terça-feira, 6 de setembro de 2022

Presidente do Peru se apresenta ao Ministério Público, mas não responde perguntas

 Pedro Castillo é acusado de liderar uma suposta rede de corrupção durante o mandato, que começou há pouco mais de um ano



O presidente do Peru, Pedro Castillo, compareceu nesta segunda-feira ao Ministério Público, que o acusa de liderar uma suposta rede de corrupção que funcionava dentro do palácio do governo, mas se negou a responder recorrendo ao direito constitucional de manter silêncio.

Enquanto o presidente de esquerda saía do Ministério Público após uma audiência de duas horas e meia, detratores jogaram ovos contra o veículo oficial que o transportava. Vestido com um casaco vermelho, o presidente de 52 anos se apresentou à procuradora da Nação, Patricia Benavides, em um processo relacionado à demissão repentina do ministro do Interior em 20 de julho.

O Ministério Público suspeita que, com a saída abrupta do ministro Mariano González, que estava no cargo havia apenas duas semanas, Castillo tentou impedir a nomeação de uma equipe especial da polícia para localizar duas pessoas próximas que estavam foragidas da justiça.

Castillo, que não pode ser julgado atualmente pois goza de imunidade, também foi convocado para responder sobre o suposto tráfico de influência na estatal PetroPerú. O advogado presidencial, Benji Espinoza, detalhou que Castillo não respondeu às perguntas do Ministério Público sob direito de permanecer em silêncio e se limitou a fazer uma declaração negando as acusações formuladas pela procuradora da Nação. "O presidente respondeu que quando houver todos os elementos (dos seis casos contra ele) vai dar as explicações que querem", disse o advogado à imprensa. "O presidente proclamou inocência e então, quando vieram as perguntas, negou as acusações."

Castillo explicou a um grupo de simpatizantes que o esperava na sede do Executivo que "fomos dizer à procuradora da Nação que não apenas as rechaço, nego veementemente essas falsas acusações". O Ministério Público abriu seis investigações contra Castillo, algo inédito para um presidente em exercício no Peru. A esposa do líder peruano, Lilia Paredes, também foi citada pelo mesmo caso em outra sede judicial, mas a audiência foi suspensa de última hora, segundo o advogado de defesa. A primeira-dama é acusada de supostos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, como parte da suposta rede chefiada pelo marido, segundo o Ministério Público, que fez um pedido de proibi-la de deixar o país por 36 meses.

AFP e Correio do Povo


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