quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Apesar do sucesso e reconhecimento, Erasmo Carlos não se considerava cantor

 O cantor morreu aos 81 anos nesta terça-feira, dia 22; causa da morte não foi revelada

Erasmo Carlos morreu aos 81 anos nesta terça-feira, dia 22. Um dos maiores artistas musicais do Brasil, ele era um exímio instrumentista e dizia não se considerar cantor. Em entrevista ao Domingo Espetacular em fevereiro deste ano, o Tremendão falou que não tinha cuidados com a voz e que a maior preocupação dele era passar o que sentia para o público.

"Não me considero cantor. Não tomo cuidado nenhum, nem tenho preocupação com isso. Meu problema é conseguir transmitir o coração, transmito diretamente para o ouvido das pessoas a minha mensagem. Não me preocupo se a voz está alta, se está boa ou não, só precisa estar afinado. Estando afinado e com sentimento, é isso o importante para transmitir o que eu sinto", disse Erasmo.

Conhecido por grandes sucessos como Minha Fama de Mau, Sentado à Beira do Caminho e muitos outros, o artista ganhou grande fama por participar do programa Jovem Guarda, da Record TV. Na atração musical que ia ao ar aos domingos, o cantor se apresentava ao lado de Roberto Carlos e Wanderléa, trio que deu rosto e voz ao rock brasileiro na década de 1960, conhecido como movimento Iê-Iê-Iê.

"Foi um período fértil de criação, quando conheci os amigos tão importantes que me ajudaram com todo o movimento. A Jovem Guarda é uma coisa engraçada porque ela era simplesmente um programa de televisão, mas foi tão grande a força dele que a imprensa apelidou o movimento todo do Iê-Iê-Iê de Jovem Guarda e ficou até hoje. Foi um sucesso estrondoso, uma coisa fora do normal que só vi semelhando com os Beatles na Inglaterra", contou Erasmo.

O artista cultivou amizade com grandes ícones da música brasileira, como Tim Maia, que o ensinou a tocar violão. A amizade com Roberto Carlos atravessou décadas e os artistas trabalharam juntos em inúmeras ocasiões, mas também já brigaram, como lembrou o Tremendão.

"Teve uma briga na Jovem Guarda. Apresentou-se o programa do Wilson Simonal, eu cantei um monte de músicas que já eram sucesso na época e ninguém falou que as músicas eram dele também. Parecia que as músicas eram só minhas. Alguém contou para ele, ele não gostou e brigou comigo. Não tinha relativamente culpa, o programa que tinha porque não apresentou os créditos. A gente ficou seis meses sem se falar, mas depois voltamos às boas e até hoje a gente só discute na hora das músicas, das composições, mas é tudo coisa de trabalho", recordou o cantor.

Assista abaixo à entrevista de Erasmo Carlos ao Domingo Espetacular na íntegra:


R7 e Correio do Povo

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