
São três principais razões: falta de competição, legislação e direcionamento de crédito
Para famílias e empresas, o Brasil tem os juros mais altos do mundo, mesmo com a Selic em mínima histórica.
A razão para isso se chama repressão financeira.
Nosso mercado de crédito é desenhado para desencorajar a concessão de empréstimos. Assim, quando um empréstimo sai, é caríssimo.
Seria fácil resolver o problema se os juros fossem altos por causa da exploração pelo capital —malvados banqueiros sugando a sociedade brasileira. Mas é muito mais complicado que isso.
Há três principais razões para nossos juros estratosféricos: falta de competição —amparada pelo Banco Central—, legislação e direcionamento de crédito.
A falta de competição tem uma razão histórica: o conservadorismo do Banco Central depois da crise financeira da década de 90, que só não foi pior pelo Proer e pelo Proes, programas de reestruturação do setor financeiro.
Desde então, o Banco Central sustenta que sua missão é manter um sistema financeiro sólido e eficiente. Sólido o sistema é, mas eficiente não.
Altos níveis de reservas, monitoramento de transações em tempo real e bênção para consolidação do sistema, com bancos grandes comprando pequenos e corretoras, priorizam segurança em detrimento da competição (em 2000, os ativos dos cinco maiores bancos eram 50% dos ativos bancários totais; agora, são mais de 80% e crescendo).
É mais fácil monitorar poucos grandes bancos. Além disso, só em dezembro de 2018 o Bacen autorizou a primeira fintech a operar como sociedade de crédito direto, enquanto no mundo, há anos, milhares podem conceder empréstimos.
Esse comportamento não está necessariamente errado. Afinal, a crise financeira mundial de 2008 não afetou a estabilidade do nosso sistema financeiro. Mas o custo disso sentimos no bolso.
O elevado grau de direcionamento de crédito também limita a sua oferta. Mesmo que os bancos quisessem competir por aumentar crédito, barateando-o (um grande se, já que o mercado bancário brasileiro é clássico caso de oligopólio), não conseguiriam.
Em tese, bancos captam dinheiro no mercado para emprestar. Mas, para recursos à vista, 21% são reservas compulsórias, 30% para crédito rural e 2% para microcrédito (além de exigência mínima de cumprimento de 65% sobre os montantes de depósitos à vista). Para poupança, 20% de reservas e 65% para operações imobiliárias, e até recursos a prazo têm alto recolhimento, de 31%.
O crédito livre para pessoa jurídica era 37% do total emprestado para empresas em 2010. Em valores nominais, pouco cresceu desde então e hoje é relativamente muito menor, somente 26% do total.
Para piorar, se há inadimplência, é custoso e difícil executar garantias.
O Brasil, numa comparação feita pelo Banco Mundial, é classificado como o pior país emergente na capacidade do sistema financeiro de recuperar crédito de inadimplentes (148º lugar entre 183 países).
No mundo, os juros estão historicamente baixos. Títulos alemães têm taxa de juros nominais negativas; investidores pagam para o governo pelo direito de emprestar dinheiro para o governo alemão.
Em países emergentes, como Tailândia, Chile, Malásia e Senegal, empresas conseguem empréstimos a menos de 5% ao ano. Aqui, estamos parados no tempo.
Há 25 anos tínhamos os juros mais altos do mundo. Nada mudou. Faltam incentivos à competição. O cadastro positivo ajuda um pouco, mas precisamos de muito mais para furar nossa repressão financeira.
Fonte: Folha Online - 19/10/2019 e SOS Consumidor
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