sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Eleições 2022: clima hostil traz alerta na segurança pública

 Forças da área da segurança pública no Rio Grande do Sul preparam intensa mobilização para os últimos dias da campanha eleitoral

Plano de atuação integrada na área da segurança pública foi tema de encontro no Tribunal Regional Eleitoral 

Mais do que percepção, a preocupação com o clima hostil entre eleitores nos dias que antecedem o primeiro turno das eleições é confirmada por agentes de segurança pública. A tensão tem motivado que ações preventivas das polícias venham sendo pensadas com cuidado extra, numa mobilização ainda maior do que em anos anteriores. A preocupação é nacional, motivo que levou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, a realizar uma série de reuniões com representantes das polícias para garantir a segurança do pleito, o que é pouco usual. Apesar disso, os comandantes das forças de segurança pública no Rio Grande do Sul afirmam que, por enquanto, nenhuma possibilidade de crime concreto foi identificada. 

“Temos uma mobilização universal para a realização do pleito que não se resume só ao dia 2, mas a todos os dias”, explica o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Claudio Feoli. Segundo ele, além da reunião do ministro Alexandre de Moraes com os comandantes das polícias militares, realizada no dia 24 de agosto, uma série de encontros têm sido promovidos para garantir a segurança nestas eleições. Especificamente no dia do pleito, a BM terá todo o seu efetivo acompanhando todas as zonas eleitorais e o recolhimento das urnas até o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ainda de acordo com Feoli, há uma ordem de serviço pormenorizando o que cada policial deverá fazer em situação de anormalidade e será feito o uso de drones para coibir a boca de urna. 

O comandante afirma que ações como essas são pensadas para todas as eleições, mas reconhece que, desta vez, o ambiente é diferente. “Diante de algumas polarizações existentes no país temos esse fator que diferencia o pleito desse ano, tanto que tivemos, de forma inédita, o convite do ministro Alexandre de Moraes para todos os comandantes de polícias militares do país”, explica. Feoli ainda afirma que, no Estado, o uso de inteligência tem sido aplicado para analisar algumas situações. “Tudo o que chama a atenção de rivalidades políticas monitoramos para que eventualmente possamos fazer uma correção de rumo no planejamento. Esse trabalho começou em agosto e vai terminar somente quando tivermos o final da apuração do segundo turno, caso ocorra.”

Todo efetivo convocado

Assim como ocorreu com as polícias militares, todos os centros da Polícia Civil foram chamados a Brasília para uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes e com o corregedor-geral do TSE, ministro Benedito Gonçalves, na terça-feira. Conforme o chefe da Polícia Civil no RS, delegado Fábio Lopes, a polarização é algo que preocupa as forças de segurança de todo o Brasil. “Mas isso não se reflete, automaticamente, no cometimento de crimes, não temos visto algo que saia da curva em comparação com outras eleições”, pondera. 

Para o dia 2 de outubro, todo o efetivo será convocado, deixando de sobreaviso, inclusive, os policiais que estiverem de folga. Haverá, ainda, reforços nas delegacias, que atuarão 24 horas. O chefe da Polícia Civil também ressalta que é feito um monitoramento diário de todas as ocorrências registradas para identificar se têm vínculo com as eleições.

Assim como BM e Civil, a Polícia Federal está com todo o efetivo mobilizado para a atuação nas eleições, consequência de um trabalho que vem sendo feito há dois meses por uma equipe dedicada exclusivamente para a área eleitoral. A PF tem, ainda, a atribuição de realizar a segurança dos candidatos à Presidência da República no dia do pleito, com exceção do atual presidente, que é acompanhado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O delegado Regional Executivo, Alessandro Maciel Lopes, afirma que é correta a visão de que este ano há uma atenção maior das forças de segurança em função da polarização política, mas reitera que, até o momento, isso não resultou num aumento de crimes. 

Além das ações que já vêm ocorrendo, foi realizada nesta quinta-feira uma reunião do TRE com o Gabinete de Governança Integrada de Segurança Pública (GGISP), grupo instituído pelo governo do Estado para planejar e coordenar ações de segurança nas eleições no Rio Grande do Sul. O encontro ocorreu na sede do Tribunal, em Porto Alegre, e, além das forças de segurança, contou com a participação de diversas autoridades e representantes de instituições, como o Tribunal de Justiça, Ministério Público, OAB-RS, Corpo de Bombeiros Militar, EPTC, Instituto Geral de Perícias, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira e Exército Brasileiro. O presidente do TRE, desembargador Francisco José Moesch, ressalta a importância do empenho de todos para fazer as eleições limpas, seguras, transparentes e democráticas. 

Correio do Povo

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