Rio Guaíba sobe e fica a 6 centímetros da cota de inundação no Centro de Porto Alegre
Medição aponta 2,94 metros na área do Cais Mauá
Rio Guaíba se aproxima da cota de inundação no CentroO nível do Guaíba subiu rapidamente nas últimas horas. A régua do Cais Mauá indica nesta manhã 2,94 metros, somente seis centímetros abaixo marca de 3,00 metros necessária para o extravasamento na área do cais.
Em virtude da cheia, a prefeitura da Capital decidiu que sistema de contenção do Guaíba permanecerá com todas as comportas fechadas nesta quarta-feira.
🌊 Nível do Guaíba | Atualização
— Ceic Porto Alegre (@CEIC_POA) September 27, 2023
📏 Cais Mauá
Última medição: 2,94m
Cota de alerta: 2,5m
Cota de inundação: 3m
A MetSul destaca que sequer é preciso que o nível atinja 3,00 metros para que as águas alaguem o cais. Na grande enchente de outubro de 2015, o Guaíba chegou a 2,97 metros em medição feita pela MetSul na régua física do cais e mesmo assim a água alcançou o piso do local por conta da ondulação gerada pelo vento e a passagem de embarcações, capaz de elevar em segundos o nível em alguns centímetros.
Já em cotas acima de 2,90 metros a ondulação pode levar água para o piso do cais. O nível atual é o terceiro maior observado no Guaíba em Porto Alegre desde a enchente de 1941, somente atrás dos picos de 3,13 metros da enchente de setembro de 1967 e dos 2,97 metros da enchente de outubro de 2015. Trata-se, assim, de uma cheia histórica e que ainda não chegou ao seu pico.
A forte elevação do Guaíba das últimas horas deve-se à chuva que caiu em pontos das bacias dos rios nas proximidades de Porto Alegre, mas, especialmente, ao vento do quadrante Sul que começa a soprar sobre o Norte da Lagoa dos Patos. Com vento Sul mais forte previsto para o decorrer desta quarta, inclusive com rajadas fortes, a tendência é de o represamento aumentar e o nível se elevar ainda mais.
A MetSul enfatiza que, independentemente de atingir ou não 3,00 metros, cotas acima de 2,70 metros trazem risco de alagamentos e inundações em pontos do Sul da cidade, como na Ponta Grossa, onde as cotas de extravasamento são menores. Ipanema é outra área que já sofre com alagamentos nos níveis atuais.
O nível muito alto ainda pode alagar áreas perto do Centro e da zona Norte (São Geraldo e Navegantes) pela água que reflui pela rede pluvial. A água literalmente sai pelas bocas de lobo. Em 1984 e em 2015, houve alagamentos pelo refluxo da rede pluvial na Praia de Belas (junto ao TJRS), Rodoviária, São Geraldo e Navegantes. O funcionamento correto das casas de bombas do sistema de contenção de cheias é determinante para impedir ou atenuar estes alagamentos por refluxo de vasos comunicantes.
Correio do Povo

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