terça-feira, 28 de julho de 2020

Planos de saúde enfrentam inadimplência e demanda reprimida

Setor, no entanto, vislumbra oportunidades de aproximação mesmo com a crise do novo coronavírus

Demanda por casos de demais doenças deve ser grande ao final da pandemia

O setor de saúde suplementar vem sofrendo de maneira significativa desde o início da pandemia. Em todo Brasil, os planos perderam 283 mil clientes em apenas dois meses, caindo de 47.113 milhões de beneficiários em março para 46.829 em maio, segundo um balanço divulgado no início de julho pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As queixas relacionadas à pandemia também aumentaram, conforme a ANS. Foram registradas 4.701 reclamações em todo país entre março e junho deste ano. Entre elas, 36% dizem respeito à exames e tratamento da doença e 43% reclamavam de outras assistências afetadas pela pandemia. Outros 21% foram sobre temas não assistenciais, como contratos ou regulamentos.
A Federação das Unimeds do Rio Grande do Sul diz que a queda no número de beneficiários está diretamente relacionada com a crise financeira sofrida pelos clientes, assim como a inadimplência, que também aumentou. No entanto, conforme o diretor Jorge Antônio Martines, a crise oferece uma oportunidade de aproximação. "Toda esta situação está relacionada com empregabilidade, fechamento de empresas. Isso se reflete em planos familiares, individuais e empresariais. Estamos monitorando muito de perto. Mas acredito que são formas de nos aproximarmos dos beneficiários, estreitar a relação, criar um processo de fidelização", analisa.
Outro desafio a ser vencido pela Unimeds/RS será o atendimento a todos os casos que não são urgentes, restringidos por conta da pandemia. A demanda reprimida chegará com força no fim do segundo semestre deste ano e início do ano que vem, aposta o presidente Nilson Luiz May. “Está absolutamente claro que teremos de ter um ‘colchão’ reserva para estes casos não urgentes. A demanda reprimida deve virar realidade a partir de outubro. Então as operadoras e os médicos têm de estar conscientes disso”, alerta May.
A telemedicina, que virou realidade na Saúde e vai permanecer daqui para frente, também é pauta da Unimed/RS como estratégia para vencer a crise no curto prazo. Trata-se do aplicativo Quero Consulta Unimed, que já foi disponibilizado para a Unimed da Serra e deve estar liberado ao longo de 2020 para as demais unidades. Através do aplicativo, é possível fazer agendamentos sem precisar telefonar para o consultório. “Estamos disponibilizando para nossos colaboradores um aplicativo próprio para agendamento e realização de consultas online. A ideia é que possamos ainda expandir ainda mais as possibilidades dentro deste aplicativo”, conclui.

Correio do Povo

Nenhum comentário:

Postar um comentário