sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Onde foi que erramos?

 Arrumar a casa agora exige esforço em dobro

Guilherme Baumhardt

Deixando de lado a discussão sobre as urnas e seus possíveis desfechos, é espantoso que um sujeito que liderou o governo mais corrupto da história do Brasil tenha conquistado milhões de votos. É espantoso que ele tenha angariado o apoio que recebeu. Aliás, há um absurdo ainda maior: alguém com a ficha corrida de Lula participar da disputa. Não me refiro aqui às decisões do Supremo Tribunal Federal. Falo da falta de espanto da população ao não ficar indignada em ter o sujeito (cujos governos produziram uma tragédia sem precedentes) concorrendo à Presidência. Mergulhar nas entranhas deste fenômeno revela, no mínimo, uma profunda degradação moral, dentre aqueles que sabem distinguir o certo do errado e, mesmo assim, escolhem o erro.

Eu ainda era adolescente e lembro de professores entrando em sala de aula (escola pública) e fazendo campanha aberta para candidatos da esquerda, especialmente os do PT. Era um broche no peito, um adesivo na caixa de giz e, claro, uma verborragia doutrinária despejada nas cabeças de uma plateia cativa, sem o devido preparo para responder aos absurdos ditos por aqueles que estavam ali para ensinar. Quantos pais ficaram indignados com aquilo? Poucos. Quantos fizeram algo? Um número menor ainda.

Ouvi de professoras um festival de absurdos. “Gente, falam mal do comunismo, mas o comunismo é bom!”, disse uma delas, quando eu estava na 7ª série – ou algo assim. Claro, no momento ela sofreu uma brutal amnésia e esqueceu de citar o Holodomor, que dizimou milhões de ucranianos famintos, ou ainda os milhões de chineses mortos pela Grande Fome de Mao. Ela também esqueceu de citar os pelotões de fuzilamento e as perseguições políticas, em Cuba ou as mortes produzidas por Pol Pot. E o fenômeno ocorre ainda hoje, em escolas públicas e privadas.

Uma professora que adota tal conduta não tem condições de lecionar. Alguém que é pago para ensinar, mas sonega informações para os alunos merece um pé nos fundilhos. Estamos lidando com gente intelectualmente desonesta. Mas no Brasil permitimos que a legislação protegesse comportamentos assim – a famosa estabilidade, algo típico de república bananeira.

Um dos resultados é que não formamos empreendedores, gente que na vida adulta deseja ser dono do seu próprio nariz, abrir uma empresa, gerar empregos, ganhar dinheiro, constituir família e patrimônio. Os cursos superiores mais procurados (salvo exceções) são aqueles com promissoras carreiras públicas, com concursos que garantem estabilidade. Criamos uma nação de covardes (com as devidas exceções, de quem realmente tem vocação para servir ao público), com total aversão ao risco, que preferem o conforto da estabilidade financeira, mesmo que para isso passem a vida inteira fazendo algo que detestam. E eles são (geralmente) eleitores da esquerda, que prometem manter o status quo.

Paralelamente a isso, o empresário no Brasil foi habilmente transformado em um explorador, um bandido, e não alguém que montou um negócio, oportunizou empregos, salários e assumiu riscos (no caso brasileiro, o primeiro deles é justamente assinar uma carteira de trabalho). Não são raros os casos em que o empregado começa a trabalhar com um profundo sentimento de ódio do patrão (o vilão).

Deixamos que esta turma destruísse a família como instituição. As igrejas, com suas virtudes e defeitos, também não foram poupadas, porque representavam um inimigo a ser combatido (não é à toa que em países comunistas o culto religioso virou prática proibida, sendo visto apenas na clandestinidade).

Deixamos esta gente avançar sem resistência, durante muito tempo. E como eles foram longe demais, arrumar a casa agora exige esforço em dobro, preocupação em dose tripla e doses extras de coragem. É isso ou viramos uma Venezuela.


Correio do Povo

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