sexta-feira, 20 de maio de 2022

Dólar cai mais de 1%, fechando o dia cotado a 4 reais e 91 centavos

 


O dólar caiu acentuadamente contra o real nesta quinta-feira (19), acompanhando movimento internacional de arrefecimento da divisa norte-americana, embora alguns participantes do mercado continuassem alertando para o ambiente, no geral, menos favorável a ativos arriscados.

Depois de chegar a perder 2,03% na mínima do dia, a 4,8800 reais, a moeda norte-americana à vista fechou em queda de 1,24%, a 4,9194 reais, seu menor patamar para um encerramento desde o dia 4 deste mês (4,9006). Com esse desempenho, o dólar spot ficava a caminho de registrar queda semanal de cerca de 2,7%.

Com o resultado, passou a acumular queda de 0,52% no mês. No ano, tem queda de 11,80% frente ao real.

A divisa fechou bem perto de sua média móvel linear de 50 dias, de 4,8947 reais – nível técnico importante que, quando cruzado, pode desencadear ordens automáticas de venda do dólar, derrubando ainda mais seu preço.

O recuo desta sessão esteve alinhado ao comportamento do dólar no exterior, onde seu índice contra uma cesta de rivais fortes chegou a perder mais de 1%, indo a seu menor patamar em duas semanas.

Isso deu gás às divisas emergentes ou ligadas às commodities, com rand sul-africano, dólar australiano e peso chileno, moedas cujo movimento o real tende a acompanhar, subindo entre 1,2% e 2,0% nesta tarde.

Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, disse que houve uma disparidade entre os mercados de câmbio e de ações nesta sessão: o apetite por risco reinou entre as moedas, tendência que as principais bolsas não acompanharam.

Segundo ele, isso aconteceu porque, enquanto os mercados de câmbio focaram expectativas de que a China estimulará a economia e relaxará seus duros lockdowns de combate à covid, as ações refletiram resultados corporativos decepcionantes de grandes empresas de varejo dos Estados Unidos.

Rostagno afirmou que dados fracos sobre a economia norte-americana –mostrando aumento nos pedidos semanais de auxílio-desemprego e desaceleração num índice de atividade manufatureira do Fed (Federal Reserve, banco central americano) de Filadélfia – ajudaram a alimentar as perdas do dólar nesta sessão, uma vez que “uma atividade mais fraca do que o esperado pode eventualmente ajudar o banco central americano na tarefa de controlar a inflação”.

Embora caia 11,7% no acumulado de 2022, o dólar ainda está 6,8% acima da mínima de encerramento de 2022, de 4,6075 reais, atingida no final de abril, e alguns participantes do mercado enxergam pouco espaço para a moeda revisitar esses patamares em meio ao cenário global cada vez mais arisco.

Estrategistas do Citi notaram em relatório desta quinta que “o câmbio latino-americano enfraqueceu ao longo do último mês, à medida que a aversão ao risco aumenta e o ‘carry’ se torna menos favorável nesses ambientes de aversão a risco”.

O termo “carry” faz referência a estratégias que lucram com diferenciais de juros entre duas economias. Elas impulsionaram o real no primeiro trimestre deste ano – período em que o dólar caiu 14,5% –, quando um longo ciclo de aperto levou a taxa Selic a dois dígitos, num momento em que o banco central dos Estados Unidos estava apenas discutindo começar a endurecer sua política monetária.

Desde então, o Fed já começou a subir os juros, a ritmo mais agressivo que o inicialmente previsto pelos mercados, o que tem despertado temores de desaceleração do crescimento global, uma vez que condições mais apertadas tendem a frear o consumo.

Nesse contexto, o Citi piorou sua expectativa para a performance do real no curto prazo, vendo a divisa em 5,15 por dólar nos próximos três meses, de 4,70 previstos para o mesmo período antes. A projeção de médio prazo – para os próximos 6 a 12 meses – também piorou, a 5,30 por dólar, contra previsão anterior de 5,20.

“Embora os preços das commodities permaneçam elevados em níveis favoráveis para o real, o recente fortalecimento do dólar levou a uma desvalorização considerável” da moeda brasileira, completou o Citi. “Olhando para frente, a escalada de riscos internos depois das eleições (de outubro) em meio a condições monetárias globais mais restritivas devem levar a mais depreciação do real.”

O Sul

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