(El País, 03) 1. O surto de violência entre azerbaijanos e armênios, independentemente da sua evolução imediata, incorpora o velho "conflito congelado" de Nagorno-Karabakh ao complicado cenário geoestratégico hoje dominado por tensões entre Rússia e Turquia. As hostilidades, que já deixaram dezenas de vítimas e que continuaram no último domingo, acrescentaram um terceiro "hot spot" na lista de conflitos internacionais em que Moscou está diretamente envolvida. Nos outros dois, leste da Ucrânia e Síria, a Rússia tem mantido um papel duplo, como parte e juiz ao mesmo tempo.
2. A situação em Nagorno-Karabakh tem sido um obstáculo para o desenvolvimento do sul do Cáucaso como um todo e bloqueou ou condicionou vários projetos internacionais de comunicações e transporte energético, enquanto atrasa o desenvolvimento econômico da Armênia. Rússia, França e EUA são co-presidentes do chamado Grupo de Minsk, que atua como uma plataforma para o diálogo no âmbito da OSCE, a zona comum entre armênios e azerbaijanos em Nagorno-Karabakh, as hostilidades continuaram no último domingo ao longo da linha de frente, de acordo com informações das partes em conflito, que em grande parte são contraditórias, confusas e difíceis de verificar.
3. O Ministério da Defesa do Azerbaijão anunciou na manhã de domingo um cessar-fogo unilateral, que, no entanto, implicava na preservação das posições conquistados dos armênios durante as hostilidades. Como era esperado, a Armênia não aceitou o cessar fogo baseado em uma alteração do status quo de 1994 e na consolidação do avanço do Azerbaijão. De acordo com o Ministério da Defesa da Armênia, no nordeste e no sudeste da zona comum entre armênios e azerbaijanos, tiveram lugar os combates mais sanguinários. Os principais confrontos ocorreram na direção de Talish, uma cidade no distrito de Martakerski (3 quilômetros da zona comum).
4. Para o dia 07 de abril está previsto um encontro trilateral entre ministros das Relações Exteriores do Azerbaijão, Irã e Rússia, que tem como objetivo discutir os corredores de transporte. Um dos pontos que o Azerbaijão deseja controlar é Judaferin, sobre o Rio Aras, na fronteira com o Irã, onde Baku quer construir uma usina de energia com os iranianos, de acordo com fontes azerbaijanas em Baku.
Ex-Blog do Cesar Maia
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