Conheça o complexo orbital capaz de reciclar satélites, hospedar turistas e até reabastecer missões espaciais para outros planetas.
Por A. J. Oliveira
(Robin Lynne Gibson/Getty Images)
Temos chamado a atenção para o grave problema do lixo espacial diversas vezes aqui na SUPER ao longo dos últimos anos. E não é à toa que batemos tanto nesta tecla. Há 22 mil objetos grandes e milhões de pequenos pedaços de metal girando em volta do planeta, sendo que muitos deles não passam de lata velha. A órbita da Terra está cada vez mais parecida com um lixão, com satélites e estações espaciais de grande valor correndo perigo.
Algumas ideias e tecnologias estão sendo desenvolvidas com o intuito de encarar a questão no futuro próximo — a maioria delas consiste em espaçonaves que possam capturar o lixo espacial e fazê-lo queimar na atmosfera. Mas um grupo internacional de pesquisadores se uniu em torno de um projeto diferente: a construção de um complexo orbital multifuncional para fazer a reciclagem do material que está lá em cima. E muitas outras atividades.
Batizada de Gateway Earth (algo como “Portal Terra”), a estrutura prevista para começar a operar em 2050 será como a Estação Espacial Internacional. Só que, em vez de focar na ciência, seu objetivo principal é prestar serviços à crescente frota de satélites na órbita terrestre, abrigar turistas espaciais e servir como parada estratégica para espaçonaves a caminho da Lua e dos planetas. Ela ficará 100 vezes mais longe da Terra que a ISS.
A ideia é posicionar o complexo na chamada órbita geoestacionária: um cinturão a 36 mil quilômetros da superfície onde os objetos giram em sincronia com a rotação terrestre. É o ponto ideal para satélites de telecomunicação ou de previsão do tempo, já que eles ficam 100% do tempo acima de uma única porção territorial. Essa órbita é mais conhecida como GEO — não é tão poluída quanto a órbita baixa (LEO), mas está começando a ficar.
Destruir o lixo espacial na LEO é relativamente mais fácil que na GEO, que está muito mais distante da atmosfera terrestre e seu poder incinerador. Lá, o que os operadores costumam fazer é deslocar os satélites no fim da vida útil por 300 km ou 400 km até um “cemitério”. Mas 20% deles não consegue chegar nessa zona de proteção a tempo — são o foco do Gateway Earth. Estima-se que esses serviços abram um mercado de US$ 8 bilhões anuais.
Satélites funcionais podem ser reparados ou reabastecidos. Quando eles viram lixo, são trazidos até a estação para reaproveitamento de peças valiosas, como câmeras e painéis solares. O restante do metal pode ser reciclado para produzir espaçonaves ou facilitar a construção de bases lunares, por exemplo, com material gerado no próprio espaço. Sem os custos dos lançamentos de foguetes, toda a operação deve se tornar bem mais barata.
Um dos motivos que fazem do Gateway Earth um entreposto realmente estratégico para a exploração espacial é sua localização: a órbita geoestacionária marca o fim do grande poço gravitacional terrestre. Ir dali até a Lua ou rumo aos planetas é muito mais fácil, como planar de asa delta. Ter um complexo capaz de, além de consertar satélite, fabricar produtos e veículos neste ponto do espaço pode fazer toda a diferença.
Estudo sugere que seres em mundos que orbitam estrelas anãs vermelhas usariam a biofluorescência para se proteger da forte radiação das erupções solares
Por A.J. Oliveira
(Mordolff/Getty Images)
Achar vida fora da Terra é uma das tarefas mais fascinantes (e ingratas) da ciência moderna. Pense na dificuldade de encontrar criaturas habitando mundos a anos-luz daqui. E não é só isso: nada garante que a vida alienígena siga a fórmula da vida como a conhecemos, à base de carbono e de água. É como procurar uma agulha feita de material desconhecido em um palheiro.
Recentemente, pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, tiveram um novo insight que pode ser útil nessa árdua busca. Eles imaginaram como organismos vivendo em mundos que orbitam estrelas anãs vermelhas sobreviveriam às intensas rajadas de radiação que, de tempos em tempos, elas ejetam em terríveis erupções. Justamente por estarem submetidos a doses elevadíssimas de raios ultravioleta, tais seres iriam precisar de algum tipo de mecanismo protetor. E, para eles, a biofluorescência cairia como uma luva.
Além de blindá-los contra os efeitos nocivos da radiação, a reação luminosa pode se tornar tão forte durante as erupções a ponto de ser tranquilamente identificável mesmo de outro sistema solar. Basta ter um telescópio potente o bastante para captar o brilho. E, para nossa sorte, dentro de poucos anos, instrumentos desse porte estarão em funcionamento.
Nova forma de busca
“É um jeito completamente novo de procurar vida no Universo. Apenas imagine um mundo alienígena brilhando suavemente em um telescópio poderoso”, disse em um comunicado o astrônomo líder da pesquisa, Jack O’Malley-James, pesquisador do Instituto Carl Sagan, em Cornell. Os cientistas não precisaram ir longe para entender como seria esse brilho – foi só olhar para corais que usam o mesmo mecanismo para suavizar a radiação UV do Sol.
Eles convertem os raios ultravioleta em luz visível, criando o belo efeito brilhante. “Essa biofluorescência pode expor biosferas escondidas em novos mundos através de seus brilhos temporários, quando a erupção de uma estrela atinge o planeta”, disse a astrônoma Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan e co-autora do artigo publicado nesta terça (13), no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Os pesquisadores analisaram as emissões dos pigmentos fluorescentes mais comuns dos corais da Terra para criar modelos simulando como eles se comportariam em mundos de anãs vermelhas (nosso Sol é uma estrela amarela, maior e mais brilhante que elas). Eles estimaram a força do sinal e se ele poderia ser usado como bioassinatura — marcador biológico que aponta a presença de vida. Tudo indica que a técnica será testada pela próxima geração de telescópios gigantes, de solo e espaciais, nas duas décadas daqui para frente.
Um candidato promissor é Proxima b, mundo potencialmente habitável detectado em 2016 orbitando a anã vermelha Proxima Centauri, a estrela mais próxima da Terra, distante só 4,2 anos-luz daqui. “Essas maravilhas luminescentes estão entre as nossas melhores apostas para achar vida em exoplanetas”, diz O’Malley-James. Seria incrível se, além de finalmente descobrirmos vida alienígena, achássemos de quebra um planeta que brilha no escuro.
"Terrascópio" se aproveita do efeito refrator da atmosfera para ampliar os objetos celestes – um telescópio de solo equivalente custaria US$ 35 bilhões.
Uma crise silenciosa ameaça o futuro da pesquisa astronômica. É que, para manter o extraordinário progresso que as últimas décadas trouxeram ao entendimento do Universo, os astrônomos precisam enxergar melhor e mais longe. E não tem jeito: isso implica na construção de telescópios cada vez maiores e mais sofisticados. Mas a complexidade e o preço estratosférico desses projetos colocam em xeque sua viabilidade.
Só uma Nasa da vida tem orçamento grande o bastante para pagar US$ 10 bilhões pela construção do magnífico telescópio espacial James Webb, que deve suceder o Hubble em 2021 com seu espelho de 6,5 metros de diâmetro (o do Hubble mede 2,4 m). Não sem muitos atrasos no cronograma, é claro. Mesmo a próxima geração de telescópios de solo (isto, localizados na superfície da Terra, e não em órbita) está enfrentando terríveis desafios para obter financiamento e tocar as obras em dia.
Tanto o Telescópio Gigante de Magalhães (GMT), que terá espelho de 30 metros, quanto o Telescópio Extremamente Grande (ELT), cujo diâmetro será de 39 metros, vão custar mais de US$ 1 bilhão. Ambos estão em construção no deserto do Atacama, no Chile. Ou seja: para a astrofísica seguir avançando, será preciso usar a criatividade e projetar instrumentos que sejam potentes sem serem tão caros. É o que promete uma pesquisa recente.
Em um artigo aceito para publicação no periódico Publications of the Astronomical Society of the Pacific e com manuscrito disponível no banco arXiv, o astrônomo David Kipping, da Universidade de Columbia, em Nova York, descreve um conceito inovador para realizar observações do Universo. O plano é usar a atmosfera terrestre como uma lente gigante capaz de ampliar corpos celestes localizados a centenas, milhares, milhões ou até bilhões de anos-luz daqui.
Já que o custo de construir lentes e espelhos colossais é proibitivo, aproveitar estruturas e processos naturais que cumpram o mesmo papel é uma grande ideia. E ela não é nova, por sinal. Einstein já havia previsto há mais de um século que a gravidade de objetos com muita massa como o Sol ou um aglomerado de galáxias provoca desvios na luz de estrelas ainda mais distantes que cruzam com eles. São as chamadas lentes gravitacionais.
Astrônomos usam o fenômeno há décadas para observar regiões longínquas do Universo. Kipping propõe fazer algo parecido com a Terra: tirar proveito da refração que a atmosfera provoca em raios de luz que a atravessam para usá-la como a lente gigante de um instrumento com dimensões verdadeiramente planetárias. Bastaria posicionar um telescópio espacial mais ou menos na distância lunar, o ponto focal do “terrascópio”, para que ele capte a luz refratada.
Mais especificamente, a espaçonave deveria apontar constantemente para a Terra a uma distância de 360 mil quilômetros — um pouco mais perto que a Lua. Ela não precisaria de um espelho tão grande. Bastaria um diâmetro de um metro para ampliar 45 mil vezes a luz dos astros em foco após um tempo de exposição de 20 horas. Grosso modo, colocar a atmosfera da Terra entre o telescópio e a estrela sendo observada é como colocar óculos ou uma lupa na frente dele. Tamanha potência só seria equiparada por um telescópio de solo com inimagináveis 150 metros de diâmetro.
Kipping calculou que um ainda menor, de 100 metros, custaria US$ 35 bilhões para ser construído. Essa quantia supera os orçamentos de 2018 da NASA e da Fundação Nacional da Ciência (NSF), dos EUA, combinados. Ou seja: o terrascópio é a única saída. Mas não pense que construi-lo seria moleza. Há diversos desafios no projeto, a grande maioria tem a ver com a dinâmica peculiar da lente atmosférica. Apesar de quebrar um galhão, ela está longe de ser perfeita.
A começar pelo fato de sua densidade variar conforme a altitude: quanto mais para o alto, menos espessa ela se torna. Logo, a luz que atravessa a atmosfera superior sofre menos refração que aquela que cruza a parte inferior. Como as nuvens absorvem luz, é preciso ajustar o terrascópio para que colete apenas fótons que penetram só 14 quilômetros na atmosfera — e não passam nem perto da camada de nuvens.
Outros problemas que devem ser levados em conta envolvem a absorção específica de determinadas frequências pelas moléculas dos gases, além do fato de a atmosfera contrair ou expandir de acordo com variações na temperatura. Toda lente tem suas imperfeições. Mas Kipping estudou a fundo esses e muitos outros aspectos, e está convicto de que o terrascópio tem futuro. Agora só falta a NASA comprar a ideia.
Apesar de ser o principal ponto de conversão da loja, os provadores não costumam receber o cuidado que deveriam. Uma realidade que preocupa, já que 74% dos consumidores afirmaram usar o provador sempre antes de uma compra, conforme pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo – Abiesv, realizada pela Qualibest.
O que importa Os itens mais importantes no espaço para experimentação dos produtos apontados pelos entrevistados foram: espaço amplo (30%), boa iluminação (20%), ventilação (18%), vários espelhos (15%), cabideiro (11%) e poltrona (7%). De acordo com o consultor de varejo Bob Phibbs, compradores que usam o provador tem sete vezes mais chance de comprar do que os que não usam.
Estratégia É grande a quantidade de pessoas que vai fazer compras acompanhada (especialmente no vestuário feminino), por isso é essencial pensar onde elas vão ficar durante o uso do provador. O ideal é que seja bem próximo (ou dentro da área reservada) dos provadores. Do contrário, garanta um sofá o mais perto possível.
Holofotes Mais do que permitir que a pessoa se veja, a iluminação pode elevar ou acabar com o potencial do produto. A luz adequada é a que vem da frente do cliente, mas sem cegá-lo. Pode ser de trás do espelho, por exemplo, mas nunca de cima ou das costas. Uma iluminação mal pensada cria sombras indesejadas e mostra muito mais defeitos, desviando a atenção do que mais importa ali: a peça.
Cores fiéis Ainda sobre iluminação, é importante escolher lâmpadas que não deformem as cores. Para isso, preste atenção no IRC – o Índice de Reprodução de Cor –, que vai de 0 a 100. Esse índice mede a fidelidade de cor que a iluminação reproduz nos objetos. O ideal é instalar lâmpadas com IRC entre 80 a 100, independentemente da temperatura de cor.
E mais:
Climatização O provador deve estar um pouco mais frio do que a loja, mas não demais, e a temperatura depende da época do ano.
Tamanho O indicado é, no mínimo, um metro quadrado. Já lojas de vestidos ou infantis exigem mais, pois pode ser preciso ajuda para vestir.
Segurança Escolha cortinas que realmente bloqueiem a visão de fora e que cubram todo o espaço. _______________
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REFORMA TRIBUTÁRIA - A PROPOSTA HAULY XVIII- 216/18 - 21.08.2019
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REFORMA TRIBUTÁRIA
Dias atrás publiquei a minuciosa análise feita pelo Instituto Atlântico, através do pensador Paulo Rabello de Castro, da PEC 45/2019 de REFORMA TRIBUTÁRIA, defendida pelo deputado Baleia Rossi. Agora, Rabello de Castro apresenta a análise da PEC 110/2019, defendida pelo ex-deputado Luiz Carlos Hauly, a qual, diga-se de passagem, esteve próxima de ser votada, em 2018, no governo Temer. Eis alguns tópicos:
PROPOSTA HAULY
No item que trata da -FINALIDADE E METAS DA REFORMA TRIBUTÁRIA -, no texto anterior definimos que a grande FINALIDADE de uma reforma tributária é DESTRAVAR E IMPULSIONAR A ECONOMIA BRASILEIRA. Neste ponto -comparativo- há consenso. Da mesma forma há razoável convergência quanto às METAS, que devem orientar o Congresso reformador do nosso sistema tributário capenga.
TRÊS METAS
As três METAS: SIMPLIFICAÇÃO, COMPETIÇÃO E DESONERAÇÃO. O objetivo da reforma é alcançar um sistema tributário que se possa reconhecer como SIMPLES (ai entendido o conceito arquitetônico de simplicidade, segundo Frank Lloyd Wright – arquiteto norte-americano -, de que simples é aquilo que obedece ao equilíbrio do conjunto), e também ser um sistema COMPETITIVO, ou seja, eleger um conjunto de tributos que não perturbe a vantagem competitiva de quem produz e a facilidade de quem investe, usa ou consome e, finalmente, é buscar se chegar a uma carga tributária DESONERADA, portanto suportável para quem paga, aplicando-se efetivamente o princípio da capacidade contributiva, equalizando os contribuintes segundo um sistema tributário progressivo, e não regressivo como hoje se apresenta.
Se nada disso for possível, melhor manter o manicômio tributário como está porque, com este, estamos acostumados.
GRANDE ARQUITETURA DA PROPOSTA HAULY
O relator Luiz Carlos Hauly fez questão de definir e abraçar a META DE SIMPLIFICAÇÃO e dela fazer sua bandeira maior na tarefa reformista. Ele aponta nada menos do que oito categorias tributárias, de âmbito federal, que pretende eliminar na reforma (IPI, IOF, CSLL, PIS e Pasep, Cofins, Salário-educação e CIDE-combustíveis). No âmbito estadual, propõe eliminar o ICMS e, no municipal, extingue o ISS, ambos por aglutinação ao novo IBS.
Hauly também dá à PLH uma orientação “ORGÂNICA”, ao almejar uma visão de conjunto da arquitetura tributária nacional, algo de que carece a versão PBR de reforma. Organicamente, lembra Hauly, a tributação da renda deve estar na órbita FEDERAL, assim como a do consumo ficará na órbita ESTADUAL, embora incorporando vários tributos federais e municipais com fatos geradores correlatos, como faturamento, fabricação e prestação onerosa e, finalmente, a propriedade, em suas diversas modalidades, terá sua tributação situada no âmbito local, portanto, MUNICIPAL.
O percuciente Relator propõe REALINHAR o monstrengo tributário atual aos princípios dos melhores sistemas em vigor no resto do mundo, nos países mais avançados; quer que o Brasil se alinhe competitivamente às nações mais eficientes e fique em paridade com países que arrecadam sem maltratar demais os contribuintes. Concordamos e aplaudimos a preocupação do Relator em “não criar novas jabuticabas”!
ESFERA FEDERAL
Na visão de Hauly, o imposto sobre a renda pertence sobretudo à esfera federal, pois o fato gerador “renda” é a manifestação máxima do resultado produtivo de cada pessoa e da Nação como um todo (daí o conceito de produção interna bruta, ou PIB). Ao governo federal cabe acompanhar a evolução da renda de todos e de cada um, seja nas pessoas física ou jurídica; transferir renda para quem dela, justificadamente, carece; reequilibrar as rendas capturadas por regiões e localidades distintas; e harmonizar o impacto do imposto entre os que têm mais e quem tem menos ou quase nada.
Por isso, a PLH propõe manter o IR no âmbito federal, embora com arrecadação compartilhada (aspecto de que, data venia, discordamos) e, assim também, deixar com a União as tarefas de pagamentos previdenciários e assistenciais do Estado brasileiro. Para simplificar mais, Hauly incorpora a CSLL ao IRPJ, sem maiores detalhes. A PLH também deixa para a legislação complementar definir se a receita antes oriunda da CSLL, que será parte do IR, será compartilhada com Estados e Municípios. Neste caso, a partilha deveria ser objeto de alguma compensação à União, embora tal não seja discutido na PLH. Essa omissão poderá gerar controvérsia futura, embora haja solução para isso no bojo de uma oportuna redistribuição de competências tributárias que comentaremos ao final.
ESFERA ESTADUAL
Prosseguindo, a PLH enfrenta com bastante atenção o clamor por simplificação do vasto excesso de tributação, sobretudo na indústria, onde uma enorme carga recai sobre o fabricante, mas também sobre o comerciante e o prestador de serviço.
Quem ainda ousa fabricar algo no Brasil é sobrecarregado por IPI, uma excrescência tributária de origem colonial, remontando ao tributo lusitano ao ouro e à açúcar da cana, de modo semelhante ao tributo inglês ao chá e ao tabaco, nas colônias britânicas da América.
Não faz sentido a oneração da produção, tomando a industrialização como fato gerador de um imposto. Deve-se tributar o resultado da produção, se e quando positivo.
Tributa-se também o consumo, derivado da produção efetivamente comercializada. Surge daí o novel tributo, IBS, que vem de se aplicar um imposto à aquisição final de um bem (tangível ou intangível) ou de um serviço, de modo transparente e simplificado, com alíquota, se possível, uniforme. O conceito do IBS se casa perfeitamente com a noção de um tributo incidente no destino final da mercadoria ou serviço, embora se admita um compartilhamento discreto com a origem da produção. As etapas intermediárias de incidência do IBS vão gerando créditos sucessivos a quem adquire o bem ou serviço, menos para quem é o consumidor final. Este é quem paga, conforme sua capacidade de consumo.
PARTILHA CRUZADA
Os três níveis de governo – federal, estadual e municipal – repartirão entre si a arrecadação do tributo IBS, que tem a nobre incumbência de financiar toda a máquina pública e seus encargos financeiros nas três esferas de governo.
Do ponto de vista de competência constitucional, contudo, Hauly preferiu manter o IBS na esfera estadual. Mas é um imposto, essencialmente, da Federação. Sua legislação não mais derivará de cada Estado, e sim, integralmente, do Congresso Nacional. E o IBS terá sua receita compartilhada (“a partilha cruzada”) entre a União, Estados, DF e Municípios.
A arrecadação do IBS será como a taxa de condomínio que todos os brasileiros – de acordo com sua capacidade de consumo - pagarão para financiar as despesas dos três “síndicos” do edifício Brasil: os governos federal, estadual e municipal. (E haja síndicos!)
Tal compartilhamento será, de longe, o mais difícil desafio de gestão na partilha de receitas pela reforma PLH, pois nenhum ente federativo vai querer perder (todos prefeririam ganhar...). As receitas de todos os tributos zumbis serão aglutinadas no IBS. Mas, afinal, qual será a repartição justa, que não vai tirar de uns para dar a outros, que não irá gerar perdas nem ganhos extras de arrecadação aos participantes e que, portanto, se pode dizer uma PARTILHA NEUTRA? A neutralidade na partilha, face às arrecadações do novo tributo, é condição fundamental para a aceitação política do IBS. Nenhum ente federativo pode estar sequer ameaçado de perdas de receita diante da crise fiscal enfrentada por Estados e Municípios. A PROPOSTA -HAULY- pretendeu dar uma resposta objetiva para tal questionamento mas, a nosso ver, ficou a meio caminho de gerar segurança sobre a Neutralidade na repartição do IBS.
No capítulo que trata da Transição do antigo para o novo sistema, a PROPOSTA -HAULY- revela que se imaginava calcular uma determinada participação de cada ente federativo, de modo a cada um manter seu “quinhão” na arrecadação “... nos mesmos moldes dos anos anteriores, evitando-se perdas com o novo modelo”. Só que este método de repartição não chega até o nível da extração de uma Nota Fiscal Eletrônica (NFE) por qualquer empresa localizada neste ou naquele Estado ou Município. O relator preferiu, então, adotar o modelo de “convivência” entre tributos novos e moribundos que é a mesma alternativa (duvidosa) oferecida no bojo de outra proposta, a PBR.
FLAGSHIP FLORENSE SEDIA EXPOSIÇÃO “BRASIL TUPI” EM SÃO PAULO -Com curadoria de Lilian Pacce e organização do Brazil S/A, 21 artistas e designers apresentam versões pessoais da popular rede de dormir, peça icônica herdada da cultura indígena, protagonizando a exposição “Brasil Tupi”. O evento, que acontece durante toda esta semana na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, é uma das grandes atrações do Design Weekend São Paulo 2019.
O principal endereço da mostra é a recém-inaugurada e superbadalada FLAGSHIP FLORENSE, patrocinadora Master da exposição, onde são exibidas 12 redes, criadas por Alê Jordão, Estúdio Mula Preta, Falcão, Glória Pires, Henrique Steyer, Jader Almeida, Morena Leite, Patricia Bonaldi, Paulo Alves, Ronald Sasson, Sig Bergamin e Vic Meireles.
Lilian Pacce lembra que, nos primórdios, as redes eram feitas com cipó, depois surgiu o algodão e hoje já existem versões em diversos materiais. E é justamente esse o intuito da exposição “Brasil Tupi”: mostrar como o design pode transformar peças icônicas através do olhar criativo de artistas. "O tempo passou, mas a rede continua parte do mobiliário de muitos lares em todo o Brasil, principalmente no Nordeste”, observa a curadora.
LIBERDADE ECONÔMICA EM RISCO - ATENÇÃO - A MP de Liberdade Econômica está em risco! Os cartórios, através do deputado Celso Russomano e da bancada do PRB, querem alterar o texto para impedir a extinção de uma burocracia cartorária em registros de sociedades. Se isso acontecer, o texto teria que voltar à Câmara e, como consequência, o governo considera que isso significaria que a MP caducaria, pois não há tempo para reanálise no plenário da Câmara. Precisamos salvar a MP de Liberdade Econômica.
FRASE DO DIA
No fundo, não há bons nem maus. Há apenas os que sentem prazer em fazer o bem e os que sentem prazer em fazer o mal. Mário Quintana