terça-feira, 17 de agosto de 2021

Ministério da Saúde aponta necessidade da aplicação de uma terceira dose contra a covid em parte da população

 


A secretária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite Melo, indicou nesta segunda-feira (16) que uma parte da população brasileira terá que receber uma terceira dose da vacina contra a doença.

Preocupada com o avanço da variante Delta do coronavírus e com o relaxamento das medidas sanitárias pela população, ela citou a decisão tomada na semana passada pelos Estados Unidos recomendando uma dose adicional para pessoas com sistema imunológico comprometido. É o caso de transplantados, alguns pacientes com câncer e portadores do vírus HIV. Rosana disse que os grupos não deverão ser diferentes no Brasil e afirmou que é possível começar esse processo de vacinação já em 2021.

“Se nós formos pensar numa terceira dose, estamos calculando trabalhar priorizando determinados grupos. Só que isso a gente não decidiu ainda, se teremos ou não terceira dose. Existem outras variáveis que são analisadas. Inclusive nossa câmara técnica tem outra reunião esta semana para definir principalmente a parte dos estudos científicos. Mas conseguiríamos fazer (a distribuição da terceira dose) neste ano, sim”, disse Rosana.

Alguns pontos ainda precisam ser definidos, como quais imunizantes poderão ter uma terceira dose e se será adotada a intercambialidade, ou seja, a aplicação de uma vacina de fabricante diferente daquela que a pessoa tomou antes.

Ela disse que o Ministério da Saúde está preocupado com o avanço da variante Delta do coronavírus, identificado pela primeira vez na Índia e que vem se espalhando pelo mundo, levando a um aumento de casos mesmo em locais com muitas pessoas vacinadas. Rosana participa de reunião da Comissão Temporária da Covid-19 que funciona no Senado.

“O que nós sabemos, os dados que nós temos é que, em determinadas faixas etárias, está diminuindo essa proteção (das vacinas). Temos alguns estudos preliminares, porém esses estudos não foram publicados. São discussões internas, nem podemos publicizar tanto, em respeito aos pesquisadores, porém já estamos tomando as decisões em nível de gestão, o que fazer, o que planejar, quantificar esses grupos que por ventura precisam (de uma terceira dose), a exemplo do que aconteceu na semana passada nos Estados Unidos, em que se liberou para determinados grupos. Os nossos grupos, provavelmente, pelas nossas discussões, não serão distintos daqueles. Talvez com algumas diferenças”, afirmou.

Segundo a gestora, estudos feitos em Israel, nos Estados Unidos e no Reino Unido mostram que nesses países houve um aumento na taxa de hospitalização, algo que ainda não se observou no Brasil, exceto de forma pontual. Ela disse que a variante Delta apareceu de forma mais tímida, porém o cenário está mudando. Também criticou o relaxamento de parte da população e de gestores de saúde.

“Houve infelizmente um relaxamento (das medidas sanitárias) não só por parte da população. Entendemos a nossa cultura latina, mas houve um relaxamento mesmo das pessoas mais entendidas em relação a isso.

E também reconheceu falhas na comunicação:

“A comunicação é um dos focos que a gente quer, sim, melhorar.”

A diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Meiruze de Sousa Freitas fez um panorama da aplicação da vacina em outros países. Segundo ela, há debates no Reino Unido, Alemanha e França sobre a terceira dose, com a probabilidade de seguir o caminho de Israel, que já a aplica.

No Chile, também há recomendação de uma dose adicional para a população mais velha que tomou a CoronaVac. Nos Estados Unidos, a terceira dose foi autorizada apenas para imunizantes com a tecnologia de RNA mensageiro, caso da Pfizer e da Moderna. A Janssen, que também é aplicada nos Estados Unidos, usa outra tecnologia.

“Notificamos a Pfizer e agendamos reuniões para esta semana para discutir os dados apresentados”, disse Meiruze.

Ela afirmou que a Anvisa também vem conversando com agências de outros países. Afirmou ainda que a maioria deles recomenda doses da mesma vacina, embora em algumas situações específicas seja autorizada a intercambialidade. Meiruze também destacou que, além da discussão da terceira dose, é importante vacinar toda a população com duas doses, o que ainda não foi alcançado.

Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz, destacou que não há estudos com “robustez suficiente” sobre a terceira dose, mas apontou que alguns grupos podem, sim, precisar disso, como idosos que tomaram a CoronaVac, profissionais de saúde e pessoas com deficiências imunológicas. Ela não se mostrou contrária à adoção dessa vacina no Brasil, mas defendeu uma dose adicional para determinados grupos que a tomaram.

O Sul

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