domingo, 5 de junho de 2022

Afastamentos por transtornos mentais crescem 30% no Brasil desde 2020 no Brasil

 


Uma pesquisa realizada pela startup Closecare, focada em gestão de atestados médicos e saúde corporativa, mostra o cenário em torno do afastamento de profissionais do trabalho devido a problemas de saúde mental no País. A incidência desses atestados cresceu 30% desde 2020, sobretudo em empresas de atividades administrativas. O levantamento analisou cerca de 480 mil atestados cadastrados na plataforma entre janeiro de 2020 e abril de 2022, reunidos de 16 companhias que usam o serviço.

Os documentos entram no sistema pela importação de outras bases ou são cadastrados pelo responsável da empresa ou pelo próprio funcionário. As organizações são de setores e portes variados e foram considerados os atestados com a categoria F da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), referentes a transtornos mentais e comportamentais. Foram avaliados quadros específicos: episódios depressivos, ansiedade e estresse.

No primeiro ano da pandemia de covid-19, esse tipo de atestado representava 3% do total, passando para 3,5% no ano seguinte e 3,9% já nos primeiros meses deste ano. A análise observa que “apesar da baixa incidência, os atestados deste grupo oferecem um alto risco para as empresas e evidenciam a gravidade do problema para os funcionários”. De fato, as doenças psicoemocionais são a terceira maior causa de afastamento do trabalho no Brasil — que atingiu recorde de concessão de auxílio-doença em 2020 — e será a principal até 2030.

Embora a quantidade de justificativas seja menor do que de outras condições, o tempo médio de afastamento por saúde mental costuma ser de seis dias – período 128% superior à indicação padrão para outras doenças. No caso dos atestados de ansiedade, o distanciamento do trabalho passou de 3,3 dias em 2020 para 4,7 dias em 2022, um aumento de 42%.

André Camargo, CEO da Closecare, analisa que o tipo de atestado varia conforme a atividade laboral. “No geral, empresas com atividades intensivas, como serviço, varejo e call center, têm número de atestado superior do que empresa administrativa ou de tecnologia. Mas o de saúde mental aparece mais para empresas com atividades físicas menos intensas, como escritório de advocacia, tecnologia, multinacionais e empresas onde o salário médio é mais alto”, diz.

Impacto orçamentário

A Closecare calcula que cada atestado custa, em média, R$ 1.293 para as empresas e que o gasto delas com afastamento de colaboradores por questões de saúde mental deve chegar a R$ 5 bilhões até o fim de 2022. “O atestado é um documento que justifica a falta do funcionário e, se ele estiver dentro de determinadas regras, a empresa tem de abonar essa falta. Se ele ficou seis dias fora, a empresa paga pelo valor”, explica Camargo.

Ele conta que o cálculo considerou a renda mensal média do brasileiro de R$ 2.449, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de outubro de 2021, e o acréscimo de encargos. Foi possível estimar a taxa média de absenteísmo e o custo ao longo do ano. Uma limitação da pesquisa é que 30% dos atestados não apresentam o código de classificação da doença por omissão do colaborador, reflexo da crença de que ele seria prejudicado no trabalho pela condição com que vive.

Os dados mostram o que é visto em relatório do governo sobre a concessão de benefícios trabalhistas por transtornos mentais e comportamentais entre 2012 e 2016. No período, os trabalhadores ficaram, em média, 196 dias afastados, gerando um impacto de quase R$ 8 bilhões com auxílios-doença e aposentadorias, além de um custo médio de quase R$ 12 mil por benefício.

Importante notar que as condições mentais e comportamentais da CID englobam doenças não necessariamente ligadas ao psicoemocional, como Alzheimer e esquizofrenia. Ainda assim, depressão, ansiedade e estresse estão entre as principais causas de afastamento, segundo o documento, e também aparecem mais nos setores administrativos, de saúde, varejo, transporte e teleatendimento.

O Sul

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