ONG denuncia massacre em protestos no Irã; quase 500 mortos

 


O governo iraniano foi acusado neste domingo (11) de realizar um massacre ao reprimir os protestos que tomam conta do país há duas semanas. Segundo a agência norte-americana HRANA (Human Rights Activists News Agency), pelo menos 490 pessoas foram mortas nos últimos dias. A informação foi divulgada pela CNN, que ainda não confirmou os números de forma independente.

Origem dos protestos

As manifestações começaram motivadas pelo aumento do custo de vida, mas rapidamente evoluíram para um movimento contra o regime teocrático que governa o Irã desde 1979.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu às autoridades iranianas “máxima moderação” e que se abstenham de usar força desproporcional.

Reação oficial

O governo decretou três dias de luto nacional em memória dos “mártires”, incluindo membros das forças de segurança mortos nos confrontos. O presidente Masoud Pezeshkian convocou a população para uma “marcha nacional de resistência” nesta segunda-feira, acusando os manifestantes de serem “criminosos terroristas urbanos”.

Essas mobilizações representam um dos maiores desafios ao líder supremo Ali Khamenei, de 86 anos, após a guerra de 12 dias contra Israel em junho.

Escalada de tensões

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, em caso de ataque militar dos EUA, “instalações militares e navais americanas serão alvos legítimos”. Em Jerusalém, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou esperar que “a nação persa seja libertada do jugo da tirania”.

Bloqueio da internet e hospitais sobrecarregados

Apesar do bloqueio total da internet, que já dura mais de 60 horas, vídeos de protestos em cidades como Teerã e Mashhad continuam circulando nas redes sociais.

A organização Netblocks alertou que a censura digital ameaça diretamente a segurança da população. Já o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) denunciou que hospitais estão sobrecarregados, estoques de sangue se esgotam e muitos manifestantes foram baleados nos olhos.

“Um massacre está acontecendo no Irã. O mundo precisa agir agora para evitar mais perdas de vidas”, afirmou o CHRI.

Prisões e crise econômica

O chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, anunciou prisões “significativas” de líderes dos protestos, sem detalhar números ou identidades. O chefe de segurança Ali Larijani diferenciou manifestações econômicas “compreensíveis” de “tumultos” semelhantes a métodos terroristas.

Enquanto isso, Teerã está praticamente paralisada. O preço da carne quase dobrou desde o início dos protestos e muitas lojas fecharam. O exilado Reza Pahlavi, filho do xá deposto, declarou estar preparado para apoiar a mobilização popular.

Fonte: Correio do Povo

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