‘Nunca votei no Bolsonaro’, diz Maitê Proença após críticas por ir a ato


Chamada de ‘bolsonarista’ nas redes sociais, a atriz participou de manifestação pela Amazônia ao lado de Caetano Veloso, Sônia Braga e outros artistas

Por Giovanna Romano

A atriz Maitê Proença

A atriz Maitê Proença (Reprodução/Instagram)

Na “comissão de frente” do protesto em defesa da Amazônia no domingo 25, na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, artistas e políticos erguiam cartazes contra o governo de Jair Bolsonaro e sua política ambiental. Entre os participantes estava Maitê Proença, atriz apontada como “bolsominion” (pessoas alinhadas aos ideais do presidente) por ter supostamente apoiado Bolsonaro nas eleições.

O assunto foi um dos destaques nas redes sociais entre a noite de domingo e esta segunda-feira. Internautas começaram a criticar nas redes sociais o posicionamento da atriz, chamando-a de “bolsominion arrependido”.  “Eu nunca votei no Bolsonaro”, disse a atriz a VEJA. Ela afirma ter votado na candidata Marina Silva (Rede) e que, no segundo turno, na disputa entre Bolsonaro e Haddad, não votou em ninguém.

Tuíte ironiza participação da atriz Maitê Proença em ato em defesa da Amazônia

Tuíte ironiza participação da atriz Maitê Proença em ato em defesa da Amazônia (Reprodução/Reprodução)

Tuíte ironiza a presença da atriz Maitê Proença em ato em defesa da Amazônia, no Rio de Janeiro

Tuíte ironiza a presença da atriz Maitê Proença em ato em defesa da Amazônia, no Rio de Janeiro (Reprodução/Reprodução)

Maitê critica as pessoas que a rotulam e considera que existe uma “burrice binária” no país — na qual as pessoas colocam a ideologia acima da causa. “Eu não sou de direita, nem de esquerda, nem católica, nem islâmica. Meu pensamento é independente”, afirmou.

A lembrança de seu apoio a Bolsonaro vem, acredita, do vídeo que publicou durante a campanha eleitoral defendendo a atriz Regina Duarte, então alvo de ataques por ter anunciado apoio ao candidato do PSL.

Além disso, logo após a vitória de Bolsonaro, Maitê foi cotada para ser ministra do Meio Ambiente, em parte pela militância que já possuía na área ambiental. Ela também tem uma filha com o empresário Paulo Marinho, um dos homens do círculo mais próximo a Bolsonaro durante a disputa eleitoral – o “quartel-general” da campanha bolsonarista ficava na casa do empresário, no Rio de Janeiro.

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A VEJA Maitê afirmou que, apesar de não ter votado em Bolsonaro, estava otimista antes de ele assumir o cargo porque acreditava na capacidade das instituições, como o Congresso, de limitar o poder presidencial. “Ele está conseguindo desmontar as estruturas”, analisa.

Questionada sobre o cunho político das manifestações em defesa da Amazônia – no Rio, a grande maioria dos políticos presentes era ligada a partidos de esquerda e centro-esquerda, como PT, Rede, PSB, PCdoB e PSOL – , Maitê afirma que estava lá por causa do posicionamento pessoal dela em relação ao tema. “Eu sou ativista, não como carne. Acho um absurdo o que estamos fazendo com os animais e o meio ambiente”. Para ela, os protestos e a pressão internacional podem fazer com que o governo Bolsonaro recue do “desmonte ambiental” que está acontecendo.

A atriz afirmou a VEJA que não está contente com o governo Bolsonaro  porque o país não está crescendo no âmbito econômico e as políticas assistencialistas estão estagnadas. Maitê criticou a postura do presidente de fazer o que considera uma espécie de “revanchismo” em relação às gestões petistas e disse ter receio do que pode acontecer no futuro.


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Planalto diz que recusará ajuda de US$ 20 milhões oferecida pelo G7


Valor seria usado para auxiliar no combate a incêndios na Amazônia

Por Estadão Conteúdo

Operação do Exército em combate aos incêndios na Amazônia, conforme decreto do presidente Jair Bolsonaro (Lilo Clareto/Folhapress)

O Palácio do Planalto informou na noite desta segunda-feira, 26, que rejeitará ajuda de 20 milhões de dólares, equivalente a 83 milhões de reais, prometidos pelo G7, o grupo de países mais ricos do mundo, para auxiliar no combate a incêndios na Amazônia.

O Planalto não informou o motivo para recusar os valores. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ministros têm dito que não há anormalidade nas queimadas e que países europeus tentam fragilizar a soberania do Brasil sobre a floresta.

A informação do Planalto, no entanto, contradiz o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que mais cedo disse que a ajuda do G7 era “bem-vinda”.

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Bolsonaro voltou a se reunir nesta segunda com ministros para tratar dos incêndios na floresta. Após a conversa com o presidente, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, disse que a situação na Amazônia está controlada e que cerca de 2.700 militares das Forças Armadas estão prontos para atuar na região.

Ainda nesta segunda, o governo teve novo embate com o presidente da França, Emmanuel Macron, que falou sobre conferir status internacional à floresta. “Sobre a Amazônia falam brasileiros e as Forças Armadas”, rebateu o porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros.


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Os satélites da Nasa e as queimadas na Amazônia: entenda a confusão com os dados

Informações divulgadas pela agência espacial americana confirmam ou negam o maior número de focos de incêndio no norte do Brasil dos últimos dias? A resposta é: confirmam. E nós explicamos por quê.

Por Guilherme Eler

(Reprodução/NASA)

Desde o começo do ano até o momento em que você abriu este texto, o Brasil pegou fogo mais de 75 mil vezes. O número de queimadas deste ano é 84% superior ao registrado no país no mesmo período de 2018. E a maior parte dos incêndios, cerca de 52% do total (ou quase 40 mil focos), aconteceu em uma mesma região: a Amazônia.

As informações listadas acima foram reunidas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e podem ser acompanhados em tempo real no site do Programa Queimadas. Esse trabalho de coleta de dados sobre os focos de incêndio existe há 7 anos e é amparado por um conjunto de satélites, que flagram tudo de cima. Os responsáveis pelas imagens são, basicamente, três satélites operados pela Nasa. Eles se chamam Terra, Aqua e Suomi NPP (não contamos os satélites polares e os geoestacionários, que você pode conhecer melhor neste link).

Tanto o Terra (em órbita desde 1999) quanto o Aqua, que está no espaço desde 2002, levam à bordo o sensor MODIS, que analisa propriedades das nuvens, mudanças no uso das terras e, sobretudo, queimadas. A órbita do satélite Terra faz com que ele atravesse o céu do Brasil no sentido norte-sul, cruzando a linha do Equador pela manhã. Já o Aqua começa no sul e termina no norte, passando pelo Equador durante a tarde. Isso significa que as duas versões do MODIS produzem dois conjuntos de imagens sobre a superfície terrestre todos os dias, atualizando os dados com maior frequência.

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Como destaca o Climatempo, foi o satélite Terra/MODIS, operado pela Nasa, que detectou uma grande quantidade de fumaça “vinda da Bolívia e de Rondônia” à caminho do sul do Brasil no dia 17 de agosto. A fumaça, antes concentrada do sul do país, teria ganhado Paraná e Mato Grosso do Sul e alcançado São Paulo no dia 19 de agosto – justamente quando a tarde ficou escura na capital paulistana. Você pode ver o caminho percorrido pela fumaça enquanto avançava pelo interior estado de São Paulo na imagem abaixo.

Avanço da fumaça pelo estado de São Paulo, captado pelo satélite Terra, da Nasa

Avanço da fumaça pelo estado de São Paulo, captado pelo satélite Terra, da Nasa (Terra/MODIS/Nasa/Reprodução)

O outro satélite da Nasa mobilizado na detecção de focos de incêndio, o Suomi NPP, usa o instrumento VIIRS para fazer suas imagens. A tecnologia está em órbita desde 2011 e, no último dia 20 de agosto, também registrou o deslocamento de fumaça captado pelo satélite Terra. É a imagem que você vê no início deste texto – ou no tweet abaixo.

NASA

@NASA

Smoke from wildfires in the #AmazonRainforest spreads across several Brazilian states in this natural-color image taken by a @NASAEarth instrument on the Suomi NPP satellite. Although it is fire season in Brazil, the number of fires may be record-setting: https://go.nasa.gov/2zbdf9f

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88,8 mil

19:23 - 21 de ago de 2019

Informações e privacidade no Twitter Ads

50,8 mil pessoas estão falando sobre isso

A imagem captada pelo Suomi NPP, que preserva as cores originais e mostra os efeitos da fumaça e das queimadas, tem foco em Amazonas, Mato Grosso e Rondônia – e apareceu em um artigo da Nasa desta quarta-feira (21), que você pode ler neste link. A nota da Nasa ressalta que “não é incomum observar queimadas no Brasil nessa época do ano, por conta de altas temperaturas e baixa umidade. O tempo dirá se o número de incêndios este ano será recorde ou ficará dentro do limite esperado”.

Como o texto da agência espacial americana ressalta, nem todos os incêndios (seja na Amazônia ou outro lugar) são causados pelo desmatamento. Por causa do calor e da falta de chuvas, focos espontâneos também podem despontar – sobretudo entre os meses de julho e agosto, quando o tempo é mais seco. Mas isso não justifica nada: atear fogo ainda é a principal maneira de se realizar a limpeza do terreno para a criação de pastos ou para o plantio da próxima safra.

Prova disso é que, de acordo com uma nota técnica do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) que usa dados coletados do Inpe, os dez municípios da Amazônia com mais focos de incêndio também tiveram as maiores taxas de desmatamento do período.

Estima-se que essas cidades “são responsáveis por 37% dos focos de calor em 2019 e por 43% do desmatamento registrado até o mês de julho”. O número de incêndios que aconteceram até agora, contando apenas a Amazônia, é 67% maior do que o ano de 2018 acumulou no mesmo período. Ainda segundo o Inpe, o mês de agosto foi o mais crítico: dois em cada três focos (65,1%) foram detectados no bioma da região norte do país.

Dados da Nasa e as queimadas no Brasil

Além das imagens dos satélites Terra e Suomi NPP, outro conteúdo produzido pela Nasa – em 16 de agosto – sobre os incêndios no Brasil ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias. Trata-se de uma nota do site do Earth Observatory, mantido pela agência espacial americana, de nome “Fires in Brazil”, que fala sobre imagens de incêndios no norte e centro-oeste do Brasil em 11 e 13 deste mês.

Por causa de imprecisões no texto, já corrigidas pela Nasa, o conteúdo virou argumento para quem afirma que a temporada de queimadas no Brasil está mais amena do que em anos anteriores. Antes das atualizações, o texto afirmava que o número de incêndios na Amazônia estava abaixo da média dos últimos 15 anos.

O texto destaca, agora, que “as observações de satélite mostram número de incêndios na Amazônia próximo à média em comparação aos últimos 15 anos”. E completa: “embora a atividade esteja acima da média no Amazonas e, em menor escala, em Rondônia, está abaixo da média nos estados do Mato Grosso e Pará, segundo a Global Fire Emissions Database, projeto que compila e analisa dados da Nasa”.

Artigo do site Earth Observatory, da Nasa, escrito em 16 de agosto, sobre queimadas no Brasil. Logo abaixo da imagem, nota-se uma menção sobre a atualização do conteúdo em 22 de agosto.

Artigo do site Earth Observatory, da Nasa, escrito em 16 de agosto, sobre queimadas no Brasil. Logo abaixo da imagem, nota-se uma menção sobre a atualização do conteúdo em 22 de agosto. (Nasa/Reprodução)

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A confusão aconteceu porque a fonte citada pela Nasa, a Global Fire Emissions Database, havia parado de reunir dados sobre queimadas em 2016. Além disso, seus cálculos consideravam não apenas a porção de Amazônia presente no Brasil, mas também as áreas de floresta que se estendem por Colômbia, Peru, Bolívia e outros territórios. Por conta dessas aproximações, esses dados dificilmente seriam tão precisos quanto os dados do Inpe, por exemplo, que são atualizados diariamente – e divididos por estado e país. A última atualização dos conteúdos de cada estado que consta na Global Fire Emissions Database foi feita em 28 de abril de 2019.

O equívoco de interpretação que o texto permitia fez com que, na tarde desta quinta-feira (22), a nota sobre o fenômeno fosse atualizada pela Nasa. Além de uma menção à extensão completa do bioma amazônico, foi incluída também a seguinte frase, entre parênteses: “Perceba que ainda que o título do gráfico mencione o ano de 2016, dados relativos a 2019 estão listados em todos os gráficos com uma linha verde. Passe o mouse pelo quadrado verde abaixo do gráfico para isolar os números de 2019”.

Captura de tela do site da Global Fire Emissions Database, atualizado na tarde de 22 de agosto

Captura de tela do site da Global Fire Emissions Database, atualizado na tarde de 22 de agosto (Global Fire Emissions Database,/Reprodução)

Quem acessa o site após atualização, como mostra a imagem acima, passou a observar um texto diferente do original – o mesmo aconteceu com os reloginhos que mostram a incidência de queimadas, que agora estão com o ponteiro no vermelho. O conteúdo destaca que fatores como as temperaturas de superfície (SSTs) no oceano Pacífico tropical e do Atlântico Norte na primeira metade de 2019 eram maiores do que a média detectada por satélites no período entre 2001 e 2015. Combinando as temperaturas nos dois oceanos, a Global Fire Emissions Database diz estimar um “alto risco de incêndios” para quase todas as regiões da Amazônia durante o período de secas de 2019. Segundo o banco, os estados de Amazonas e Pará são os que têm o maior risco. O site destaca, por fim, que suas estimativas feitas a partir do ano de 2016 “são preliminares, e precisam ser interpretadas com cautela”.


Superinteressante

As forças ocultas por trás da política do desmatamento

Uma herança ideológica da ditadura e uma teoria conspiratória sem cabimento talvez ajudem a explicar o descaso do governo com a Floresta Amazônica.

Por Claudio Angelo

(Reprodução/NASA)

Pouca gente se lembra, mas o Brasil começou a monitorar a Amazônia por satélite para poder destruí-la melhor. Eram os anos 1970, e a ditadura militar fazia sua grande intervenção na maior floresta tropical do mundo. O plano dos generais era mandar colonos nordestinos atingidos pela seca, os “homens sem terra”, para a “terra sem homens” amazônica.

Assim se cumpriria um duplo objetivo: aliviar a pressão social do Nordeste e povoar a região Norte, que representa mais de metade do território nacional e cujas riquezas em madeira e minérios supostamente despertavam enorme cobiça internacional. O lema dessa estratégia de ocupação era “integrar para não entregar”. Os colonos ganhariam terras na Amazônia, desde que cumprissem o pré-requisito de botar a floresta abaixo para formar pastagens. Sim. E para garantir que os donatários estivessem mesmo desmatando, os militares encomendaram ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em 1977, o sistema Prodes, que começou a dar taxas anuais de desmatamento em 1988.

Agora a relação entre Inpe, militares e Amazônia voltou a ocupar o noticiário. O governo de um capitão reformado do Exército, Jair Bolsonaro, passou a atacar o instituto porque seus sistemas de monitoramento estão fazendo o que foram feitos para fazer: medindo a destruição da Amazônia. Seu diretor, o físico Ricardo Galvão, foi demitido em agosto por dar a real sobre o aumento na velocidade dessa destruição.

O episódio expôs para o Brasil e o mundo a grande estratégia de Bolsonaro para a Amazônia. Como tudo no bolsonarismo, é uma estratégia trôpega: reafirmar a soberania entregando a floresta às forças responsáveis por sua aniquilação. Numa adaptação do lema da ditadura, o capitão quer “estragar para não entregar”. Jair Bolsonaro, afinal, foi eleito prometendo estimular os agentes do desmatamento e ativamente reduzir ou eliminar os fatores que o controlam: disse que iria “meter a foice no Ibama”, reverter a demarcação de terras indígenas e unidades de conservação e legalizar o garimpo. Para não deixar dúvidas sobre suas intenções, entregou o Ministério do Meio Ambiente a um condenado por fraude ambiental.

É difícil entender por que um presidente da República defenderia a predação da Amazônia. Muito menos por que faria disso um cavalo de batalha, atraindo para si o desgaste inevitável decorrente dessa posição – a revista britânica The Economist chamou o Jair de “o líder mais perigoso do mundo” para o ambiente. Os generais da ditadura pelo menos podiam dizer honestamente que não sabiam que suas políticas iriam dar ruim para a floresta.

O PIB agropecuário quase dobrou entre 2004 e 2012. E esse foi justamente o período em que o desmatamento caiu 80%

Bolsonaro insiste num discurso segundo o qual o desmatamento é o preço do crescimento econômico. Só que na Amazônia isso não faz nenhum sentido: mais de 90% do desmate ali é ilegal; grande parte dele está ligada ao crime organizado e à grilagem de terras. É destruição que não gera arrecadação nem empregos. Ao contrário, os municípios campeões de desmatamento estão entre os menores IDHs da Amazônia e do Brasil. E o oposto se verifica: o PIB agropecuário da região Norte quase dobrou no período em que o desmatamento caiu 80%, entre 2004 e 2012. O setor da soja convive muito bem, obrigado, com uma moratória à produção em novas áreas desmatadas na Amazônia em vigor desde 2006.

Como explicar a obsessão amazônica do presidente, então?

Talvez ele acredite mesmo que potências estrangeiras estão a fim de tomar a Amazônia do Brasil, como fantasiavam os governos militares. O ambientalismo tornou-se o avatar do inimigo imaginário externo desde o fim dos anos 1980, quando o reconhecimento científico do papel da floresta no equilíbrio do clima global levou a pressões contra o desmatamento. Uma série de declarações desastradas de líderes estrangeiros não ajudou a sossegar os ânimos soberanistas – de François Miterrand defendendo a “soberania relativa” do Brasil sobre ela a Al Gore dizendo que a Amazônia “é de todos nós”.

Paranoia extremista

Desde então, o céu tem sido o limite para as fake news sobre o tema: a história das aldeias indígenas onde só se fala inglês e agentes do Estado brasileiro não entram. A história do mapa-múndi pregado nas escolas dos EUA onde a Amazônia aparece como “território internacional”. A história de ONGs ambientalistas agindo a mando ora do príncipe Charles, ora dos criadores de gado franceses, ora dos sojicultores americanos.

As versões modernas desse delírio vêm de autores de extrema-direita. É o caso do jornalista mexicano Lorenzo Carrasco, coautor de um livro chamado Máfia Verde – o Ambientalismo a Serviço do Governo Global.

Um post de Carrasco quase tirou o Brasil do acordo do clima de Paris, que o mundo levou uma década para negociar. Ele tratava do chamado Corredor Triplo A, uma proposta de criar conectividade entre áreas florestais já protegidas numa faixa que vai do Amapá até a Colômbia (abarcando Andes, Amazonas e Atlântico).

O mexicano inventou que o corredor fazia parte de um plano da Coroa britânica para internacionalizar a Amazônia. Como o presidente colombiano Juan Manuel Santos declarou numa entrevista que aproveitaria a COP21, a conferência do clima de Paris, para discutir o tema com outros presidentes sul-americanos, em 2015, criou-se a lorota de que o Acordo de Paris pressupunha a internacionalização da Amazônia.

Ao beber das teorias conspiratórias, Bolsonaro mergulha toda a discussão sobre Amazônia num caos arranjado para evitar qualquer política pública ou qualquer atuação do terceiro setor – o que é um problema grave, já que, frequentemente as ONGs são o único meio de interlocução das populações amazônicas com as políticas do Estado.

Enquanto isso, liberam-se as forças predatórias e o crime organizado, associado aos poderes locais, para empreender a rapinagem na floresta. E o resultado é essa escalada nas taxas de desmatamento. O irônico é que, ao queimar as árvores, o Brasil está, sim, internacionalizando a Amazônia. Do pior jeito: transformando-a em gás carbônico, que aumenta as temperaturas no mundo inteiro.


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A loja funciona de quarta a  domingo a partir das 10 horas.

Lula financiou 'rolê' de Dilma na Bahia com dinheiro sujo

Lula financiou 'rolê' de Dilma na Bahia com dinheiro sujo

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Palocci afirma que dinheiro da ‘conta’ Lula pagou passeio de Dilma.

Antonio Palocci afirmou ter usado R$ 250 mil da “conta” de Lula acertada com André Esteves dono do banco BTG Pactual,para pagar as despesas de uma viagem de Dilma para Itacaré, na Bahia.

Na ocasião, segundo depoimento de Palocci à Polícia Federal (PF), Dilma se hospedou na mansão alugada do empresário João Paiva Neto.

“O colaborador usou parte desses recursos, cerca de R$ 250 mil, para arcar com despesas da viagem de descanso que Dilma Rousseff fez após vencer a eleição em 2010”, diz trecho do termo de delação anexado nos autos da Operação Pentiti.

Em conclusão o ex- ministro também afirmou que na campanha de 2010, Esteves buscava se aproximar de Dilma e prometeu dar R$ 15 milhões a Lula e em favor de sua campanha, segundo o jornal Estadão.

“Dilma Rousseff foi informada das intenções de André Esteves expostas a Antonio Palocci e do apoio financeiro por ele prometido e efetivamente dado, inclusive quanto a seu emprego para quitação dos custos com a viagem da então presidente eleita”, acrescentou Palocci.

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Publica Brasil

Giro Veja: Macron oferece ajuda do G7 para Amazônia e Bolsonaro ataca líder francês

Publicado em 26 de ago de 2019

#VEJA #GIROVEJA
Presidentes do Brasil e da França voltam a trocar farpas em público
Os presidentes da França, Emmanuel Macron, e do Brasil, Jair Bolsonaro, voltaram a se atacar nesta segunda-feira, 26, por causa das queimadas na Amazônia. Após o grupo de sete potências mundiais anunciarem a liberação de 20 milhões de euros em auxílio emergencial para combater as queimadas na floresta, Bolsonaro desdenhou da ajuda oferecida e disse que a oferta disfarça outras intenções do francês. Macron afirmou que o comportamento do brasileiro foi ‘triste’ e ‘extremamente desrespeitoso’. O chefe de estado da França disse ainda esperar que os brasileiros tenham rapidamente ‘um presidente que esteja à altura do cargo’.
O problema das queimadas na Amazônia também pode afetar o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Integrantes do seu partido, o Novo, pediram a suspensão dele do quadro de filiados enquanto a sigla analisa se expulsa o ministro definitivamente pela sua atuação à frente da pasta, que, de acordo com alguns membros do partido, ‘gera dano e à imagem e à reputação do Novo’.
O Giro Veja também fala sobre a liberação da primeira parcela do 13º para aposentados, pensionistas e outros beneficiários. A parcela é paga junto com a folha de benefícios de agosto, e cerca de 30 milhões de beneficiários terão direito a esse dinheiro. O programa aborda ainda o caso de homofobia nas arquibancadas de São Januária durante a partida entre Vasco e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro.

Bolsonaro tem 53,7% de reprovação, aponta pesquisa

Pesquisa também revelou que a pior ação do governo em oito meses, conforme a população, foi o decreto das armas (Foto: Isac Nóbrega/PR)

26 de agosto de 2019 Capa – Caderno 1, Notícias, Política

O desempenho pessoal do presidente Jair Bolsonaro voltou a cair, conforme pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (26). O índice de desaprovação aumentou consideravelmente desde a pesquisa feita em fevereiro, quando o percentual estava em 28,2%. Na edição divulgada hoje, o chefe do Executivo foi desaprovado por 53,7% dos entrevistados.

O indicativo de aprovação, por sua vez, caiu. No início do ano, 57,5% diziam aprovar o governante; agora, o índice está em 41%. Dos entrevistados, 5,3% não quis ou não soube responder à pergunta.

Com relação ao governo como um todo, a reprovação também aumentou. Foram 20 pontos percentuais de diferença entre fevereiro, quando a taxa de avaliação negativa era de 19%, e agosto, que revelou 39,5% de desaprovação do conjunto de governo de Bolsonaro. Enquanto isso, a avaliação positiva passou de 38,9% em fevereiro para 29,4% em agosto.

A pior ação do governo em oito meses foi o decreto das armas, conforme 39,1% dos entrevistados. Além disso, sete em cada dez brasileiros afirmaram que a indicação do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para embaixador dos Estados Unidos foi uma escolha inadequada.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro também foi alvo das pesquisas. Para 52% dos entrevistados, o juiz não deve deixar o cargo. Outros 35,3% avaliaram que ele deveria sair do governo.

A pesquisa contou com 2.002 entrevistas entre os dias 22 e 25 de agosto em 137 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.


O Sul

Dias após ser entregue revitalizado, Largo dos Açorianos é alvo de pichações

Na tarde desta segunda, equipes faziam limpeza dos locais pichados. (Foto: Divulgação/Twitter @curtaramiro)

26 de agosto de 2019 Capa – Caderno 1, Geral, Geral, RS

Dias após a Prefeitura entregar à população o Largo dos Açorianos, no Centro de Porto Alegre, totalmente revitalizado, vândalos picharam, nesta segunda-feira (26), paredes do viaduto e bancos de concreto. Os locais foram riscados de tinta vermelha.

O secretário municipal de Serviços Urbanos, Ramiro Rosário, publicou nesta tarde, em seu perfil oficial no Twitter, que equipes já estavam fazendo a limpeza do local e que a secretaria “não irá se curvar ao vandalismo”.




As obras de revitalização foram inauguradas na última quinta-feira (22), com a presença do prefeito Nelson Marchezan Júnior.

Iniciada em 2016, o custo da obra ficou em R$ 5,6 milhões – R$ 700 mil a mais do que o previsto inicialmente. A área conta com 18 mil metros quadrados.


O Sul