sábado, 24 de julho de 2021

Novas inundações atingem o centro da China em meio ao avanço de tufão

 Quase 9.000 pessoas já foram resgatadas, mas ainda restam 19.000 a serem socorridas



Milhares de habitantes da região central da China foram resgatados nesta sexta-feira (23), mas ainda estão cercados por água, três dias após chuvas devastadoras que mataram pelo menos 51 pessoas, enquanto um tufão se aproxima da área afetada ameaçando com uma tempestade.

Henan, a terceira província mais populosa da China com quase 100 milhões de habitantes, sofreu chuvas recordes nos últimos dias que transformaram as ruas em torrentes de lama. Sua capital, Zhengzhou, foi duramente atingida, a ponto de um vagão do metrô ficar submerso na terça-feira, matando 12 pessoas.

Nesta metrópole de 10 milhões de habitantes, bombeiros e socorristas trabalhavam nesta sexta-feira com enormes bombas para retirar grandes quantidades de água acumuladas nas ruas.

As condições climáticas forçaram a retirada de mais de 395 mil moradores e causaram danos de mais de 65,5 bilhões de yuans (10 bilhões de dólares), anunciaram as autoridades municipais.

Em uma escavadeira, 15 residentes foram evacuados às pressas. Alguns carregavam alguns pertences, outros nem isso e estavam nus da cintura para cima.

Na saída de um túnel no centro da cidade, muitos ficavam surpresos de ver dezenas de veículos amontoados depois de terem sido arrastados pela correnteza na terça-feira. A polícia proibiu pessoas e jornalistas da AFP de fazer fotos ou vídeos. É provável que ainda existam corpos dentro de veículos submersos.

Em uma avenida lamacenta, Chen Yan tentava deixar Zhengzhou. "Quase não há trens hoje. Sem carro é difícil deixar a cidade", disse o homem de 30 anos, que está bloqueado em Zhengzhou há três dias.

Balsas

As fortes chuvas agora estão concentradas mais ao norte. A 90 quilômetros de Zhengzhou, a cidade de Xinxiang e seus arredores estão isoladas do mundo.

 De acordo com a emissora estadual CCTV, o  rio Wei transbordou As imagens exibidas pela emissora mostravam os socorristas usando um guindaste móvel para retirar os residentes.

Quase 9.000 pessoas já foram resgatadas, mas ainda restam 19.000 a serem socorrisdas, disse a rede. Em uma rua de Weihui, a água chega até os joelhos e em alguns pontos até o pescoço.

Voluntários participam das tarefas de resgate. "Estamos nos organizando para não termos duas equipes no mesmo lugar fazendo a mesma coisa", disse Zhang Luyang, um jovem de colete salva-vidas.

Ao lado dele, Liu Long, de 30 anos, escuta com atenção. "Não sou um profissional de resgate e não sei nadar, mas queria ajudar fisicamente", declarou.

 Não sobrou nada 

Os socorristas retiram os moradores com botes infláveis ou jangadas improvisadas feitas com portas ou placas. Os idosos são os que têm mais dificuldade, porque o nível da água dificulta os movimentos. Apesar de tudo, um aposentado tentava andar de bicicleta por uma rua inundada. As rodas estavam completamente cobertas de água.

Em uma cidade próxima, centenas de pessoas se refugiaram no hotel de Liang Long. "Suas aldeias foram arrasadas, não sobrou nada", disse. O hotel, localizado a cerca de 20 quilômetros das áreas mais afetadas, recebeu várias ligações pedindo ajuda. "A comida está acabando", disse Liang Long.

Especialistas apontam as mudanças climáticas como responsáveis pelas piores enchentes da região desde o início dos registros, há 60 anos.

Tufão In-fa

Mais ao leste, a China observa o avanço do tufão In-fa, com chuvas torrenciais e ventos de mais de 130 km/h, segundo os serviços meteorológicos.

Espera-se que In-fa chegue ao continente a partir de sábado na região de Xangai, onde vivem dezenas de milhões de pessoas.

AFP e Correio do Povo

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