quarta-feira, 25 de março de 2020

Como a quarentena afeta os relacionamentos

Casais estão começando a sentir o impacto do isolamentos social

Segundo o jornal chinês Global Times, o número de divórcios na China está aumentando muito em decorrência do confinamento imposto como medida preventiva contra o coronavírus. Os casais brasileiros também estão levantando dúvidas nas redes sociais sobre como lidar com os problemas decorrentes da quarentena. Apesar do amor, a convivência 24 horas por dia e a falta de contato com outras pessoas têm criado desafios para os relacionamentos. 





A situação que estamos passando atualmente é completamente nova. Por isso, a psicóloga Mara Lins destaca que esse momento causa muita ansiedade nas pessoas e pode acabar refletindo nos relacionamentos interpessoais. "A gente não sabe o que está acontecendo, não temos dados da doença. É tudo muito desconhecido, muitas informações não são confirmadas. É uma situação que eleva o nível de estresse", considera. Ainda, existe uma mudança brusca na rotina das pessoas. As famílias precisam conviver em um mesmo espaço o dia inteiro, e sem previsão de voltar a normalidade. 
"Esse é um período bem delicado mesmo: as pessoas estão ansiosas e convivendo com entes queridos, mas que não se tem o costume de estar tanto tempo junto. O que acontece? O nível de tolerância cai", reflete a psicóloga. 
Nesse cenário, ocorrências pequenas do dia a dia, como a louça que não foi lavada ou a tampa do vaso levantada, acabam se tornando mais importantes. Além disso, essas desavenças podem trazer à tona problemas que não foram resolvidos no passado agravando a situação. Esse contexto se torna ainda pior quando as pessoas estão dividindo um ambiente sem delimitações de espaços pessoais.
Por estarmos passando por um período de estresse, Mara indica que todas essas situações sejam observadas com mais tolerância. Observar a sua própria reação e lidar com os problemas como parte de uma realidade temporária são algumas das práticas que podem ajudar. A prática da aceitação, própria das terapias comportamentais contextuais, também pode ser uma aliada. "Isso não quer dizer se resignar ou ficar passivo diante das situações, nem aceitar o inaceitável, como a violência. Aceitar é pensar como eu vou me posicionar em frente àquelas coisas que eu não posso mudar", explica.
Uma posição que pode ser tomada na resolução de conflitos nos relacionamentos é abrir o diálogo. No momento atual, passando mais tempo juntos, os casais têm mais chances para conversar e discutir seus problemas. Para colocar isso em prática, a psicóloga sugere que seja adotada a "linguagem do eu", ou seja as pessoas devem refletir sobre como são afetadas e expressar os seus sentimentos sem projetar os problemas apenas nas atitudes dos outros. Segundo Mara, "quando falamos na linguagem do eu não estamos atacando o outro, então a chance da outra pessoa escutar realmente o que queremos trazer é maior". 
Os momentos a dois ou em família também devem ser aproveitados. O tempo extra permite que hábitos antigos, como jogos, conversas ou até mesmo uma comida diferenciada, sejam resgatados e voltem a fazer parte da relação. Para valorizar ainda mais as ocasiões, é essencial que a rotina seja mantida com tarefas e tempo suficiente para que existam períodos afastados, mesmo que não sejam fisicamente.
A psicóloga lembra que querer passar um tempo sozinha e ter seu próprio espaço não quer dizer gostar menos de alguém. Principalmente lidando com a atual pandemia, cuidar de si mesmo, da sua saúde física e mental, faz parte do cuidado com o outro. "É época de se cuidar, de ter tolerância e expressar o amor via autocuidado, isso respinga no outro", tranquiliza a psicóloga. 

Correio do Povo

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