terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Brasileiro agora poupa para pagar despesas do dia a dia, mostra pesquisa

 por Eduardo Cucolo

Sondagem do FGV Ibre mostra que o que sobra para consumo é pouco e gera dúvidas sobre recuperação

São Paulo Os brasileiros ainda estão com receio de gastar o dinheiro poupado durante a pandemia e pretendem continuar economizando recursos nos próximos meses. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

De acordo com a sondagem especial realizada em novembro, 37,7% dos brasileiros estão guardando recursos por preocupação em relação à pandemia e seus efeitos sobre a economia. Entre os que conseguiram economizar, 73% afirmam que vão continuar poupando e apenas 1,4% pretende gastar totalmente os recursos.

Sondagem anterior mostrou que quase 60% dos consumidores adiaram as compras por causa da pandemia, o que possibilitou esse acúmulo de recursos.

Sobre o principal destino do dinheiro poupado, praticamente metade dos entrevistados na nova pesquisa afirma que vai gastar com despesas do dia a dia, quitar dívidas ou pagar impostos, o que gera dúvidas sobre a capacidade dessas poupanças de ajudar na recuperação do consumo e do setor mais afetado pela crise, os serviços.

“O que sobra para aumentar o consumo é muito pouco, dado que você tem um grande volume de recursos dessa poupança precaucional sendo usado para despesas correntes, quitação de dívidas e até pagamento de impostos”, afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens do FGV Ibre.

Despesas com viagem de férias, como hospedagem, alimentação e transporte, foram citadas por 15%, percentual que surpreendeu os pesquisadores diante da queda no consumo desses itens desde o início da pandemia.

O percentual supera o de gastos com bens duráveis (11,6%), como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis, segmento que sofreu menos com a crise. Apenas 1% dos entrevistados vai usar o dinheiro para ir a teatro, cinema, show, passeios, bares e restaurantes. Outro destaque é o percentual de pessoas na faixa de renda mais baixa da pesquisa (até R$ 2.100 mensais) que apontou “outros gastos" (40,4%). Nesse caso, a maioria afirmou que vai usar o dinheiro para reforma de imóveis, o que deve manter aquecida a venda de material de construção verificada nos últimos meses. Em relação ao momento em que vão usar o dinheiro, 24,5% disseram que iriam gastá-lo em dezembro, mês do Natal, cerca de 40% em até seis meses, 17% depois desse período e 18% disseram não saber.