Governo federal pretende acabar com concessão de telefonia fixa

por MACHADO DA COSTA e JULIO WIZIACK



Desde que a telefonia celular e a internet ganharam a preferência nacional, o governo vinha resistindo em acabar com os contratos de concessão que regem a telefonia fixa, considerada serviço público. Essa era acabou.

Em dois meses, deve ficar pronta a minuta de um decreto que, na prática, permitirá às teles prestarem todo tipo de serviço com uma simples autorização.

Hoje, com exceção da telefonia fixa, todos os demais serviços (internet fixa e móvel, TV paga e telefonia celular) já são prestados com autorizações.

Com essa mudança, a tendência é que o consumidor deixe de pagar a tarifa básica nos planos de assinatura de uma linha fixa e, espera-se que os preços caiam com a maior concorrência –a exemplo do que já acontece na telefonia celular.



A proposta está sendo elaborada pelos ministérios das Comunicações e da Fazenda em conjunto com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Atualmente, são concessionárias a Oi (em praticamente todo o território nacional com exceção de São Paulo), a Telefônica/Vivo (em São Paulo), a Sercomtel (em alguns municípios do Paraná) e a CTBC/Algar Telecom (que opera principalmente na região do Triângulo Mineiro).

Na Anatel, o assunto está sendo conduzido pelo conselheiro Igor de Freitas. Segundo ele, a ideia é manter os contratos de concessão somente nos locais onde não houver cobertura de celular nem telefones residenciais, só orelhões. Pelos cálculos do conselheiro, essa regra afetará cerca de 5% do território.

INEFICIÊNCIAS

A mudança atende reivindicações das teles, que há tempos reclamam das ineficiências das regras impostas pelos contratos de concessão, que venceram em 2015 e precisam ser renovados.

Um exemplo do que as teles chamam de "peso da concessão" são os orelhões. Na Oi, por exemplo, a companhia é obrigada a instalar os aparelhos em locais onde não há receita porque boa parte das pessoas já tem celular.



A empresa diz gastar por ano R$ 300 milhões para manter os orelhões e eles só geram R$ 17 milhões em receitas anualmente.

Com autorizações, as operadoras seriam obrigadas a levar o serviço com a tecnologia mais adequada. Mas, em troca, o governo exige que a qualidade dos serviços prestados seja elevada.

Para definir quanto as teles terão de investir em suas redes com o fim das concessões, o governo vai avaliar os bens da União que foram repassados às empresas concessionárias (equipamentos e prédios usados na prestação da telefonia fixa).

Esses bens deveriam ser devolvidos à União ao final dos contratos. Com a mudança das regras, eles serão incorporados às empresas após uma avaliação.

Depois que esses cálculos forem feitos, a concessionária que estiver devendo à União terá de reverter o valor em investimentos para turbinar a capacidade de transmissão de dados das centrais telefônicas de cada município.

Essa avaliação, no entanto, não é simples para a Anatel. O TCU (Tribunal de Contas da União) acusa a agência de ter sido "negligente" no acompanhamento desses bens desde a privatização da Telebrás e quer saber o quanto resta desse patrimônio.

Caso esse processo seja bem-sucedido, caberá à presidente Dilma Rousseff assinar o decreto, que passaria a valer imediatamente.
Fonte: Folha Online - 23/02/2016 e Endividado

Senado aprova MP que eleva Imposto de Renda sobre ganho de capital

por MARIANA HAUBERT



O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (23) a medida provisória que eleva o Imposto de Renda sobre o ganho de capital. O texto foi aprovado por 56 votos favoráveis e 11 contrários. A proposta segue para sanção presidencial.

O imposto incidirá sobre o lucro que as pessoas têm na venda de bens e direitos, como imóveis, e o texto faz parte do conjunto de propostas que o governo tem lançado para aumentar a arrecadação federal e dar prosseguimento ao plano de recuperar a economia do país. Ele também foi apresentado como uma alternativa a dificuldade de se discutir no Congresso a tributação de grandes fortunas.

A medida, no entanto, foi alterada pela Câmara dos Deputados, no início de fevereiro, que reduziu as alíquotas e a redução foi mantida pelos senadores.

Com isso, fica mantida a alíquota de 15% para lucros de até R$ 5 milhões. Ela sobe para 17,5% para ganho entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões e para 20% para ganhos entre R$ 10 milhões e R$ 30 milhões. Para lucros acima de R$ 30 milhões a alíquota cobrada será de 22,5%.

Inicialmente, o governo havia proposto uma alíquota fixa de 15% sobre esse lucro que subiria progressivamente a partir de ganhos acima de R$ 1 milhão, chegando a uma tributação de 30% para valores que ultrapassassem R$ 20 milhões.Com a mudança, a expectativa de arrecadação do governo, que era de R$ 1,8 bilhão, pode cair até a metade.

Durante a votação, senadores do PT reclamaram das mudanças feitas pela Câmara e parlamentares da oposição criticaram a medida por considerá-la como uma medida paliativa, que não resolve o problema de caixa do governo.
Fonte: Folha Online - 23/02/2016 e Endividado