segunda-feira, 12 de setembro de 2022

"Precisamos repudiar a violência como linguagem da política", afirma Ciro Gomes

 No sábado, um homem tentou agredir o presidenciável no Acampamento Farroupilha


Um dia após sofrer uma tentativa de agressão de um homem no Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, em Porto Alegre, o candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) criticou ontem a polarização política no país e defendeu a democracia. O pedetista cumpriu neste domingo o terceiro dia de agenda no Rio Grande do Sul, onde participou do lançamento da candidatura da deputada Juliana Brizola à Câmara Federal. Cercado pela militância, ele desembarcou de uma van na sede da Academia de Samba Praiana, no Praia de Belas. 

Ao comentar a tentativa de agressão sofrida no sábado, o presidenciável destacou que a "democracia foi conquistada a duras penas". "Precisamos repudiar a violência como linguagem da política", afirmou. Ele destacou que esses episódios de violência refletem o comportamento de lideranças políticas. "Essa polarização odienta que Lula e Bolsonaro celebram estão levando o Brasil para dançar na beira do abismo. Eu quero reconciliar o Brasil", ressaltou. 

Ciro afirmou que o Brasil vive "uma espécie de crise institucional crônica" em que os poderes estão "completamente disfuncionais". E criticou a atuação do Judiciário, que "extrapola o seu poder". "Me perguntaram como resolver. Eu disse que era restaurando a autoridade da Presidência da República. Faz anos que o Brasil tem ou os próprios presidentes, Lula e Bolsonaro, com pendências na Justiça ou seus filhos que responderam por acusação de corrupção. Os dois. Isso lamentavelmente é verdade". Questionado sobre qual estratégia deve adotar para tentar ir para o segundo turno, Ciro fez uma analogia com a tática de um time de futebol. 

"Vou atacar em trança e linha e defender em zigue-zague. Tem que ter paciência, obstinação,fazer uma aposta com a benção de Deus, na inteligência do povo brasileiro, porque a ciência da insanidade é você repetir as mesmas coisas e esperar resultado diferente. O Brasil está mergulhado nessa crise extrema, três anos de Bolsonaro, oito anos de Lula PT. As pessoas votaram em massa no Bolsonaro para protestar contra a pior crise econômica e de corrupção da história do Brasil que o Lula produziu. E agora não é razoável que a gente, decepcionado com o Bolsonaro, vai votar no Lula, que deu causa a isso", frisou. 

O presidenciável voltou a criticar o sistema tributário brasileiro. "Não presta para nada, só cobra imposto de pobre, da classe média e da produção", explicou, acrescentou que, se eleito, vai simplificar toda a tributação sobre o consumo. "Só para se ter uma ideia, o mundo tem um imposto sobre o valor adicionado, o Brasil tem seis. Eu quero transformar esses seis tributos em valor adicionado no IVA. Esse IVA tem que ser cobrado por destino, portanto eu preciso resolver o problema do passivo dos estados, que hoje estão quebrados, renegociando a dívida deles em troca de um pacto que me permita fazer a reforma, libertando a presidência do Brasil da crônica de corrupção e ladroeira que inferniza a nossa vida ao longo dos últimos 25 anos", disparou.

Se eleito, ele pretende cortar 20% das renúncias fiscais, o que, segundo Ciro, resultaria na arrecadação de R$ 70 bilhões por ano. Também defendeu um imposto sobre grandes fortunas, com alíquota pequena, sobre os patrimônios na pessoa física, maiores do que R$ 20 milhões, com a tributação mais progressiva no imposto de renda. "Vou aumentar a faixa de isenção e diminuir a alíquota na classe média e criar uma alíquota maior para os salários acima de R$ 500 mil. E por fim, uma tributação mais progressiva sobre a propriedade. Por exemplo, hoje o motoqueiro de aplicativo paga 4% na moto de IPVA e os bilionários, donos de jatinho, de jet-ski, de lancha, de helicóptero, não pagam nada. Passarão a pagar", afirmou.


Correio do Povo

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