Por Rodrigo Constantino
A imprensa precisa ser independente, corajosa e fazer as perguntas incômodas. O governo precisa ser transparente, governar para o povo em geral, e prestar contas à população. Isso numa democracia saudável, quiçá ideal. Estamos longe disso.
No Brasil, boa parte da mídia torce contra, tem claro viés ideológico e não suporta o presidente ou qualquer coisa à direita dos tucanos esquerdistas. Como reação a isso, o presidente ataca a mídia, xinga jornalistas, cria factoides e evita entrevistas.
Essa guerra interessa a ambos os lados. A imprensa militante do contra pode perder alguma verba estatal, mas ganha audiência por ser alvo de tantos ataques do presidente. O presidente ganha aplausos da sua militância por "mitar" contra a imprensa enviesada. Mas quem perde é o público interessado nas notícias relevantes.
O melhor exemplo se deu hoje mesmo, e eu estava lá para ver in loco. O presidente, falando nesta segunda para a comunidade brasileira de Miami, repleta de fãs que gritavam "mito" e "amém", sentiu-se à vontade no clima favorável e descontraído e acabou subindo o tom.
Ele disse que aquela grande emissora não é lixo, pois lixo é reciclável, e que o "jornaleco Folha alguma coisa" só sabe critica-lo, distorcendo o que diz, ou inventando quando não diz. E criou o factoide: teria provas de que a eleição foi fraudada pelas urnas, e que sem isso teria vencido no primeiro turno.
Era dada a deixa para as manchetes. Todos nós, na mesma hora, farejando a chamada, digitamos às pressas a bomba: presidente acusa eleição de fraude! E nada mais vira notícia ali, não há mais assunto. O presidente foge, assim, das questões delicadas como coronavírus ou derretimento das bolsas, e os jornalistas ignoram as conquistas da viagem.
Artigo completo aqui.
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