A verdade sobre o nióbio

Nossas reservas do minério valem mais que o pré-sal. Mas isso não significa grande coisa. Entenda.

Por Tiago Cordeiro e Bruno Garattoni





(Tomás Arthuzzi/Thales Molina/Superinteressante)

Parece mágica. Você joga um punhadinho de nióbio, apenas 100 gramas, no meio de uma tonelada de aço – e a liga se torna muito mais forte e maleável. Carros, pontes, turbinas de avião, aparelhos de ressonância magnética, mísseis, marcapassos, usinas nucleares, sensores de sondas espaciais… praticamente tudo o que é eletrônico, ou leva aço, fica melhor com um pouco de nióbio. Os foguetes da empresa americana SpaceX, os mais avançados do mundo, levam nióbio. O LHC, maior acelerador de partículas do planeta, e o D-Wave, primeiro computador quântico, também. Todo mundo quer nióbio – e quase todas as reservas mundiais desse metal, 98,2%, estão no Brasil. Nós temos o equivalente a 842 milhões de toneladas de nióbio, que valem inacreditáveis US$ 22 trilhões: o dobro do PIB da China, ou duas vezes todo o petróleo do pré-sal. Por isso, há quem diga que o nióbio pode ser a salvação do Brasil, a chave para o País se desenvolver e virar uma potência global. Mas de que forma o nióbio é explorado hoje em dia, e quem ganha com ele?

É verdade, como se ouve por aí, que estamos exportando nossas reservas a preço de banana? E, se esse metal vale tanto, por que há tão pouca informação sobre ele? Há muitas lendas a respeito do nióbio. A mais importante: ele é, de fato, um elemento estratégico e raro. Mas não se trata de uma fonte inesgotável de riqueza.

A filha de Tântalo

O nióbio foi descoberto em 1801 pelo cientista britânico Charles Hatchett, que o batizou de columbium, em referência ao local de onde a amostra tinha vindo – Connecticut, nos Estados Unidos, numa época em que os poetas ingleses se referiam ao país como Columbia. Anos depois, o nióbio foi confundido com o tantálio pelo químico inglês William Hyde: ele afirmou que os dois elementos eram idênticos. Foi só em 1846 que outro químico, o alemão Heinrich Rose, comprovou que eram coisas diferentes. Quando a confusão foi desfeita, os americanos continuaram chamando o elemento de columbium, mas os europeus adotaram o nome nióbio: referência a Níobe, figura da mitologia grega, filha de Tântalo (uma piadinha com o antigo debate nióbio versus tantálio).

No final do século 19, o nióbio começou a ser usado nos filamentos de lâmpadas, até descobrirem que o tungstênio é mais resistente. A partir dos anos 1930, começaram a surgir pesquisas indicando que misturar nióbio com ferro era uma boa ideia. Mas, para usá-lo em escala industrial, era preciso encontrar uma boa quantidade desse metal. Na década de 1960, foi descoberta a primeira grande reserva do planeta: em Araxá, a 360 km de Belo Horizonte. Em 1965, o almirante americano Arthur W. Radford, integrante do conselho da mineradora Molycorp, convidou o banqueiro brasileiro Walther Moreira Salles para montar uma empresa de extração e refino do nióbio. A Molycorp tinha acabado de comprar algumas minas em Araxá. O brasileiro topou, e nasceu a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM).

(Tomás Arthuzzi/Thales Molina/Superinteressante)

Como em 1965 o metal ainda não tinha utilidade comprovada, o governo militar deixou passar batido – e permitiu que a CBMM, junto com os americanos, explorasse o nióbio à vontade. Aos poucos, Salles foi comprando a parte dos americanos, o que os militares viram com bons olhos. Na década seguinte, a CBMM virou controladora mundial de um mercado que nem sequer existia. Não existia, mas passou a existir: nos anos 1970, a empresa descobriu dezenas de utilidades para o nióbio – que hoje é um dos principais negócios da família Moreira Salles (também dona do banco Itaú).

A CBMM não vende o minério bruto, e sim uma liga chamada ferronióbio, que contém 2/3 de nióbio e 1/3 de ferro.  Além desse produto, seu carro-chefe, ela também comercializa dez outras formulações à base de nióbio. A empresa tem 1.800 funcionários e lucra R$ 1,7 bilhão por ano. Em 2011, vendeu 30% de suas ações para um grupo de empresas asiáticas, mas com restrições: os brasileiros mantiveram o controle da empresa, e não cederam nenhuma informação técnica sobre o processamento do nióbio – um segredo industrial que tem 15 etapas e foi inventado pela empresa dos Moreira Salles. “Ele envolve mineração, homogeneização, concentração, remoção de enxofre, remoção de fósforo e chumbo, metalurgia, britagem e embalagem”, explica Eduardo Ribeiro, presidente da CBMM. “Para produzir o nióbio metálico, por exemplo, é necessário realizar uma última etapa em um forno de fusão por feixe de elétrons, que atinge temperaturas superiores a 2.500 oC”, diz.

Além da CBMM, há outra empresa explorando nióbio no País: a Anglo American Brazil, que opera em Catalão, Goiás. Também há nióbio na Amazônia, mas ele ainda não começou a ser minerado. Só o que temos em Minas Gerais e Goiás já é suficiente para abastecer toda a demanda mundial pelos próximos 200 anos. Os maiores compradores são China, EUA e Japão, que pagam em média US$ 26 mil pela tonelada de nióbio (esse valor é uma estimativa, pois o metal não é vendido em bolsas de commodities; o preço é negociado caso a caso, direto com cada comprador). Há quem diga que esse valor é muito baixo – o ouro, por exemplo, é comercializado a US$ 40 mil o quilo. Se o nióbio é tão útil, e o Brasil controla quase todas as reservas, não poderia cobrar mais caro? O governo brasileiro não deveria exigir royalties sobre a venda? E por que apenas  10% das tubulações de aço do planeta usam nosso produto? Há respostas para tudo isso.

Nada é perfeito

A primeira delas: o nióbio é substituível. Vanádio e titânio cumprem basicamente a mesma função. O vanádio é encontrado na África do Sul, na Rússia e na China. O titânio está presente na África do Sul, na Índia, no Canadá, na Nova Zelândia, na Austrália, na Ucrânia, no Japão e na China. Esses países preferem explorar suas próprias reservas a depender de um mineral que é praticamente exclusivo de uma nação só – o Brasil. Em alguns casos, também é possível trocar o nióbio por tungstênio, tântalo ou molibdênio. “Não há mercado para mais nióbio”, afirma o economista Rui Fernandes Pereira Júnior, especialista em recursos minerais.

Outra questão é que é preciso pouco nióbio para que ele faça sua mágica. “As reservas brasileiras são suficientes para abastecer o mundo por séculos. Mas aquelas existentes em outras regiões do planeta, como o Canadá [que, como a Austrália, também possui nióbio], também são”, diz Roberto Galery, professor do departamento de Engenharia de Minas da UFMG. Quer dizer: não adianta aumentar muito o preço do nióbio, pois os compradores tenderão a optar por outros metais, nem tentar acelerar demais a exportação (pois aí haverá excesso de oferta de nióbio, fazendo o valor desse metal despencar).

Há outra questão: o Brasil só exporta o nióbio em si. Não fabrica produtos derivados dele. “Ninguém está disposto a pagar uma fortuna pelo nióbio, porque nós não conseguimos dar valor agregado a ele”, diz o professor Leandro Tessler, do Instituto de Física da Unicamp. “Nós repetimos nosso velho ciclo: vendemos matéria-prima e compramos produtos prontos. Vendemos nióbio e compramos fios de tomógrafos, por exemplo.” É um caso parecido com o do silício. Nós temos as maiores reservas de areia do planeta (e é da areia que o silício é extraído), mas só exportamos silício com 99,5% de pureza, menos que os 99,99999% exigidos pela indústria eletrônica.

E os royalties? O Brasil cobra pouco, mas cobra. O Estado fica com 2% do valor das exportações de nióbio – bem menos do que a Austrália, que exige 10%. Nós poderíamos impor royalties mais altos (com o petróleo, por exemplo, eles ficam entre 5% e 10%). Mas não há sinais de que isso vá ser feito. O Marco Regulatório da Mineração, que está tramitando no Congresso desde junho, não traz nenhuma regra específica para o nióbio.

(Tomás Arthuzzi/Thales Molina/Superinteressante)

Depois de crescer 10% ao ano na década passada, o mercado mundial de nióbio está estável. A demanda é de 100 mil toneladas anuais, 90% fornecidas pelo Brasil. De todos os 55 minérios que o Brasil exporta, o nióbio é o único em que somos líderes globais. Ele é o nosso terceiro metal mais exportado em valor financeiro (atrás do minério de ferro e do ouro, e empatado com o cobre na terceira posição).

“O surgimento de novas tecnologias pode levar ao aumento do mercado de nióbio”, diz Marcelo Ribeiro Tunes, diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Afinal, o consumo mundial cresceu cem vezes desde a década de 1960, e é provável que a tecnologia continue a dar saltos (e encontrar novos usos para o nióbio) no futuro. Mas, se quisermos explorar todo o valor dessa riqueza natural, precisamos aprender o que fazer com ela – e começar a fabricar produtos mais sofisticados. “O Brasil deveria  desenvolver a tecnologia desse material na medicina, nos transportes, na engenharia”, afirma Rui Fernandes Pereira Júnior. Do contrário, vamos continuar à mercê dos compradores estrangeiros. Como sempre estivemos desde que, no comecinho do século 16, navegadores portugueses descobriram a primeira de nossas commodities: uma madeira chamada pau-brasil.


Superinteressante


A ORDEM É LUTAR CONTRA O MAL MAIOR

XVIII- 58/18 - 07.01.2019

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BOLSONARO

Antes de tudo um esclarecimento: eu votaria mil vezes no Bolsonaro caso o outro candidato fosse socialista. Até porque nada de pior pode acontecer ao nosso empobrecido Brasil do que o retorno ao poder daqueles que plantaram e colheram safras intermináveis de magníficos ROMBOS nas contas públicas. Isto sem falar na grossa CORRUPÇÃO, que somada com uma brutal  INCOMPETÊNCIA virou marca registrada dos socialistas. 

MEDIDAS LIBERAIS

Mesmo sabendo que só Paulo Guedes e sua equipe estão compromissados com medidas LIBERAIS, únicas realmente capazes de SOLUCIONAR os graves problemas que levaram o Brasil à míngua, com as quais comungo plenamente e prometo jamais me afastar um milímetro deste convencimento, ainda assim me proponho a lutar contra as FORÇAS COMUNISTAS, que tomaram conta das  nossas instituições, com apoio irrestrito de boa parte da mídia. 

MAL MAIOR

Entretanto, esta luta contra o MAL MAIOR, que sabidamente será intensa e levará  muito tempo para produzir bons e efetivos resultados, não admite o cometimento de erros bobos e/ou infantis, do tipo como vimos já no terceiro e quarto dia de governo, 03 e 04/01, logo depois que Bolsonaro fez a sua primeira reunião ministerial.

PIORA O QUE ESTÁ PÉSSIMO

Começando pela péssima entrevista que o presidente concedeu ao canal de televisão SBT, quando, simplesmente, meteu os pés pelas mãos ao falar da REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Nesta questão, que é, inquestionavelmente, o GRANDE PROBLEMA DO BRASIL, Bolsonaro defendeu uma proposta ridícula, que simplesmente PIORA o que já está PÉSSIMO. Um horror!


A ORDEM ERA CRIAR CONFUSÃO

Tudo leva a crer que alguns de seus ministros, tão logo tomaram conhecimento das bobagens ditas pelo seu líder, no SBT,  entenderam que a ordem presidencial era a de criar MUITA CONFUSÃO e POUCO OU NADA DE ESCLARECIMENTO À OPINIÃO PÚBLICA, que mais do que nunca não pode cair em frustração.

MENTIDOS E DESMENTIDOS

Pois, na medida que, na sexta-feira passada, em que ouvia e assistia, atônito, a SÉRIE DE MENTIDOS E DESMENTIDOS, confesso que fui beliscado e/ou fustigado por uma ponta de frustração.  Por mais que entenda que o início de governo pode produzir situações incômodas, quando as bobagens extrapolam não posso ficar calado. Como se viu, a SÉRIE DE DESMENTIDOS acabou servindo de alimento para boa parte da mídia, principalmente aquela que não nutre a mínima simpatia por Bolsonaro. Esta turma está deitando e rolando...Pode?

Aliás, a insatisfação de Paulo Guedes soou de forma clara através de seu silêncio sepulcral. Do tipo de quem não vai tolerar estas bobagens por muito tempo...

MARKET PLACE

FOCUS DE HOJE - Eis o que revela a pesquisa Focus de hoje:

1- as projeções medianas para o IPCA permaneceram idênticas ao observado na semana passada, registrando 3,69% para 2018, 4,01% para 2019, 4,00% para 2020 e 3,75% para 2021;

2- a estimativa para a taxa de câmbio continuou em R$ 3,80/US$ para o final de 2019 e 2020;

3- a projeção para a taxa de crescimento do PIB em 2019 CAIU de 2,55% para 2,53;.

4- A projeção para a taxa Selic, por sua vez, recuou de 7,13% para 7,00% ao final de 2019, enquanto a estimativa para o fim de 2020 continuou em 8,00%.
ICMS SOBRE COMBUSTÍVEIS - Eis aí um importante esclarecimento sobre a tributação do ICMS dos combustíveis, segundo a SEFAZ -SC:

As alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) cobradas dos combustíveis variam de Estado para Estado. Em Santa Catarina, o percentual sobre a gasolina é 25% e sobre o óleo diesel é 12%, os menores do Brasil. “Santa Catarina tem a gasolina mais barata do Brasil porque é o único Estado em que o ICMS custa menos de R$ 1 por litro”, segundo a Secretaria da Fazenda do SC.

As alíquotas nos outros Estados para gasolina variam de 25% a 34%. Segundo dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), em maio 2018, por exemplo, os catarinenses pagavam R$ 0,980 de ICMS por litro de gasolina. O Rio de Janeiro pagava o tributo mais elevado – R$ 1,607 por litro da gasolina.

Naquela ocasião, a base de cálculo para arrecadação da gasolina em Santa Catarina era de  R$ 3,92. “Ou seja, os postos de gasolina do Estado pagavam ICMS até este valor. O que era vendido acima não entrou na arrecadação do Estado. Portanto, a crise que está acontecendo agora não é em função do ICMS”.

Já sobre o óleo diesel, as alíquotas variam de 12% a 25% em outros Estados. A base de cálculo da segunda quinzena de maio do diesel foi de R$ 3,24. Em Santa Catarina, na data, o ICMS cobrado era R$ 0,374 a cada litro enquanto no Amapá, que tem o maior tributo estadual, a taxa era de R$ 0,999 por litro.
ROMA INESQUECÍVEL - A campanha Roma Inesquecível, promovida pelos cartões Zaffari Card e Bourbon Card, já conta com aproximadamente 84 mil participantes e cerca de 270 mil números da sorte desde que foi lançada, no dia 1º de dezembro. Os clientes dos cartões têm até o dia 13 de janeiro para participar da promoção, que irá sortear 6 viagens com acompanhante para a capital italiana. Para participar, a cada R$ 400,00 em compras feitas com o Zaffari Card e o Bourbon Card o cliente receberá automaticamente um número da sorte para concorrer, não sendo necessária a troca de cupons fiscais.

É possível consultar os números da sorte diretamente pelo aplicativo dos Cartões Zaffari, nas lojas Zaffari e Bourbon, ou pelo SAC (4004 1224). Ao longo da promoção os clientes têm recebido notificações pelo aplicativo, estimulado o acompanhamento de seus números da sorte e o saldo em compras para geração de novos números da sorte.

As compras são cumulativas e, para a geração dos números da sorte, são somadas as compras do cliente titular e também as dos clientes adicionais vinculados à mesma conta. O sorteio ocorrerá pela Loteria Federal no dia 16 de janeiro. O regulamento completo pode ser acessado no site www.zaffaricard.com.br.

FRASE DO DIA

No Brasil cultuamos duas frustrações: a dos que têm poder, mas não têm competência para exercer; e a dos que têm competência, mas não têm poder.
Paulo de Tarso de Moraes Souza

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