A Intentona coroada

Felipe Melo
O dia 9 de novembro marca o aniversário da queda do Muro de Berlim. Por anos, esse muro foi a materialização de uma realidade que se tentava manter oculta para o resto do mundo – a adoção deliberada de repressão, patrulhamento, escassez, fome, perseguição e extermínio como políticas de Estado nos países comunistas. As notícias enviadas do outro lado da Cortina de Ferro eram aterradoras. Os vinte e seis anos da queda desse muro da vergonha deveriam ser motivo para manter viva a memória de todas as tragédias, coletivas e particulares, provocadas pelo comunismo. Mas há quem prefira, ao contrário, louvar a ideologia mais mortífera do século XX.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) promoverão, entre os dias 18 e 21 de novembro, um seminário de comemoração da Intentona Comunista. A Intentona, também conhecida como Revolução Vermelha de 1935, foi uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas levada a cabo pela Aliança Nacional Libertadora, organização de matiz socialista liderada por Luís Carlos Prestes – que havia, na década de 1920, liderado outra revolta, de caráter tenentista, conhecida como Coluna Prestes. De acordo com o portal da UFRN, a Intentona ensejou grande repressão por parte do governo Vargas e "o início de um anticomunismo ainda muito presente na sociedade brasileira". A historiografia oficial nos conta que o objetivo desse movimento golpista era derrubar Vargas. No entanto, a Intentona começou a ser gestada muitos anos antes de Getúlio assumir o poder.
REVOLUÇÃO TIPO EXPORTAÇÃO
Com a vitória da Revolução Bolchevique de 1917, a liderança do Partido Comunista Russo, então liderado por Vladimir Lênin, enxergou a premente necessidade de organizar formalmente os esforços de todos os partidos comunistas do mundo para promover a revolução global. Desse modo, em 1919, foi criada a Internacional Comunista (Comintern) com o objetivo de concertar esforços, táticas e ações dos partidos comunistas de todo o mundo com o objetivo de tomar o poder em seus respectivos países e neles implantar a ditadura do proletariado. O Comintern, teoricamente, pautava-se pelo chamado "centralismo democrático", onde questões programáticas eram objeto de discussão dos grupos internos da organização comunista. Na prática, esse princípio de organização leninista, que fingia ser uma espécie de fórum democrático em que debates abertos orientavam as diretrizes dos partidos comunistas, era falso: tudo era decidido pelo Partido Comunista da União Soviética (PCUS– e, em última instância, por seus homens fortes.
Em 1922, entre os dias 5 de novembro e 5 de dezembro, ocorreu em Moscou o IV Congresso Mundial do Comintern. Partidos comunistas de 58 países enviaram delegados, sendo 343 o número de delegados votantes. Sob a presidência de Lênin e Leon Trotsky, o IV Congresso contou com a presença de personalidades comunistas importantíssimas, como o italiano Antonio Gramsci. No entanto, um dos destaques do congresso foi um ilustre desconhecido: Antônio Bernardo Canellas, delegado do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Canellas ficou famoso no contexto do IV Congresso por pedir um aparte no meio de um discurso Trotsky – o chefe do Exército vermelho chamaria o brasileiro de "o fenômeno sul-americano".
O POTENCIAL COMUNISTA DOS TRÓPICOS
Durante o IV Congresso do Comintern, Canellas apontou a necessidade da criação de um órgão que tratasse especificamente da América Latina. A proposta foi submetida a votação, e contou com o entusiasmado apoio de Antonio Gramsci. Surgiu, assim, o Secretariado Latino do Comintern, submetido à autoridade do recém-criado Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC). Em 1925, ocorreu o V Congresso do Comintern, do qual surgiu o Secretariado para a América do Sul, com sede em Buenos Aires. Seu principal órgão era o Escritório de Propaganda do Comintern para a América do Sul, chefiado por Abilio de Nequete, fundador e primeiro secretário-geral do PCB. Em 1927, saía a primeira edição do La Correspondencia Sudamericana, jornal do Secretariado para a América do Sul, cujo editor era o argentino Rodolfo Ghioldi.
O VI Congresso do Comintern ocorreu em julho/agosto de 1928. Com o relato do sucesso das atividades do Secretariado para a América do Sul, foram eleitos sete membros latino-americanos para o CEIC – dentre eles, Rodolfo Ghioldi e o brasileiro Astrojildo Pereira, membro-fundador do PCB. Essa eleição dava proeminência considerável ao secretariado, o que representava a importância da América Latina para o Comintern e, portanto, para Moscou.
Nesse ínterim, Prestes havia liderado seu frustrado levante dos anos 1920 e, junto com outros revolucionários, exilou-se na Bolívia. Em 1928, conheceu Ghioldi, sendo recrutado pelo argentino para as fileiras do Comintern. A partir desse ano, passou a receber treinamentos específicos para a organização de uma revolução comunista no Brasil. Em 1930, retornou para o País, instalando-se clandestinamente em Porto Alegre. No ano seguinte, a convite do governo soviético, mudou-se para Moscou, onde sua formação ganhou profundidade e amplitude. Sua importância estratégica para o Comintern era tamanha que, ao voltar para o Brasil, em 1934, veio acompanhado de dois importantes agentes da Internacional Comunista: os alemães Olga Benário (que, depois, seria mulher de Prestes) e Arthur Ernest Ewert, oficial da NKVD (serviço secreto que precedeu a KGB).
O "CAVALEIRO DA ESPERANÇA" CONTRA-ATACA
Em agosto de 1935, ocorreu o VII Congresso do Comintern, o último antes de sua dissolução. Georgi Dimitrov, Secretário-Geral do CEIC, determinou, dentro da estratégia de "frentes populares" – organizações de massa de caráter teoricamente anti-fascista –, que o PCB apoiasse a criação da Aliança Nacional Libertadora (ANL) tendo, por presidente, Luís Carlos Prestes. O papel da ANL seria o de promover uma sublevação armada no Brasil que tinha por objetivo a implantação de uma ditadura do proletariado a soldo de Moscou. Para tanto, era necessário organizar um discurso de caráter nacionalista e anti-varguista que, em seu bojo, carregasse bandeiras sociais que pudessem ludibriar o povo brasileiro e atrair sua simpatia – reforma agrária, abolição da dívida externa, etc. No mesmo congresso, Prestes foi eleito membro efetivo do CEIC, e Ghioldi, chefe do Secretariado para a América do Sul.
A operação revolucionária a ser liderada por Prestes e encampada pelo PCB teria como principais pontos de apoio: o Secretariado para a América Latina; Iumtourg, uma falsa agência de turismo e casa de câmbio controlada pelo Comintern e sediada no Uruguai, por meio da qual se poderia criar uma ponte financeira entre Moscou e o Brasil; e os partidos comunistas de Argentina, Uruguai e Chile. Todos os agentes envolvidos haviam sido financiados pelo governo soviético e recebido treinamento militar especializado. O momento exato do início da revolta armada dependia diretamente do aval do Comintern.
Os detalhes da Intentona Comunista tomam um livro inteiro – aliás, o jornalista William Waack escreveu o excelente "Camaradas", com farta documentação comprobatória. Meu propósito não é apresentar uma análise profunda e exaustiva desse evento, que, para nossa sorte, não foi adiante. Almejo, ao traçar um breve histórico das origens da Intentona Comunista, duas coisas.
A primeira é expor esse movimento tal qual ele foi – uma tentativa de golpe que tinha por objetivo a implantação, no Brasil, de uma ditadura do proletariado nos moldes soviéticos e consolidar um posto avançado da União Soviética no continente americano. A segunda é suscitar uma pergunta: o que merece ser comemorado, afinal de contas? É digno de comemoração o aniversário de uma conspiração transnacional de tomada de poder através da violência armada, orquestrada por um governo que deixou em seu rastro dezenas de milhões de cadáveres, e que, mesmo fracassada, foi capaz de exemplos detestáveis de barbarismo e crueldade – como a execução da garota Elza, uma menina semi-alfabetizada de 16 anos estrangulada à morte a mando de Prestes?
Celebrar o aniversário da Intentona Comunista não é apenas um disparate: é um ultraje. E fazê-lo por meio de instituições federais de ensino superior – o que praticamente confere à homenagem um caráter de oficialidade governamental – é um ultraje além da medida. Se há algum exemplo claro e paradigmático de como as universidades federais brasileiras são ideologicamente orientadas para reproduzir o discurso hegemônico da esquerda, eis tal exemplo.*: enjoado

Olimpíadas do Rio: Abin estará atenta aos chamados “lobos solitários"

A maior preocupação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, não são organizações terroristas, como o Estado Islâmico, por exemplo. As atenções dos órgãos de segurança e inteligência estarão voltadas, principalmente, para os chamados “lobos solitários”, pessoas que conhecem, pela internet, a ideologia de uma organização terrorista e agem em prol dela sem jamais ter tido contato com seus membros.
Brasília - O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza, participa do Seminário internacional Enfrentamento ao terrorismo no Brasil (Valter Campanato/Agência Brasil)
O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza, participa do Seminário internacional Enfrentamento ao terrorismo no BrasilValter Campanato/Agência Brasil
“Nós, no Brasil, temos uma distância física muito grande, controlamos muito bem essa movimentação em âmbito internacional e não temos células terroristas instaladas no nosso território. A nossa preocupação é exatamente com esse indivíduo que vive no nosso país e se radicalizou por intermédio da internet”, disse o diretor de Contraterrorismo da Abin, Luiz Sallaberry.
Segundo ele, os recentes atentados terroristas em Paris, no dia 13 de novembro, provocou um “alerta” nos serviços de inteligência para os Jogos de 2016. “A gente está vendo que está ocorrendo um recrudescimento dessas ações e isso gera um alerta adicional para nós. Não é nada que gere uma preocupação excessiva ou temor. Mas, certamente, um avanço nesse tipo de medida deve ocorrer no nosso dia a dia”, explicou.
Sallaberry ressaltou, no entanto, que os eixos de segurança pública e de defesa, que junto com a inteligência, compõem a segurança dos Jogos Olímpicos, não farão alterações em virtude do ocorrido em Paris. Os investimentos, segundo ele, já foram “maciços” em várias áreas e são adequados.
A Abin abriu hoje (23) o Seminário Internacional Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil, que reunirá durante toda a semana profissionais de segurança e inteligência dos Jogos de 2016. Em sua fala de abertura do evento, o diretor-geral da agência, Wilson Trezza, explicou que delegações de dez países são consideradas de “alta sensibilidade” a ações terroristas.
Trezza se referiu às delegações dos Estados Unidos, do Canadá, Egito, da França, Grã-Bretanha, do Irã, Iraque, de Israel, da Rússia e Síria. Outras delegações são vistas com menor preocupação, mas ainda merecem atenção, como a da Alemanha, Espanha e Jordânia.
Para os dois diretores da agência, o Brasil está pronto para receber os Jogos Olímpicos e oferecer a segurança adequada. “Temos um papel desafiador, mas nos consideramos à altura do desafio”, disse Trezza. Presente à abertura do seminário, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ricardo Berzoini, destacou a importância da cooperação internacional na prevenção de atentados terroristas.
“Precisamos trabalhar com muita cooperação internacional porque esse é um assunto que não se resume às fronteiras de cada país, como bem deixou claro os atentados em Paris e depois no Mali. A prevenção tem que ser internacional”, disse Berzoini. O ministrou mencionou o trabalho de segurança feito na Copa do Mundo de 2014 e acrescentou que as Olimpíadas contam com mais países e mais diversidade cultural e política.
“Evidentemente, as Olimpíadas têm muito mais países e com uma diversidade política e de relações internacionais muito mais complexa. Então, temos que redobrar os esforços, aproveitar o que foi feito na Copa e produzir iniciativas e resoluções que sejam capazes de melhorar o que já foi feito”.
O ministro também demonstrou cautela com o tema. Apesar de admitir não entender profundamente do assunto, disse que “todo cuidado é pouco” com atentados terroristas durante os jogos. “[O terrorismo] é um desafio para grandes potências, países que já têm experiência com esse tipo de evento. Portanto, temos que ter a mesma preocupação, saber que todo cuidado é pouco e que todos os preparativos têm que ser feitos com muita responsabilidade”, afirmou.

Operação Lava Jato está "pregando no deserto", diz Sérgio Moro


O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, disse que a operação “é uma voz pregando no deserto”. A afirmação foi feita no fim da tarde de hoje (23) durante o Fórum Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas) de Revistas 2015, ocorrido no Hotel Renassaince, em São Paulo.
Segundo ele, a Lava Jato, que ainda está em andamento, mostrou “indícios de corrupção sistêmica, profunda e penetrante no âmbito da administração pública” do país e, apesar disso, de acordo com Sérgio Moro, não houve respostas "institucionais" diante da insatisfação popular contra a corrupção.
“No caso da Petrobras, por exemplo, há indícios que todos os grandes contratos envolviam o pagamento de propina. O nível de deterioração da coisa pública é extremamente preocupante”, disse. “A quantidade de pessoas nas ruas revelou insatisfação e não tivemos respostas institucionais mais relevantes”, acrescentou.
Para o juiz, a corrupção não será exterminada por operações como a Lava Jato ou por ações com a Penal 470 (processo do mensalão), mas com mudanças nas instituições. “Não vai ser a Operação Lava Jato que vai resolver o problema da corrupção no país. Não serei eu que resolverei isso. Não foi a Ação Penal 470 que resolveu o problema da corrupção no Brasil. Mas o que nós, como cidadãos, vamos fazer a partir de agora? Para isso, precisamos ter melhora nas nossas instituições, e não vejo isso ocorrendo de forma alguma”, disse.
Lei do direito de resposta
Em uma entrevista rápida aos jornalistas, Sérgio Moro falou também sobre a lei que regulamenta o direito de resposta, sancionada este mês pela presidenta da República, Dilma Rousseff. Para o juiz da Operação Lava Jato, a lei precisa ser mais clara. “Parece-me que ela ficou um pouco vaga em delimitar o direito de resposta. Em que circunstâncias deve se permitir o direito de resposta? Mesmo se a notícia for verdadeira, por exemplo? Nisso a lei não é clara”, disse. Segundo ele, se a lei for mal utilizada, ela poderá servir como instrumento de censura.
“Não digo que foi essa a intenção, mas se mal utilizada pode acabar resultando [em censura]”. “A minha crítica não é contra o direito de resposta em si, isso é assegurado constitucionalmente e, em princípio, amplia o debate. Mas a forma, o procedimento, a vagueza da lei em não estabelecer as hipóteses em que esse direito deve ser exercido acabam possibilitando que ela seja usada como instrumento de censura”, acrescentou.
Durante a palestra na Aner, Sérgio Moro abordou o papel investigativo da imprensa com o tema: Operação Lava Jato – O jornalismo investigativo de qualidade como pilar da democracia e das instituições brasileiras. O juiz defendeu a publicidade da Operação Lava Jato, segundo ele, garantida pela Constituição Federal.
“A democracia e a liberdade demandam que as coisas públicas sejam tratadas de forma pública. A Constituição deu uma resposta bem clara de que a publicidade tinha que ser ampla. Com a ressalva, no processo penal, de que temos resguardado sigilo quando há prejuízo à investigação”. Segundo Sergio Moro, não se pode falar que houve vazamento durante a operação. “Não se pode falar de vazamento quando o processo é público”, afirmou.

Brasil e Suíça assinam acordo de troca de informações tributárias


Os cidadãos brasileiros terão menos espaço para manter recursos e bens não declarados na Suíça. Os dois países assinaram hoje (23) acordo para troca de informações tributárias, sem necessidade de pedidos judiciais. O acordo valerá para obrigações tributárias a partir do ano seguinte à aprovação pelo Congresso Nacional e pelo Parlamento suíço.
Pelo acordo, o Brasil enviará informações relativas a tributos federais cobrados de cidadãos suíços. A Suíça repassará à Receita Federal dados relativos aos impostos nos três níveis de governo – federal, cantonal (cobrado pelos cantões) e comunal (cobrado pelas comunas). A troca de informações não é automática. Cada país precisará fazer o pedido assim que detectar suspeita de irregularidades.
O secretário da Receita, Jorge Rachid fala sobre a assinatura de Acordo (TIEA) para a troca de informações tributárias (Wilson Dias/Agência Brasil)
Para o secretário Jorge Rachid, a troca de informações está amparada pelo Código Tributário Nacional e não fere o sigilo fiscalWilson Dias/Agência Brasil
De acordo com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, a troca de informações está amparada pelo Código Tributário Nacional e não fere o sigilo fiscal. Isso porque a formulação de um pedido de informações deve obedecer a regras estritas e ter fundamentos sólidos.
Além da Suíça, o Brasil tem acordos semelhantes com oito países: Estados Unidos, Bermudas, Guernsey, Ilhas Cayman, Jamaica, Jersey, Reino Unido e Uruguai. Somente a troca de informações com o governo norte-americano está em vigor. Assinado em 2007, o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos só foi ratificado pelo Congresso Nacional em 2012, tendo entrado em vigor em 2013.
Conforme Jorge Rachid, a assinatura do acordo representa um importante passo para o Brasil coibir a evasão de divisas. “Daqui para a frente, uma vez identificado algum contribuinte com movimentação financeira ou bens de qualquer natureza na Suíça, podemos acionar a administração tributária de lá para coletar informações.”
Presente à cerimônia de assinatura, o embaixador da Suíça no Brasil, André Regli, informou que a troca de informações com outros países mostra que o país europeu está determinado a romper com a imagem de paraíso fiscal.
“O acordo mostra especialmente que a Suíça quer seguir as regras internacionais. Temos cooperação jurídica nos assuntos tributários e administrativos. A vinda do procurador-geral [da Suíça] seis meses atrás [ao Brasil] mostrou que o acordo é exemplar”, afirmou.
Sem citar nomes, o embaixador disse que o envio de remessas não declaradas por parte de brasileiros prejudica a imagem do país. “A Suíça não precisa receber dinheiro ilegal. Estamos cada vez mais alinhados às práticas internacionais. Derrubamos o sigilo de titulares de contas. Para a imagem da Suíça, não é bom quando existe dinheiro ilegal”, completou Regli.
A troca de informações não abordará tributos não pagos nos últimos anos. O acordo só abrangerá fatos geradores a partir de 1º de janeiro do ano seguinte à ratificação do acordo pelos parlamentares dos dois países.

Para refletir sobre o politicamente correto

Universidades federais nordestinas, por falta do que fazer, vão comemorar a Intentona Comunista

A falta de senso de ridículo em todas as esferas do conhecimento é a marca registrada que essa corja petralha - em seus estertores como organização - nos deixa e que vai levar décadas para ser apagada por completo. 

Felipe Melo: A Intentona coroada
  O dia 9 de novembro marca o aniversário da queda do Muro de Berlim. Por anos, esse muro foi a materialização de uma realidade que se tentava manter oculta para o resto do mundo – a adoção deliberada de repressão, patrulhamento, escassez, fome, perseguição e extermínio como políticas de Estado nos países comunistas. As notícias enviadas do outro lado da Cortina de Ferro eram aterradoras. Os vinte e seis anos da queda desse muro da vergonha deveriam ser motivo para manter viva a memória de todas as tragédias, coletivas e particulares, provocadas pelo comunismo. Mas há quem prefira, ao contrário, louvar a ideologia mais mortífera do século XX.
 Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) promoverão, entre os dias 18 e 21 de novembro, um seminário de comemoração da Intentona Comunista. A Intentona, também conhecida como Revolução Vermelha de 1935, foi uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas levada a cabo pela Aliança Nacional Libertadora, organização de matiz socialista liderada por Luís Carlos Prestes – que havia, na década de 1920, liderado outra revolta, de caráter tenentista, conhecida como Coluna Prestes. De acordo com o portal da UFRN, a Intentona ensejou grande repressão por parte do governo Vargas e “o início de um anticomunismo ainda muito presente na sociedade brasileira”. A historiografia oficial nos conta que o objetivo desse movimento golpista era derrubar Vargas. No entanto, a Intentona começou a ser gestada muitos anos antes de Getúlio assumir o poder.
 REVOLUÇÃO TIPO EXPORTAÇÃO
Com a vitória da Revolução Bolchevique de 1917, a liderança do Partido Comunista Russo, então liderado por Vladimir Lênin, enxergou a premente necessidade de organizar formalmente os esforços de todos os partidos comunistas do mundo para promover a revolução global. Desse modo, em 1919, foi criada a Internacional Comunista (Comintern) com o objetivo de concertar esforços, táticas e ações dos partidos comunistas de todo o mundo com o objetivo de tomar o poder em seus respectivos países e neles implantar a ditadura do proletariado. O Comintern, teoricamente, pautava-se pelo chamado “centralismo democrático”, onde questões programáticas eram objeto de discussão dos grupos internos da organização comunista. Na prática, esse princípio de organização leninista, que fingia ser uma espécie de fórum democrático em que debates abertos orientavam as diretrizes dos partidos comunistas, era falso: tudo era decidido pelo Partido Comunista da União Soviética (PCUS– e, em última instância, por seus homens fortes.
 Em 1922, entre os dias 5 de novembro e 5 de dezembro, ocorreu em Moscou o IV Congresso Mundial do Comintern. Partidos comunistas de 58 países enviaram delegados, sendo 343 o número de delegados votantes. Sob a presidência de Lênin e Leon Trotsky, o IV Congresso contou com a presença de personalidades comunistas importantíssimas, como o italiano Antonio Gramsci. No entanto, um dos destaques do congresso foi um ilustre desconhecido: Antônio Bernardo Canellas, delegado do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Canellas ficou famoso no contexto do IV Congresso por pedir um aparte no meio de um discurso Trotsky – o chefe do Exército vermelho chamaria o brasileiro de “o fenômeno sul-americano”.
 O POTENCIAL COMUNISTA DOS TRÓPICOS
Durante o IV Congresso do Comintern, Canellas apontou a necessidade da criação de um órgão que tratasse especificamente da América Latina. A proposta foi submetida a votação, e contou com o entusiasmado apoio de Antonio Gramsci. Surgiu, assim, o Secretariado Latino do Comintern, submetido à autoridade do recém-criado Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC). Em 1925, ocorreu o V Congresso do Comintern, do qual surgiu o Secretariado para a América do Sul, com sede em Buenos Aires. Seu principal órgão era o Escritório de Propaganda do Comintern para a América do Sul, chefiado por Abilio de Nequete, fundador e primeiro secretário-geral do PCB. Em 1927, saía a primeira edição do La Correspondencia Sudamericana, jornal do Secretariado para a América do Sul, cujo editor era o argentino Rodolfo Ghioldi.
 O VI Congresso do Comintern ocorreu em julho/agosto de 1928. Com o relato do sucesso das atividades do Secretariado para a América do Sul, foram eleitos sete membros latino-americanos para o CEIC – dentre eles, Rodolfo Ghioldi e o brasileiro Astrojildo Pereira, membro-fundador do PCB. Essa eleição dava proeminência considerável ao secretariado, o que representava a importância da América Latina para o Comintern e, portanto, para Moscou.
 Nesse ínterim, Prestes havia liderado seu frustrado levante dos anos 1920 e, junto com outros revolucionários, exilou-se na Bolívia. Em 1928, conheceu Ghioldi, sendo recrutado pelo argentino para as fileiras do Comintern. A partir desse ano, passou a receber treinamentos específicos para a organização de uma revolução comunista no Brasil. Em 1930, retornou para o País, instalando-se clandestinamente em Porto Alegre. No ano seguinte, a convite do governo soviético, mudou-se para Moscou, onde sua formação ganhou profundidade e amplitude. Sua importância estratégica para o Comintern era tamanha que, ao voltar para o Brasil, em 1934, veio acompanhado de dois importantes agentes da Internacional Comunista: os alemães Olga Benário (que, depois, seria mulher de Prestes) e Arthur Ernest Ewert, oficial da NKVD (serviço secreto que precedeu a KGB).
 O “CAVALEIRO DA ESPERANÇA” CONTRA-ATACA
Em agosto de 1935, ocorreu o VII Congresso do Comintern, o último antes de sua dissolução. Georgi Dimitrov, Secretário-Geral do CEIC, determinou, dentro da estratégia de “frentes populares” – organizações de massa de caráter teoricamente anti-fascista –, que o PCB apoiasse a criação da Aliança Nacional Libertadora (ANL) tendo, por presidente, Luís Carlos Prestes. O papel da ANL seria o de promover uma sublevação armada no Brasil que tinha por objetivo a implantação de uma ditadura do proletariado a soldo de Moscou. Para tanto, era necessário organizar um discurso de caráter nacionalista e anti-varguista que, em seu bojo, carregasse bandeiras sociais que pudessem ludibriar o povo brasileiro e atrair sua simpatia – reforma agrária, abolição da dívida externa, etc. No mesmo congresso, Prestes foi eleito membro efetivo do CEIC, e Ghioldi, chefe do Secretariado para a América do Sul.
 A operação revolucionária a ser liderada por Prestes e encampada pelo PCB teria como principais pontos de apoio: o Secretariado para a América Latina; Iumtourg, uma falsa agência de turismo e casa de câmbio controlada pelo Comintern e sediada no Uruguai, por meio da qual se poderia criar uma ponte financeira entre Moscou e o Brasil; e os partidos comunistas de Argentina, Uruguai e Chile. Todos os agentes envolvidos haviam sido financiados pelo governo soviético e recebido treinamento militar especializado. O momento exato do início da revolta armada dependia diretamente do aval do Comintern.
 Os detalhes da Intentona Comunista tomam um livro inteiro – aliás, o jornalista William Waack escreveu o excelente “Camaradas”, com farta documentação comprobatória. Meu propósito não é apresentar uma análise profunda e exaustiva desse evento, que, para nossa sorte, não foi adiante. Almejo, ao traçar um breve histórico das origens da Intentona Comunista, duas coisas.
 A primeira é expor esse movimento tal qual ele foi – uma tentativa de golpe que tinha por objetivo a implantação, no Brasil, de uma ditadura do proletariado nos moldes soviéticos e consolidar um posto avançado da União Soviética no continente americano. A segunda é suscitar uma pergunta: o que merece ser comemorado, afinal de contas? É digno de comemoração o aniversário de uma conspiração transnacional de tomada de poder através da violência armada, orquestrada por um governo que deixou em seu rastro dezenas de milhões de cadáveres, e que, mesmo fracassada, foi capaz de exemplos detestáveis de barbarismo e crueldade – como a execução da garota Elza, uma menina semi-alfabetizada de 16 anos estrangulada à morte a mando de Prestes?
 Celebrar o aniversário da Intentona Comunista não é apenas um disparate: é um ultraje. E fazê-lo por meio de instituições federais de ensino superior – o que praticamente confere à homenagem um caráter de oficialidade governamental – é um ultraje além da medida. Se há algum exemplo claro e paradigmático de como as universidades federais brasileiras são ideologicamente orientadas para reproduzir o discurso hegemônico da esquerda, eis tal exemplo.

Por Ricardo Froes 

Lula: "Espero que el proyecto que comenzó Kirchner pueda ser concluido eligiendo otra vez" al FpV

Publicado em 9 de set de 2015
http://www.telam.com.ar

El ex presidente de Brasil, Inacio Lula Da Silva, expresó hoy su deseo de que el proyecto que en el 2003 comenzó Néstor Kirchner y que a partir de 2007 continuó la presidenta Cristina Fernández de Kirchner, "pueda ser concluido eligiendo otra vez" a un candidato del Frente para la Victoria (FpV).

"Espero, Cristina, que el proyecto que comenzó a construir en 2003 Néstor Kirchner y que luego tú continuaste, pueda ser concluido eligiendo otra vez a un candidato de este proyecto que cambió la historia argentina", dijo Lula en el marco de la inauguración de una nueva Unidad de Pronta Atención (UPA) ubicada en José C. Paz, acompañando a la jefa de Estado, y al gobernador y candidato a presidente Daniel Scioli.

El ex mandatario brasileño remarcó que como parte de este proyecto que llevaron a cabo Néstor Kirchner y Cristina Fernández "Argentina y Brasil pudieron comprender que son inseparables, que son una única cosa, y así "construir la mejor relación, junto a toda América del Sur y América latina".

"En dos temas Argentina y Brasil no logran ponerse de acuerdo, y es que Maradona es mejor que Pelé y Messi que Neymar", ironizó Lula arrancando la simpatía del auditorio.

El ex mandatario brasileño también recordó con alegría que mientras él fue mandatario en Brasil, en sus dos gestiones, "Néstor Kirchner lo fue en Argentina primero, y luego Cristina".

Lula recordó que el modelo de los UPA surgió en Río de Janeiro y luego se extendió por todo el territorio brasileño, con la ventaja de que "evita que los pobres tengan que trasladarse al hospital".

"Las UPA hacen que el 95 por ciento de las personas prescinda del hospital", afirmó Lula, al pronunciar su mensaje en el marco del acto que presidió la presidenta Cristina Fernández de Kirchner, en compañía de Scioli, del jefe de gabinete y candidato a gobernador por el FpV, Aníbal Fernández, además de diputados, senadores e intendentes.

Finalmente, Lula agradeció la posibilidad de poder participar del acto que tuvo lugar en la localidad bonaerense de José C. Paz, y se refirió a la Presidenta como una "heroína" y "vencedora".

LULA, PÉ FRIO E AZARADO

Há pouco tempo atrás, na Argentina, Lula fez campanha para candidato de Cristina Kirchner... 
Lula , o pé-frio, foi levar seu apoio ao candidato derrotado na Argentina. Em troca, ganhou o nome de uma UPA. 
Aqui você pode escutar o ex-presidente brasileiro, suas piadinhas, suas sandices. Lá, diante de um público dito mais politizado, as mentiras e a demagogia não funcionaram. 
Clique aqui
e assista ao vídeo. Os argentinos botaram o primeiro prego no caixão bolivariano.
(Blog do cel)

CORRUPÇÃO: LORD ACTON, MONTESQUIEU, BRASIL E ARGENTINA!

(Natalio Botana, cientista político - La Nacion, 20) 1. Se os órgãos do Poder Executivo são independentes da rede de controles previstos no sistema legal, então a probabilidade de corrupção aumenta. Se o governo, aproveitando esta circunstância, usurpa atividades próprias da sociedade civil com regalias e privilégios (ou se colonizar por grupos oligárquicos que compram os legisladores no Congresso), então também pode surgir a corrupção. E do mesmo modo, se o Judiciário não tem a capacidade para fazer valer a sua autoridade, então é provável também que a corrupção chegue através dessas lacunas.
         
2. É a vigilância recíproca entre os poderes separados que conta com o auxílio inestimável da opinião pública e da liberdade de dizer o que se pensa sem a censura prévia ou perseguição do governo. Dessa forma aumenta a probabilidade de se levantar uma cerca para impedir aqueles que infringem os limites constitucionais, aqueles que utilizam privilégios de uma legislação ruim e aqueles que, na ausência de um controle efetivo entre as diferentes agências governamentais, se escondem atrás do aparato policial e burocrático para lucrar, enriquecer e, se necessário, matar. O reino do pior, bem caracterizada pela famosa frase de Lord Acton: o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente.
         
3. Os fenômenos de corrupção são difundidos por duas razões principais, já destacadas pela frase imortal do “Do Espírito das Leis”. De acordo com Montesquieu, o autor desse livro clássico, haveria duas classes de corrupção: uma, quando as pessoas não observam as leis; a outra, quando as leis estão corrompidas. “Mal incurável - disse ele - porque a corrupção está no próprio remédio”. Este aviso parece ter sido escrito nos dias de hoje, porque sem dúvida suportamos a violação das leis, mas também nos enlaça um emaranhado de leis, decretos, portarias e regulamentos que parecem ter sido feitos sob medida para práticas corruptas.
         
4. Não se trata apenas das grandes leis; são também as leis próprias da gestão econômica do Estado, dos regimes das empresas estatais, dos contratos públicos, das licitações e das obras públicas. Mais uma vez, neste ponto, a ação de um Judiciário independente é vital porque dele depende processar e punir aqueles que não obedecem a lei, e desafiar, se necessário, os vícios de constitucionalidade intrínsecos de uma legislação que se desvia do preceito republicano de igualdade perante a lei.
         
5. Assim como a corrupção é descendente direto do fracasso do Estado, também é da decomposição da sociedade: uma sociedade dividida, com fortes níveis de desigualdade, é terreno fértil para o crime organizado e o tráfico de drogas. Com seu enorme poder econômico, esses aparatos usurpam a soberania do Estado nos territórios urbanos e destacam a viciosa porosidade das instituições policiais e judiciárias, através das quais, voltamos as preocupações teóricas do princípio: é preciso seguir na tarefa de arrancar nossas lideranças das práticas patrimonialistas que se apropriam dos recursos do Estado, colocando-os a serviço de seus interesses particulares. Se as lideranças e os cidadãos não entenderem este problema, todos irão acabar por acentuar a degradação da nossa democracia.
           
6. Para isso, são necessários líderes de reconstrução institucional. Desafio para a renovação dos partidos e da cultura política. E desafio também para os conteúdos éticos da sociedade civil. Por um lado, uma boa notícia, a cidadania na América Latina, de Norte ao Sul, da Guatemala ao Brasil, está mobilizada com a ajuda das redes sociais que pedem justiça e transparência. Por outro lado, os setores marginais, aqueles que sobrevivem graças à proteção do Estado e cuja pobreza é explorada por governos populistas, não reagem de forma tão veemente, pelo contrário, aceitam o que acontece se essas necessidades básicas insatisfeitas forem de alguma forma compensadas.

7. É uma máscara que mostra que a corrupção dos poderosos pode corromper o povo: a partir do vértice, se manipula aqueles que estão embaixo. Persistindo, essa divisão ética pode cobrir áreas maiores. Em uma recente pesquisa do Gallup, cinco em cada dez argentinos dizem que para subir a escala social, têm de ser corrupto ou haver recebido uma herança. Atmosfera contaminada que, com renovação ética e espírito de reconstrução institucional, devemos dissipar.


Ex-Blog do Cesar Maia

Macri vai dividir Ministério da Economia da Argentina em seis pastas

Em sua primeira entrevista, Mauricio Macri anunciou que vai dividir o Ministério da Economia em seis pastas diferentes, mas não anunciou nomes. A entrevista foi a primeira atividade na agenda do presidente eleito, que tem uma curta transição de 17 dias antes de assumir o cargo no dia 10 de dezembro.
A entrevista foi um sinal de um novo estilo de governar. “Vou dar muitas entrevistas”, disse Macri, comparando seu futuro governo com o da presidenta Cristina Kirchner que, em oito anos, quase não falou com a imprensa.
Na área econômica, Macri não deu uma data para implementar uma importante promessa que fez ao eleitorado argentino: eliminar os controles cambiais, impostos por Cristina em 2011, para impedir a saída de dólares do pais.
candidato à Presidência da Argentina Mauricio Macri
O novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, prometeu manter a atual política de defesa dos direitos humanosDa Agência Telám
Risco necessário
Para o economista Fausto Spotorno, a medida é necessária para atrair os investimentos que a Argentina tanto precisa, mas o risco é que provoque uma desvalorização descontrolada do peso. “Isso pode elevar ainda mais a inflação, que já é alta e supera os 25% anuais”, disse.
O problema, explicou o economista, é que não há outra saída. “O Banco Central está com poucas reservas: cerca de US$ 26 bilhões, dos quais apenas US$ 4 bilhões estão disponíveis”, disse. “Para liberar o câmbio e impedir que dispare, precisamos ter dólares, mas para atrair dólares, precisamos liberar o câmbio. É um circulo vicioso”.
Combate à corrupção
Durante a entrevista, Macri prometeu manter a atual política de defesa dos direitos humanos – uma bandeira dos 12 anos de governos da família Kirchner. Ele também defendeu a união dos argentinos e o diálogo para aprovar leis de interesse nacional, mas prometeu investigar os crimes de corrupção.
“Acabou a era de disputa, de dizer que, se você pensa como eu penso, você é um amigo e, se não, é um inimigo”, disse Macri. “A Justiça terá toda a liberdade para investigar  a fundo e não haverá qualquer tipo de impunidade”.
Em seu governo, Macri terá desafios políticos.Ele conquistou os cinco maiores distritos eleitorais do país, mas tem minoria no Congresso. A Frente para a Vitoria (FPV), partido da atual presidenta de Cristina Kirchner, tem maioria própria no Senado e é a primeira minoria na Camara dos Deputados. 
Macri precisa de apoio legislativo para derrubar, entre outras coisas, uma lei que proíbe o governo de oferecer condições mais favoráveis a minoria dos credores (7%) que não aceitou renegociar a dívida externa, em moratória desde 2001. Até resolver esse problema, a Argentina continua fora do mercado financeiro internacional.
Brasil e Mercosul
A primeira viagem oficial de Macri como presidente eleito da Argentina será para o Brasil. A intenção do argentino foi manifestada durante um telefonema com a presidenta Dilma Rousseff, que ontem (22) ligou para cumprimentá-lo pela vitória. Macri diz que pretende ter uma relação “fluida e dinâmica” com o Brasil. 
Macri também falou sobre sua participação na próxima reunião da cúpula do Mercosul, que ocorre no dia 21 de dezembro, em Assunção, com os presidentes dos outros quatro paises do bloco regional (Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela). Ele afirmou que vai pedir medidas contra o governo venezuelano “pelos abusos que está cometendo, com a perseguição de opositores e da liberdade de expressão”.
macri eleito presidente da Argentina
Macri é o primeiro presidente da Argentina eleito em um segundo turnoDa Agência Telám
A cláusula democrática, que Macri promete invocar, prevê desde a aplicação de sanções comerciais atá a suspensão do país, acusado de romper a ordem democrática, mas precisa de um consenso para ser aplicada.
Segundo turno
Macri é o primeiro presidente da Argentina eleito em um segundo turno e o primeiro que não pertence a um dos dois partidos tradicionais: a União Cívica Radical (UCR) e o Partido Justicialista (ou Peronista). Ele fundou seu próprio partido conservador Proposta Republicana (PRO), que se aliou aos radicais e outras agrupações na coligação Cambiemos (Mudemos).
O novo presidente argentino foi eleito com apoio de 51,4% do eleitorado por uma pequena diferença (cerca de 700 mil votos) em relação ao segundo colocado, o governista Daniel Scioli, que ficou com 48,6% dos votos.