quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Políticos apontados como testemunhas de Marchezan dizem desconhecer processo

Com 29 nomes, lista de testemunhas no processo de impeachment de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) tem gestores públicos, políticos e empresários

Políticos, gestores públicos e empresários estão entre as testemunhas de prefeito

A lista de testemunhas do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), no processo de impeachment foi entregue à Câmara Municipal nessa segunda-feira. A relação reúne 29 nomes, entre membros da administração, gestores públicos, políticos e empresários. O chefe do Executivo se defende das acusações de uso de verbas do Fundo da Saúde em publicidade. Segundo Marchezan, o dinheiro bancou campanhas de conscientização sobre a gripe e a Covid-19. O prefeito ainda argumenta que os próprios vereadores autorizaram a aplicação dos recursos para este fim.
Entre os políticos, a reação da maioria foi de desconhecimento dos motivos que levaram o prefeito a indicá-los como testemunhas. Quatro deputados federais foram arrolados no caso, sendo dois deles do PSDB, o mesmo partido de Marchezan. O mineiro Eduardo Barbosa disse não ter sido comunicado, mas ressaltou ter apreço pelo ex-colega de Câmara dos Deputados. O parlamentar não afastou a possibilidade de contribuir com seu depoimento. Outro tucano é o deputado Samuel Moreira, de São Paulo, que não foi encontrado pela reportagem.
A deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC) também foi questionada pela Rádio Guaíba e disse não estar ciente do processo. O quarto parlamentar federal citado é o gaúcho Maurício Dziedricki (PTB). O político foi candidato à Prefeitura de Porto Alegre em 2016 e apoiou Marchezan no segundo turno. O deputado disse não saber o motivo de ter sido indicado como testemunha no processo de impeachment.

Secretário diz não entender motivos

O secretário Estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rodrigo Lorenzoni (DEM), foi um dos citados por Marchezan como testemunha. O filho do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, disse não saber dos motivos e nem como pode contribuir com o processo. “Eu recebi uma ligação do prefeito ontem me comunicando disso e, dois minutos depois, ele estava dando uma coletiva de imprensa. Não consigo entender de que forma posso colaborar com esse processo, porque sou secretário de Estado e testemunha é quem acompanha um fato ou um ato. Eu não tenho relação direta com a administração pública municipal”, destacou.
Lorenzoni sublinhou que, observando a lista de testemunhas, Marchezan estaria politizando o processo. “Não tem como não pensar que ele quer politizar essa discussão e eu não serei artifício para isso”, destacou. Outro membro do Democratas citado é o vereador Ricardo Gomes, que votou pela admissibilidade do pedido de impeachment na Câmara.

Adversários políticos

Partidos que nutrem uma relação conflituosa com Marchezan têm militantes incluídos na relação de testemunhas. Além do deputado Maurício Dziedricki, o PTB gaúcho figura na lista com o ex-prefeito José Fortunati, pré-candidato da legenda nas eleições deste ano, e Djedah de Souza Lisboa, que já fez parte do diretório do partido no Rio Grande do Sul e que foi quadro da Prefeitura e do Ministério da Saúde.
A sigla ocupou posições de destaque na gestão da Saúde em Porto Alegre. O ex-vice-prefeito Eliseu Santos foi secretário da pasta. Em 2010, o petebista foi assassinado. As investigações indicam que a motivação do crime foi a descoberta de um esquema de corrupção por parte do secretário. Nelson Marchezan Júnior pediu que a cópia do processo do caso Eliseu Santos seja juntada ao processo de impeachment.
O prefeito também pediu a análise de outros escândalos de corrupção ocorridos em gestões anteriores na Prefeitura, como os desvios na FASC, na Procempa e no DEP. O ex-diretor do Departamento de Esgotos Pluviais, Tarso Boelter, é uma das testemunhas elencadas. O gestor, vinculado ao Partido Progressista, foi indiciado por irregularidades na empresa. Também do PP, o ex-secretário de Relações Institucionais Kevin Krieger disse à Rádio Guaíba desconhecer o motivo de sua inclusão na lista de testemunhas.

Gestores da Saúde

Nomes que não fazem parte da administração municipal também aparecem na relação. O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta foram indicados como testemunhas de Marchezan. O executivo da pasta da gestão de Mandetta, João Gabbardo dos Reis, também foi citado. Em contato com a reportagem da Rádio Guaíba, o atual secretário de Combate à Covid do Estado de São Paulo se limitou a dizer que está ciente da situação.
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, também compõem a lista. No Rio Grande do Sul, o secretário da Saúde de Canoas, Fernando Ritter, disse já ter sido comunicado pelo prefeito Marchezan de que seria uma das testemunhas.
Há também atuais e antigos membros da gestão Marchezan na relação apresentada pela defesa do prefeito. Entre eles, estão o secretário da Saúde, Pablo Stürmer, e seu adjunto, Natan Katz; o Procurador-Geral do Município, Carlos Eduardo Silveira; e o ex-secretário de Comunicação Orestes de Andrade Júnior.
O presidente do Sindicato de Hospedagem de Alimentação de POA e Região, Henry Chmelnitsky, disse que aceitou ser testemunha a pedido do prefeito Nelson Marchezan Júnior para falar exclusivamente das tratativas ligadas ao setor de turismo, com o pleito do Centro de Convenções. A promotora de Justiça Lucia Helena de Lima Callegari disse não poder se manifestar sobre o caso.

Lista de testemunhas:

Eduardo Barbosa, deputado federal (PSDB-MG)
Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde
Carmen Zanotto, deputada federal (Cidadania-SC)
Djedah de Souza Lisboa, ex-diretor de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde
Fernando Ritter, secretário da Saúde de Canoas
João Gabbardo dos Reis, secretário executivo de Combate à Covid de SP
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde
Pablo Stürmer, secretário da Saúde de Porto Alegre
Natan Katz, secretário-adjunto da Saúde de Porto Alegre
Luis Carlos Heinze, senador (PP-RS)
Lucia Helena de Lima Callegari, promotora de Justiça
Fabio Wajngarten, secretário executivo do Ministério das Comunicações
Alfredo Fedrizzi, jornalista
Fábio Bernardi, publicitário
Fernando Silveira, publicitário
Kevin Krieger, ex-secretário de Relações Institucionais (PP)
Tarso Boelter, ex-diretor do DEP (PP)
Maurício Dziedricki, deputado federal (PTB-RS)
Orestes de Andrade Junior, ex-secretário de Comunicação de Porto Alegre
Cleber Benvegnu, jornalista
José Fortunati, ex-prefeito (PTB)
Marta Rossi, empresária
Luiz Carlos Caio Tomazelli, empresário
Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo
Carlos Eduardo Silveira, Procurador-Geral do Município
Ricardo Gomes, vereador (DEM)
Rodrigo Lorenzoni, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo (DEM)
Henry Chmelnitsky, presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região
Samuel Moreira, deputado federal (PSDB-SP)
* A lista segue a ordem das fotos, da esquerda para a direita.

Rádio Guaíba e Correio do Povo

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