Câmara cassa mandato de Eduardo Cunha por 450 votos a favor e dez contra

Brasília - Eduardo Cunha faz sua defesa no plenário da Câmara dos Deputados antes de iniciar a votação de sua cassação (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Processo de cassação de Eduardo Cunha durou 11 mesesFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (12) por 450 a favor,  10 contra e 9 abstenções a cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha. A medida põe fim a um dos mais longos processos a tramitar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que se arrastava por 11 meses e interrompe o mandato de um dos políticos mais controvertidos dos últimos anos. Com o resultado, Cunha perde o mandato de deputado e fica inelegível por oito anos, mais o tempo que lhe resta da atual legislatura.

A sessão que culminou com a cassação do mandato de Cunha começou por volta das 19h, mas foi suspensa poucos minutos depois pelo presidente da Casa Rodrigo Maia (DEM-RJ), que esperava maior quórum e retomada pouco depois das 20h. Na retomada falaram o relator do processo no Conselho de Ética, Marcos Rogério (DEM-RO), o advogado de Cunha, Marcelo Nobre, e o própro deputado afastado.

Rogério rebateu argumentos da defesa e de aliados de Cunha, segundo os quais o fato de ele ter mentido sobre a existência de contas no exterior em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras é um crime de menor gravidade. O relator acusou Cunha de ter faltado com a ética e o decoro parlamentar ao utilizar de manobras para postergar o processo. O relator disse que Eduardo Cunha omitiu, ao longo de anos, da Câmara dos Deputados e nas sucessivas declarações de renda, a propriedade de milhões de dólares em contas no exterior.

BBrasília - Sessão da Câmara dos Deputados destinada a votar pedido de cassação do mandato de Eduardo Cunha (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Aliados de Eduardo Cunha tentaram até o fim uma última manobra para que o deputado conseguisse uma pena mais brandaFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O advogado de defesa de Cunha disse que o parlamentar está sendo submetido a um linchamento e que o parecer do Conselho de Ética que pede a cassação do mandato do peemedebista não conseguiu a prova material da existência de contas no exterior. Já Eduardo Cunha disse que o processo contra ele, que pode resultar na cassação do seu mandato, é de natureza política e não tem provas. Ao fazer sua própria defesa no plenário da Câmara, Cunha atacou o governo do PT, disse que está sendo perseguido e que o processo é uma “vingança”. "Eu estou pagando o preço de ter o meu mandato cassado por ter dado continuidade ao processo de impeachment. É o preço que eu estou pagando para o Brasil ficar livre do PT", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Aliados de Cunha tentaram até o fim uma última manobra. O deputado Carlso Marin (PDB-RS) apresentou uma questão de ordem para que fosse votado um projeto de resolução no lugar do parecer do Conselho de Ética, o que poderia resultar numa pena mais branda, como a suspensão de mandato. A iniciativa foi indeferida por Maia. Segundo o presidente da Câmara, os deputados iriam votar, como fizeram, o parecer do Conselho de Ética, pois o projeto de resolução “não é objeto de deliberação do plenário, assim não é possível receber emendas, fazer destaque em matérias constantes dos autos”, disse.

Marun ainda tentou recorrer da decisão e pedir a suspensão da sessão, mas o pedido não recebeu apoio do plenário. Diante do resultado Maia deu seguimento à sessão com as falas dos deputados inscritos. Depois que quatro parlamentares se manifestarem, dois a favor e dois contra, os deputados aprovaram um requerimento pelo encerramento da discussão. Durante todo o processo de votação, Cunha permaneceu em frente à Mesa, conversando com deputados.

Na noite desta segunda-feira, os deputados aprovaram o parecer do Conselho de Ética que pediu a cassação do mandato de Cunha por ele ter mentido durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras sobre ter contas secretas na Suíça que teriam recebido dinheiro do esquema de pagamento de propina envolvendo a Petrobras e investigado na operação Lava Jato.

Nega ter contas

Brasília - Eduardo Cunha faz sua defesa no plenário da Câmara dos Deputados antes de iniciar a votação de sua cassação (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Durante todo processo, Cunha negou ser  proprietário de quatro contas no exterior apontadas pela Procuradoria-Geral da República como sendo dele e de familiaresFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Durante todo o processo, Cunha negou que ser o proprietário de quatro contas no exterior apontadas pela Procuradoria-Geral da República como sendo dele e de seus familiares. Cunha disse que apenas tem trustes, tipo de negócio em que terceiros passam a administrar bens do contratante, e que os valores têm origem em operações comerciais e no mercado financeiro, como a venda de carne enlatada para países da África.

Segundo o relatório aprovado no Conselho de Ética, de autoria do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), os trustes foram usados pelo presidente afastado da Câmara para ocultar patrimônio mantido fora do país e receber propina de contratos da Petrobras. O deputado diz no parecer que Cunha constituiu os trustes no exterior para viabilizar a "prática de crimes".

Trajetória

Eleito para a presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2015 por 267 votos, derrotando em primeiro turno o candidato do governo Dilma, Arlindo Chinaglia (PT-SP) que obteve 136 votos, Cunha teve a sua trajetória marcada pelo aparecimento de que atuava como lobista no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e também duro embate que promoveu contra o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Com uma campanha montada em cima da insatisfação da base aliada do governo, Cunha, após a sua eleição, começou um processo de distanciamento e enfrentamento com o governo. A tensão crescente resultou, em julho, daquele ano no anúncio do seu rompimento com o governo Dilma Rousseff. Na ocasião Cunha disse que passaria a integrar as fileiras da oposição. Ele também começou a trabalhar para que o PMDB tomasse a mesma postura.

Operação Lava Jato

O anúncio do rompimento ocorreu em meio a escalada das denúncias que levaram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a incluir o nome de Cunha em uma lista com o nome de políticos suspeitos de integrarem o esquema de corrupção e pagamento de propina envolvendo a Petrobras e investigado na Operação Lava Jato.

Entre as denúncias estava a feita pelo ex-consultor da empresa Toyo Setal Júlio Camargo que relatou à Justiça Federal do Paraná que Cunha lhe pediu propina de US$ 5 milhões. Cunha acusou o Palácio Planalto de ter se articulado para incriminá-lo.

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Brasília - Sessão da Câmara dos Deputados destinada a votar pedido de cassação do mandato de Eduardo Cunha (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Eduardo Cunha acusou o Palácio Planalto de ter se articulado para incriminá-loFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Embasado pela PGR

Em razão das novas denúncias, o PSOL e a Rede protocolam, no dia 13 de outubro de 2015, uma representação contra Cunha no Conselho de Ética. Além dos dois partidos, o documento foi endossado por parlamentares do PT, PSOL, PSB, PPS, PROS e do PMDB.

A representação foi fundamentada em documento enviado ao PSOL pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após um pedido formal do partido. Os papéis já apontavam a titularidade de Cunha nas contas bancárias secretas na Suíça. Os partidos pediam a cassação do mandato dizendo que Cunha mentiu em depoimento à CPI da Petrobras, em março, quando negou que tivesse contas no exterior. Na declaração enviada à Justiça Eleitoral em 2014, Cunha também não informou ter contas no exterior, apenas uma no Banco Itaú.

Após uma série de manobras que atrasaram o trabalho do colegiado, em 15 de dezembro, o Conselho de Ética, por votação de onze deputados a nove, autorizou o prosseguimento das investigações. A decisão ocorreu horas depois da Polícia Federal ter feito a Operação Catilinárias, cujo alvo foi o próprio Cunha.

Manobras

Posteriormente, outra manobra de Cunha levou ao afastamento do então relator, Fausto Pinato (PP-SP), em abril de 2016. Pinato renunciou à vaga de membro titular no Conselho de Ética alegando que o motivo foi porque o lugar pertencia ao PRB, partido que Pinato deixou para migrar para o PP. A deputada Tia Eron (PRB-BA) foi alçada ao posto de integrante do colegiado no lugar de Pinato.

Com a saída de Pinato, o deputado Marcos Rogério (DEM-RO) assumiu a relatoria do processo contra Cunha que praticamente retornou à estaca zero, tendo sido concluído somente em 14 de junho de 2015 quando o colegiado aprovou o parecer pela cassação do mandato do peemedebista.

Impeachment

Em 3 de dezembro de 2015, horas depois do PT retirar o apoio a Eduardo Cunha no Conselho de Ética, Cunha aceitou um dos pedidos de impeachment apresentados contra Dilma. O gesto foi apontado por petistas como uma clara retaliação pela perda do apoio no Conselho de Ética.

Brasília - Eduardo Cunha entrega ao presidente do Senado, Renan Calheiros, o processo sobre a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff (José Cruz/Agência Brasil)

Cunha presidiu a sessão do Plenário da Câmara que decidiu pela autorização para ter prosseguimento no Senado o processo de impeachment de DilmaJosé Cruz/Agência Brasil

Em abril, Cunha presidiu a polêmica sessão do Plenário da Câmara, feita em um domingo (17), que decidiu pela autorização para ter prosseguimento no Senado o processo deimpeachment de Dilma. Com uma duração de 9 horas e 47 minutos, a sessão terminou com o placar de 367 votos favoráveis e 137 contrários à continuidade do processo.

Em maio, Cunha foi afastado do mandato e, consequentemente, da presidência da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão unânime, os ministros seguiram o voto do ministro Teori Zavaski, relator da Operação Lava Jato, que acolheu o pedido da PGR, de dezembro de 2015, pedindo o afastamento de Cunha.

"Além de representar risco para as investigações penais sediadas neste Supremo Tribunal Federal, [a permanência de Cunha] é um pejorativo que conspira contra a própria dignidade da instituição por ele liderada", escreveu Teori. O ministro também disse que o deputado "não tem condições pessoais mínimas" para ser presidente da Câmara pois "não se qualifica" para eventualmente substituir o presidente da República.

Processos

Com a cassação do mandato e o fim do foro privilegiado, os dois processos contra Cunha que tramitam no STF devem ser transferiados para a Justiça Federal no Paraná e ficarão à cargo do juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primera instância.

Brasília - Eduardo Cunha faz sua defesa no plenário da Câmara dos Deputados antes de iniciar a votação de sua cassação (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Com a cassação do mandato e o fim do foro privilegiado, os dois processos contra Cunha que tramitam no STF devem ser transferiados para a Justiça Federal no ParanáFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Na primeira denúncia, feita pela Procuradoria-Geral da República em agosto do ano passado, Cunha é acusado de cometer os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação é de que o ex-deputado teria recebido US$ 5 milhões de propina relativa a dois contratos de navios-sonda da Petrobras.

A segunda denúncia trata do suposto recebimento de propina em contas secretas na Suíça. Segundo as investigações Cunha teria recebido 1,3 milhão de francos suíços de propina, o equivalente, à época, a R$ 2,4 milhões por atuar na aquisição, pela Petrobras, de um campo de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011, por US$ 34 milhões (cerca de R$ 58 milhões, à época). Por essa denúncia ele é réu pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica com fins eleitorais.

Prestes a completar 58 anos, Cunha que foi ao longo de quase dois anos um dos principais políticos do país, pode sumir do cenário político de Brasília de forma meteórica. Isso porque a Lei da Ficha Limpa prevê que, em caso de perda de mandato, o político fique inelegível por oito anos, além do tempo restante para o fim do mandato.

 

 

Agência Brasil

 

Jandira diz que há condições de implantar turno integral em escolas cariocas

 

Da Agência Brasil

A candidata à prefeitura do Rio de Janeiro Jandira Feghali (PCdoB) disse que há condições para implantar o turno integral nas escolas do município. Ela participou hoje (12) de sabatina na TV Brasil, durante o telejornal local Repórter Rio, que abriu espaço a todos os candidatos à prefeitura, sempre às 12h30.

“Em relação ao ensino fundamental, temos que voltar à época da escola aberta, que é o centro da comunidade, aberta aos finais de semana, com conselhos de bairro dentro dela, para que a população possa decidir suas prioridades e a prefeitura possa ouvir. E que seja de fato uma escola de horário integral, o que hoje não existe no Rio, integrando a cultura, o esporte e superando o analfabetismo digital de parte dos alunos”, defendeu.

Questionada sobre a viabilidade da implantação do ensino em tempo integral na cidade, proposta também defendida pela atual gestão municipal, Jandira disse que existem condições, desde que a totalidade das verbas constitucionais para o setor seja aplicada e que não haja cortes federais.

“É possível, não todas ao mesmo tempo. Você tem que olhar o orçamento. Principalmente quando em Brasília existe uma emenda constitucional que retira recursos da educação. É possível, botando os 25% [do orçamento], que não foram colocados pelo [atual prefeito] Eduardo Paes, descumprindo a Constituição. Há uma deficiência grande de creches no Rio de Janeiro e tem que haver horário estendido, principalmente para as mães que trabalham até as sete ou oito horas da noite.”

Saúde

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Para a área da saúde pública, a candidata, que é médica, disse que há dois eixos fundamentais em seu programa de governo: a prevenção às doenças e a melhoria da qualidade de vida das pessoas, que tem reflexos nos índices de saúde. Jandira também defendeu a integração do sistema e a ampliação do horário de atendimento.

“Temos que ter o terceiro turno de atendimento nas Clínicas da Família, para pessoas que não conseguem chegar até as 17h. As OSs nós vamos enfrentar [Organizações Sociais, privadas, que gerem as clínicas], pois reduzem as equipes, falta médicos, falta leitos.”

Entrevistas

Na próxima quarta-feira (14), será a vez de Thelma Maria (PCO) ser entrevistada no Repórter Rio. Cyro Garcia (PSTU) será entrevistado na quinta-feira (15) e Carlos Osório (PSDB), na sexta-feira (16). A entrevista com o candidato do PMDB, Pedro Paulo, estava marcada para amanhã (13), mas ele não confirmou participação.

Na próxima semana, serão entrevistados Alessandro Molon (Rede), na segunda-feira (19); Marcelo Crivella (PRB), na terça-feira (20); Flávio Bolsonaro (PSC), na quarta-feira (21); Marcelo Freixo (Psol), na quinta-feira (22), e Índio da Costa (PSD), na sexta-feira (23).

A bancada de entrevistadores é formada pelos jornalistas Carla Ramos, da TV Brasil; Tâmara Freire (Rádios EBC) e Vladimir Platonow, da Agência Brasil. A íntegra da entrevista com Jandira Feghali pode ser vista no site da TV Brasil.

A TV Brasil pode ser sintonizada em sinal aberto no Rio de Janeiro no canal 2. Na Net, pelo canal 18; na Claro TV, canal 9; na Oi TV, canal 20; na Vivo TV, canal 181; e na SKY, canal 166.

 

Agência Brasil

 

Atletas com paralisia destacam papel da bocha na volta por cima

 

Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Brasileiros Antônio Leme, Evelyn de Oliveira e Evani Soares da Silva disputam final da bocha BC3 contra equipe da Coréia do Sulnos Jogos Paralímpicos Rio 2016 (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Brasileiros Antônio Leme, Evelyn de Oliveira e Evani Soares da Silva disputam final da bocha BC3 contra equipe da Coreia do Sul nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 Fernando Frazão/Agência Brasil

Terminar a paralimpíada com uma medalha no peito é, para qualquer atleta, a sensação de um trabalho bem feito, do dever cumprido. Quando deixaram o pódio na tarde dessa segunda-feira (12), Dirceu Pinto, Eliseu dos Santos e Marcelo dos Santos também cumpriram mais uma etapa de um objetivo traçado por eles: divulgar a bocha adaptada e mostrar que a vida não termina quando a cadeira de rodas começa.

“Espero que, por meio das medalhas que têm sido conquistadas, abram-se as portas para que as pessoas deficientes que estão trancadas dentro de casa, pessoas que têm a mobilidade reduzida, que elas possam praticar a bocha, que possam voltar ao convívio da sociedade e praticar um esporte”, disse Marcelo dos Santos.

Dirceu, ouro em Pequim e Londres, e prata no Rio, descobriu na bocha uma forma de voltar à ativa. Ele sofre de distrofia pélvica de cinturas, doença degenerativa que lhe tirou a força das pernas. “Muitas pessoas ficam dentro de casa e não conhecem os esportes paralímpicos ainda. De 19 aos 22 anos eu só ficava em casa, com depressão. Quando conheci a bocha, minha vida mudou”.

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Ele usa o próprio exemplo para motivar outras pessoas a descobrirem o esporte e mudar de vida. “Para mim, é especial divulgar essa modalidade porque temos paralisados cerebrais graves, que não conseguem nem falar, lesados medulares, que ficam só em casa, vendo a vida passar. Quando a pessoa conhece a bocha, a vida dela tem de novo um sentido. Hoje, eu viajo o Brasil e o mundo todo trazendo resultados para o nosso país. Dou essa medalha de prata para todos os brasileiros, com ou sem deficiência”.

Esporte como terapia

Eliseu e Marcelo são irmãos. Os dois sofrem da mesma doença, a distrofia muscular progressiva. Eles usam o esporte para auxiliar, junto com o tratamento médico e a fisioterapia, a frear a evolução da doença, que encurta os membros. “A bocha é um esporte que as pessoas com maior grau de comprometimento podem praticar, podem ir para uma paralimpíada. Nosso objetivo é que mais pessoas possam sair de casa, praticar o esporte ou simplesmente praticar o esporte socialmente e estar aqui com a gente”, disse Eliseu.

Evani da Silva joga na categoria BC3, para paralisados cerebrais com maior comprometimento dos movimentos. Ela usa um capacete com uma vareta para empurrar a bola por uma calha, além de ser ajudada por outra pessoa. Ela começou a praticar o esporte em 2010 e seis anos depois deixou a Arena Carioca 2 com uma medalha de ouro no peito.

“Para mim, o importante é mostrar que nada é impossível. Há atletas com mobilidade muito mais reduzida e que jogam. A gente mostra para ninguém ficar em casa. Corram atrás dos seus sonhos, busquem o que vocês querem”.

Evelyn de Oliveira tem atrofia muscular espinhal, não tendo movimentos nos membros inferiores. Evelyn saía pouco, limitava sua convivência social aos estudos. Quando conheceu a bocha, aos 22 anos, mudou sua maneira de encarar a vida e leva para casa a primeira medalha de ouro em paralimpíada.

“Eu sou um exemplo vivo, o esporte foi uma ferramenta transformadora na minha vida. Eu vivia essa realidade da pessoa com deficiência, dentro de casa, só estudava, não tinha muito contato com a sociedade. Passei a praticar o esporte e descobri que limites que eu acreditava que tinha, na verdade não existiam”.

 

Agência Brasil

 

 

Cármen Lúcia assume o STF


Cármen Lúcia
está empossada como presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça. Os mandatos têm duração de dois anos. 

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A Época informa que os petistas não falam mais em colocar Lula na presidência do partido: o nome agora é Jaques Wagner. Lula vai estar ocupado, ou melhor, impedido de exercer a função. 


Fatiou, passou

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Valério é uma bomba

O depoimento de Marcos Valério ao juiz Sergio Moro foi uma bomba, de acordo com aqueles que o acompanharam. O Antagonista está atrás dos detalhes. 


Deu tudo errado no Itamaraty

Quarenta e sete dos 100 candidatos que participavam do concurso de seleção, via cota racial, para o Itamaraty foram eliminados da disputa pela comissão incumbida de verificar se os aspirantes a diplomata são... [leia mais


Agenda de “trabalho”

Em entrevista concedida à rádio Jovem Pan, Fernando Haddad disse que processaria Marco Antonio Villa por divulgar a sua agenda. Marco Antonio Villa respondeu... [veja mais

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- Vá estudar História, Haddad


O filminho está fora do Oscar

Pequeno Segredo, de David Schurmann, será o filme brasileiro a disputar o Oscar 2017. Aquarius - aquele filminho, que não é o do impeachment - está fora. O Antagonista mostrou aqui que o elenco queria forçar a indicação como forma de "protesto político". Perderam. 


Pimentel sem vaias


Fernando Pimentel
inventou uma maneira de promover eventos públicos e evitar vaias: eliminar o público, informa a Época. Vai ser a portas fechadas, num batalhão da PM mantido em segredo, a entrega da medalha Presidente Juscelino Kubitschek, uma tradicional honraria conferida pelo governo de Minas Gerais. 

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Rombo de fundos cresce 7 bilhões de reais em seis meses

No primeiro semestre, o rombo dos fundos de previdência privada passou de 77 bilhões para 84 bilhões de reais, segundo a Abrapp, que representa o setor. Os maiores responsáveis... [leia mais

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Daniel Dias vence os 50m livre e ganha o segundo ouro na Rio 2016

 

Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil

DAniel Silva ganha novo ouro na Paralimpíada do Rio

Com cinco medalhas na Paralimpíada Rio 2016, Daniel Dias ganhou hoje o ouro nos 50 m livreReuters/Sérgio Moraes/Direitos Reservados

O Brasil alcançou sua 35ª medalha na Paralimpíada Rio 2016. A natação conquistou mais duas medalhas na noite de hoje (12) nas Paralimpíadas Rio 2016. O nadador Daniel Dias ganhou a medalha de ouro nos 50m livre masculino S5, com a marca de 32.78s. A brasileira Joana Neves ficou com a prata, na categoria 50m feminino. Com as duas vitórias, o Brasil alcançou sua 35ª medalha na Paralimpíada Rio 2016.

Nascido com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita, Daniel descobriu a natação aos 16 anos. Com o pódio, Daniel Dias chega a sua 20ª medalha em jogos olímpicos, em 12 anos de paralimpíadas.

O ouro de Daniel é a quinta medalha do atleta na Rio 2016. Além do ouro nos 50m livre S5, ele também ganhou os 200m livre S5, foi prata no 4x50m livre misto até 20 pontos e nos 100m peito SB4, e bronze nos 50m borboleta S5.

Daniel Dias ganha novo ouro na Paralimpíada do Rio

Com o pódio, Daniel Dias chega a sua 20ª medalha em jogos olímpicos, em 12 anos de paralimpíadasReuters/Sergio Moraes/Direitos Reservados

 

Agência Brasil

 

 

Com vibração da torcida, Brasil ganha ouro inédito na classe BC3 da bocha

 

Marcelo Brandão - Enviado especial da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Brasileiros Antônio Leme, Evelyn de Oliveira e Evani Soares da Silva disputam final da bocha BC3 contra equipe da Coréia do Sulnos Jogos Paralímpicos Rio 2016 (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Junto com Antônio Leme, as paratletas Evelyn de Oliveira e Evani Soares da Silva disputam final da bocha BC3 contra equipe da Coréia do Sul nos Jogos Paralímpicos Rio 2016Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil conquistou hoje (12) um ouro inédito na classe BC3 da bocha adaptada. A medalha veio depois de uma partida muito disputada contra a Coreia do Sul. A torcida, que foi chegando aos poucos à Arena Carioca 2, cantou, gritou, vibrou e até brigou com o juiz, que puniu ao time brasileiro após uma jogada na última parcial.

Ao som dos gritos de “Brasil” vindos das arquibancadas, o paratleta Evani da Silva adorou jogar com a torcida a seu favor. “Isso foi sensacional, adorei. Nunca numa partida de bocha tem essa barulheira toda. E incentivou mais ainda, deu mais gás para irmos atrás mais ainda e deu mais gás para correr atrás e a gente conseguiu.”

O Brasil venceu a primeira parcial por 3 a 0, vantagem foi importante nas duas etapas seguintes, quando a Coreia do Sul conseguiu fazer dois pontos. A quarta e última parcial foi polêmica. Após os coreanos posicionarem uma bola difícil de tirar, muito próxima da bola branca, Evelyn de Oliveira conseguiu uma bela jogada e afastou a bola coreana, mas o árbitro invalidou o lançamento. Depois de mais de cinco minutos de conversa com os dois times, a punição foi confirmada, sob muitos protestos da torcida.

A calha – utilizada para que os atletas com menor mobilidade possam jogar a bola – deveria ter sido movida entre uma jogada e outra, o que, segundo o árbitro, não aconteceu. Mesmo assim, o time brasileiro conseguiu outra boa jogada e afastou a bola adversária da bola branca.

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Sem mais bolas a jogar, restava aos brasileiros torcer para que o adversário não conseguisse reverter o posicionamento da bola branca. A cada bola coreana que passava longe do alvo, a comemoração de um gol ecoava das arquibancadas. Final de jogo, Brasil 5 a 2 e o Hino Nacional tocado na Arena Carioca 2.

“É fantástico viver essa experiência no Brasil, jogar com os melhores do mundo. Estou extremamente feliz e agradecendo a Deus por ele reservar esse presente para a gente”, disse Evelyn.
Logo após a conquista, o capitão da equipe, Antônio Leme, que fala com muita dificuldade e é ajudado por seu irmão, Fernando, disse que não estava acreditando na medalha.

Fernando é o calheiro de Antônio. É ele que posiciona a calha – sob orientação do irmão – para que a bola seja lançada na direção desejada. O calheiro precisa ficar de costas para a quadra, olhando apenas para o atleta e seguindo suas orientações de posicionamento. O final da partida foi particularmente angustiante para Fernando.

“Se já é difícil para ele que está vendo [a quadra], imagine para mim, que está de costas. É difícil, eu só ouvia o barulho da torcida. A cada barulho era um erro deles, mais um barulho, mais outro, até que acabaram as bolas e a medalha era nossa.”

Esporte adaptado

Na bocha, o objetivo é lançar as bolas coloridas o mais perto possível da bola branca. É permitido usar as mãos, os pés, instrumentos de auxílio e até ajudantes no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros. Cada time lança seis bolas por rodada e precisa aproximar sua bola da bola branca e também afastar a do time adversário.

Os atletas são classificados como CP1(deficiência mais severa) ou CP2 e divididos em quatro classes. Na BC1, estão atletas CP1 ou CP2 com paralisia cerebral que podem competir com auxílio de ajudantes. Na BC2, atletas CP2 com paralisia cerebral que não podem receber assistência. Na BC3, aqueles com deficiências muito severas e que usam um instrumento auxiliar, podendo ser ajudados por outra pessoa. A BC4, por sua vez, conta com atletas com outras deficiências severas, mas que não recebem assistência.

 

Agência Brasil

 

 

Brasil ganha ouro com Alessandro Silva no lançamento de disco

 

Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil

Alessandro Rodrigo Silva ganha ouro no lançamento de disco

Alessandro Rodrigo Silva ganha ouro no lançamento de disco e bate recorde paralímpicoReuters/Jason Cairnduff/Direitos Reservados

O atleta Alessandro Silva conquistou hoje (12) a medalha de ouro no lançamento de disco na Classe F11 (cego total) da Paralimpíada 2016. Com a marca de 43,06, ele também bateu o recorde paraolímpico do esporte.

A marca recorde anterior era do espanhol Alfonso Lopez-Fidalgo, de 44.44m, atingida em Madri, em 1998.

O segundo lugar e a medalha de prata foram para o italiano Oney Tapia, com a marca de 40,89m, e o bronze foi para o espanhol David Casinos Sierra, com 38,58 m.

 

Agência Brasil

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