O município de Terra de Areia, maior produtor de abacaxi do Rio Grande do Sul, comemora uma safra considerada uma das melhores dos últimos anos. Segundo a Emater/RS-Ascar, cerca de 8 milhões de frutos devem ser colhidos neste ciclo, resultado do trabalho de 120 famílias em aproximadamente 130 hectares.
Qualidade diferenciada
De acordo com o extensionista rural Wolnei Fenner, as condições climáticas recentes favoreceram o desenvolvimento das plantações, garantindo frutos de alta qualidade.
“A safra deste ano está superando todas as expectativas. O clima contribuiu muito, proporcionando maior qualidade e quantidade de frutos. Os produtores estão muito contentes”, destacou.
Por ser uma fruta não climatérica, que não amadurece após a colheita, o abacaxi precisa ser colhido próximo ao consumo. Essa característica, somada à proximidade com os consumidores gaúchos, garante vantagem competitiva frente aos frutos vindos de outros estados, que chegam mais ácidos e com menor teor de açúcar por serem colhidos ainda verdes.
Investimento em manejo
Os produtores locais têm investido em técnicas de manejo, como maior adubação, para aumentar o tamanho dos frutos. “O abacaxi de Terra de Areia sempre foi muito bom, mas considerado pequeno. Hoje conseguimos frutas maiores e mais valorizadas no mercado”, explicou Fenner.
A produção é comercializada em centrais de abastecimento, feiras e tendas, além de chegar diretamente às casas dos consumidores por meio de vendedores itinerantes.
História e sucessão familiar
Entre os agricultores está José Erídio Engel, que cultiva abacaxi há 25 anos. Em sua propriedade, de 7 a 10 hectares, a colheita anual varia entre 100 mil e 120 mil frutos, vendidos diretamente ao consumidor.
“Prefiro plantar menos e vender direto, sem atravessadores. Assim consigo uma remuneração melhor”, afirmou.
Apesar de um inverno rigoroso que atrasou o ciclo, o verão tem favorecido a safra. A colheita começa em outubro e segue até o Carnaval, período de maior demanda.
Engel já garantiu a continuidade da atividade: seus filhos Jonas (27) e Geovana (19) decidiram seguir no cultivo.
“Ensinei meus filhos a trabalhar na roça. Eles viram nosso crescimento com o abacaxi e pegaram gosto pela atividade”, contou o agricultor.
Geovana reforça a paixão herdada do pai:
“Aprendi a gostar de ver a fruta crescer, cuidar e colher. É gratificante ver a lavoura linda e cheia de frutos grandes.”
Símbolo de identidade
O abacaxi é mais que uma cultura agrícola em Terra de Areia: é sustento, tradição e identidade. Para famílias como a de Engel, representa não apenas renda, mas também a continuidade de uma história que atravessa gerações.
📌 Em resumo: Terra de Areia vive uma safra histórica de abacaxi, marcada por qualidade superior, técnicas modernas de cultivo e sucessão familiar que garante o futuro da produção no município.

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