Contratados recebem 87,7% do que ganhavam os antecessores, diz Dieese

A recessão afeta o bolso do trabalhador em 2015 e deve aprofundar ainda mais o achatamento salarial que já existe no mercado de trabalho.

Quem entrou para trabalhar em uma empresa com carteira assinada recebeu em outubro, em média, 87,7% do salário pago a um trabalhador demitido, segundo dados compilados pelo Dieese para a Folha.

A diferença foi calculada com base nas informações de outubro fornecidas pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, e é a maior dos últimos dez anos, superando a de 2009, ano em que a economia sofreu os efeitos da crise.

Naquela ocasião, o contratado com carteira ganhava 88,7% do que recebia um profissional desligado.

O valor médio pago aos admitidos em outubro de 2015 foi de R$ 1.274,85; enquanto os demitidos receberam R$ 1.453,09. Ou seja, a remuneração média da contratação vale 87,7% da da demissão.

ACHATAMENTO
Em outubro do ano passado, essa diferença era menor, de 90,4%. Descontados os efeitos da inflação, o salário de ingresso no mercado era de R$ 1.307,86 e o de desligamento, 1.446,53.

"O achatamento salarial é uma característica forte no mercado de trabalho brasileiro", diz José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese.

"A diferença entre os ganhos dos contratados e dos demitidos vinha diminuindo desde 2010, com a recuperação da economia. Agora, com a recessão, desemprego, voltou a crescer", completa.

Ele destaca que, em períodos de crescimento econômico e, principalmente, de aquecimento do mercado de trabalho a diferença entre o salário médio dos que entram e dos que saem do mercado de trabalho tende a diminuir.

"Em períodos de recessão, piora do mercado de trabalho, aumento do desemprego, diminuição da demanda por mão de obra, e, ao mesmo tempo, aumento da oferta de mão de obra, com redução do poder de negociação dos sindicatos, os salários e os empregos, ou seja, os trabalhadores, são as maiores vítimas", afirma o coordenador.



AJUSTE POR ′BAIXO′
De janeiro a outubro deste ano, o Brasil cortou 687,8 mil empregos na faixa entre 1,51 e 3 salários mínimos mensais, enquanto foram criados 189,6 mil empregos com remuneração até 1,5.

"Estamos conseguindo gerar emprego com renda anual ao redor de R$ 15 mil e acelerando a destruição de empregos nas faixas maiores, mais qualificadas", diz o economista Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Cesit (Centro de Estados Sindicais e de Economia do Trabalho), ambos da Unicamp.

Nos primeiros dez meses do ano, o país fechou 177,6 mil vagas com salários na faixa acima de cinco mínimos.

Para Pochmann, um dos fatores que mais chama a atenção é que está havendo uma redução da desigualdade, mas com um ajuste "nivelado por baixo".

"A desigualdade, ao menos intersalarial, tende a não crescer. Como se corta o emprego de classe média, com maior rendimento e escolaridade, e cresce o emprego de baixo salário não há aumento da desigualdade no mercado de trabalho", afirma o professor. "É uma recessão em que a base da pirâmide está mais protegida."

PROJEÇÃO

A tendência é de a renda média continuar em queda neste ano e em 2016, segundo analistas do mercado de trabalho.

O economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, diz que a deterioração da renda também é confirmada pelos dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), do IBGE.

A renda média do trabalhador teve queda real (descontada a inflação) de 7% em outubro ante igual período de 2014. É a maior redução para o mês de outubro nos últimos 12 anos.

"A dinâmica da ocupação está fraca, com aumento de desemprego, o que acaba restringindo o poder de barganha nas negociações salariais. Além disso, a inflação em alta bate diretamente na renda das famílias", diz Bacciotti.

PERFIL DO DESEMPREGADO


Homens, com baixa escolaridade e idade entre 25 e 39 anos são os que mais perderam o emprego neste ano, segundo mostram os dados do Caged elaborados pelo Dieese e pelo professor Pochmann.

São trabalhadores em sua maior parte da região Sudeste do país e que estavam empregados na indústria de transformação e na construção civil -dois dos setores que mais eliminaram vagas, com o agravamento da crise econômica deste ano.
Fonte: Folha Online - 25/11/2015 e Endividado

TCU vê indícios de tratamento privilegiado do BNDES à JBS

Relator da investigação solicitou três tomadas de contas especiais para apurar empréstimos para que a JBS fizesse a aquisição de empresas norte-americanas

BRASÍLIA - O Tribunal de Contas da União (TCU) viu indícios de irregularidades na relação entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a empresa JBS e determinou um aprofundamento das investigações de seus auditores no banco para apurar o caso. O relator, ministro Augusto Sherman, disse que os fatos levantados pelos técnicos do TCU que produziram a primeira auditoria sobre o BNDES e sua relação com a JBS, concluída agora, demonstraram "existirem indícios de tratamento privilegiado do BNDES para com a JBS".

O relator solicitou três tomadas de contas especiais para apurar operações específicas que envolveram a transferência de recursos do BNDES e do BNDESPar para que a JBS fizesse a aquisição de empresas norte-americanas. As operações são a compra da Swift, em 2007, da Smithfield e a tentativa sobre a National Beef, em 2008, e sobre a Pilgrim′s Pride, em 2009. Pela tomada de contas especial, o TCU pode buscar o ressarcimento à União de eventuais danos causados pelo uso incorreto de recursos públicos.

O ministro Bruno Dantas foi contrário à abertura de tomadas de contas especiais pelo TCU e citou o caso da Petrobrás e a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. "Na desastrosa participação da Petrobrás sobre Pasadena, ali sim era cabível a tomada de contas especial, que inclusive está sob análise do tribunal, com relatoria do ministro Vital do Rêgo. Essa situação não pode se confundir com essa agora", disse ele.

Ao final, o TCU decidiu pela abertura de três processos apartados, conexos ao processo principal, sobre a relação entre o BNDES e a JBS.

O TCU identificou que em todas as três a análise das operações no BNDES foram feitas "em prazos extremamente curtos", inferiores a 30 dias. "O BNDES nos informou que houve análise prévia dessas operações, mas nada foi encontrado. Se efetivamente isso ocorreu foi feito sem qualquer documentação", disse Sherman. Também nas duas primeiras operações, da JBS com a Swift e da companhia brasileira com a Smithfield, o BNDES não realizou operação de "due-dilligence", para verificar as condições financeiras reais das companhias que foram adquiridas.

Os técnicos do TCU também não conseguiram comprovar a utilização completa dos recursos empregados pelo BNDES na JBS, para que a empresa privada adquirisse empresas estrangeiras. "No caso da compra da Pilgrims, o BNDES aportou R$ 3,5 bilhões, mas somente foi comprovada pela auditoria a utilização de R$ 1,5 bilhão pela JBS na compra da companhia Pilgrims. Não se sabe o que aconteceu com a diferença. Onde os demais R$ 2 bilhões foram efetivamente aplicados? Essa é uma pendência que precisa de aprofundamento. Casos como esses também foram achados nas demais operações que foram alvo de nossa auditoria", disse Sherman, relator do caso.

"O BNDES deve promover o desenvolvimento da economia com geração de emprego. O que ocorreu é que nessas operações não houve avaliação do impacto na economia brasileira desses aportes de capital do banco na empresa. Não houve avaliação prévia. Haveria crescimento econômico no setor de carnes no Brasil? Qual era o benefício? Essa análise não foi encontrada", disse o ministro Sherman.

A Corte de Contas também determinou uma auditoria específica sobre a relação do BNDES com a Bertin, que recebeu aportes de capital do banco de fomento em 2008, e a consequente aquisição da Bertin pela JBS. O TCU também determinação análise para verificar melhor os indícios de irregularidades relacionadas à operação de participação acionária do BNDES na empresa Independência S.A. e as questões relacionadas à operação de troca de ações de titularidade do BNDESPar por créditos da Itaipu Binacional.

Sobre a grande participação do BNDES no capital da JBS, o ministro do TCU, Bruno Dantas, comentou em plenário que "a JBS é quase uma estatal".

Resposta. O BNDES informou, por meio de sua assessoria de imprensa, estar "tranquilo quanto à regularidade das operações" com o grupo JBS. O BNDES disse "considerar o fato de o trabalho do TCU não ser conclusivo, uma vez que a auditoria levantou indícios". "O BNDES vai esperar o aprofundamento dos trabalhos de auditoria do TCU. O banco sabe da importância do apoio que ele deu ao setor mencionado, com o fortalecimento e a formalização dos trabalhadores no ramo", disse o banco.
Fonte: Estadão - 25/11/2015 e Endividado

Apple apresenta o iPad Pro

São Francisco – Em evento com muita pompa em São Francisco, nos Estados Unidos, a Apple lançou as novidades do grupo para este ano. O CEO Tim Cook apresentou os novos modelos do iPhone (6S e 6S Plus), do iPad (iPad Pro), da Apple TV e do Apple Watch. Os novos celulares terão maior qualidade de definição das imagens e custarão o mesmo preço da versão anterior: de 99 a 199 dólares (6S) e de 199 a 299 dólares (6S Plus), para contratos com as operadoras americanas de telefonia.
O iPad Pro, o novo modelo do tablet, tem tela de 12,9 polegadas. Em comparação, o iPad Air 2, revelado em 2014, tem tela de 9,7 polegadas. O iPad Pro será lançado em novembro e irá custar 800 dólares na versão com 32 GB de armazenamento interno e conexão Wi-Fi. O preço sobe para 950 dólares no modelo com 128 GB, e para 1.080 dólares na versão com conexão celular 4G. A Apple também mostrou um teclado físico para o iPad Pro e a Apple Pencil, usada para desenhar, escrever e rabiscar sobre a tela do tablet. O teclado custa 170 dólares e a Apple Pencil, 100 dólares.


Fonte: Correio do Povo, página 7 de 10 de setembro de 2015.