Açude Castanhão, um dos três maiores do estado do CearáEverardo Onofre/Ministério da Integração Nacional
Desde 1910, o Ceará não passava por uma seca tão severa como a dos últimos cinco anos, revela levantamento feito pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), com base nos volumes de chuva dos últimos 100 anos. Antes desse período de estiagem, somente a seca de 1979 a 1983 havia sido tão grave e longa: a média anual de chuvas registrada na época foi de 566 milímetros (mm). De 2012 a 2016, a média caiu para 516 mm.
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A pouca água acumulada nos reservatórios, chuvas abaixo da média histórica, o crescimento da população nas zonas urbanas e o incremento de atividades econômicas no estado são fatores que, aliados, culminam na crise hídrica atual.
Segundo o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), João Lúcio Farias de Oliveira, os 153 açudes monitorados pelo órgão tiveram recarga média de 890 milhões de metros cúbicos (m³) em cada um dos últimos cinco anos de seca. A média anual histórica do estado é de 4 bilhões de m³. “As reservas foram caindo a cada ano, e temos perdas por evaporação muito altas: chegam a 2 mil milímetros, quando a média pluviométrica do Ceará é de 800 milímetros”, compara.
Oliveira informou que, com o fim da quadra chuvosa deste ano no Ceará (período que vai de fevereiro a maio), a Cogerh elaborou cenários com medidas e decisões necessárias para manter o abastecimento humano e as atividades econômicas no estado, notadamente na região metropolitana de Fortaleza, altamente dependente da Bacia do Rio Jaguaribe (onde fica o Açude Castanhão), que hoje tem 20% menos de água nas torneiras.
Dos açudes monitorados pela Cogerh, sete são responsáveis pelo abastecimento da região metropolitana, entre os quais os três maiores reservatórios do estado: Castanhão (capacidade para 6,7 bilhões de m³ água); Orós (1,9 bilhão de m³); e Banabuiú, (1,6 bilhão de m³). De acordo com Orós é considerado reserva estratégica e estava sendo preservado, mas começou a ofertar água para o sistema da região agora em setembro. Atualmente, o Orós conta com 21% do volume útil. O Banabuiú, com 0,58% do total da capacidade, atende hoje somente a demanda local do município, a 220 quilômetros da capital.
Além da limitação da oferta de água para a região metropolitana, Oliveira ressalta as medidas destinadas a gerar novas reservas, como o reúso da água da lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água Gavião (ETA Gavião), a perfuração de poços na região do Porto do Pecém (vazão estimada de 500 litros por segundo) e a construção de um açude no Rio Maranguapinho, que deverá contribuir com 200 litros de água por segundo.
“Temos condições de chegar à próxima quadra chuvosa com essas ações. Já estamos traçando cenários para o primeiro semestre de 2017 considerando o menor aporte hídrico. Vamos ver o comportamento das chuvas, mas já levamos em conta esses cenários para ver como será a operação dos reservatórios”, diz Oliveira. Ele destaca que as decisões são tomadas a partir de debate com os 12 comitês das bacias hidrográficas do estado, dos quais seis envolvem mananciais que abastecem a região metropolitana.
Professor sugere medidas mais drásticas para enfrentar seca no Ceará
Edwirges Nogueira – Correspondente da Agência Brasil
Açude Cedro, no município de Quixadá, uma das primeiras obras para combater a seca Arquivo/Agência Brasil
O estado do Ceará tem hoje cerca de 10% da capacidade total de 18 bilhões de metros cúbicos de água. Para garantir o fornecimento de água à população até a próxima quadra chuvosa (período de fevereiro a maio, em que são esperadas chuvas mais densas no estado), os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos determinaram medidas restritivas tanto para a população quanto para o comércio e a indústria.
Segundo o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), João Lúcio Farias de Oliveira, nas propriedades rurais que trabalham com sistemas de irrigação, houve corte de mais de 70% na oferta de água, que é suficiente apenas para manter culturas permanentes, como banana e goiaba. As indústrias têm meta de restrição de 20% do consumo e são estimuladas a reutilizar a água. Para os moradores da região metropolitana de Fortaleza, existe também a tarifa de contingência de 20% na conta.
O físico Alexandre Araújo Costa, PhD em Ciências Atmosféricas, diz, porém que são necessárias medidas mais drásticas para evitar o colapso hídrico na região metropolitana e no estado. Entre as medidas sugeridas estão a interrupção do fornecimento de água para as usinas termelétricas que funcionam no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante, a 65 quilômetros de Fortaleza, e a redução da vazão de água para a recém-inaugurada Companhia Siderúrgica do Pecém, também localizada no complexo.
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Segundo Costa, somente o desligamento das quatro térmicas economizaria 800 litros de água por segundo. Quando do lançamento do Plano de Segurança Hídrica de Fortaleza e Região Metropolitana, o governador Camilo Santana citou como possibilidade a “decisão drástica” de interromper o fornecimento de água para as termelétricas Pecém I e II, as maiores do complexo, que geram, juntas, 1.080 megawatts de energia para o Sistema Interligado Nacional.
“As medidas para preservar os estoques hídricos são insuficientes. Vamos entrar em 2017 contando com a sorte, pois a política de governo atual nos coloca sob elevado risco”, afirma o físico. Ele considera “factível” desligar as térmicas e negociar o adiamento do início das operações da siderúrgica.
Professor da Universidade Estadual do Ceará, Costa afirma que a gestão dos recursos hídricos do estado tem sido “desastrosa” desde as quadras invernosas de 2008 e 2009, quando houve grande aporte de água nos reservatórios. Ele lembra que, nesse período, e até 2012, houve grande atração de empresas e indústrias para o estado, com a consequente outorga de água para os novos empreendimentos. “Criou-se uma ilusão de que havia água em abundância e que se poderia outorgar água para grandes usuários.”
Com possíveis suspensões do fornecimento às termelétricas e a empreendimentos de fruticultura irrigada e redução da vazão de água para a CSP, o físico estima que poderiam ser economizados 2,5 mil litros de água por segundo, o que daria para abastecer 2 milhões de pessoas.
O presidente da Cogerh, no entanto, diz que as medidas de restrição atuais são suficientes para o abastecimento humano e manutenção das atividades econômicas. Segundo Oliveira, a irrigação é a mais afetada, e as indústrias estão incluídas na meta de redução de consumo.
“A única região do estado que ainda mantém irrigação é o Vale do Jaguaribe [um dos grandes produtores de frutas do Ceará]. A atividade industrial também opera com restrição de água”, afirma Oliveira. Se houvesse a suspensão completa de água para a irrigação e as grandes indústrias, toda a nossa atividade econômica e a geração de empregos no estado poderiam ser afetadas. “Ainda podemos mantê-las dentro das possibilidades atuais”, diz Oliveira.
Brasil aumenta número de medalhas, mas fica em oitavo lugar na Paralimpíada
Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil *
O nadador Daniel Dias foi o atleta com mais medalhas nos Jogos Paralímpicos do RioTânia Rêgo/Agência Brasil
O Brasil terminou em 8º lugar no quadro geral de medalhas da Paralimpíada do Rio de Janeiro. Foram 72 medalhas no total, sendo 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze. Antes do início da competição, a meta prevista pelo Comitê Paralímpico Brasileiro era de que o Brasil ficasse entre os cinco melhores países na conquista de medalhas.
Apesar de ter conquistado mais medalhas que nos jogos de Londres, em 2012, a colocação do Brasil neste ano ficou pior, porque há menos medalhas de ouro, que contam mais pontos na classificação. Em Londres, o Brasil ficou em 7º lugar, com 43 medalhas no total, sendo 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze.
A última medalha do Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro foi conquistada por Edneusa Dorta. Ela ficou em terceiro lugar na maratona feminina classe T12, para deficientes visuais.
A modalidade em que mais foram conquistadas medalhas pelo Brasil foi o atletismo, com 33 medalhas no total. Na natação, os atletas brasileiros ficaram com 19 medalhas.
Na Paralimpíada do Rio, a China ficou em primeiro lugar, com 239 medalhas: 107 de ouro, 81 de prata e 51 de bronze. Em seguida, aparecem a Grã-Bretanha, com 147 medalhas no total, Ucrânia, com 117, Estados Unidos, com 115, e Austrália, com 81 medalhas.
Ranking paralímpico
Se o oitavo lugar alcançado pelo Brasil no quadro geral de medalhas dos Jogos Paralímpicos deste ano não satisfez a meta proposta pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, pelo menos fez com que o país melhorasse de posição no quadro histórico de medalhas nas Paralimpíadas.
As 14 medalhas de ouro conquistadas no Rio fez o Brasil saltar do 26º para o 23º lugar. Ao todo, o Brasil soma 87 medalhas de ouro em toda a história das Paralimpíadas. A marca fez o país ultrapassar Suíça, Bélgica e Finlândia.
A liderança geral continua com os Estados Unidos. Apesar de ter ficado em 4º lugar no Rio de Janeiro, os norte-americanos têm agora 771 medalhas de ouro. Em segundo lugar, está a Grã-Bretanha, com 664 medalhas de ouro. A China, que faturou 107 medalhas de ouro no Rio, deu um salto no ranking: pulou de 7º para 4º, com 443 medalhas de ouro.
Alemanha (3º), Canadá (5º), Austrália (6º), França (7º), Holanda (8º), Polônia (9º) e Suécia (10º) completam a lista dos 10 primeiros. Na sequência, o país que mais saltou foi a Ucrânia. Com as 41 medalhas de ouro, o país foi do 22º para o 13º lugar. Agora, a Ucrânia tem 125 medalhas de ouro. Quarenta e uma delas conquistadas só no Rio de Janeiro.
Veja o ranking histórico de medalhas em Paralimpíadas
1º – EUA 771
2º – Grã-Bretanha 664
3º – Alemanha 508
4º – China 443
5º – Canadá 396
6º – Austrália 368
7º – França 346
8º – Holanda 276
9º – Polônia 262
10º – Suécia 225
23º – Brasil 87
Confira 10 momentos marcantes da Paralimpíada 2016
Marília Arrigoni e Líria Jade - Do Portal EBC
Os Jogos Paralímpicos do Rio 2016 chegam ao fim neste domingo (18). Por isso, o Portal EBCseparou alguns momentos que vão ficar na lembrança de quem acompanhou a paralimpíada. Durante os Jogos, pudemos vibrar e nos emocionar com a disputa das 23 modalidades em 11 dias de competição. Foram 528 provas valendo medalhas: 225 femininas, 265 masculinas e 38 mistas. Confira:
1) Márcia Malsar carrega a tocha na abertura da Paralimpíada
Márcia Malsar carrega tocha na abertura da ParalimpíadaReuters/Ueslei Marcelino/Direitos Reservados
Na última quarta-feira (7), o mundo todo se emocionou com a imagem da ex-atleta paralímpica Márcia Malsar carregando a tocha na abertura da Paralimpíada do Rio de Janeiro. Mas muita gente ainda não conhecia a história de Márcia, que foi a primeira atleta brasileira a conquistar uma medalha de ouro em uma paralimpíada - em 1984, nos 200m rasos.
2) Equipe brasileira vence na bocha
Junto com Antônio Leme, as paratletas Evelyn de Oliveira e Evani Soares da Silva disputam final da bochaFernando Frazão/Agência Brasil
O Brasil conquistou um ouro inédito na classe BC3 da bocha adaptada. A medalha veio depois de uma partida muito disputada contra a Coreia do Sul. A torcida, que foi chegando aos poucos à Arena Carioca 2, cantou, gritou, vibrou e até brigou com o juiz, que puniu o time brasileiro após uma jogada na última parcial.
3) Público recorde
Em um só dia, 167 mil pessoas visitaram o Parque Olímpico durante os Jogos Paralímpicos Rio 2016, na Barra da Tijuca Fernando Frazão/Agência Brasil
No sábado (19), cariocas aproveitaram o fim de semana para desfrutar do clima da Paralimpíada, torcer para o Brasil em várias modalidades e participar de um momento que ninguém sabe quando ocorrerá no país novamente. Foram 167 mil pessoas, segundo o comitê organizador dos Jogos, e São Pedro ajudou: depois de um clima instável e nublado nos últimos dias, o sol voltou a aparecer. Somando todas as praças esportivas, o público ultrapassou 250 mil pessoas. Nem na Olimpíada houve tanta movimentação em um só dia.
4) Susana Ribeiro na natação
A equipe brasileira foi formada por (esquerda para direita): Susana Ribeiro, Daniel Dias, Clodoaldo Silva e Joana Maria SilvaReuters/Sergio Moraes/Direitos Reservados
Com Susana no time, o Brasil subiu no pódio e fez a festa da torcida nas arquibancadas. Emocionada, a atleta lembra de tudo que passou para colocar essa medalha no peito. Ela, que já havia conquistado cinco títulos brasileiros no triatlo, além de representar o Brasil no Ironman [modalidade de triatlo de longas distâncias], teve que reaprender a nadar após descobrir que era portadora de MSA (múltipla falência dos sistemas), em 2005.
5) Zanardi ganha medalha no lugar em que ele fez a primeira pole como piloto e 15 anos depois de perder as pernas
Zanardi foi o campeão na prova de contrarrelógio H5 na ParalimpíadaAndré Motta/Brasil2016
Ex-piloto de Fórmula Indy e F-1, o italiano Alessandro Zanardi foi o campeão da prova de contrarrelógio H5 dos Jogos Paralímpicos no Rio, cidade que ficou marcada como o local de sua primeira pole position. Na Inglaterra, a prova foi disputada na pista do autódromo de Brands Hatch, onde Zanardi havia pilotado carros de corrida anos antes do grave acidente que o fez perder as duas pernas em uma corrida de Fórmula Indy, em 2001, na Alemanha. Como a competição está em seu sangue, ele reinventou sua carreira e, com sua nova condição física, adaptou-se às handbikes (bicicletas de mão) e investiu no esporte paralímpico.
6) Iraniano bate recorde mundial três vezes, levanta 310kg
Siamand Rahman bateu recorde mundial três vezesGabriel Heusi/Brasil2016
O halterofilista iraniano Siamand Rahman (+107kg) prometia romper a mítica barreira dos 300kg muito antes de começarem os Jogos. Chegou o dia, o momento, Siamand não decepcionou e ainda foi além. Ele bateu seu próprio recorde mundial (296kg) três vezes e estabeleceu uma nova marca- 310kg - que os amantes do esporte acreditam que vá durar muitos anos.
7) E todas as vezes que um atleta sacode a medalha para ouvir o som
Som da medalhaWashington Alves/MPIX/CPB
8) Esgrima brasileira não passa das quartas de final
O brasileiro Jovane Guissone, medalha de ouro em Londres 2012, perde nas quartas de final da esgrima, na decisão de espada, categoria B para o ucraniano Oleg NaumenkoTânia Rêgo/Agência Brasil
O atleta gaúcho Jovane Guissone, esperança brasileira na espada individual na esgrima, perdeu a disputa nas quartas de final. Mas Jovane, o único brasileiro campeão paralímpico de esgrima, afirmou estar conformado com o resultado. Em Londres foi sua primeira participação e ganhou medalha de ouro. Nesta, Jovane não passou das quartas.
9) Judô brasileiro: Aos 45 anos, Antonio Tenorio conquista prata para o Brasil no judô até 100 kg
Antonio Tenorio conquista medalha de prata na ParalimpíadaReuters/Carlos Garcia/Direitos Reservados
Aos 45 anos, o judoca brasileiro Antonio Tenorio conquistou a sexta medalha em Jogos Paralímpicos, ele levou a prata na categoria até 100 kg. Perdeu para o judoca Gwanggeun Choi, da Coreia do Sul, por ippon, que é o golpe perfeito no judô. O bronze ficou com o cubano Yordani Fernandez Sastre e com Shirin Sharipov, do Uzbequistão. Tenorio já acumulava quatro ouros e um bronze em Paralimpíada.
10) Egípcio mesatenista joga com a boca
Mesatenista egípcio joga com a bocaReuters/Pilar Olivares/Direitos Reservados
Nascido no Egito, na cidade de Dumyat, em 1º de julho de 1973, Ibrahim Hamadtou perdeu os dois braços em um acidente de trem aos 10 anos. Três anos depois, ele deu início a um sonho que, para a maioria, parecia impossível: tornar-se um jogador de tênis de mesa. O primeiro passo foi tentar jogar com a raquete apoiada na axila. Sem sucesso e longe de desistir frente a um obstáculo que parecia ser a única chance de atingir seu objetivo, Ibrahim Hamadtou desenvolveu uma técnica que impressiona e inspira até mesmo seus colegas atletas paraolímpicos: aprendeu a jogar com a boca e isso lhe garantiu uma vaga nos Jogos Paralímpicos do Rio.
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“Ficha ainda não caiu”, diz Daniel Dias após ganhar nove medalhas na Rio 2016
Nathália Mendes - Enviada especial do Portal EBC
No Estádio Aquático, Daniel Dias ganha medalha de ouro nos 50m nado costas S5 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil
O maior medalhista da natação masculina paralímpica só conseguiu parar para responder perguntas sobre seu extraordinário desempenho nas piscinas cariocas um dia depois de cair na água pela última vez. Daniel Dias tinha uma meta audaciosa: em dez dias, ele teria nove provas pela frente e não se contentaria com pelo menos uma medalha em todas – não importando a a cor. E ele chegou lá. Daniel Dias deixa sua terceira Paralímpiada com quatro ouros, três pratas e dois bronzes, que se acrescem à extensa coleção de 24 medalhas paralímpicas, além de ter sido o atleta mais laureado entre todas as modalidades no Rio de Janeiro.
“Não imaginava que conseguiria, nem nos meus melhores sonhos. Tinha o objetivo de nadar seis provas individuais e conquistar medalhas em todas, além de ajudar meus companheiros no revezamento e sempre dar meu melhor. E acabou dando certo. Sair daqui com nove medalhas é algo incrível, espetacular. Ainda não caiu a ficha. Nem consegui dormir direito à noite”, afirmou o maior atleta paralímpico do Brasil.
Em casa, Daniel Dias chegou ao tricampeonato nos 100m livre, 200m livre e 100m e à segunda medalha de ouro nos 50m livre. Foi prata nos 100m peito e nos revezamentos 4x50m livre misto até 20 pontos e 4x100m livre masculino até 34 pontos. Ele também conquistou o bronze nos 50m borboleta e no revezamento 4x100m medley masculino até 34 pontos, sendo esta a medalha que faltava para superar o australiano Matthew Cowdrey, que até então era o nadador com maior número de medalhas de todos os tempos – foram 23 pódios entre 2004 e 2012.
Veja os principais trechos da entrevista coletiva concedida por Daniel Dias neste domingo (18):
O recorde
Não estava fazendo essa conta (de terminar com 24 medalhas). Antes daqui, tinha 15 medalhas e procurei, assim como nas demais paralimpíadas, viver cada dia, cada prova, e ver no fim o que ia dar. Acabei me tornando o maior medalhista da natação entre os homens.
A mulher com maior número de medalhas (a lendária nadadora norte-americana Trischa Zorn, que esteve em sete paralimpíadas) está muito à minha frente, com 55 medalhas. Mas quem sabe não dá para alcançar? Tem um adversário meu, o Sebastian Rodriguez (espanhol que também compete na classe S5), que está nadando com quase 60 anos.
A preparação
Foi um ano bem diferente para mim. Tive uma lesão que me deixou um mês parado. Em dez anos de carreira, isso nunca tinha acontecido antes. Mas recebi todo o suporte para ter uma excelente recuperação e continuar com a excelente preparação que fiz.
A concorrência
Em Londres, quando terminei com seis ouros, tinha 24 anos. Estou com 28 e fiquei com quatro medalhas de ouro. Meus adversários estão treinando para uma prova só, enquanto eu acabo treinando para todas as provas. Por isso, sabia que ia ser difícil e está ficando cada vez mais difícil competir com especialistas. Ainda não parei para pensar se vou reduzir meu número de provas. Ainda quero curtir ao máximo este momento.
No embalo da torcida
O esporte paralímpico nunca mais será o mesmo depois dos jogos do Brasil. Acredito que conquistamos um espaço e o respeito das pessoas. No primeiro dia que entrei para a final (dos 200m livre S5), eu me assustei. Não esperava ter tanta gente ali. Foi uma surpresa incrível e procurei desfrutar essa experiência ao máximo.
Foi algo incrível, único. Algo que o esporte proporcionou a nós, atletas paralímpicos, durante dez dias. Pude olhar para a arquibancada e ver famílias. Os pais apontavam para nós e falavam para seus filhos que éramos um exemplo para eles.
O gás final
O revezamento (4x100m medley masculino até 34 pontos) foi incrível. Eu já estava exausto, mas o pessoal me falou que havia chance de ganhar medalha. Então, falei que a gente ganharia. Assistindo a prova hoje, é engraçado porque, em nenhum momento, aparecemos no vídeo. Sabia que íamos crescer e brigar pelo pódio. Foi uma emoção muito grande quando o Phelipe (Rodrigues, da classe S13, que fechou o revezamento) bateu na parede. Eu já estava ficando sem voz – na verdade, ainda estou me recuperando. Para nós, foi um bronze que valeu mais do que o ouro.
A emoção
Eu estava bem emotivo ontem (17). Primeiro, nadei os 100m ao lado do Clodoaldo Silva (nadador que está se aposentando). Conversamos e choramos juntos. Foi uma grande honra nadar ao lado dele e também com ele nos revezamentos. Fazer parte desse momento com ele foi muito marcante para mim. E, depois do meu pódio, poder dar aquela volta olímpica com ele e com toda a delegação brasileira é uma lembrança que simboliza muito para a gente.
As medalhas
Eu não as trouxe hoje porque elas estavam começando a riscar. Costumo carregar todas elas comigo, para, de vez em quando, tirá-las da mochila, admirar e contar para ter certeza que todas estão ali. Percebi alguns riscos nelas e resolvi guardá-las, de modo que isso não aconteça mais. Agora é olhar cada uma separadamente.
Clodoaldo Silva confirma aposentadoria após 20 anos de competições
Nathália Mendes - Enviada especial do Portal EBC
O nadador Clodoaldo Silva, que faz aclimatação no Centro de Treinamento Paralímpico na Avenida dos Imigrantes, em São Paulo, anunciou o dadeus definitivo às competições.Rovena Rosa/Agência Brasil
“Fui convencido por meus amigos e companheiros a não pendurar a sunga”. Por um instante, Clodoaldo Silva parecia anunciar que a anunciada aposentadoria, marcada para começar no primeiro dia após os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, seria mais uma vez adiada. A dúvida durou apenas o instante de sua pausa dramática. Para não ficar nenhuma dúvida, ele emendou, com uma risada bem-humorada: “Afinal, pendurar a sunga é obsceno. Vou mesmo pendurar meu óculos e minha touca”.
Ele garantiu que, dessa vez, o adeus é definitivo. “Em Londres, estava tudo programado para eu parar. Mas vários fatores me fizeram continuar. Primeiro, recebi algumas ameaças de morte da seleção. Depois, a chegada da minha filha, em 2011. Queria que ela estivesse na arquibancada para torcer por mim, que ela me visse não por meio de imagens ou ouvisse alguém contando. Também recebi várias mensagens pedindo para eu seguir adiante, da mesma forma que estou recebendo agora. Mas agora eu parei mesmo. Estou velho”.
Em cinco Paralimpíadas – Sidney, Atenas, Pequim, Londres e Rio de Janeiro –, o “Tubarão” somou 14 medalhas paralímpicas, sendo seis ouros, seis pratas e dois bronzes. A última medalha de sua carreira veio no revezamento 4x50m livre misto até 20 pontos, ao lado de Daniel Dias, Joana Silva e Susana Schnarndorf. “Conquistar a prata no revezamento foi algo que eu nem imaginava”, admitiu o atleta, que também nadou os 50m e os 100m livre em sua classe, a S5.
As seis medalhas de ouro nos Jogos de Atenas, em 2004, fizeram de Clodoaldo Silva, por muitos anos, o grande nome do esporte adaptado. “Não sou o primeiro atleta paralímpico. Nós participamos dos Jogos desde 1972, e tínhamos nomes como o da Ádria dos Santos, o Antônio Tenório e a própria Márcia Malsar. Mas 2004 foi um divisor de águas para o esporte paralímpico, porque saímos com 14 medalhas de ouro e eu colaborei com seis ouros e uma prata. A sociedade brasileira começou a ver as pessoas com deficiência como atletas de alto rendimento e houve aquele boom”.
O medalhista paralímpicos quer continuar inspirando pessoas com suas palestras motivacionaisAgencia Brasil
Um dos nomes que surgiram na esteira do sucesso de Clodoaldo em Atenas entraria para a história como o maior atleta paralímpico do país: Daniel Dias, que, inclusive, compete na mesma categoria que o ídolo.
“Eu nunca escondi de ninguém que o Clodoaldo foi uma inspiração para mim. Pude vê-lo pela televisão em 2004 e o esporte me proporcionou hoje ser amigo dessa lenda, desse grande atleta. Ele me deu um grande apoio e incentivou muito. Passamos muitos momentos juntos, demos risada e nos aproximamos muito. Vou levá-lo para sempre e ele vai fazer muita falta. Fico feliz de dar continuidade à história que ele começou”, emociona-se o dono de 24 medalhas em Jogos Paralímpicos.
Para Clodoaldo, sua representatividade foi construída não apenas a partir de seus índices, recordes e medalhas, mas também com base em sua conduta além do esporte. “Sabia que um dia iria me aposentar, ter de me despedir. Não era eterno e eu, com o passar do tempo, não ganharia mais tantas medalhas assim. Mas sempre tive na minha cabeça que a maior missão não é estar no lugar mais alto, mas sim incentivar outras pessoas no esporte e na vida. O atleta campeão não é só aquele que se sai bem dentro da água, das pistas, das quadras. Ele é campeão quando se sai bem fora disso tudo também”.
Clodoaldo destacou a importância de compartilhar a responsabilidade de ser referência do país no esporte adaptado. “Não é legal que isso fique em cima de uma só pessoa. Temos uma equipe e é importante que possam surgir atletas, em todas as modalidades, que possam ajudar na consolidação do esporte paralímpico”.
Escolhido para acender a pira paralímpica na cerimônia de abertura no Maracanã, Clodoaldo encarou a chuva fina que caía para protagonizar um dos momentos mais emocionante dos jogos: “Por mais que imaginasse me despedir no Rio, não imaginava que seria tão bom e tão inesquecível. Desde a abertura, acender a pira já foi um momento histórico para o Brasil. Principalmente por conta da mensagem que passou, com os degraus e a rampa. Eu já tinha ganhado a minha medalha ali”.
Clodoaldo pretende continuar apadrinhando projetos sociais e inspirando pessoas por meio de suas palestras motivacionais. “Agora, quero tirar um tempo para mim, ir para Natal e ver meus familiares”. Acompanhar as primeiras braçadas de Anita, de quatro anos, também está nos planos. Seguindo os passos do pai, a pequena nada desde os dois anos de idade.
“A principal lição que eu queria deixar para minha filha é que ela visse além da deficiência e que admirasse as pessoas por seu desempenho esportivo e não pela deficiência. Eu queria que ela vivesse no mundo do paradesporto para que ela crescesse sem preconceito. E acredito que estou conseguindo fazer isso”.
Comitê Paralímpico comemora participação brasileira na Rio 2016
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil
O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, disse hoje (18) que, apesar de não ter atingido a meta de ficar entre os cinco primeiros colocados no quadro de medalhas, o Brasil teve um resultado muito positivo nos Jogos Rio 2016. “É a melhor participação brasileira em Jogos Paralímpicos. A gente sempre disse que era uma meta agressiva e ambiciosa. Mas era uma meta, não uma promessa”, disse.
Segundo Parsons, o aumento do espectro de modalidades com atletas no pódio foi justamente um dos maiores benefícios desse ciclo paralímpicoValter Campanato/Arquivo Agência Brasil
Entre os resultados positivos obtidos pela delegação brasileira estão o aumento do total de medalhas, que saltaram de 43 em Londres 2012 para 72 na Rio 2016. Além disso, houve crescimento no número de medalhistas, de 43 para 113. “A gente sai de 23% da delegação, para 39% da delegação brasileira com medalhas”, disse. Quinze desses atletas têm menos de 23 anos, o que mostra uma renovação no esporte paralímpico nacional. Houve a melhoria de 93 marcas pessoais de brasileiros.
Aumentou também as modalidades que medalharam (de sete em Londres para 13 no Rio), quatro pela primeira vez: ciclismo, halterofilismo e vôlei, além da canoagem, que estreou nesta edição dos Jogos.
Segundo Parsons, o aumento do espectro de modalidades com atletas no pódio foi justamente um dos maiores benefícios desse ciclo paralímpico. “Os resultados mostram que a gente está no caminho certo. Aumentamos o espectro de modalidades. Aproveitamos esse ciclo com mais investimentos para ampliar o espectro de modalidades e diminuir a dependência de atletismo e natação”.
O presidente do comitê disse ainda que a ausência da delegação russa não beneficiou o Brasil, já que o país não herdou nenhuma medalha da Rússia. Situação diferente da que ocorreu com a Austrália e Alemanha, que ficaram à frente do Brasil no quadro de medalhas. “Mesmo tendo tirado um país da nossa frente, talvez tenha trazido dois ou três”, disse.
Parsons afirmou que, nesse ciclo, foram investidos, em média, R$ 70 milhões por ano, no esporte paralímpico. A expectativa é que no ciclo para Tóquio 2020, essa média cresça para R$ 180 milhões, principalmente por causa da mudança de percentuais da Lei Agnelo Piva.
O presidente do Comitê Paralímpico disse que também vai defender uma melhoria do sistema de classificação (ou seja, a categorização dos atletas em relação às deficiências). “Precisamos ser o mais eficiente e transparente possível”.
Parsons também considerou negativa a estratégia de alguns países, como a China e a Ucrânia, de esconder alguns talentos no ciclo que antecedeu a Paralimpíada. Muitos desses atletas, que eram nomes desconhecidos antes dos Jogos, ganharam medalhas na natação. “A gente foi surpreendido com atletas vindo do nada e ganhando”.
Refugiado e fenômeno do atletismo levam prêmio que exalta espírito paralímpico
Nathália Mendes - Enviada especial do Portal EBC
No encerramento da Paralimpíada do Rio, atletas que melhor representam o esporte paralímpico são homenageadosReuters/Ricardo Moraes/Direitos Reservados
O nadador Ibrahim Al Hussein e a velocista norte-americana Tatyana McFadden receberam, durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o prêmio Whang Youn Dai, conferido ao homem e à mulher que melhor representam o esporte paralímpico. Os dois receberam, das mãos do filho da mulher que batiza a honraria, uma medalha de ouro puro, com cerca de 75 gramas.
O prêmio é um símbolo das Paralimpíadas desde 1988 e está sendo conferido desde entãosempre na festa de encerramento. A médica Whang Youn Dai foi a primeira a recebê-lo, em virtude de seu trabalho com pessoas com deficiência, focado nos valores do esporte e dos direitos humanos. A sul-coreana foi diagnosticada com paralisia infantil com três anos, o que não a impediu de se formar em medicina. Ela já foi vice-presidente da Associação Desportiva para Deficientes na Coreia e do Comitê Paralímpico.
Ibrahim é um dos dois atletas refugiados que fazem parte da primeira equipe de atletas independentes da história dos Jogos Paralímpicos. O nadador, que nasceu em Deir ez-Zor, na Síria, competiu nos 50m e nos 100m livre da classe S9, sem conquistar medalhas, mas melhorando suas marcas pessoais.
Estrela
Há três anos, Ibrahim tornou-se vítima do conflito armado iniciado na Síria em 2011. A carreira de nadador foi interrompida após ele ser ferido por uma explosão, que levou à amputação de parte da perna direita. Ele se refugiou na Turquia, onde reaprendeu a andar, e também na Grécia, desembarcando depois de uma viagem a bordo de um barco inflável. Ibrahim também conduziu a tocha olímpica em seu percurso pela Grécia e foi o porta-bandeira da equipe de refugiados na abertura.
Aos 27 anos, Tatyana McFadden é uma estrela do paradesporto. Em quatro participações consecutivas nos Jogos Paralímpicos, ela acumula 16 medalhas nas corridas para cadeirantes - sete ouros, seis pratas e três bronzes, sendo quatro ouros e duas pratas conquistados no Rio de Janeiro, onde disputou todas as provas de sua categoria.
Prêmio
Em 2013, a multicampeã tornou-se a primeira pessoa, entre atletas regulares e paralímpicos, a vencer, no mesmo ano, as quatro principais maratonas do mundo (Boston, Londres, Chicago e Nova York), o que ela viria a repetir em 2014 e 2015. Também naquele ano ela foi a primeira mulher a ganhar seis ouros em uma mesma edição do Campeonato Mundial, vencendo os 100m, 200m, 400m, 800, 1500m e 5000m em Lyon, na França.
Ao todo, 21 atletas foram indicados para o prêmio Whang Youn Dai. O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) chegou à lista final, com seis nomes: Jose Luis Casas (Peru), Ibrahim Al Hussein (Equipe de Atletas Independentes), Ammar Ali (Iraque), Tatyana McFadden (Estados Unidos), Zulfiya Gabidullina (Cazaquistão) e a brasileira Verônica Hipolito.
Os vencedores foram escolhidos por um painel independente de juízes, formado por membros do Comitê Executivo da entidade máxima do esporte paralímpico.
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