domingo, 9 de agosto de 2020

Manifestantes invadem Ministério de Energia no Líbano

Protestos tomaram as ruas de Beirute após as explosões ocorridas há quatro dias

Manifestante tomaram o Ministério de Energia

Manifestantes invadiram neste sábado o Ministério de Energia de Beirute. A ação é parte de ações organizadas contra diversos ministérios, em meio à manifestação popular contra as autoridades consideradas responsáveis pela explosão no porto da capital, há quatro dias. As detonações mataram mais de 150 pessoas e feriram mais de 6 mil.
De acordo com imagens transmitidas ao vivo pela televisão libanesa, os manifestantes invadiram o edifício governamental sob o olhar impotente das forças de segurança. O setor de Energia é considerado um símbolo da má gestão dos serviços públicos e da corrupção da classe política do Líbano.
Na Praça dos Mártires, epicentro da contestação popular desde outubro passado e onde os manifestantes se reuniram neste sábado sob o lema "Dia do Julgamento", guilhotinas foram instaladas. "Vingança, vingança, até a queda do regime", gritavam os manifestantes, alguns usando máscaras, outros bandeiras ou retratos das vítimas da explosão. As forças de segurança tentavam impedir alguns grupos de avançar em direção ao parlamento.
Nas ruas adjacentes à manifestação em grande parte pacífica, apesar das tensões, agentes de segurança dispararam gás lacrimogêneo, enquanto confrontos limitados os colocaram contra alguns manifestantes que atiravam pedras.
"Depois de três dias limpando os escombros e curando nossas feridas, é hora de deixar nossa raiva esvair e puni-los por matar pessoas", declarou Farès al-Hablabi, de 28 anos. "Devemos nos levantar contra todo o sistema. A mudança deve ser compatível com a escala do desastre", acrescentou este militante que saiu às ruas no momento da eclosão do levante popular em 17 de outubro de 2019.
Se o movimento perdeu força nos últimos meses, especialmente devido à pandemia de coronavírus - que continua se agravando no Líbano -, a tragédia pode reanimá-lo. "Não temos mais nada a perder. Todos devem ir para as ruas", disse Hayat Nazer, uma militante por trás de muitas iniciativas de solidariedade.
AFP e Correio do Povo

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