quarta-feira, 15 de julho de 2020

Associação estima que 50% das academias no RS devem fechar as portas

No Estado, segundo a AAGU, estão em funcionamento 3.838 academias, sendo 2.457 em Porto Alegre

No Estado, conforme Dummer, estão em funcionamento 3.838 academias, sendo 2.457 em Porto Alegre

A Associação das Academias Gaúchas Unidas (AAGU) prevê que pelo menos 50% das 3,8 mil academias do Rio Grande do Sul devem fechar as portas por conta dos prejuízos decorrentes da pandemia do novo coronavírus. De acordo com o diretor técnico da AAGU, Samuel Dummer, a situação do setor está muito difícil. Além disso, os associados reclamam da falta de diálogo com os gestores a respeito do fechamento dos estabelecimentos.
No Estado, conforme Dummer, estão em funcionamento 3.838 academias, sendo 2.457 em Porto Alegre. Dentro delas trabalham em torno de 30 mil profissionais com curso superior, sendo 16.645 na Capital. Além disso, o setor conta com 89 mil funcionários, em geral, no RS e 49 mil somente em Porto Alegre, esses com carteira assinada e 42 mil prestadores de serviços terceirizados em todo o território gaúcho, sendo 25 mil concentrados na Capital. As academias contavam, até a chegada da pandemia, com uma média de 500 mil alunos em todo o Rio Grande do Sul.
“Estamos tendo um desequilíbrio muito forte entre receitas e despesas, as academias a maior parte trabalha com planos, o que aconteceu durante a pandemia foi a alta adesão ao cancelamento. O que isso gera? As academias hoje estão tendo que reembolsar boa parte dos pagamentos, a gente entende que é muito difícil, mas também entendemos a situação dos alunos, muitos estão desempregados, a maior parte até chega a alegar essa justificativa: não tenho mais como pagar meu plano, preciso cancelar e preciso do reembolso”, explicou Dummer. Segundo ele, se até o final de julho não houver uma sinalização por parte dos gestores, para a retomada do funcionamento do setor, pelo menos metade das academias gaúchas não deve retomar as atividades após a pandemia.
“Hoje já temos informação de que pelo menos 20% já decretaram o fechamento, já entraram em negociação com os alunos e uma parte ainda não anunciou, mas já estamos observando que alguns proprietários estão tentando vender os pontos, com as academias funcionando, estamos muito preocupados”, reiterou, reforçando que o setor deve ser um dos mais prejudicados. “Não sabemos como será o retorno dos alunos, muitos ainda estão com receio de voltar para as aulas presenciais e, além disso, muita gente considera a academia como um gasto supérfluo e acaba cortando gastos, quando as dificuldades econômicas aparecem”, destacou. 
Além dos prejuízos, Dummer também ressaltou que é importante que todos os envolvidos sejam chamados para um diálogo aberto sobre o fechamento o que, segundo ele, não ocorreu. “Vemos que as normas que estão sendo tomadas pelas autoridades, vão contra na mão do que a ciência tem nos mostrado, referente à suspensão das atividades das academias”, afirmou. Conforme Dummer, em países como a Espanha, Itália e Alemanha, artigos científicos têm falado sobre os efeitos negativos do isolamento para a saúde das pessoas, como perda da massa muscular, piora na glicemia, aumento da gordura corporal e, principalmente, aumento de sentimentos negativos como estresse, tédio, ansiedade e depressão.
“Isso gera uma retroalimentação aumenta o tédio ou o estresse, a pessoa acaba tendo piores escolhas alimentares, piora glicemia e gordura corporal e todos os índices de gorduras inflamatórias que fazem mal para o corpo, um aumenta o outro e cada vez piora a saúde como um todo, o exercício físico é o melhor remédio para tudo isso, mas com as academias fechadas fica complicado”, enfatizou. E sobre os treinos feitos em casa, Dummer declarou que poucas pessoas têm consciência corporal e conhecimento suficientes para conseguirem treinar sem a orientação de um profissional capacitado. “Muitas vezes correm mais riscos do que poderiam ter benefícios”, afirmou. 
Além de diretor técnico da Associação das Academias Gaúchas Unidas (AAGU), Samuel Dummer também é proprietário da Práxis Academia, na zona Norte, a academia mais antiga do Estado, que completa 33 anos de história em 2020. Com as portas fechadas desde março, tendo retomado as atividades provisoriamente por duas semanas em junho, Dummer explicou que os prejuízos são incalculáveis. Dos 1,2 mil alunos que estavam matriculados em março, ele conta agora somente com 390, uma queda de 67,5%.
Para os alunos que ficaram, Dummer decidiu oferecer gratuitamente alguns equipamentos da academia, como kits de pesos, colchonetes e até bicicletas, para que eles pudessem fazer alguns treinos em casa. Apesar das alternativas encontradas para auxiliar os alunos, Dummer acredita que ainda deve demorar para que o setor se recupere das dificuldades. “Acreditamos que assim que voltarmos a funcionar, mesmo com número de alunos reduzidos, levaremos cerca de 1 ano para as academias conseguirem voltar ao número de alunos, recuperar o prejuízo financeiro, e em alguns casos não sei se recupera mais”, ressaltou.
O secretário extraordinário de Enfrentamento do Coronavírus de Porto Alegre, Bruno Miragem, afirmou que a Prefeitura tem estabelecido diálogo frequente com o setor das academias, mas com a Resultados da pesquisa Resultados da Web Associação das Academias do Rio Grande do Sul, com o Conselho Regional de Educação Física e outras entidades. Inclusive, conforme Miragem, foram essas entidades que apresentaram os protocolos de segurança para que as academias pudessem abrir em junho.
Miragem ainda comentou que a Prefeitura reconhece a importância das academias para a manutenção da saúde física e mental das pessoas. “E também reconhecemos todo o esforço de adaptação de boa parte das academias, inclusive na adoção de medidas de mitigação de risco, higienização, de organização da sua atividade, o que ocorre em relação a essas últimas restrições, que foram as mais graves, é que elas não levaram em consideração o risco das atividades em si”, disse. 
De acordo com Miragem, o grande propósito dessas últimas medidas foi justamente restringir a circulação das pessoas de modo que isso acabou atingindo boa parte das atividades, independentemente dos riscos que elas ofereçam e das medidas de mitigação desse risco que tivessem sido adotadas. “Na retomada das atividades é indiscutível que as academias estão entre os setores prioritários”, assinalou.
Correio do Povo

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