Dividido, Banco Central mantém taxa básica de juros em 14,25% ao ano

O Banco Central manteve nesta quarta-feira (25) a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. Foi o terceiro encontro seguido em que a taxa foi mantida.

A manutenção era esperada por 49 dos 50 economistas ouvidos pela agência internacional Bloomberg. Apenas um, do CIBC World Markets, previa aumento de 0,25 ponto percentual, até 14,5%.

A decisão não foi unânime. Tony Volpon, diretor de assuntos internacionais, e Sidnei Corrêa Marques, diretor de organização do sistema financeiro, votaram pela elevação da taxa em 0,50 ponto percentual, até 14,75%. No final, seis diretores votaram pela manutenção.



A última votação dividida foi em outubro de 2014, quando os juros voltaram a subir depois do período eleitoral. Em setembro deste ano, o BC já havia afirmado que poderia ajustar a taxa de juro para garantir que a inflação feche o ano que vem abaixo de 6,5% e recue para 4,5% em dezembro de 2017.

Na reunião anterior, o BC havia dito que a sua estratégia era manter a Selic nesse patamar "por período suficientemente prolongado" . Essa frase não foi repetida no comunicado desta quarta-feira, que citou apenas ter havido uma avaliação da conjuntura econômica e das perspectivas para a inflação.

A decisão foi anunciada poucos dias depois de a prévia da inflação oficial, o IPCA-15, superar 10% no acumulado em 12 meses.

O mais recente boletim Focus, divulgado na última segunda-feira (23), também mostra uma inflação pressionada, estimando o IPCA em 10,33% até o fim do ano. A pesquisa é realizada semanalmente pelo Banco Central com economistas e instituições financeiras. Para 2016, a expectativa foi ampliada para 6,64%, ante 6,50% na semana anterior.

A pesquisa mostra ainda que o mercado prevê que os juros se mantenham em 14,25% até o final do ano, enquanto a expectativa é que a Selic encerre 2016 no patamar de 13,75%.



Na avaliação de analistas, a decisão de manter a Selic se baseia na desaceleração da atividade econômica pela qual passa o país.

A instituição tem dito que precisa manter os juros elevados para que a alta da inflação causada pelo dólar e pelo reajuste de tarifas e preços controlados não se espalhe por toda a economia. O desemprego causado pelo aperto na taxa, por exemplo, evita o repasse de toda a inflação para os salários.

Os juros, por outro lado, não têm efeito sobre o câmbio neste momento e nem sobre decisões em relação a preços de combustíveis, por exemplo. E são esses os fatores, segundo o governo, que levaram à piora nas projeções para o índice de preços neste e no próximo ano.

QUEDA DO PIB

A decisão de manter os juros também é amparada pela fraqueza econômica do país. Até setembro, a economia brasileira registrou quatro trimestres seguidos de retração, de acordo com o indicador de atividade do Banco Central, o IBC-Br.

No 3º trimestre deste ano, a queda foi de 1,41% em relação ao trimestre anterior. Números revisados pelo BC mostram queda de 2,09% no 2º trimestre, 1,05% no 1º e 0,50% nos últimos três meses de 2014.

A expectativa do mercado é de dois anos de queda no PIB (Produto Interno Bruto), neste e no próximo ano.

O boletim Focus prevê queda de 3,15% do PIB neste ano e retração de 2,01% da atividade econômica em 2016.

Os juros estão hoje no maior patamar em nove anos. A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 19 e 20 de janeiro.

O QUE É SELIC E COMO AFETA A ECONOMIA

A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC (Banco Central) para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia.

Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e, assim, pode consumir mais. Esse aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender um consumo maior.

Por outro lado, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento —que ficam mais caros—, a economia desacelera e evita-se que os preços subam, ou seja, que haja inflação.

Com a alta da taxa básica de juros (Selic), o BC aumenta a atratividade das aplicações em títulos da dívida pública. Assim, começa a "faltar" dinheiro no mercado financeiro para viabilizar investimentos que tenham retorno maior que o pago pelo governo. Se a taxa cai, ocorre o inverso.

É por isso que os empresários pedem cortes nas taxas: para viabilizar investimentos, ainda mais em tempos de economia fraca, como agora. Nos mercados, reduções da taxa de juros viabilizam normalmente migração de recursos da renda fixa para a Bolsa de Valores.

Em um cenário normal, é também por esse motivo que as Bolsas sobem nos Estados Unidos ao menor sinal do Federal Reserve (BC dos EUA) de que os juros possam cair.

Quando o juro sobe, acontece o inverso. O investimento em dívida absorve o dinheiro que serviria para financiar o setor produtivo.
Fonte: Folha Online - 25/11/2015 e Endividado

EUA investigam rede Walmart por corrupção no Brasil, diz jornal

A rede de varejo Walmart é alvo de uma investigação por parte das autoridades americanas por envolvimento em corrupção no Brasil, revelou nesta terça-feira (24) o Wall Street Journal, citando documentos e fontes ligadas ao caso.

Os investigadores federais se concentram, particularmente, em US$ 500 mil pagos a uma pessoa supostamente contratada pela Walmart para servir de intermediária junto ao governo brasileiro, informa o jornal.

A pessoa em questão, que não é identificada, teria ajudado a Walmart a obter licenças, incluindo autorizações para construir em dois pontos de Brasília entre 2009 e 2012.

Representantes e altos funcionários do departamento de Justiça, da autoridade do mercado de valores (SEC), da Receita e do FBI (polícia federal) ouviram depoimentos prestados às autoridades brasileiras no início do mês.

A investigação se encontra em uma etapa preliminar e faz parte de uma operação mais ampla, sobre as atividades da Walmart na América Latina, principalmente no México.

"Como dissemos desde o início, cooperamos totalmente com o governo neste caso, mas não vamos fazer mais comentários", informou à AFP Greg Hitt, porta-voz da Walmart.
Fonte: Folha Online - 25/10/2015 e Endividado

Bradesco e BB se unem para criar banco voltado para clientes de baixa renda

Criação do novo ógão já recebeu sinal verde do Banco Central

O DIA
Rio - Clientes de baixa renda serão o principal foco de um novo banco que será criado no país pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco, que já têm parceria na empresa de cartões Elo. A criação do novo banco já recebeu o sinal verde do Banco Central.

A carteira será formada por pessoas com renda de até três salários mínimos (R$ 2.364) por mês, que correspondem a cerca de 160 milhões no país e que não têm conta bancária.

O novo banco, que ainda não tem nome definido, oferecerá crédito em condições favoráveis, cartões de crédito e cartões pré-pagos e empréstimos por cartão. Serão concedidos valores baixos, que só a partir do seu pagamento, serão renovados.
Fonte: O Dia Online - 25/11/2015 e Endividado

André Esteves é um dos banqueiros mais influentes do Brasil

Conhecido por ter bom trânsito no governo e com políticos de vários partidos, André Esteves é um dos banqueiros mais influentes do Brasil.

Nascido em 1969 em uma família de classe média do Rio de Janeiro, iniciou sua carreira aos 22 anos como programador de sistemas no Pactual, um dos primeiros bancos de investimento —instituições sem correntistas que se dedicam exclusivamente a grandes negócios— no país.

Com perfil agressivo nos negócios, foi alçado ao topo da instituição cedo e se tornou bilionário antes dos 40 anos, com a ambição de se tornar uma lenda do mercado financeiro da estatura de Jorge Paulo Lemann, do fundo 3G.

Em 1999, Esteves foi um dos capitães do movimento da ala jovem do Pactual que tirou Luiz César Fernandes do banco. Responsável pela contratação de Esteves, Fernandes foi o último dos quatro fundadores a sair da instituição ao abrir mão de sua participação de 14% três meses depois de ter deixado a presidência.

O executivo tinha feito negócios malsucedidos e queria quitar dívidas com bônus a receber, mas sócios mais jovens exigiram suas ações em troca, o que o tirou do negócio.

Esteves era um dos donos do Pactual em 2006, quando o banco foi vendido por US$ 3,1 bilhões ao UBS AG, a divisão latino-americana do banco suíço UBS.

Em 2008, o banqueiro e um grupo de sócios deixaram o UBS Pactual e estabeleceram um novo banco, o BTG. No ano seguinte, o executivo capitaneou a compra do UBS Pactual pelo BTG. O negócio de US$ 2,5 bilhões, em valores da época, formou o BTG Pactual.

Segundo o site da instituição, "com a compra, os sócios que haviam deixado o banco em 2008 se juntaram aos que haviam permanecido na instituição ao longo de todo o período que se seguiu à sua venda para o UBS".

O movimento se aproveitou da fragilidade do sistema financeiro internacional durante o auge da crise global, iniciada em 2008, e foi considerado uma jogada de mestre pelo mercado, o que aumentou o prestígio de Esteves.

O executivo também esteve à frente de negócios importantes entre o BTG Pactual e o governo, principalmente durante a gestão Lula e no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

Ele surpreendeu o mercado no início de 2011 ao comprar do empresário Silvio Santos o banco PanAmericano, então sob intervenção do Banco Central, tornando-se sócio da Caixa Econômica Federal no negócio.

O banqueiro se comprometeu a pagar R$ 450 milhões pelo banco, que tinha um rombo de R$ 4 bilhões e não quebrou graças a empréstimos do Fundo Garantidor de Créditos.

A compra marcou a entrada do BTG Pactual no varejo bancário brasileiro. Até então, a atuação do banco era restrita às áreas de atacado (grandes empresas) e investimento.

Em um outro negócio recente com o governo, o BTG comprou, em junho de 2013, 50% das operações da Petrobras Oil & Gas na África por US$ 1,5 bilhão. A empresa recebeu o nome fantasia de PetroÁfrica e atua na exploração de petróleo e gás em países africanos.

O BTG Pactual, de Esteves, é o sócio mais ativo da empresa de sondas de petróleo Sete Brasil. Executivos do banco estão à frente da reestruturação da empresa, que deve cerca de R$ 14 bilhões, na negociação com estaleiros, bancos credores e Petrobras.

Além do BTG, são sócios também Bradesco, Santander, fundos de pensão de empresas estatais e a própria Petrobras.

O BTG Pactual tem 5,9% de ações do UOL, empresa do Grupo Folha, que edita a Folha.

OUTRO LADO


A defesa do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) afirmou, em nota divulgada no fim da tarde desta quarta-feira (25), que "manifesta inconformismo" em relação à sua prisão e pede respeito à Constituição, por impedir, à exceção de flagrante, a prisão de parlamentar.

O Supremo Tribunal Federal, porém, entendeu que Delcídio estava cometendo um crime em flagrante, de obstruir investigações em andamento sobre organização criminosa, e por isso autorizou sua prisão preventiva.

A nota, assinada pelo advogado Maurício Silva Leite, desqualifica ainda o ex-diretor Nestor Cerveró, chamando-o de "delator já condenado".

Para o advogado, o entendimento inicial da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal "será revisto".

A prisão também deixou ′perplexo′ o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, segundo seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Em nota, o BTG diz que vai colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos investigados.

Deputados e senadores do PT demonstraram perplexidade com a notícia de que o Supremo Tribunal Federal mandou prender o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS).
Fonte: Folha Online - 25/11/2015 e Endividado