos feitos por Gol e Avianca, companhias que também prestam o serviço, mas preferiram não divulgar seus números. Em maio de 2019, cerca de 2,4 mil aviões comuns decolaram por dia em aeroportos de todo o País.

Corpos são objetos caros de transportar. Suponhamos que uma pessoa tenha morrido em São Paulo, mas precise ser enterrada no Rio. Fretar um avião particular que faça o trajeto custa, no mínimo, R$ 80 mil. Por isso, a maioria dos cadáveres faz a mesma ponte aérea que os vivos, nos aviões tradicionais.

Para enviar um caixão do Aeroporto de Guarulhos até o do Galeão, na capital carioca, o preço médio é de R$ 4 mil – o valor final vai variar de acordo com o peso do defunto, por exemplo.

Um terço dessa grana fica com as empresas aéreas. O restante vai para as companhias funerárias, que assumem o trabalho de buscar o corpo, prepará-lo da forma adequada e conduzi-lo ao terminal de cargas – onde é placidamente acomodado ao lado das bagagens comuns.

Burocracia póstuma

O transporte de restos mortais não é como um serviço de frete qualquer – tem regras próprias. “A exigência no caso das aeronaves é rigorosa”, diz Paulo Coelho, presidente da ABT (Associação Brasileira de Tanatopraxia).

Chama-se “tanatopraxia” a preparação de um corpo sem vida para o transporte, velório e sepultamento. A técnica exigida nos voos é o embalsamamento. Replicada desde a civilização egípcia, é nada menos que a troca de fluidos naturais do corpo por substâncias que auxiliam na preservação, como o formol diluído em água. O corpo não desidrata, e o processo de putrefação desacelera. Fazendo a preparação correta, garante-se que o cadáver permaneça intacto por 15 dias.

“Após o óbito, modificações de aparência e odor aparecem em menos de oito horas”, diz Coelho. “Se não houvesse a conservação do corpo, poderia haver extravasamento de fluidos corpóreos, gases e exalação de odores, contaminando todo o ambiente.” Ainda assim, o caixão que voa de avião precisa estar envolto em uma urna de proteção específica.

Uma urna funerária que não foi vedada corretamente pode trazer dor de cabeça aos passageiros vivos. Um episódio do tipo aconteceu no Brasil em 2011, quando restos mortais e formol contaminaram 25 bagagens de um voo da Gol vindo de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O formol pode provocar irritações e queimaduras quando entra em contato com a pele – o que obrigou a companhia a desinfectar as cargas antes de devolvê-las aos usuários.

104 é o número de caixões (ou urnas funerárias) que a Latam transportou por mês, em média, em 2018.

Desde 2011, quando a lei para transporte de cargas funerárias mudou pela última vez, a Anvisa, órgão brasileiro de vigilância sanitária, não controla a presença de cadáveres em aviões. Segundo o órgão, só são feitas inspeções “em casos de emergência em saúde pública ou situações que possam significar algum risco à saúde da população”. Defuntos que faleceram por causa de doenças contagiosas ou contaminados por radioatividade, por exemplo, não podem voar.

Quando a morte não viaja no porão de cargas, mas decide ocupar uma poltrona na cabine, no entanto, a operação se torna um pouco mais complexa.

Pessoas que embarcam vivas eventualmente morrem durante viagens de avião, é claro. Neste exato momento, 1 milhão de vidas estão cruzando o planeta a bordo de aviões. É inevitável que, em algum momento, alguém passe mal, entre em trabalho de parto… Ou vá desta para uma melhor. É bom destacar que esse é um evento raro. Um estudo de 2013, publicado no New England Journal of Medicine, analisou 12 mil emergências médicas aéreas em voos americanos, e só encontrou mortes de passageiros em 36 desses casos – ou seja, uma proporção de 0,3% da amostra.

Quando esses incidentes acontecem, companhias de aviação podem, não à toa, acabar recorrendo a soluções inusitadas. A British Airlines, por exemplo, foi acusada em 2007 de utilizar assentos de primeira classe para armazenar cadáveres. Aviões da Singapore Airlines contam com um compartimento discreto próximo às saídas de emergência, usado para o mesmo fim.

Segundo a Iata (Agência Internacional de Transportes Aéreos), o procedimento correto é acomodar o falecido sentado ao lado de uma poltrona desocupada. Caso o voo esteja lotado, a orientação é manter a pessoa no seu próprio assento – desde que não obstrua corredores e saídas de emergência.
“Você nunca deve guardar um corpo no banheiro”, explica um funcionário da British Airlines em um documentário da BBC, de 2014. Viagens de avião, quando muito extensas, costumam durar 12, 15 horas. Mas e se o passageiro falecer num navio de cruzeiro, que pode passar dias a fio longe da costa?

O último cruzeiro?

Cruzeiros são verdadeiras cidades flutuantes: todos carregam toneladas de suprimentos, alguns dessalinizam a própria água para consumo, e muitos possuem até celas de detenção provisória, em meio às estruturas de lazer e acomodações dos passageiros. Há também um necrotério, com câmaras frias prontas para guardar corpos de passageiros que falecem no meio do passeio.

Não existe um levantamento brasileiro – nem mundial – de quantas mortes ocorrem em cruzeiros. E as companhias ou associações do setor também preferem não falar sobre isso. “Para eles, não é bom negócio discutir o fato de que a maioria – se não todos – os navios contam com uma câmara mortuária (que, às vezes, fica lotada)”, diz Ross Klein, professor da Memorial Newfoundland University, no Canadá, e especialista na indústria de cruzeiros. “Isso não se encaixa na imagem de diversão que eles desejam associada às férias que estão vendendo.”

3 óbitos por semana acontecem em cruzeiros do mundo todo, segundo o site Cruise Ship Critic.

Existem sites que tentam manter uma lista atualizada do número de mortes por todo o mundo, compilando notícias de casos desse tipo. A estimativa mais confiável, no entanto, vem do Cruise Ship Critic, guia do Trip Advisor, que estima três mortes por semana em cruzeiros do mundo todo. “Depende da empresa. Algumas, como a Holland America [nos EUA], que possuem uma clientela com mais idade, provavelmente têm mais que isso”, diz Klein.

O fato é que viagens de cruzeiro costumam ser, via de regra, um programa para os mais velhos. Dados do Brasil mostram que quase um terço dos passageiros de cruzeiro (32,1%) tem mais de 55 anos. As viagens de cruzeiro nacionais costumam durar, em média, 5,9 dias. Tempo mais que suficiente para que a existência de um corpo a bordo mobilize uma verdadeira operação logística.

Nenhum passageiro, além dos familiares da vítima, fica sabendo do óbito. Assim que a equipe médica do navio comprova a morte, o corpo segue para um compartimento refrigerado. Essa cabine mortuária fica em uma parte da embarcação restrita a funcionários, e é esvaziada assim que o navio chega ao próximo porto – qualquer que ele seja.

Não há como fazer escalas extras, alterar a rota original, ou esperar pela parada mais conveniente. Se o enterro vai acontecer no Rio de Janeiro, mas a parada seguinte do navio é em Buenos Aires, o corpo desce e faz o percurso de avião – mesmo que o destino final do cruzeiro seja o próprio Rio.

Apesar de toda a estrutura preparada para simplificar o processo, uma morte em alto-mar pode ser traumática, também, para o bolso dos parentes do falecido. Todas as despesas ficam por conta da família, que precisa se encarregar da papelada referente ao óbito e de todos os custos do transporte do defunto para o local do enterro – essa sim, a viagem final do passageiro.


Superinteressante

Estátua no Reino Unido foi removida por ser “popular demais”


A obra do artista britânico Sean Henry atraiu mais gente do que o esperado, e a multidão começou a prejudicar a paisagem natural do lugar. Entenda.

Por Rafael Battaglia

(BScar23625/Wikimedia Commons)

Se você esteve na cidade de São Paulo no último final de semana (mais especificamente, na Avenida Paulista), provavelmente reparou no amontoado de pessoas que tomava o vão do Masp (Museu de Arte Moderna de São Paulo). E não, apesar da localização, não se tratava de uma manifestação ou coisa do tipo: todo mundo ali estava na fila para visitar uma exposição de Tarsila do Amaral.

Para quem não está por dentro, uma rápida contextualização: a capital paulista recebeu uma série de quadros da pintora brasileira – dentre eles, o famoso “Abaporu”. A exposição ficou em cartaz no Masp por quatro meses e encerrou no último domingo (28) com um total de 402 mil visitantes, tornando-se a mostra mais vista da história do museu. O público foi superior, inclusive, ao de uma exposição do francês Claude Monet, em 1997. Final feliz, certo? Mas não são todas as obras de arte que têm a mesma sorte.

Na última quarta-feira (24), uma estátua do escultor britânico Sean Henry precisou ser removida de um parque no Reino Unido. O motivo? A peça atraiu tanta gente que a multidão começou a prejudicar a paisagem local. Calma, vamos explicar essa história.

Observando a paisagem

Em 2017, uma estátua de três metros de altura, intitulada apenas de “Seated Figure” (“Figura Sentada”, em português), foi instalada no North York Moors, um parque nacional de North Yorkshire, região norte da Inglaterra. Feita de bronze, a estátua representa um homem anônimo: com barba, vestindo roupas normais e sentado em um banquinho, ele observa o horizonte no topo de uma colina.



Assim como outras obras de Henry (que tem trabalhos espalhados em diversos pontos públicos da Europa e dos Estados Unidos), a ideia da estátua é brincar com escalas – de longe, a “Seated Figure” parece apenas uma pessoa normal. Além disso, o artista costuma retratar personagens anônimos em cenas cotidianas, para que o público reflita sobre as histórias por trás deles.

No caso da figura sentada em North York Moors, Henry pensou com cuidado no local onde ela seria instalada. De acordo com o jornal The Guardian, o artista revelou na época que não queria que a estátua ficasse em um lugar de fácil acesso. Pelo contrário: a ideia foi que ela ficasse escondida, para que as pessoas a encontrassem. Deu certo – até demais.

Atração perigosa

Henry provavelmente não contava com uma coisa: a figura do homem da estátua é parecida com a de Jeremy Corbyn, político britânico que é um dos principais nomes da oposição no país atualmente. No fim das contas, a estátua virou uma grande atração turística, e milhares de pessoas a procuraram para tirar fotos.

O político britânico Jeremy Corbyn

O político britânico Jeremy Corbyn (Chris McAndrew/Wikimedia Commons)

Segundo autoridades locais, o excesso de pessoas à caça da obra começou a afetar o lugar onde ela estava exposta. Problemas como erosão do solo, destruição da vegetação e excesso de lixo apareceram em North York – até o estacionamento de lá foi afetado, já que o parque não conseguia comportar tanta gente.

Inicialmente, o plano era que a estátua ficasse por lá durante cinco anos, mas devido aos problemas, ela precisou sair bem antes do planejado. A solução, por sorte, foi simples: a “Seated Figure” encontrou um novo museu para chamar de lar. Em abril, foi decidido que ela iria para o Yorkshire Sculpture Park, parque com mais de 80 obras de arte expostas localizado a menos de 100 quilômetros de North York.

“Estou animado para ver a ‘Seated Figure’ em um dos pontos mais altos do parque”, disse Sean Henry ao site do museu. “A estátua foi pensada justamente para a paisagem da região”. O Yorkshire Sculpture Park recebe meio milhão de visitantes por ano – ou seja, estrutura mais que suficiente para acomodar uma “celebridade” do calibre do tal homem barbudo.


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O MBL não errou ao polarizar com o PT

29 JUL '19LUCAS BERLANZA

O coordenador nacional do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, concedeu uma entrevista à Folha de S. Paulo neste domingo (28), sob o título MBL admite culpa por polarização no país e exagero em sua agressividade retórica. Em resumo, ele fez uma autocrítica ao movimento que integra e delineou os próximos passos a serem seguidos pelo MBL.

Começarei pelos comentários de Renan com que concordo. A ideia de reunir representantes de correntes de esquerda e de direita para discutir aspectos estruturais do sistema político com vistas a uma reforma me parece ótima. Isso porque questões como voto distrital e candidatura independente, mencionadas por Renan como pautas de um congresso a ser organizado pelo movimento reunindo lideranças de campos políticos divergentes, não necessariamente são pautas da direita. É possível que tanto figuras ao estilo de uma Tabata Amaral ou um João Doria quanto um Kim Kataguiri e um Luiz Philippe de Orleans concordem com uma mesma reforma – e precisarão votá-la.

Concordo também em que é plausível entender que a linguagem política foi degradada, que investimos em uma recorrência do uso de “memes” e retóricas tribais a tal ponto que os temas mais importantes se tornaram difíceis de serem discutidos. O MBL pode ter tido a sua parte nisso. É um Inferno termos chegado a um ponto em que tudo que se quer saber é se fulano ou sicrano “mitaram” e em que a única informação que interessa, até sobre um espirro, é se ele é de esquerda ou de direita. Isso torna as discussões cansativas e pobres, especialmente num momento em que reformas econômicas e estruturais de enorme importância precisariam ser o enfoque.

Igualmente é uma boa ideia do MBL e de Renan tentar lançar os holofotes para os problemas locais, para os desafios dos municípios, e tentar levar ideias liberais mais caracterizadas e fundamentadas aos mais pobres. Tudo muito bom, tudo muito bem. Tenho certeza de que o MBL pode contribuir com esses projetos, tanto quanto já contribuiu até aqui, em especial nas convocações e na organização das manifestações que mudaram a História.

Leia também: A 'Folha de S. Paulo' não cansa de passar vergonha?

No entanto, a tese principal do Renan está errada. Não posso concordar com ela. Não é nem porque ele diz algo pejorativamente que o “lavajatismo” da direita é algo “moralista, quase udenista”, como se isso fosse ruim, e não faço segredo a ninguém de minha afinidade com Carlos Lacerda e com a UDN – enfoques de meu próximo livro, Lacerda: A Virtude da Polêmica, a ser lançado nas próximas semanas. Admito que essa referência me incomodou, mas já tratei do tema do lavajatismo em outra oportunidade.

O que me incomoda mesmo é a visão de Renan sobre a “polarização”. Ele disse: “Simplificamos demais a linguagem política. A gente polarizou, e era fácil e gostoso polarizar. Quando começaram a proliferar as camisetas do Bolsonaro e as pessoas diziam “mito, mito”, a ideia de infalibilidade dele, muito foi porque ajudamos a destampar uma caixa de Pandora de um discurso polarizado”. Adiante: “Foi um erro endossar candidaturas majoritárias. Erramos em apoiar [João] Doria. Erramos em endossar Bolsonaro no segundo turno. Mas também não havia o que fazer. Se o PT chegasse ao poder, a gente teria guerra civil. A classe média e o centro-sul não iriam aceitar o resultado”. Finalmente, ele argumentou que o MBL errou na sua investida contra a exposição do Queermuseu, que era financiada com dinheiro público e fornecia material acessível para crianças e adolescentes da rede de ensino: “não deveríamos ter entrado e participado da polarização. Não precisávamos ter feito o barulho que fizemos”.

Gosto, como disse, do movimento do MBL de chamar todos a uma discussão sobre reformas estruturais e superar uma disputa restrita à distribuição de rótulos e insultos infantis, mas estou preocupado com essa narrativa sobre a “polarização”. Tudo precisa ser colocado em seus devidos lugares e ser bem dosado.

A polarização pode ser entendida como a concentração do discurso político em posições diametralmente opostas e bem definidas. Nas eleições de 1980, Ronald Reagan representava a direita, o conservadorismo, enquanto Jimmy Carter representava a esquerda americana. Os dois eram polos diferentes, que se atacavam de forma saudavelmente polarizada com base na diferença programática essencial que existia entre eles: um apostava na redução do poder do governo e nos valores fundantes do país, o outro apelava para soluções provenientes do governo federal. A República dos Estados Unidos da América não mergulhou no caos, na dissolução institucional, na tirania ou na violência por causa disso. Ao contrário: a polarização representou a ascensão do movimento conservador ao poder e a admirável Era Reagan.

Leia também: Entre virtudes e defeitos: uma tréplica a Antônio Carlos

Está certo que a polarização nunca é matematicamente precisa. Ao lado de Reagan havia várias direitas, decerto ao lado de Carter várias esquerdas; não é bom nem saudável que seja tudo dividido inteiramente em apenas dois lados, nem é possível, porque há mais ideologias e opiniões do que apenas duas. Meu ponto é que não podemos transformar o apelo por moderação e diálogo em um apelo para que os partidos, ideologias e correntes políticas se dissolvam e tentemos tornar tudo o mais unificado possível. Essa divisão deve ser saudável para que não chegue ao ponto de uns anatematizarem e destruírem os outros, bem como devemos condenar veementemente e conter os grupos que polarizam ao extremo de defender a destruição das regras do jogo, isto é, a aniquilação do sistema representativo e da escolha democrática. Porém, isso é tudo que devemos querer evitar, não a divisão em si mesma.

Por muito tempo, o Brasil esteve limitado a um “consenso social democrata”, em que tucanos e petistas encerravam a oposição política em uma redoma ideológica com estreitos limites de variação. A recente ascensão de uma direita – o que significa, na prática, a criação de um outro polo – foi algo muito positivo, ao contrário do que Renan parece sugerir. O MBL não deveria se arrepender de ter feito parte disso. Ao contrário: deve se orgulhar.

Há outra questão que merece ser ponderada: a polarização precisa ser administrada, porquanto em certos momentos históricos e perante certos temas, ela pode e deve ser mais intensa, enquanto em outros deve ser atenuada. A respeito da exposição do Queermuseu, minha opinião não mudou: o MBL estava certo em combatê-la. No caso do impeachment, igualmente. O objetivo do MBL e da direita era remover uma presidente do poder. Em outras palavras, eliminar o seu governo.

Leia também: Nova Previdência: os vícios clássicos da ignorância e da imoralidade

Não havia espaço, sejamos realistas, para uma conversa bonitinha. O PT era o inimigo. Ele tinha que ser politicamente aniquilado – em outras palavras, extraído do poder. Era uma ameaça à nossa vida democrática e à de nossos vizinhos, patrocinador de todo tipo de tirania mundo afora, um desastre moral e econômico de consequências até hoje sentidas. O apelo à moderação, digo mais uma vez, não pode ser transformado em um apelo para que se negue o fato de que, às vezes, o enfrentamento é mesmo entre o bem e o mal. Mesmo que do nosso lado não possamos dizer que havia ou haja o monopólio da virtude, devemos ter a consciência de que o PT era realmente o mal e precisava ser derrotado. Como travar uma luta tão definitiva e tão severa sem polarizar? O que queríamos era tirar o inimigo dali. Impossível fazer isso sem polarizar com ele.

Era a mesma coisa que Carlos Lacerda fazia com Vargas e seus sequazes: polarizar muito, porque eles eram o inimigo mortal do projeto de uma democracia liberal tão autêntica quanto possível no Brasil. Essas situações históricas exigem dureza e virilidade. O MBL teve isso e não deve se envergonhar de ter tido.

Minha preocupação é essa. O MBL pode e deve tomar as iniciativas que elencou, mas espero que tenha consciência de que não deve abdicar de ter uma identidade, nem deve se lamentar pela sua participação em uma das páginas mais justas da história nacional: a revolta do povo brasileiro contra a tirania lulopetista.

Lucas Berlanza

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Berlanza é carioca, editor dos sites “Sentinela Lacerdista” e “Boletim da Liberdade” e autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita – 39 livros para compreender o fenômeno brasileiro”.


Instituto Liberal


PROBLEMA SEM SOLUÇÃO
XVIII- 205/18 -06.08.2019

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DÉFICIT MONUMENTAL SEM SURPRESA

Mais do que sabido, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os estados brasileiros em pior situação fiscal. Partindo desta nua e crua realidade, não há como responsabilizar o governador do RS, Eduardo Leite, pelo nada surpreendente -DÉFICIT de R$ 2,27 BILHÕES- registrado no primeiro semestre de 2019.

INGENUIDADE E SURPRESA

Entretanto, ainda que  Eduardo Leite não tenha culpa alguma pela tragédia financeira do Estado, o fato é que em momento algum o governador pode dizer que: 1- entrou na campanha eleitoral dominado pela INGENUIDADE; e, 2- ao assumir o governo, em 1º de janeiro, viu com surpresa o tamanho da encrenca fiscal (incurável) do RS.

PROMESSA PRINCIPAL

Aliás, de muitas promessas feitas pelo então candidato ao governo do Estado do RS, a principal delas, que certamente levou grande parte de INGÊNUOS servidores públicos a votar em Eduardo Leite,  foi: - VAMOS COLOCAR O SALÁRIO DOS SERVIDORES EM DIA NO PRIMEIRO ANO DE GOVERNO.

Como temos mais cinco meses pela frente, ainda é cedo para afirmar que o governador MENTIU.

TUDO PARA DESPESA

Entretanto, segundo projeção da própria Secretaria da Fazenda do Estado, o ROMBO nas contas públicas até o final de 2019 é de R$ 3,84 bilhões, ou seja, algo como 2,5 folhas salariais brutas do Executivo. Para tentar diminuir este ROMBO, Leite pretende:

1- vender ações do Banrisul (excedente do controle acionário), que está  suspensa na Justiça;  e,

2- a adesão ao RRF - Regime de Recuperação Fiscal, cujas negociações se arrastam há dois anos.

Tudo, vejam bem, destinado para pagar a FOLHA DOS SERVIDORES (despesa) e nada para INVESTIMENTOS. Que tal?

INGENUIDADE

Na realidade, para ganhar a eleição, Eduardo Leite se aproveitou magnificamente da INGENUIDADE do povo gaúcho. Vejam, por exemplo, que o candidato Mateus Bandeira, que ESCANCAROU as medidas drásticas e necessárias para o encaminhamento da solução dos graves problemas fiscais enfrentados pelo Estado, não obteve apoio dos eleitores. Ou seja, a brutal INGENUIDADE está cobrando o seu preço.

SEM SOLUÇÃO

Volto a afirmar: DESPESA DE PESSOAL, tanto Ativos quanto Inativos, é algo que se repete todos os meses. Isto significa que deixando intocável esta importante CAUSA, o ROMBO não vai diminuir. Nem mesmo com uma REFORMA DA PREVIDÊNCIA, que nunca terá poder para mexer em DIREITOS ADQUIRIDOS. Aí que mora o -PROBLEMA SEM SOLUÇÃO-


MARKET PLACE

EXPOAGAS 2019 - Consolidada como um evento para empresas de todos os tamanhos e dos mais diferentes setores da economia, a EXPOAGAS 2019 -38ª Convenção Gaúcha de Supermercados- reunirá 48 mil pessoas ligadas à cadeia do abastecimento, entre os dias 20 e 22 de agosto, no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre, para oportunizar networking, relacionamento, negócios e qualificação aos participantes.

Promovida pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), a feira deverá movimentar pelo menos R$ 520 milhões em negociações entre os 372 expositores e os visitantes – em sua maioria, representantes de empresas supermercadistas de todo o Brasil e de outros 11 países.

Além da feira de negócios, que contará com fornecedores de produtos, equipamentos e serviços para o varejo e apresentará mais de 800 novidades ao mercado, a Expoagas 2019 possibilitará, em uma série de palestras, visitas, seminários e oficinas, qualificações para diferentes públicos. Cada vez mais multisetorial, a feira novamente tem gratuidade nas inscrições antecipadas a varejistas de supermercados e de outros setores do comércio, como hotéis, bares, restaurantes, farmácias e lojas de bazar e R$ 1,99.

Neste ano, a cortesia estende-se também a produtores rurais pela primeira vez. A principal novidade desta edição é o reposicionamento dos espaços Premium e Circuito de Negócios, criados no ano passado e que integram novos expositores às oportunidades oferecidas pelo evento. 

AYN RAND CONFERENCE BRASIL - O Instituto Liberdade em parceria com o Ayn Rand Institute e o Ayn Rand Center Latin America, com o apoio das organizações Students for Liberty Brasil, IEE – Instituto de Estudos Empresariais e do Instituto Atlantos, promovem a primeira conferência Objetivista no Brasil.
Cada vez mais o confronto de ideias tem se resumido a questionamentos como: enquanto indivíduos somos um fim em si mesmo, somos livres para florescermos, adquirindo os valores que manterão nossa própria vida e permitirão alcançarmos a felicidade como entendemos que ela deve ser alcançada? Ou somos apenas uma peça de uma grande engrenagem, servindo apenas de meio para produzirmos aquilo que governos ou líderes desejam que façamos em nome de um suposto bem comum?
A AynRandCon Brasil 2019 tratará apresentará as respostas para essas questões a partir do Objetivismo, a filosofia que Ayn Rand criou e desenvolveu através de seus romances e livros de não-ficção.
O evento será realizado no Sheraton Porto Alegre Hotel , nos dias 14 e 15 de setembro de 2019.

Inscrições no site: (https://www.aynrandconbrasil.com/).

BOULEVARD ASSIS BRASIL - Para celebrar o Dia dos Pais deste ano ao som de uma boa música, o Boulevard Assis Brasil irá receber no sábado, dia 10 de agosto, o show Raulzito Amorim e os Feras, uma apresentação em que o cantor Cleiton Amorim irá interpretar os grandes sucessos de Raul Seixas. No repertório, canções clássicas do artista que marcaram a cena musical brasileira, como Metamorfose Ambulante, Maluco Beleza, Paranoia, Meu Amigo Pedro e Moleque Maravilhoso.

O show tem início às 18h e será realizado na praça de alimentação do empreendimento. A apresentação tem entrada gratuita e é aberta ao público.

MP 892/2019 - Se os veículos de comunicação já estavam em -pé de guerra- contra o governo, face à diminuição das verbas de publicidade, imaginem como ficarão a partir de hoje, com a edição da MP 892, publicada hoje no DOU:

A MP 892/19 determina que as empresas constituídas como sociedades anônimas publiquem APENAS NA INTERNET os documentos exigidos pela Lei das S/A (Lei 6.404/76), como convocação de assembleias, avisos aos acionistas, relatórios da administração e demonstrações financeiras.

Os documentos serão disponibilizados no site da companhia, e nos endereços da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da bolsa de valores onde as ações são negociadas, estes dois últimos sem cobrança de nenhum valor. As publicações deverão ter certificação digital de autenticidade.

A MP revoga lei anterior que exigia a publicação apenas em versão resumida
Antes da mudança, a lei exigia que os documentos fossem divulgados na imprensa oficial e em jornal de grande circulação, o que acarretava um custo para as companhias.

A CVM regulamentará as publicações sob sua competência. Já o Ministério da Economia vai disciplinar, em ato, a forma de publicação e de divulgação dos atos relativos às companhias fechadas (cujas ações não são negociadas em bolsa).

Em abril passado entrou em vigor a Lei 13.818/19, que limitava a publicação dos documentos ordenados pela Lei das S/A, a partir de 2022, a jornais de grande circulação, e em versão resumida. A MP 892/19 revoga esse dispositivo, já que a regra geral agora será a publicação somente pela internet.

A medida provisória produzirá efeito no primeiro dia do mês seguinte à data de publicação dos atos do Ministério da Economia e da CVM disciplinando as mudanças na Lei das S/A.

A MP 892/19 será analisada inicialmente em uma comissão mista. O presidente do colegiado será um deputado e o relator, um senador, ainda a serem definidos.

O relatório aprovado na comissão será analisado posteriormente nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.


FRASE DO DIA

A solução do governo para um problema é geralmente pior que o problema.
Milton Friedman

Programa IL Flash Episódio 29

Publicado em 2 de ago de 2019

Confira os artigos comentados neste episódio:
7 - CPI para apurar a conduta do ex-juiz Sérgio Moro - Julio Cesar Cardoso
6 - A fraude do FGTS - Bernardo Santoro
5 - O socialismo é uma opção que leva à miséria, violência e atraso - Roberto Rachewsky
4 - Por que a esquerda odeia quem obtém riqueza como resultado do próprio trabalho e esforço? - Sérgio Alves de Oliveira
3 - Greenwald só está interessado na liberdade de Lula - Roberto Rachewsky
2 - A ‘Folha de S. Paulo’ não cansa de passar vergonha? - João César de Melo
1 - Os criminosos cibernéticos encontraram o seu lugar - Roberto Rachewsky

Sobre o Imposto Único

JOÃO LUIZ MAUAD

Tenho lido dezenas de artigos a respeito do imposto único sobre movimentações financeiras, a maioria dos quais com críticas ferozes, inclusive de gente que respeito muito. Até o momento, as cinco principais são as seguintes:

1. Risco de aumento das transações informais em dinheiro.
Esse risco existe, mas no agregado penso que seria ínfimo. As transações de baixo valor continuarão sendo realizadas em dinheiro, principalmente entre os mais pobres, como ocorre atualmente. Já aquelas que envolvem valores elevados continuariam ocorrendo pelo sistema bancário, uma vez que o custo da transação em moeda é muito mais alto do que seria o custo tributário do uso da moeda escritural, por meio dos bancos. Além do alto custo do transporte de valores, haveria um risco considerável de perda ou de assalto, sem falar nos custos logísticos elevados de cobranças e pagamentos em dinheiro. Ademais, o projeto original prevê que saques em espécie no caixa sejam taxados em dobro. Prevê ainda que todas as transações acima de determinados valores, para terem validade jurídica, terão de ser feitas obrigatoriamente com a intermediação do sistema bancário.

Leia também: Política para adultos: uma comparação entre NOVO e PSOL

2. Empresas com longas cadeias de produção seriam prejudicadas, o que prejudicaria a concorrência.
Esse argumento não se sustenta matematicamente. Peguem duas empresas que faturem $1M e cujos custos de produção sejam de $800k. Uma tem sua receita proveniente de uma só venda e seus custos inteiramente dentro da empresa. A outra fatura para diversos clientes e tem seus custos diluídos entre diversos fornecedores. No fim das contas, como a taxação é percentual sobre o volume total de entradas e saídas, o volume de imposto pago seria exatamente o mesmo nos dois casos.

3. O novo imposto encareceria muito as transações no mercado financeiro e taxaria as exportações.
Só diz isso quem não conhece o projeto original, que prevê salvaguardas para evitar tais distorções. As exportações deverão ser desoneradas mediante remissão fiscal dos valores arrecadados ao longo da cadeia de produção (as modernas técnicas das matrizes-insumo/produto, calculadas pelo FIBGE, permitem o cálculo dos créditos fiscais com facilidade). As transações nos mercados financeiro e de capitais, inclusive bolsas, serão imunes ao imposto sobre movimentação financeira enquanto permanecerem dentro do circuito financeiro.

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4. O imposto é cumulativo e provoca bitributação.
Essa é uma crítica correta. Porém, como explica o próprio Marcos Cintra, o alegado impacto da cumulatividade sobre os preços das mercadorias no mercado interno certamente será menor do que as distorções provenientes da sonegação e da evasão tributária na formação dos preços das mercadorias e serviços, como ocorre atualmente, pois a complexidade, a iniquidade e as altas alíquotas do sistema tributário existente estimulam tais práticas lesivas à concorrência, além de introduzirem fortes distorções alocativas nos preços das mercadorias. A cumulatividade também poderia incentivar a verticalização da produção, reduzindo a eficiência da divisão do trabalho e de toda a economia. Entretanto, num ambiente com cadeias produtivas tão interligadas e complexas, eu duvido que isso aconteça em escala representativa.

5. O Imposto único prejudicaria os mais pobres.
Como a ideia é substituir quase todos os impostos incidentes sobre o consumo e a mão de obra, os mais pobres seriam beneficiados, e não prejudicados, já que a taxação sobre eles é praticamente toda indireta e embutida no consumo ou no trabalho. A taxação brasileira sobre o consumo é particularmente nociva, já que mais de 49% da arrecadação vêm de impostos indiretos, segundo dados da Receita Federal. Já o imposto sobre o trabalho, além de onerar o custo da mão de obra, incentiva a informalidade e o desemprego. Essas anomalias acontecem basicamente em função do descompasso entre a altíssima carga tributária brasileira e o baixo nível de renda média dos seus cidadãos.

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Enfim, não existe imposto perfeito, muito pelo contrário. A ideia do Imposto Único tem méritos e deméritos, mas só com um debate sério poderemos colocá-los na balança e chegar à melhor conclusão. Afastar de antemão qualquer possibilidade de debate não é a maneira ideal de tratar o assunto.



Instituto Liberal

Quando Bolsonaro entra em conflito com alguém, ele faz trampolim para esse alguém

BERNARDO SANTORO

Me impressiona muito a total falta de capacidade de interpretação de texto da população brasileira em geral.

Recentemente escrevi um texto onde eu afirmo basicamente as seguintes coisas:

(i) que, como presidente, quando Bolsonaro entra em conflito com alguém, ele faz trampolim para esse alguém;

(ii) quando Bolsonaro permite a criação desse antagonismo com alguma figura política de esquerda, ele se torna um presidenciável porque ele passa a ser a figura central de oposição ao presidente naquele momento;

(iii) que ele fez isso ao cair na armadilha do Felipe Santa Cruz, Presidente da OAB.

Bolsonaro cresceu politicamente exatamente porque antagonizava constantemente com figuras proeminentes da esquerda brasileira, na época dominante (em certa época quase hegemônica): Lula, Dilma, Maria do Rosário, Jean Willis, Jandira Feghali, etc…

A melhor maneira de um político de esquerda subir e se legitimar como candidato presidenciável em 2022 é se o Presidente permitir a essa pessoa que antagonize com ele.

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Bolsonaro não é mais um político escalador. Ele já chegou no topo. Ele é o Presidente. Ele agora é a escada em que os políticos tentam subir.

Isso significa que eu estou defendendo a candidatura de Santa Cruz? Claro que não! Sou um adversário histórico dele na OAB. No entanto, tive de bloquear um bando de imbecis que nada entendem de política, não sabem do que estão falando e ficaram rindo e me xingando.

Isso significa que eu acho que o Santa Cruz será candidato a Presidente? Claro que não! Estou dizendo que com esse movimento ele se legitima a ser um candidato. Isso é ser um presidenciável. Daí a ser um candidato, conseguir construir alianças, galvanizar seu nicho eleitoral, vai uma milha de distância, mas as interpretações de texto impedem de se ver o óbvio.

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Isso significa que Felipe Santa Cruz será Presidente do Brasil? Mais longe ainda da realidade. Mas a pedra fundacional do processo foi posta ontem. E para todo esquerdista que Bolsonaro confrontar, essa pedra fundacional será criada para o político em questão.

Eu nem deveria falar isso, mas acho que desenhando fica mais fácil. Como pré-candidato a prefeito de Petrópolis, o que eu mais gostaria é de ver o atual e o antigo prefeito da cidade batendo boca comigo em público. É isso que melhor me legitimará como prefeitável. Tem melhor efeito político do que qualquer obra que eu faça na cidade ou qualquer apoio que eu angarie.

Quando os analistas políticos dizem que “a esquerda elegeu Bolsonaro” ou “a Globo elegeu Bolsonaro” é exatamente por causa desse comportamento de retrucarem e atacarem tudo o que ele falava. Quem deu protagonismo político ao Bolsonaro foram seus opositores.

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Bolsonaro vai retribuir o favor? Espero, sinceramente, que não. Mas fez isso com Santa Cruz.

Se você, leitor que está lendo isso, não entende esse recado, então você realmente é um analfabeto político. O seu xingamento apenas expõe com mais clareza a sua limitação intelectual no campo político.


Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.


Instituto Liberal

Após agressão e expulsão de alunos e professor, pais protestam em frente ao Colégio Rosário

(Foto: Reprodução Redes Sociais)

5 de agosto de 2019 Capa – Caderno 1, Notícias, RS

A volta às aulas nesta segunda-feira(5), no Colégio Marista Rosário, um dos mais tradicionais de Porto Alegre, foi marcada pela expulsão do terceiro aluno supostamente envolvido em um incidente ocorrido no dia 23 de julho, dentro de uma das sala de aula da instituição.

O episódio ganhou grande repercussão após o vídeo com cenas da suposta discussão, seguida de violência física entre dois alunos, ter sido postado nas redes sociais. De acordo com a assessoria de imprensa do Rosário, três alunos foram expulsos e o professor que estaria dando aula no momento da briga foi desligado.

Um protesto foi realizado hoje em frente ao colégio. Alguns pais de alunos estariam descontentes com, segundo eles, uma politização ocorrida dentro das salas de aula.

(Foto: Reprodução Redes Sociais)

Confira a íntegra da nota divulgada pelo Rosário:

​Após priorizar os encaminhamentos com as pessoas diretamente relacionadas ao evento envolvendo estudantes no dia 23/7, esclarecemos que o Colégio Marista Rosário tomou as medidas previstas em seu Regimento Escolar.

As decisões adotadas consideraram a equidade de tratamento e foram informadas apenas aos envolvidos, por meio de suas famílias e responsáveis, o que se encerrou na manhã de hoje, dia 5/8. Visto que estávamos em período de recesso escolar, isso precisou ocorrer em diferentes momentos, conforme a disponibilidade das famílias. É importante frisar que as decisões foram tomadas antes da visibilidade pública do assunto e que não serão divulgadas em atenção a questões legais e pedagógicas.

Acompanhamos a repercussão do vídeo nas redes sociais. Ao responder às dúvidas em nossa página no Facebook, tivemos o cuidado de evitar a exposição ainda maior dos nossos estudantes, zelando pelo respeito a nossa comunidade educativa e observando nossas políticas de uso. Seguiremos reforçando a responsabilidade diante do uso e compartilhamento não autorizado de nomes e imagens, tanto de menores de idade quanto de educadores.

Para as associações políticas que foram feitas em relação ao episódio e aos encaminhamentos, reiteramos que somos apartidários e não nos vinculamos a candidato ou ideologia político-partidária, evidenciado em diferentes momentos de diálogo com pais e responsáveis atendidos.

​Finalizando, contamos com a colaboração de todos para que possamos seguir em um clima educativo, fortalecido pelos valores maristas e fruto da confiança e da importante relação entre família e escola.​


O Sul