A
palavra encabular – com o sentido de provocar ou sentir vergonha –
tem origem controvertida. O Dicionário Houaiss diz que esse
brasileirismo pode vir de cábula (má sorte, infelicidade constante)
ou do termo quimbundo kulebule
envergonhar).
As principais notícias do dia. Política, economia, notícias internacionais, agronegócio e empreendedorismo.
Prêmio da Mega-Sena acumula mais uma vez: R$ 200 milhões
Foto: Reprodução/Internet
CORREIOBRAZILIENSE.COM.BR|POR CORREIO BRAZILIENSE
A origem da cidade de Pelotas (RS)
Esta
cidade fica ao Sul do Rio Grande do Sul, fica às margens do Arroio
Pelotas. Pelotas era o nome de uma pequena embarcação, que era
utilizada para transportar alimentos e mantimentos dos moradores da
região.
O time dos sonhos de Carla Fachim
O filho e o marido da apresentadora formam um time de primeira
Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS
Cristiane Bazilio
Em tempos de Copa do Mundo, Carla Fachim anda feliz da vida. E não é por causa dos jogos nem dos craques que brilham no Mundial no Brasil. É que o time dos sonhos da apresentadora da RBS TV está dentro de casa: o filho Lorenzo, dois meses, e o maridão Christian Baini, com quem tem dividido as glórias e os sufocos da primeira maternidade.
A loira abriu as portas de casa para o Diário Gaúcho e contou como têm sido esta experiência. Falou sobre as alegrias e agruras de ser mãe de primeira viagem, contou como tem sido a rotina ao lado do pequeno e revelou os planos de voltar à telinha.
Sustos e desafios
Lorenzo se desenvolve a passos largos. Nasceu no dia 15 de abril, pesando 3,3kg e medindo 52,5cm. Dois meses depois, já pesa 6,6kg e mede 60cm.
-Ele está acima da média na altura. vai ser um gurizão alto - prevê Carla.
Ela lembra que, já no primeiro mês de vida, ele eu um susto na mamãe e no papai, quando eles notaram que o pequeno estava com o corpo coberto por manchinhas e sofria com cólicas. Logo descobriram que o picorrucho tem intolerância à proteína do leite. A solução foi mudar radicalmente a alimentação da mamãe para que o filhão voltasse a desfrutar de paz e sossego.
Carla conta que, enquanto o paizão costuma ficar mais nervoso e preocupado, ela tem aprendido a manter a calma para resolver situações como essa.
-Foi o primeiro momento de tensão, quando pensei: isso não é brincadeira! Tu quer dar conforto e bem-estar ao teu filho e não consegue. É um exercício de paciência e equilíbrio - garante.
Aprendizado diário
A rotina de Carla Fachim atualmente se resume aos cuidados com o bebê. Um dos momentos mais encantadores para ela e o marido é a hora do banho do gatinho.
-Não abrimos mão de dar o banho. Não delegamos a ninguém (risos). Uma coisa que ele adora é o banho de ofurô (uma espécie de balde onde a criança fica em pé submersa na água com ajuda dos pais). Deixa ele bem calminho - explica.
Na última quarta-feira, o trio fez a sua primeira viagem junto. O destino: São Lourenço, na casa dos avós paternos do pimpolho, onde a família vai ficar até este domingo.
-Ele se comportou muito bem! Dormiu a viagem toda (risos)! Nós adoramos viajar, e ele vai ser nosso parceiro. Esta é só a primeira de muitas viagens que virão - comemora a lindona.
A primeira Copa é inesquecível
Não são só os pais que estão curtindo a Copa do Mundo no Brasil. Lorenzo também está muito bem adaptado às festividades do seu primeiro Mundial.
-Ele é super tranquilo. Não chora nem se incomoda com o barulho ou com os fogos. Assistimos a todos os jogos juntos. No primeiro jogo do Brasil, quando a Seleção fez três gols, o Christian comemorava e gritava a cada gol, e a minha reação era olhar pra ele para ver se ia chorar. Que nada! - diverte-se a mamãe.
Direto de São Lourenço, na quarta-feira, por telefone, ela descreveu a cena que rolava na casa do vovô:
-Neste momento, estamos assistindo ao jogo Espanha e Chile em frente à lareira.
Sempre conectados
O primeiro filho tem sido um sonho realizado para Carla e Christian, que compartilham cada momento de descobertas de Lorenzo. Enquanto ela curte a licença-maternidade, ele mantem a rotina de trabalho, mas os três passam o dia todo conectados.
Durante a semana, enquanto ele trabalha, eu passo tirando foto, fazendo vídeo e mandando pra ele. Mas nos finais de semana é tudo com ele. Aproveito pra descansar. Ele é bem esforçado, só meio desajeitado (risos). Mas acho muito importante essa proximidade entre eles, essa intimidade - avalia a loira.
Apesar de estarem curtindo intensamente a chegada de Lorenzo, o casal não planeja dar um irmãozinho ao pequeno.
-Queremos aproveitar tudo o que estamos aprendendo com o Lorenzo, dar tudo que for possível a ele. Em sã consciência, pelo menos, não teremos outros filho (risos) - sentencia a musa da telinha.
Volta ao ar em novembroCarla se despediu temporariamente da bancada do Bom Dia Rio Grande no dia 28 de março, e deve voltar a assumir o posto no dia 1º de novembro. Até lá, não tira o olho da telinha.
-Acordo cedinho pra dar mamar para o Lorenzo e ligo no Bom Dia. Claro que sinto falta do trabalho, mas, hoje, minha vida é aqui dentro de casa. E não quero perder nem um minuto com ele, porque passa muito rápido - explica.
Instigada a fazer um balanço destes dois meses que mudaram completamente sua vida, a loira não contém a emoção e declara-se:
-A maternidade é muito intensa em todos os sentidos. É abdicar do sono, lidar com fantasmas como o da cólica, mas também se surpreender a cada momento. Esses dois meses tem sido, acima de tudo, de curtir as primeiras interações do Lorenzo conosco. Cada dia mais amado, cada dia mais apaixonante, cada dia valendo mais a pena... - declara-se a mamãe.
A. J. Renner
Em
27 de dezembro de 1966, morre em Porto Alegre o empresário Antônio
Jacob Renner, A. J, Renner, empresário do ramo de fiação,
tecelagem e vestuários. Natural de Santa Catarina da Feliz (hoje
Feliz), o empresário imprimia sua marca social à indústria e às
relações trabalhistas no Estado.
Com o nome de A. J. Renner, o
empresário e suas empresas se tornariam conhecidos nacionalmente.
Dinâmico e com ideias definidas ele
se tornaria deputados estadual classista, líder empresarial e
escritor, com vários livros publicados e presença nos meios de
comunicação.
Abaixo a vacina!, por Voltaire Schilling*
“Houve de tudo ontem. Tiros,
gritos, vaias, interrupção de trânsito, estabelecimentos e casas
de espetáculos fechadas, bondes assaltados e bondes queimados,
lampiões quebrados a pedrada, árvores derrubadas , edifícios
públicos e particulares deteriorados.” - Gazeta
de Notícias, 14 de novembro de 1904
Se bem que o Rio de Janeiro daqueles
tempos não tivesse nenhum buraco negro como em Calcutá, um
semidouro abrasante de homens brancos, a capital do império em
termos de higiene e saúde pública era um pavor. A paisagem sim,
belíssima, de extasiar, mas as condições de vida para quem vinha
da Europa eram de assustar. O Conde Gobineau, embaixador francês no
Brasil e amigo do imperador dom Pedro II, mal desembarcou em 1869,
foi derrubado por uma febre que o prostrou por seis meses. Deixou
direto que o Rio de Janeiro era um “deserto povoado por malandros”
e passou boa parte do tempo alarmado em contrair algo mortal. Podia
ter sido eleito por qualquer das desgraças tropicais: a peste
bubônica, a febre amarela ou a varíola, entre tantas mais, visto
que a cidade acolhia todas as pandemias existentes. O Rio era um
hospital a céu aberto.
Salvando-se o aprazível bairro do
Botafogo, morada do Conselheiro Aires de Machado de Assis, e o
Flamengo, o centro da cidade era medonho. Ali, da beira do cais
estendendo-se até os morros da Saúde e da Providência,
concentrava-se a república dos cortiços. Um mar de casebres,
colados uns aos outros, que parecia não ter fim. Com a abolição de
1888, a situação urbana piora. Milhares de ex-escravos, largados
sem nada do eito, deram com os costados por lá. Viviam ao deus-dará.
O ponto determinante que levou as
autoridades republicanas a pôr um fim naquilo, naquele matadouro
invisível, foi a morte em massa de marinheiros italianos. Em 1895,
240 tripulantes da fragata Lombardia, em visita à cidade, caíram
atacados pela febre amarela. Em uma semana, 144 deles morreram,
inclusive o comandante. Como atrair imigrantes para virem para o
Brasil com aquilo? Precisou-se esperar pela Presidência de Rodrigues
Alves, o “soneca”, que, negando o apelido, resolveu detonar.
Em 1903, ele deu carta branca ao
engenheiro Pereira Passos para desmantelar os pardieiros e construir
uma Paris tropical no lugar deles, ao tempo em que indicou o doutor
Oswaldo Cruz, vindo do Instituto
Pasteur, da França, para acabar com os “microassassinos”,
geradores das doenças (não era o calor, nem a maresia que provocava
as febres e pestes, mas sim os insetos e os ratos).
Com a picareta e a dinamite do
“bota-abaixo”, somadas à fumaça contra os pernilongos,
esperava-se que a cidade deixasse de ser o que Olavo Bilac chamou de
“cemitério dos vivos”.. Naturalmente que a população pobre,
aquela imensa plebe sem eira nem beira que habitava o miolo da
capital, não gostou nada daquilo. Explodiram quando deu-se a
aprovação da obrigatoriedade da vacina contra a varíola, em 31 de
outubro de 1904.
Os ajuntamentos e os tumultos se
multiplicaram a partir do dia 10 de novembro. Multidões furiosas
reuniram-se no Largo São Francisco para protestar. A
obrigatoriedade, entendiam eles, era uma monstruosidade. Uniram-se a
eles os poucos positivistas, denunciando o “despotismo sanitário”
do doutor Oswaldo. Num zás os bondes começaram a ser atacados. As
lojas do centro foram varridas a pedradas. Nas ruas, colchões ardiam
em meio a latas viradas. Escaramuças de desordeiros contra a polícia
se multiplicavam por todos os lados. Barricadas surgiram do nada. O
grito de guerra deles era “Abaixo a vacina!”
Outras
vítimas foram os lampiões. Do desembarcadouro da cidade até
Copacabana (despovoada na época), não sobrou nenhum para alumiar as
noites. Cada parte da turbamulta entrou na batalha a seu modo e
gosto. Os trabalhadores alegaram que defendiam suas famílias da
intromissão indecorosa dos vacinadores, a choldra queixava-se do
abandono e dos maus tratos, e os estudantes por amor à baderna. Até
a rapaziada do Colégio Militar, então na Praia Vermelha, pegou em
armas contra o governo. Por cinco dias, do dia 10 ao dia 15 de
novembro, deu-se um pandemônio no Rio de Janeiro.
O governo reagiu trazendo tropas de
fora, de Niterói e até de São João del Rei, regimentos aptos a
disparar nas turbas. Obuses foram lançados sobre o morro da Gamboa
e da Saúde (sinta-se a ironia do nome). Somou-se quase mil presos,
30 mortos e uns 200 feridos. Assim, ao troar das canhonadas, a
“metrópole dos desocupados”, em mãos da “matula desenfreada”,
como Bilac chamou a cidade revoltada, voltou à calma no dia 15 de
novembro de 1904, justo quando a república completava 15 anos.
Revogou-se a obrigatoriedade no dia seguinte. Todavia, a vacinação
“pegou”. Oswaldo Cruz, que fora moralmente linchado, apelidado de
o “Czar dos mosquitos”, terminou por ser reconhecido e Pereira
Passos, o “bota-abaixo”, levou adiante seu sonho de estender
bulevares parisienses em meio à miséria carioca. Viabilizaram o Rio
de Janeiro de hoje.
*Historiador
Fonte: Zero Hora, página 17 de 21 de
novembro de 2004.
Abraham Lincoln
Político
americano. Presidente dos EUA em 1861, reeleito em 1864, um dos
inspiradores da democracia moderna. Assassinado por um escravista.
Lembrado
como presidente que emancipou os escravos de seu país, Lincoln é
considerado um dos inspiradores da moderna democracia e uma das
maiores figuras da história americana.
Abraham
Lincoln nasceu em Hodgenville, Kentucky, em 12 de fevereiro de 1809.
Filho de lavradores, desde cedo teve de trabalhar arduamente. Aos
sete anos foi para Indiana com a família, em busca de melhor
situação econômica. Pouco depois perdeu a mãe, e o pai casou-se
outra vez. Devido à dificuldade de encontrar uma escola no novo
domicílio e desejoso de progredir, o jovem Lincoln pedia livros a
amigos e vizinhos para ler depois das tarefas diárias. Empregou-se
numa serraria e mais tarde em barcos dos rios Ohio e Mississipi. Em
1836, aprovado em exames de direito, tornou-se um advogado muito
popular. No ano seguinte, sua família mudou-se para Springfield,
Illinois, onde Lincoln encontrou melhores oportunidades
profissionais. Casou-se em 1842 com Mary Todd, mulher inteligente e
ambiciosa. Início político. Filiado ao partido whig (conservador),
Lincoln, entre 1834 e 1840, havia se elegido quatro vezes para a
assembleia estadual, onde defendera um grande projeto para a
construção de ferrovias, rodovias e canais. Nessa época, sua
atitude diante do abolicionismo era conservada. Embora considerasse a
escravatura uma injustiça social, temia que a abolição
dificultasse a administração do país. Entre 1847 e 1849, foi
representante de Illinois no Congresso, onde propôs a emancipação
gradativa para os escravos, tese que desagradou tanto aos
abolicionistas quanto aos escravistas. Mais decisiva foi sua oposição
à guerra no México, que o fez perder muitos votos. Sem conseguir se
reeleger, afastou-se da política durante cinco anos.
Presidência
A
guerra contra o México ampliara o território da União e não era
possível prever se a população das novas terras se declararia a
favor da escravidão. Instalou-se uma grande polêmica nacional.
Lincoln assumiu atitude antiescravagista e transformou-se no paladino
dessa tendência após o debate que travou com o senador democrata
Stephen Douglas. Em 1858 candidato ao Senado pelo novo Partido
Republicano, perdeu as eleições para Douglas, mas tornou-se líder
dos republicanos. Em 1860, disputou o pleito para a presidência da
república e elegeu-se o 16º presidente dos Estados Unidos.
Guerra
de Secessão
Ao
iniciar seu governo, em 4 de março de 1861, Lincoln teve de
enfrentar o separatismo de sete estados escravistas do sul, que
formaram os Estados Confederados da América. O presidente foi firme
e prudente: não reconheceu a secessão, ratificou a soberania
nacional sobre os estados rebeldes e convidou-os à conciliação,
assegurando-lhes que nunca partiria dele a iniciativa da guerra. Os
confederados, porém, tomaram o forte Sumter, na Virgínia Ocidental.
Lincoln encontrou o governo sem recursos, sem exército e com uma
opinião pública que lhe era favorável somente em reduzida escala.
Com vontade férrea, profunda fé religiosa e confiança no povo,
iniciou uma luta que primeiramente lhe foi adversa. Só conseguiu
armar sete mil soldados, com os quais começou a guerra. Num só ano,
decuplicou o Exército, organizou a Marinha e obteve recursos. Os
confederados haviam consolidado sua situação, com a adesão de mais
quatro estados aos sete sublevados. Em meados de 1863 chegaram à
Pensilvânia e ameaçaram Washington. Foi nesse grave momento que se
travou, em 3 de julho de 1863, a batalha de Gettysburg, vencida pelas
forças do norte. Lincoln, que decretara a emancipação dos escravos
e tomara outras providências liberais, pronunciou, meses depois, ao
inaugurar o cemitério nacional de Gettysburg, o célebre discurso em
que definiu o significado democrático do governo do povo, pelo povo
e para o povo, e que alcançou repercussão mundial. A guerra
continuou ainda por dois anos, favorável à União. Lincoln foi
reeleito presidente em 1864. Em 9 de abril de 1865, os confederados
renderam-se em Appomattox. Embora considerado conservador ou
reformista moderado no início da presidência, as últimas
proposições de Lincoln foram avançadas. Preparava um programa de
educação dos escravos libertados e chegou a sugerir que fosse
concedido, de imediato, o direito de voto a uma parcela de
ex-escravos. Inclinou-se também à exigência dos radicais por uma
ocupação militar provisória de alguns estados sulistas, para
implantar uma política de reestruturação agrária.
Em
14 de abril de 1865, Lincoln assistia a um espetáculo no Teatro
Ford, em Washington, quando foi atingido na nuca por um tiro de
pistola desferido por um escravista intransigente, o ex-ator John
Wilkes Booth. Transportado para uma casa vizinha, Lincoln morreu na
manhã do dia seguinte.
Absolutismo
Sistema de governo em que um monarca
exerce o poder sem restrição legal nem interferência de órgãos
legislativos ou judiciais autônomos
“O estado sou eu.” A conhecida
sentença de Luís XIV da França, o Rei Sol, sintetiza a essência
do absolutismo: o regime político em que uma pessoa, o soberano,
exerce o poder em caráter absoluto, sem quaisquer limites jurídicos.
Absolutismo é a forma de governo
caracterizada pela concentração total de poder em mãos de um só
indivíduo ou de um grupo de indivíduos. As chefias coletivas
constituem, porém, casos excepcionais do sistema governamental
absolutista, podendo ser consideradas etapas na evolução do
processo de concentração integral do poder ou situações sui
generis, em que a divisão de forças entre os chefes não permite a
afirmação de superioridade por parte de um só dos componentes do
núcleo dirigente.
O que caracteriza o absolutismo é a
ausência completa de limitações ao exercício do poder. Não há
pesos e contrapesos reguladores das relações entre o poder
executivo e as agências legislativas e judiciária constituintes da
organização estatal. A maquinaria constitucional, quando existente,
está sempre à mercê da vontade do governante, que a pode alterar
sem aprovação de órgão público. O sistema encontra sua mais fiel
representação nas formas de governo das monarquias da Europa
ocidental nos séculos XVII e XVIII. O soberano possuía, de direito
e de fato, a soma total dos atributos do poder: legislava, julgava,
nomeava e demitia, instituía e cobrava impostos, organizava e
comandava as forças armadas.
História
Nos
primeiros séculos do feudalismo o rei era apenas o primus
inter pares (primeiro
entre iguais), governava por escolha e consentimento da nobreza e
dela dependia para fazer a guerra e concluir a paz, assim como para
impor ao estado um sistema fiscal. Nessa fase do regime feudal, a
vida política das nações foi marcada por um antagonismo constante
entre o poder real, que procurava expandir-se, e os interesses da
nobreza, que atendiam a limitá-lo. A luta terminou no século XVI
com a subordinação da nobreza ao poder real. A ideia do absolutismo
firmou-se com a outorga aos monarcas dos atributos da majestade e com
a submissão das igrejas nacionais ao controle temporal do soberano.
Teoria do absolutismo
Em
busca de ideológicas que conferissem legitimidade ao poder absoluto,
os monarcas faziam derivar diretamente de Deus sua autoridade sobre
os homens e as coisas incluídas nos limites de seus domínios. O
direito divino concedia ao governante o poder temporal, enquanto o
espiritual cabia ao papa. Cedo, porém, a expansão das tendências
absolutistas levou o monarca a pretender também a direção suprema
do movimento religioso nacional. A igreja, com interesses universais
e uma política própria, tornou-se uma rival capaz de contestar e
limitar o poder absoluto do soberano.
Ao
procurar atingir as prerrogativas reais, a Reforma protestante
contribuiu para fortalecer a tese do direito divino, dispensando a
ação intermediária de Roma. Por sua vez, os governantes viras nas
ideias da Reforma o veículo adequado para abolir a influência de
Roma e assumir também o comando da vida espiritual de seus povos.
Paradoxalmente, o chamado “despotismo esclarecido” do século
XVIII, em contestação frontal aos dogmas religiosos, não impedia
aos monarcas reclamarem, mais que em qualquer outra época, origem
divina para os poderes que se atribuíam. E o reinado de Luís XIV,
que se estendeu do fim do século XVII ao princípio do XVIII,
constitui o momento culminante do absolutismo.
As teorias do direito divino perderam
definitivamente a força depois da revolução francesa e da
independência dos Estados Unidos. Chegam, porém, até nossos dias
os vestígios desse período, com os títulos e prerrogativas formais
de certas monarquias, como a inglesa, em que o monarca é também
chefe da igreja (anglicana) e exerce seus poderes “pela graça de
Deus”.
A monarquia absoluta fundamentou-se,
no entanto, em argumentos de maior conteúdo racional que a origem
divina. O chamado “pai do patriarcalismo”, Sir Robert Filmer,
sustentava na primeira metade do século XVII que o estado era a
família, e o rei era o pai. A submissão à autoridade patriarcal
era o veículo e a essência do dever político. Seu contemporâneo,
Thomas Hobbes, um dos metres de filosofia política inglesa, arguia
em sua obra De corpore político (1650; Do corpo político) que o
homem só pode viver em paz, em sociedade, se concordar em se
submeter ao poder político absoluto de um soberano. Para Hobbes, a
delegação total de poderes era um ato de auto-preservação, e o
soberano devia colocar-se acima das leis e além de qualquer tipo de
limitação. Hobbes admitia que o poder absoluto pudesse ser exercido
por uma assembleia representativa, mas considerava preferível o
governo individual. Nisso, aproxima-se da maioria dos teóricos do
absolutismo.
Mesmo entre os pensadores que, como
Jean-Jaques Rousseau, no século XVIII, partiam da premissa de uma
“vontade coletiva”, expressa pela maioria dos cidadãos, a ideia
do governo pelo povo rapidamente se transforma no exercício do poder
por um chefe único, em nome do povo.
Prática do absolutismo
Francisco
I da França (1515-1547) pode ser considerado um absolutista, com a
Itália fornecendo as máximas despóticas e os juristas do direito
romano as bases teóricas doutrinárias. O primeiro estado nacional,
porém, onde as doutrinas absolutistas vigoraram com nítida
configuração foi o eleitorado de Brandemburgo, núcleo do poder
dinástico em que se fundou o reino da Prússia.
A captação dos recursos financeiros
indispensáveis à formação e controle das forças armadas
constituiu o instrumento de que se serviu Frederico Guilherme o
Grande Eleitor (1640-1688) para implantar em seus domínios o sistema
absoluto. Ao fim de um período de atritos com a nobreza, logrou
estabelecer o princípio que isentava a aplicação de renda pública
dos votos das classes representativas de interesses locais. A nobreza
foi compensada às expensas dos camponeses, e os Junkers (nobres), a
entregarem o poder político, consolidaram uma influência econômica
e social no interior do país, com os resultados que mais tarde se
fizeram sentir na organização política e social da Prússia.
Data desses primórdios do
absolutismo uma das mais constantes características do sistema, a
formação de uma classe burocrática que termina por controlar, ou
ao menos diluir, o poder individual do governante. A burocracia com
efeito limitativo, apta a manipular o poder conferido ao soberano
absoluto, foi uma constante em todas as sociedades despóticas,
cercadas de uma elite que se perpetuava no governo.
Os movimentos revolucionários de
cunho liberal que sacudiram a Europa em 1848 puseram fim
definitivamente aos regimes monárquicos de caráter absolutista.
Absolutismo moderno
No
século XX, com a crescente complexidade da máquina governamental,
insuscetível de controle individual, regimes totalitários
apresentam aspectos de absolutismo burocrático, em que os
governantes dividem a autoridade com funcionários que controlam o
sistema econômico nacional e as forças responsáveis pela
continuidade do poder. Embora com o abandono da forma monárquica, os
regimes totalitários apresentam extrema concentração de poder em
mãos do governante. O governo é exercido em nome do estado ou em
representação de uma doutrina político-social dominante.
As ditaduras do século XX inovam,
porém, em relação a suas antecessoras, ao estender à sociedade
como um todo a autoridade política. Outro aspecto que constitui
novidade nas formas modernas absolutistas é exemplificado pelas
doutrinas fascistas e nazistas, que dominaram a Itália e a Alemanha
até o fim da segunda guerra mundial.
Aborígine
A
palavra aborígine (do latim “ab origine”, desde o princípio)
significa nativo, habitante autóctone. Nesse sentido, pode ser
utilizada para designar os habitantes originais de qualquer país,
dos índios brasileiros aos maoris neozelandeses.
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