Primeiro-ministro francês diz que UE deve limitar número de migrantes

Da Agência Lusa
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, defendeu, nessa terça-feira (24), que a União Europeia (UE) deve limitar o número de entradas de migrantes e que o controle das fronteiras externas é essencial para o futuro do bloco.
“A Europa tem de dizer que não pode mais acomodar tantos migrantes, [que] não é possível”, afirmou, em entrevista à imprensa estrangeira, divulgada pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.
“Controlar as fronteiras externas da União Europeia é essencial para o futuro da UE. Se não o fizermos, as pessoas vão dizer: ‘Chega, Europa!’”, acrescentou.
A Europa enfrenta há meses a maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial.
Os atentados terroristas em Paris, no dia 13 de novembro, que deixaram 130 mortos, levantaram questões sobre a segurança das fronteiras externas de Schengen (área de livre circulação de pessoas na Europa). Alguns dos autores dos ataques viajaram da Bélgica para Paris e o possível mentor do plano, Abdelhamid Abaaoud, pode ter regressado da Síria, onde combateu no grupo extremista Estado Islâmico, transitando pela Europa sem ser detectado.
O acordo de Schengen, que aboliu as fronteiras entre 26 países europeus, foi dotado de instrumentos de controle para os estrangeiros, mas não para os europeus, que não podem ser sujeitos a um controle sistemático.
A Comissão Europeia informou, na sexta-feira (20), que vai apresentar até o fim deste ano uma proposta de revisão das regras do espaço Schengen de livre circulação.

Descobertas galáxias massivas no Universo primordial #ESO

Publicado em 24 de nov de 2015
O telescópio de rastreio VISTA do ESO encontrou uma horda de galáxias massivas anteriormente ocultas, que existiram quando o Universo era ainda bebê. Ao descobrir e estudar uma grande quantidade deste tipo de galáxias, os astrônomos descobriram, exatamente e pela primeira vez, quando é que tais monstros apareceram pela primeira vez no Universo.

As galáxias massivas recentemente descobertas estão assinaladas nesta imagem do campo UltraVISTA.

Crédito:
ESO/UltraVISTA team. Acknowledgement: TERAPIX/CNRS/INSU/CASU. Music: Johan Monell (www.johanmonell.com)

Pesquisadores ibero-americanos desenvolvem no Rio projetos de inclusão social

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Pesquisadores ibero-americanos desenvolvem projetos de inovação cidadã em evento realizado no Palácio Gustavo Capanema, centro do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Pesquisadores ibero-americanos desenvolvem projetos de inovação cidadã em evento realizado no Palácio Gustavo Capanema Tomaz Silva/Agência Brasil
Indivíduos de diferentes países, profissões, idiomas e culturas reúnem-se, durante duas semanas, para trabalhar na consolidação de novas ferramentas, plataformas e ações cidadãs de inclusão social e melhoria de vida por meio de tecnologias digitais. Esse é o desafio doLaboratório Ibero-Americano de Inovação Cidadã, que neste ano está sendo realizado no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro. A primeira edição foi no ano passado, no México.
A maratona, que começou na semana passada e termina no proximo domingo (29), é promovida pela Secretaria Geral Ibero-Americana, em parceria com o Ministério da Cultura. Ao todo, 120 pessoas de 14 países ibero-americanos participam das equipes multidisciplinares. Eles estão há uma semana desenvolvendo protótipos com licença livre, que poderão ser usados por quem quiser, multiplicando essas experiências. Hoje (25), a equipe que desenvolve o projeto de contagem automática dos ovos do Aedes aegypti (o mosquito transmissor da dengue) com aplicativo de celular vai visitar a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para discutir e avaliar uma nova metodologia.
“As amostras são contactadas manualmente, precisam de técnicos especializados, lupas e luvas. O que queremos é expandir essa tecnologia para o uso da sociedade”, explicou o analista ambiental Odair Scatoline, um dos executores do projeto. “Estamos desenvolvendo aqui um aplicativo que cidadãos comuns podem utilizar no celular e, semanalmente, fotografar os ovos e enviar a um servidor na web, onde será feita uma contagem automatizada desses ovos e disponibilizada em um mapa”.
Rio de Janeiro - O pesquisador mexicano, Erik Rivera, no evento Laboratório Ibero-americano de Inovação Cidadã que acontece no Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)
O pesquisador mexicano Erik Rivera, no evento Laboratório Ibero-americano de Inovação CidadãTomaz Silva/Agência Brasil
Os integrantes de cada grupo foram escolhidos depois da seleção dos projetos, de acordo com a experiência profissional necessária para cada desafio. Neste ano, 400 pessoas se inscreveram e 120 foram selecionadas. Além de estadia e alimentação, uma verba é dada para custear os gastos com a pesquisa e implementação das ideias. A maioria dos participantes não se conhecia antes do encontro. Muitos são colaboradores voluntários e pagaram a passagem do próprio bolso para participar da experiência, como o microempresário mexicano Erik Rivera.
“Tem sido uma experiência incrível. Essa diversidade cultural, o fato de coincidirmos com os mesmo problemas, tanto no México, na Colômbia, quanto no Brasil, tudo isso tem sido muito enriquecedor, esse intercâmbio de ideias”, comentou. Rivera colabora desenvolvendo osoftware e transferência de dados do projeto brasileiro HiperGuardiões, uma tecnologia de monitoramento de qualidade da água, do ar e a observação de biodiversidade, com software ehardware livres e de baixo custo, atrelados ao conhecimento ecológico da população local. Ele espera replicar a ideia em seu país. “Não vim apenas contribuir, mas também entender como funciona, poder replicá-lo lá em algum município e ver formas de implementá-lo de forma rápida e econômica”.
Líder comunitário da favela Vila Nova Esperança, no oeste de São Paulo, Lucas Fernandes Freitas de Araújo propôs um modelo de Rádios Comunitárias pela web, com software livre. “Não só a questão da tecnologia, do modelo de replicação, como também a grade de programação, a compreensão do que é um conteúdo comunitário, sua função interna. Para quem conhece, poder explorar mais seus horizontes e para quem não conhece, ter uma forma didática de desenvolver sua própria rádio”, explicou ele, que conta com a ajuda técnica no projeto do professor colombiano de engenharia e ativista cultural Juan David Reina.
“A ideia é que esse trabalho seja colaborativo, que as pessoas possam colaborar, criticar e construam em cima desse modelo. Vamos disponibilizar tudo em um site. Todos os códigos e planos serão abertos e poderão ser aplicados em qualquer lugar”, disse Reina.
A artista visual Cinthia Mendonça é uma das tutoras do projeto desde a primeira edição. Para ela, o diferencial da segunda edição é a oportunidade de os grupos de testarem in loco seus experimentos.
“Eles estão vivendo a crise, no sentido positivo, de ter um projeto ideal e um projeto pensado em um contexto real, com resultados interessantes. Acho que temos aí uma complexidade maior de trabalho e questões”, comentou Cinthia.
Amanhã (26), a equipe que trabalha com o projeto de jardins suspensos em comunidades vai ao Morro da Providência, no centro do Rio, para fazer intervenções de baixo custo, aproveitando materiais recicláveis para arborizar os ambientes.
“Esse é um tipo de evento que trabalha com projetos que se autogestionam e são organizados do zero. A ideia não é dar cursos de formação, nem buscar financiamento para eles, mas gerar um novo tipo de instituição auto-organizada por cidadãos”, explicou o coordenador de Inovação Social Cidadã da Secretaria Geral Ibero-Americana, Pablo Pascale.  “Todos os dez projetos apresentados na primeira edição estão sendo executados sem a necessidade do nosso apoio. A realidade é que aqui se criam umas redes tão potentes que fazem com que os projetos ganhem vida própria”.
No domingo (29), dia do encerramento do evento, os projetos serão apresentados na presença da secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, e do ministro da Cultura, Juca Ferreira.

Neuropediatra diz que casos de microcefalia indicam uma nova doença

Aline Leal - Repórter da Agência Brasil
Sem estudos em toda a literatura médica que relacionem a infecção de gestantes pelo vírus Zika com o nascimento de crianças com microcefalia, a neuropediatra Vanessa Van der Linden defende que os novos casos dessa deformidade no cérebro revelam uma nova doença, já que fogem do padrão conhecido. “Se é provocada pelo Zika ou por outro vírus, ou outro agente, não sabemos. O que posso dizer é que os casos não seguem o padrão que a gente vê nas outras pacientes que têm infecção congênita e filhos com microcefalia”, explicou Vanessa, do Hospital Barão de Lucena, presidente da Associação de Assistência à Criança Deficiente do Recife.
Ela foi a primeira médica a buscar a Secretaria de Saúde de Pernambuco para alertar sobre o aumento do número de casos de crianças com o crânio menor que o normal. “Um dia, cheguei à UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e tinha três casos de crianças com a cabecinha assim, isso me deixou intrigada, normalmente a gente via uma a cada mês ou a cada dois meses”, relatou. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de casos de microcefalia saltou de 147, em 2014, para 739 neste ano, a maioria (487) em Pernambuco.
A microcefalia é uma má-formação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. A neuropediatra esclarece que essa condição pode ter diversas causas, como agentes químicos e infecções por toxoplasmose ou pelo citomegalovírus. Cada causador provoca um quadro típico, como alteração na visão, na audição ou em outros órgãos. Segundo a médica, em muitos desses novos casos os recém-nascidos têm comprometimento do coração, “mas a amostra ainda é muito pequena para dizer que está relacionado à nova doença”.
À medida que os casos foram chegando, a neuropediatra pedia exames para toxoplasmose e para citomegalovírus, e todos deram negativo. A especialista diz que recebeu informações de casos parecidos fora do Nordeste e que tudo deve ser bem investigado.
Vanessa participou nessa terça-feira (24) de um seminário para profissionais de saúde do Distrito Federal, em Brasília. Segundo ela, há casos de crianças com microcefalia que se desenvolvem, têm filhos, mas que em outros casos o bebê tem muitas convulsões e por isso pode não ter o desenvolvimento adequado. 
A relação entre o aumento de casos de microcefalia e a presença do vírus Zika em gestantes foi cogitada mais fortemente há pouco mais de uma semana, quando o Laboratório de Flavivírus, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, constatou a presença do vírus em amostras de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram confirmados com microcefalia. Segundo o Ministério da Saúde, apesar de ser um resultado  importante, os dados atuais não permitem confirmar a relação da infecção pelo Zika com a microcefalia.  Essa correlação está sendo investigada em parceria pelo governo federal e os estaduais.

Os primeiros casos de Zica no Brasil foram registrados em maio de 2015.


Levy nega decisão para adiar reajuste do salário mínimo em 2016

Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negou hoje (24) que o governo tenha tomado uma decisão em relação à data de reajuste do salário mínimo no próximo ano. Ao sair de um evento de premiação, ele disse que houve apenas estudos de técnicos do Congresso Nacional em relação ao tema, sem que o governo tenha acatado a sugestão de adiar por seis meses o aumento do salário mínimo em 2016 e o reajuste para os servidores federais.
Levy, no entanto, cobrou urgência na aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “Não tem plano do governo nesse sentido [de adiar o reajuste do mínimo]. A ideia do governo é a gente dar atenção ao gasto. Tratar da reforma da Previdência e recriar a CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira]. O Brasil precisa de um Orçamento forte, robusto, que nos prepare para 2016 ser um ano de crescimento”, disse.
Segundo o ministro, até agora, apenas houve uma sugestão da área técnica do Congresso Nacional, que elaboraram cenários alternativos para conter os gastos públicos caso o Congresso atrase a aprovação do pacote de ajuste fiscal. “Alguns técnicos do Legislativo apontaram alguns números. Só disso que tenho conhecimento. Não tem nada de mais. É um exercício aritmético, que adquire maior ressonância à medida que outras ações não avançaram no ritmo necessário”, explicou.
Segundo reportagem publicada hoje (24) pelo jornal O Globo, o governo estuda postergar para junho o reajuste do salário mínimo, tradicionalmente feito em janeiro. O aumento dos servidores federais passaria de agosto para dezembro do próximo ano. Em setembro, a equipe econômica tinha adiado o reajuste salarial de 2016 de janeiro para agosto.
Levy também cobrou o engajamento do PT e dos partidos da base aliada em relação ao pacote de ajuste fiscal. “É importante ter clareza. Temos de procurar meios. A base de apoio ao governo, incluindo o PT, tem que se mobilizar pelo Brasil. Não apenas pela Presidência, mas pelo Brasil”, afirmou.
De acordo com o ministro, as medidas de corte de gastos e a recriação da CPMF são essenciais para que o país volte a economizar para pagar os juros da dívida pública, tendo superávit primário a partir do próximo ano. “Para a gente ter o [resultado] fiscal que o Brasil precisa, com o Orçamento e receita que o Brasil precisa. Para não surgirem outras ideias mais difíceis. Porque se não tratar o que temos que tratar, elas daqui a pouco aparecem”, declarou.
Levy fez as declarações após cerimônia de entrega do Prêmio Nacional de Educação Fiscal, na Embaixada de Portugal, em Brasília. O prêmio foi concedido pela Federação Brasileira das Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) em parceria com a Escola de Administração Fazendária (Esaf).

COP21: Paris vai inaugurar nova fase de redução de gases estufa, diz ministro

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, ministro Raphael Azeredo, concede entrevista sobre a COP21 (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, ministro Raphael Azeredo, concede entrevista sobre a COP21Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O mundo aguarda a definição de um novo pacto global climático. Em dezembro, representantes de 195 países se reúnem, em Paris, para a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (COP21).
O intuito é chegar a um acordo que reduza a emissão de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. O Acordo de Paris deve entrar em vigor em 2020, em substituição ao Protocolo de Quioto.

Na avaliação do diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais do Ministério das Relações Exteriores, ministro Raphael Azeredo, o evento é apenas o início de um esforço diplomático muito intenso para regulamentar e implementar o documento a partir de 2020.
“Você vai ter, pela primeira vez, um esforço verdadeiramente global para atingir o que o IPCC [Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas] ditou como o limite do que seria a interferência humana e a partir do qual você teria efeitos nefastos, que são [conter o aumento da temperatura média da Terra em] 2 graus Celsius até o final do século”, disse.
Em entrevista concedida à Agência Brasil, o ministro destaca a importância do evento e da participação de mais nações no acordo de redução de gases poluentes. Na avaliação dele, a reunião em Paris será um marco e deverá inaugurar “uma nova fase” em que todos os países terão contribuições para a questão da mitigação. Para ele, o Brasil tem uma das metas mais ambiciosas do planeta e isso pode ajudar a induzir outras nações a pensar políticas mais efetivas para mudanças do clima. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Agência Brasil: Qual a importância da COP21?
Raphael Azeredo: A importância é enorme. Estamos encerrando um ciclo que vem desde Copenhague. Com o fracasso da COP em Copenhague, em 2009, [que terminou sem acordo formal sobre novos limites globais de redução de emissões de gases de efeito estufa] , o regime [climático] ficou com um vácuo porque todos nós sabíamos que o Protocolo de Quioto [de redução de emissões de gases de efeito estufa para países desenvolvidos] teria seu segundo período de vigência até 2020 e evidentemente, por parte dos países desenvolvidos, não havia nenhum interesse em negociar um terceiro período de cumprimento para Quioto. Apesar de todos os avanços e de ter sido inovador em muitas coisas, Quioto tinha o defeito essencial de não ter a participação dos principais países emissores. Os Estados Unidos nunca ratificaram o protocolo nem a China, por não ser um país desenvolvido. Nunca se vislumbrou que os países em desenvolvimento sob Quioto participassem com ações de mitigação [redução das emissões de gases poluentes]. Então Paris, se tudo der certo, e o Brasil está apostando que tudo dará certo, vai inaugurar uma nova fase do regime em que todos os países terão contribuições para a questão da mitigação, para suas ações de adaptação [às mudanças climáticas] e para prover meios de financiamento.

Agência Brasil: O que está em jogo nesta COP?
Azeredo: Você vai ter pela primeira vez um esforço verdadeiramente global para atingir o que o IPCC [Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas] ditou como o limite do que seria a interferência humana a partir do qual você teria efeitos nefastos, que são [conter o aumento da temperatura média da Terra em] 2 graus Celsius até o final do século. Temos que atingir uma meta de esforço conjunto de mitigação. Esses esforços nacionais somados têm que ser tabulados e computados pelo secretariado da Convenção [Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas] para ver o que vai ser efetivamente esse esforço coletivo. A partir de 2020, quando termina o período de cumprimento do Protocolo de Quioto, começa a nova fase de implementação global do acordo. É de imensa importância o que se pretende fazer em Paris. Mas Paris é o começo de um esforço diplomático muito intenso, porque não é só o que vamos aprovar em Paris em dezembro. É tudo o que vai ter que vir depois para regulamentar. Se tudo der certo, o acordo começa a viger a partir de 2020. Entre 2016 e 2020, será necessário todo um esforço complementar de legislação para fazer com que funcione. Não só de ratificação, isso é uma questão nacional, cada país determinará, dentro do seu ordenamento jurídico, como internalizar o acordo. O esforço a que estava me referindo é multilateral para ajudar no financiamento, na transferência de tecnologia, para harmonizar os dados, senão os esforços de cada país vão ser muito diferentes e não necessariamente comparáveis. Isso vem agora com o Acordo de Paris.

Agência Brasil: Como o Brasil chega a Paris?
Azeredo: O Brasil chega muito bem. O Brasil é reconhecidamente um dos países que sempre procurou estar à frente no debate das mudanças do clima. Através dos esforços diplomáticos, nós sempre demos importância mais alta para as tratativas internacionais sobre mudança do clima. A ministra Izabella Teixeira [do Meio Ambiente] se engajou pessoalmente na coordenação interna da formulação da INDC [Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida]. Sinal da importância atribuída pelo Brasil, a INDC foi apresentada pela própria presidenta da República [Dilma Rousseff] nas Nações Unidas [em 27 de setembro]. Nossa INDC foi reconhecida como uma das mais ambiciosas, com previsão de redução absoluta da emissão dos gases de efeito estufa e com números considerados muito bons: 37% até 2025 e 43% até 2030. Gostamos de pensar que a nossa INDC poderá induzir outros países a pensar de uma forma mais ambiciosa em termos de políticas para mudanças do clima.

Agência Brasil: Quais serão os principais embates na COP?
Azeredo: Acho que a questão da diferenciação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. O Brasil fala há muitos anos que um dos critérios para você ter justiça na repartição do esforço de mitigação é o conceito da responsabilidade histórica. O fenômeno do aquecimento global ocorre pela concentração desses gases na atmosfera, o que ocorre de forma mais significativa desde a Revolução Industrial. E é fato que isso é mais atribuído aos países desenvolvidos que aos países em desenvolvimento. Esse é um grande debate porque os países desenvolvidos argumentam: hoje são vocês, países em desenvolvimento, os maiores responsáveis pelas emissões atuais. Apesar de os países em desenvolvimento serem hoje os maiores emissores, a responsabilidade histórica recai em grande parte sobre os países desenvolvidos. Mas essa questão vai ser resolvida. Os países em desenvolvimento já vêm contribuindo de forma muito significativa e, às vezes, além da sua responsabilidade histórica para o esforço de mitigação. Isso vai dar trabalho, mas vai ser resolvido. A questão da transparência também vai ser algo difícil. A demonstração de como os esforços vão ser feitos. Não basta dizer: “eu vou fazer isso, eu vou reduzir tanto”. Os países têm que dizer como vão fazer.

Agência Brasil: Como é o processo negociador? Os países adotam por consenso?
Azeredo: Sim, tudo por consenso. Em teoria, um país pode bloquear uma decisão. Você imagina o que é ter que negociar com 195 países. E não são só 195 países porque grande parte da negociação é conduzida por meio dos blocos, como a União Europeia. Os países individuais da União Europeia, eles não levantam a plaquinha e falam. A União Europeia só fala por meio de sua presidência, que atualmente é em Luxemburgo. Então você nunca verá o Reino Unido levantando a placa, depois a França. O Brasil participa de dois grupos: o Grupo dos 77, que reúne os países em desenvolvimento, e o Basic, que reúne as grandes economias emergentes (África do Sul, Índia, China e Brasil).  Agora, há outros, uma vez eu contei, acho que são 18 grupos ou regionais ou de interesse, que atuam de forma muito presente na Convenção. Isso, às vezes, facilita as negociações porque, em vez de 195 países, você está falando entre 18, e, às vezes, dificulta. É um processo extremamente complexo. As COPs acabam sendo verdadeiros formigueiros de negociadores, de representantes da sociedade civil, de governos locais, de entidades supranacionais.

Agência Brasil: Como será o mecanismo de averiguação do cumprimento das metas?
Azeredo: Isso está sendo negociado. No mecanismo de cumprimento, você tem duas filosofias básicas: o punitivo, que tem sanções, e o facilitativo. Se o país não está cumprindo porque ele está enfrentando algum tipo de problema, então o papel do regime é ver o que está acontecendo e ajudar o país a cumprir. Esta é a posição brasileira. Nós não vemos regimes de cumprimento punitivo como algo que ajude o sistema. Pelo contrário. Há vários motivos que levam um país a não cumprir. Um deles é incapacidade. Na nossa visão, um regime de cumprimento tem que ser justamente aquele instrumento que ajude o país a identificar os problemas e ajude a saná-los. E em um problema tão evidente e tão presente hoje como a mudança do clima, o verdadeiro regime de cumprimento é o que se diz em inglês name and shame [constrangimento perante a sociedade]. Como é um assunto tão visível, você vê certos governos e sociedades civis apontando: olha que vergonha a nossa INDC. E o governo daquele país é ovacionado, no mau sentido, pela falta de ambição. Se é por uma decisão política de não implementar, eu acho que a verdadeira sanção é a que vem no próprio âmbito político global e nacional daquele governo que tomou a decisão de não implementar.




Izabella Camargo











Izabella Camargo
Nome completoIzabella Spaggiari Brazil Camargo
Nascimento1 de fevereiro de1981 (34 anos)
Apucarana Paraná
Nacionalidade brasileira
OcupaçãoJornalista
Página oficial
www.izabellacamargo.com.br
Izabella Spaggiari Brazil Camargo, mais conhecida como Izabella Camargo (Apucarana1 de fevereiro de 1981), é uma jornalistalocutora brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Izabella Camargo deixou sua cidade natal Apucarana, norte do Paraná, aos 16 anos, para trabalhar no SBT. onde participou de programas, como o Fantasia SBT de 1997 a 1999. Fez curso de radialistas do Senac-SP, cursou jornalismo na Universidade São Judas Tadeu e fez pós-graduação de marketing em Comunicação na Fundação Cásper Líbero. Em fevereiro de 2008, passou a ser voz padrão da Rádio Sulamerica Trânsito e em junho de 2009, começou a trabalhar como repórter e apresentadora da Band.
Em 2011 ficou classificada entre os 10 finalistas ao Prêmio Esso de Jornalismo e recebeu menção honrosa pela série de reportagens sobre os “Vizinhos do Crack ”, exibida no Jornal da Band. Foi apresentadora na BandNewsTV de janeiro de 2006 à março de 2009, quando assinou contrato com oSBT para ser repórter do programa Olha Você. Em sua chegada, foi selecionada para trabalhar em uma das vagas de apresentação do programa, que passava por reformulações. Apresentou apenas a última semana antes do programa sair do ar.
No canal Shop Tour, produziu reportagens sobre o mercado imobiliário e apresentou o programa Espaço Imóvel. Trabalhou na emissora de rádio Energia 97 e, por 3 anos, naJovem Pan FM, apresentando e produzindo programas de entretenimento. Fez parte da equipe de apresentadores da PlayTV e trabalhou também nas rádios Brasil 2000 e Mais FM. No ano de 2011, fez parte do rodízio de apresentadores do Jornal da Band aos fins de semana.
Em março de 2012 deixou a Rede Bandeirantes, para trabalhar como repórter da Rede Globo,[1] onde é repórter e apresentadora da previsão do tempo nos telejornais da emissora. No ano de 2015, passou a fazer parte do rodízio de apresentadores do SPTV e sendo apresentadora eventual do Hora Um da Notícia.[2] . Em abril deste mesmo ano, passou a ser apresentadora titular da Previsão do Tempo nos telejornais Hora Um da Notícia e Bom Dia Brasil, além de estreiar no rodízio de apresentadores do Bom Dia São Paulo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ir para cima Na Telinha (27/03/2012). Jornalista Izabella Camargo troca a Band pela Globo 14:58. Visitado em 24/05/2012.
  2. Ir para cima Na Telinha. Izabella Camargo assume comando do "Hora Um" na próxima semana. Visitado em 06/02/2015.
Precedido por
Maria Júlia Coutinho
Previsão do Tempo do Hora Um e Bom Dia BR
2015
Sucedido por
atual






Wikipédia

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