sábado, 21 de novembro de 2020

Protesto no Carrefour termina com confronto entre manifestantes e Brigada Militar

 Ato reuniu centenas de pessoas na frente do supermercado nesta sexta-feira


O dia dedicado a celebrar a Consciência Negra foi marcado por diversos protestos no Rio Grande do Sul e em outros estados do Brasil pela morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, que faleceu após ser espancado por dois seguranças em um Carrefour, na zona Norte de Porto Alegre, na noite de quinta-feira. Nesta sexta, desde o começo da manhã, centenas de pessoas foram até o local pedir por justiça e exigir que os responsáveis fossem punidos.

O ato foi pacífico durante a maioria do tempo. No entanto, logo ao anoitecer, manifestantes e a Brigada Militar entraram em confronto quando uma parte conseguiu invadir o supermercado, queimou cartazes e pichou as paredes com dizeres antirracistas. Neste momento, os policiais interviram para controlar a situação e dispersar o grupo, por volta das 21h, para fora da região.




Ainda na Plínio Brasil Milano, os policias seguiram dispersando o grupo para longe do supermercado, em direção à Terceira Perimetral, o que motivou um novo conflito, mas que foi contornado. Entre a tentativa de invasão e a dispersão, três pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital Cristo Redentor. No entanto, enquanto o grupo era dispersado, alguns dos participantes vandalizaram conteineres de lixo e também as unidades dos supermercados Asun e Zaffari, situadas na mesma avenida, mas no Higienópolis. Após a operação, a BM manteve o efetivo na área do Carrefour, mas já sem a presença dos manifestantes.

A invasão ao supermercado se deu por volta das 19h15min, quando o confronto com os policias se iniciou. A Brigada Militar tentou dispersar a movimentação usando bombas de gás lacrimogêneo por diversos momentos. Do lado de dentro, os manifestantes revidaram com o uso de foguetes.

Em uma das tentativas, o Batalhão de Choque da BM conseguiu direcionar parte do grupo para outro ponto da avenida provocando, assim, correria entre os ativistas, que já estavam se dispersando. 

IGP-RS aponta asfixia como "causa mortis" mais provável

O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) divulgou, nesta sexta-feira, que as análises iniciais do corpo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado por seguranças no estacionamento do Carrefour, apontam para asfixia como "causa mortis mais provável". No entanto, o órgão afirmou que apenas a conclusão definitiva da perícia é que vai apontar com exatidão a causa do óbito. De acordo com o IGP, o laudo deverá ser concluído nos próximos dias.

Os dois seguranças envolvidos no episódios tiveram prisão preventiva decretada nesta sexta-feira. Eles haviam sido detidos em flagrante, mas a prisão foi convertida pelo juiz plantonista do Foro Central de Porto Alegre, Cristiano Vilhalva Flores. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. De acordo com o Instituto-Geral de Perícios, análises iniciais apontam que possivelmente a vítima morreu por asfixia.

Manifestação ocorrem em diversos locais do país

Outras manifestações de repúdio ao episódio e às práticas de discriminação racial foram registadas no país, como em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Uma das unidades do Carrefour em São Paulo chegou a ser depredada e invalidade durante protesto na noite de hoje. O supermercado situado na avenida Paulista teve a fachada totalmente desfigurada e parte da estrutura interna queimada por um pequeno incêndio.

CEO do Carrefour pede "total colaboração" com a Justiça

O CEO da rede de varejo, Alexandre Bompard, usou a conta no Twitter para se manifestar sobre o crime. Em uma série de publicações, Bompard lamentou o ocorrido e afirmou ter perdido ao Carrefour Brasil "total colaboração com a Justiça e autoridades" para esclarecimento do episódio. A investigação do crime, em Porto Alegre, teve início nesta sexta-feira pela Polícia Civil. Os dois ex-funcionários envolvidos na agressão tiveram prisões preventivas decretadas na noite de hoje.

O diretor-executivo ainda afirmou que "medidas internas" foram imediatamente tomadas, principalmente em relação à empresa de segurança contratada, que não teve o nome divulgado. E reforçou: "Essas medidas são insuficientes. Meus valores e os valores do Carrefour não compactuam com racismo e violência".



Correio do Povo

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