terça-feira, 20 de julho de 2021

Polícia investiga desabamento que matou mulher de 26 anos em restaurante na Ilha das Flores, em Porto Alegre

 


Nascida em Minas Gerais, Ana Elisa morava em Porto Alegre desde 2018. (Foto: Reprodução)

Técnicos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) analisaram nesta segunda-feira (19) o deck de madeira cujo rompimento, na noite anterior, causou a morte de uma mulher de 26 anos em restaurante na Ilha das Flores, em Porto Alegre. Conforme a Polícia Civil, a estrutura teria se rompido pelo excesso de peso causado por aglomeração de pessoas durante uma festa.

Foram verificados pontos no entorno da estrutura rompida que indicam falhas de conservação. A perícia fez o levantamento fotográfico das peças que foram rompidas, além da medição dos elementos da estrutura – a parte colapsada tem aproximadamente 50 metros quadrados. O projeto estrutural do deck também foi requisitado para análise.

O documento deve indicar o peso máximo que a estrutura poderia comportar, o que será confrontado com uma estimativa de peso das pessoas que se encontravam no local no momento do desabamento.

Vídeos divulgados pela imprensa e nas redes sociais mostram dezenas de pessoas participando de um evento no restaurante na noite de domingo. Cerca de 20 caíram nas águas no rio Jacuí após o desabamento do deck. A jovem morreu após passar um tempo submersa. Ela chegou a ser levada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu.

As vítimas

A mulher que morreu por causa do desabamento foi identificada como Ana Elisa Andrade Genaro Oliveira. Com parada cardiorrespiratória, ela foi retirada inconsciente da água e submetida a procedimentos de reanimação, chegando com vida ao HPS, mas faleceu por volta das 2h desta segunda-feira. A causa da morte, porém, ainda depende de laudo do Departamento Médico-Legal.

Nascida em Contagem (MG), Ana Elisa vivia desde 2018 em Porto Alegre. Ela era estudante de veterinária na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e irmã caçula do deputado estadual Leandro Genaro (PSD-MG). Assim que souberam do falecimento, familiares se deslocaram até Porto Alegre para os trâmites relativos ao translado do corpo para Belo Horizonte.

Outras cinco pessoas foram atendidas no Hospital Cristo Redentor. Destas, ao menos três foram liberadas horas depois.

Irregularidade

De acordo com a prefeitura de Porto Alegre, o local não tem alvará de funcionamento. Mesmo assim, estava sendo utilizado para duas festas no momento do incidente. Além disso, esse tipo de evento acarreta descumprimento das regras municipais de prevenção ao coronavírus.  Por meio de nota, a administração municipal de manifestou sobre o caso.

“A prefeitura de Porto Alegre esclarece que a marina, onde ocorreu o acidente na noite deste domingo, 18, na Ilha das Flores, não tinha alvará de funcionamento. A festa, que ocorria no local, não estava autorizada e também não houve denúncia à Guarda Municipal. Desde o início do ano, as equipes municipais de fiscalização intensificaram as operações para combater festas clandestinas.

A Administração Municipal seguirá tomando todas as medidas cabíveis referentes ao fato. O Executivo lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a família da vítima.”

Já o advogado de defesa do empresário que arrenda o restaurante contesta, assegurando que o estabelecimento, no bairro Arquipélago, possuí alvará de funcionamento e plano de prevenção a incêndios. “O número de pessoas estava dentro das normas estipuladas para aquele local e a manutenção era realizada periodicamente”, declarou à imprensa. “Os fatos serão comprovados no decorrer do inquérito.”


O Sul

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