sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Dólar fecha quinta-feira em baixa de 2,69%, aos R$ 5,03

 Ibovespa vai a 115.128,63 pontos com avanço de 1,88%



O dólar fechou a quinta-feira em R$ 5,03, na menor cotação desde o dia 12 de junho, quando foi a R$ 5,00 após uma breve temporada abaixo deste patamar. Fatores técnicos, incluindo um leilão extra de swap cambial do Banco Central (espécie de venda de dólares no mercado futuro), além do noticiário positivo doméstico sobre vacinas contra o coronavírus e a perspectiva de que os juros podem voltar a subir mais cedo em 2021, o que em tese é positivo para atrair dólares ao Brasil, fez o real ganhar força em todo o pregão de hoje. A divisa brasileira terminou o dia com o melhor desempenho em uma cesta de 34 moedas mais líquidas, em meio a relatos de reforços nos fluxos externos ao Brasil, não só para a Bolsa, mas também para participar do leilão do Tesouro.

No fechamento, o dólar à vista encerrou em baixa de 2,69%, cotado em R$ 5,0379. No mercado futuro, o dólar para janeiro fechou em queda de 2,79%, em R$ 5,0270.

Operadores falavam já ontem à noite da chance de queda do real nesta quinta-feira, com o Banco Central anunciando oferta extra de swap para hoje, de US$ 800 milhões, após concluir a rolagem dos papéis de janeiro. Também na noite de ontem, o comunicado da reunião de política monetária do BC, considerado mais duro, levou parte dos analistas a passar a prever chance de alta de juros mais cedo em 2021, o que também se reverteu em aumento destas apostas na curva a termo de juros.

A analista de mercados emergentes e moedas do Commerzbank, You-Na Park-Heger, destaca que a possibilidade de alta de juros voltou ao radar do BC, o que não deixa de surpreender, pois a instituição vinha minimizando a recente aceleração dos índices de preços. Para ela, a volta da elevação dos juros pode ocorrer no segundo semestre de 2021. Assim, o comunicado mais duro ("hawkish") do BC é um fator positivo para o câmbio, na medida em que a redução do diferencial das taxas do Brasil com o resto do mundo foi um dos principais fatores a pressionar o câmbio nos últimos meses, além da questão fiscal.

Nas notícias sobre vacina, o governador de São Paulo, João Doria, afirmou que o Instituto Butantã começou a produzir ontem a Coronavac, com capacidade de produção que chegará a 1 milhão de doses por dia. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje uma resolução com regras para permitir o uso emergencial de vacinas. Com essas notícias, o dólar testou mínimas, enquanto o Ibovespa acelerou os ganhos, para no final da tarde superar os 115 mil pontos.

A expectativa pela vacina é forte porque ela pode ajudar a acelerar o crescimento da atividade, que será prejudicada neste e no próximo trimestre pelo crescimento de casos da covid no País, avalia o economista-chefe do Citi para Brasil, Leonardo Porto. Para ele, a vacinação no Brasil deve ganhar força a partir do segundo trimestre de 2021. Sobre o câmbio, ele está mais cético e acha que o dólar fecha o ano em nível mais alto que o atual, por conta da tendência do aumento de ruídos políticos nas próximas semanas em Brasília, em torno das reformas, da prorrogação do auxílio emergencial e da agenda fiscal. Por ora, o Senado confirmou a votação da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2021 no próximo dia 16.

Ibovespa

O Ibovespa deu uma arrancada na sessão de negócios desta quinta-feira, e testou, por vários momentos, para conseguir fechar na marca dos 115 mil pontos, nível que frequentou pela última vez em 17 de fevereiro passado (115.309,08). Assim, o índice Bovespa terminou com ganhos de 1,88%, aos 115.128,63 pontos. Ao contrário do início da semana, quando as preocupações com a questão fiscal foram preponderantes para a pisada no freio dos investidores, hoje, com a definição mais clara sobre a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), na semana que vem, e notícias sobre o andamento do processo de imunização no país, as ordens de compra foram disparadas.

As ações de primeira linha do setor financeiro, ainda bastante descontadas, seguiram com altas fortes. Itaú Unibanco PN avançou 3,31% enquanto Bradesco PN, 4,12%, Banco do Brasil ON, 5,20% e as units do Santander, 2,33%.

Muito embora os pares em Nova Iorque mostrassem claudicância, mas oscilando na maior parte do tempo no terreno negativo pelas indefinições no Congresso americano pelo pacote de estímulos, outros ventos externos ajudaram o Ibovespa: as commodities. Os contratos futuros de petróleo passaram o dia com ganhos perto de 3% e as ações da Petrobras estiveram em sintonia, com as preferenciais e as ordinárias fechando a sessão de negócios com ganhos de 3,27% e 3,63%. O minério de ferro, em US$ 156,58 a tonelada, seguiu impulsionando Vale e empresas correlatas.

Aqui no Brasil, o Congresso Nacional convocou uma sessão no próximo dia 16 para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021. A votação será dividida em duas etapas, uma para deputados e outra para senadores. A convocação foi feita após um acordo do Congresso com o Executivo para votar o projeto da LDO diretamente no plenário e garantir que o governo comece janeiro com uma autorização mínima para executar despesas essenciais. A Lei Orçamentária Anual (LOA), com os valores para cada ministério e a definição das emendas parlamentares, deve ser votada em fevereiro.

Também durante o dia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de aprovar regras que autorizem o uso emergencial e em caráter experimental de vacinas contra a Covid-19 vai evitar a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a agência.

Juros

O mercado de juros se dedicou nesta quinta-feira aos ajustes ao comunicado do Copom, com o tom mais conservador do que o esperado provocando a clássica reação de perda de inclinação na curva. As taxas curtas subiram e as demais caíram, refletindo a percepção de que o colegiado se prepara para retirar o forward guidance, que indica manutenção da Selic estável, provavelmente no próximo encontro, em janeiro. E, embora a maioria não acredite num aperto monetário já na reunião seguinte, várias instituições anteciparam suas estimativas de avanço da Selic ao longo de 2021. Outro destaque do dia foi o megaleilão de títulos do Tesouro. O lote de 47,5 milhões de títulos prefixados foi absorvido integralmente, representando uma oferta histórica em termos financeiros e de risco de mercado (DV01).

O giro de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na B3 foi astronômico, com mais de 1 milhão somente no vencimento de janeiro de 2022, o principal alvo da reação ao Copom. Fechou com taxa de 3,08% (regular) e 3,06% (estendida), de 3,039% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2023 fechou com taxa de 4,46% (regular) e 4,44% (estendida), de 4,465% ontem, e a do DI para janeiro de 2025 caiu de 6,114% para 6,03% (regular) e 5,99% (estendida). O DI para janeiro de 2027 terminou a regular com taxa de 6,83% e a estendida em 6,79%, de 6,963%.

O Copom manteve a Selic em 2% como esperado e também o forward guidance, mas alertou que desde sua adoção observou-se uma reversão da tendência de queda das expectativas de inflação em relação às metas para o horizonte relevante, com 2022 cada vez mais entrando no radar e já com a previsão de IPCA em cima da meta de 3,5%. "A manutenção desse cenário de convergência da inflação sugere que, em breve, as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas", afirma o Copom.

"O mercado entendeu que o Copom vai elevar a Selic em meados de 2021. O novo guidance. A curva de juros cedeu e perdeu inclinação", afirma a instituição, que tem José Francisco Lima Gonçalves como economista-chefe.

Segundo o gestor de renda fixa da Absolute Investimentos, Mauricio Patini, a reação ao Copom foi o que ditou o comportamento da curva durante todo o dia e mesmo o leilão "gigantesco" do Tesouro foi bem absorvido. "Há sinais de que estrangeiros garantiram boa parte da demanda", afirmou. O Tesouro mais do que dobrou a oferta de LTN, de 20 milhões para 45 milhões, em relação à semana passada, enquanto o lote de NTN-F subiu de 450 mil para 2,5 milhões. As NTN-F são papéis normalmente demandados por investidores estrangeiros. Tudo foi vendido integralmente, menos a oferta de LFT, de até 1,5 milhão - foram colocadas 1.199.050.


Correio do Povo

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