O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras declarou ilegal, nesta segunda-feira (12), o decreto promulgado pela presidente Xiomara Castro que determinava a recontagem dos votos das eleições presidenciais realizadas em 30 de novembro. O pleito consagrou como vencedor o empresário Nasry Asfura, apoiado por Donald Trump, com 97,8% dos votos.
Disputa política
A medida de Castro, aprovada pelo bloco governista no Congresso, ocorre a duas semanas da posse de Asfura. A presidente do CNE, Ana Paola Hall, afirmou que as diretrizes são “inconstitucionais e ilegais” e configuram tentativa de “usurpar” atribuições do órgão. Segundo ela, práticas de sabotagem justificaram a decisão de proclamar o vencedor antes da conclusão da apuração, em nome da preservação da democracia.
Contestação e denúncias
A eleição foi marcada por falhas técnicas e acusações de fraude apresentadas pelo candidato conservador Salvador Nasralla, derrotado por menos de um ponto percentual, e pela governista Rixi Moncada. O Departamento de Estado dos Estados Unidos rejeitou as acusações de Castro, e o secretário Marco Rubio se reuniu com Asfura em Washington nesta segunda-feira.
Divergências internas
Enquanto o secretário da Defesa, Rossvelt Hernández, defendeu a contagem dos votos restantes para “respeitar a soberania popular”, o chefe das Forças Armadas, Héctor Valerio, reafirmou apoio à decisão do CNE e garantiu a custódia do material eleitoral.
Acusações contra Trump
Xiomara Castro sustenta que os resultados estão “viciados em nulidade” devido à suposta interferência do presidente dos Estados Unidos, que teria ameaçado cortar a ajuda a Honduras caso Asfura não fosse eleito. Ela também criticou o indulto concedido por Trump ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão nos EUA por tráfico de drogas.

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