Na sede da PRF, ministro da Justiça Alexandre de Moraes se negou a comentar investigação por Whatsapp. (foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
21 DE JULHO DE 2016 21:53
O ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, falou novamente, no início da noite desta quinta-feira (21), sobre a prisão das 10 pessoas por suposta ligação com o Estado Islâmico, em operação da Polícia Federal. Segundo Moraes, a ação desta quinta, junto com a deportação, na sexta-feira (15), do físico e professor da UFRJ Adlène Hicheur, condenado por terrorismo na França, puseram fim a todas as possíveis ameaças detectadas de atentados durante a Olimpíada.
“Com a prisão deles e a deportação [do professor] nós afastamos os dois únicos focos, que já estavam sendo rastreados, de possibilidade ainda que remota de terrorismo das Olimpíadas”, disse Moraes.
Moraes voltou a dizer que a célula era “amadora” e só dois pares já se conheciam pessoalmente. Os outros seis agiam isoladamente, de acordo com a investigação. De acordo com ele, uma dupla teria se conhecido na prisão, enquanto cumpria pena por homicídio.
“Duas dessas pessoas tinham se conhecido na prisão. Eles foram condenados por homicídios e cumpriam pena de seis anos. Os outros dois se conheceram anos atrás. Eles só se comunicavam via internet, via WhatsApp, via Telegram. Era um grupo extremamente amador. Basta ver que há poucos dias da Olimpíada, o suposto líder estava pedindo para eles iniciarem um treinamento de tiros e artes marciais. O que vale dizer, se estavam pedindo, que nenhum deles tinha treinamento”, declarou.
Questionado sobre o monitoramento dos suspeitos, já que o WhatsApp foi bloqueado mais de uma vez pela Justiça brasileira justamente por não fornecer dados para investigações, o ministro voltou a se negar dar detalhes. “Em lugar algum do mundo se comenta sobre a questão de inteligência da operação. Não seria aqui no Brasil”, argumentou, repetidas vezes.
A declaração foi dada na sede da Polícia Rodoviária Federal do Rio, onde Moraes foi conhecer a estrutura destinada às atividades de segurança viária, controle de tráfego, segurança e proteção de chefes de estado da Olimpíada.
Mais cedo, o ministro disse que os investigados na operação não tiveram contato com membros do Estado Islâmico e que se trata de uma “célula absolutamente amadora”, porque não tinha “nenhum preparo”.
“Mas obviamente que não podemos – nenhuma força de segurança – ignorar isso. […] Só o fato de começarem atos preparatórios, não seria de bom senso aguardar para ver, e o melhor era decretar a prisão deles”, afirmou Moraes.
A operação
A duas semanas do início da Olimpíada do Rio, a Polícia Federal realizou pela manhã uma operação sigilosa de combate ao terrorismo que prendeu dez pessoas em sete estados, informou o Ministério da Justiça.
Foram as primeiras prisões no Brasil com base na recente lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff. Também foram as primeiras detenções por suspeita de ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico, que atua no Oriente Médio, mas tem cometido atentados em várias partes do mundo.
O governo e a PF não divulgaram os nomes dos detidos nem para onde eles foram levados. Além das prisões, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em dez estados – São Paulo (8); Goiás (2); Amazonas (2); Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Paraíba, Ceará, Minas Gerais e Mato Grosso (um em cada). Houve ainda duas conduções coercitivas, em São Paulo e Minas Gerais. (AG)
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